Glória querida, continue conosco!





De todos nós, que há mais de vinte anos batalhamos por uma escola pública de qualidade para todos, uma pessoa tem o brilho mais especial, a prática mais digna, a sensibilidade mais profunda, a inteligência mais aguçada e os maiores conhecimentos sobre educação. É a professora Glória Reis, autora do livro Escola, instituição da tortura. Com muita tristeza, acabamos de ler a mensagem a seguir em seu blog e esperamos que sua decisão não seja definitiva.

Quando as palavras não podem ser mais dignas que o silêncio, é melhor a gente calar-se e esperar. Denunciar diante de quem? Para quem? (Eduardo Galeano)

Quando iniciei este blog em julho de 2005, foi imbuída da certeza de que, com o uso da mais moderna ferramenta de comunicação, a internet, unida a companheiros e companheiras com o mesmo objetivo, conseguiríamos, até que enfim, atingir a estrutura carcomida da instituição “escola”.

Meu objetivo era unicamente tratar de temas que se referissem à vida de nossas crianças e adolescentes, em especial educação e escola. Enfrentei autoritarismo, cinismo, indiferença, crueldade, burrice, enfim, toda essa cultura de descaso e violência que cerca a (des)educação de nossas crianças.

Em 1975, Everett Reimer escreveu o famoso livro “A escola está morta”, no qual afirma que “a menos que os atuais padrões escolares sejam completamente abandonados, não se poderá jamais conservar as crianças pobres nas escolas pelo mesmo tempo que as ricas”.

Ele completou:
“A escola dos tempos modernos tornou-se mais poderosa do que a igreja da idade média. O homem moderno se sujeita mais à influência da escola do que o homem medieval se sujeitava à influência da igreja.”

Achei que o Everett Reimer exagerava. Havia esperança. Os tempos mudando, a escola mudaria.

Ledo engano. Mudou sim, para pior. Com o passar do tempo, tenho assistido a mais horrores dos que os que descrevi em meu livro “Escola, instituição da tortura”, em 2004.

Fui tomada pela mágoa quando descobri que nos meus próprios projetos que coordenei durante anos, faltavam afeto e responsabilidade no atendimento a nossas crianças.

Com a desesperança (o tempo, a saúde...), encerrei meus projetos e minha missão neste blog.

Agradeço a todos os leitores desses anos e comunico que continuo com o projeto Recomeço (o jornal dos detentos) trabalhando no jornal impresso e no
blog.

Glória Costa Reis

Comentários

Giulia disse…
Eu realmente entendo a posição da Glória. Ela é inteligente demais para essa mediocridade que está aí. A comparação que Everett Reimer faz entre o poder da igreja na idade média e o da escola hoje é extremamente acertada: como vivemos denunciando, os conselhos de escola tornaram-se TRIBUNAIS DA INQUISIÇÃO PARA A EXPULSÃO DE ALUNOS. E ninguém contesta... Falta muito a disucssão mais séria desse tipo de assunto. Já procuramos até os jornalistas que compõem o conselho do Instituto Vladimir Herzog, mas não obtivemos retorno... O que esperar, em um país onde nem os formadores de opinião se importam com o que acontece dentro das escolas?...
cremilda disse…
Não, ela está enganada.
Não pode abandonar a luta.
Uma luta desiqual sim, mas o importante é semear, onde vai germinar a semente,não mais problema nosso.
Anônimo disse…
Giulia
eu também muitas vêzes pensei em jogar a toalha.
acho que a Glória vai entender que não é esse o caminho....e vai reconsiderar....

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