
Esta pergunta foi colocada no portal Luis Nassif no Fórum Propostas para a Educação, em que alguns debatedores não entendiam porque a sociedade se cala diante do sucatamento do ensino público. Segue a mensagem que postei lá, para discussão aqui no nosso espaço.
Quando se pergunta por que a sociedade não reclama, entende-se os pais de alunos da rede pública. Esse é o problema! Se a sociedade como um todo entendesse que o problema é grave e prejudica todo o país, isso poderia ser o início de uma verdadeira mudança. Mas não é esse o caso. Os filhos dos formadores de opinião estudam na rede particular e isso causa um certo desinteresse pelo ensino público. Uma pena! Eles não fazem idéia de quanto seus próprios filhos poderão vir a ser prejudicados mais tarde...
Por outro lado, certos pais de alunos da rede pública, como eu, reclamam em todas as instâncias possíveis, mas não recebem apoio da mídia, sem o qual nenhuma questão consegue tomar proporções consideráveis. E a mídia só se interessa por assuntos que envolvem grande número de pessoas. Parece um contrasenso, pois a grande maioria da população brasileira tem seus filhos na rede pública, mas não reclama. Nem na escola e muito menos publicamente.
Na escola, os pais que reclamam costumam ser tratados por diretores e demais profissionais como arruaceiros e baderneiros. Na melhor das hipóteses, como desocupados. Recebi de meus próprios filhos alguns "recados" de professores e diretores de escola, no sentido de eu "arrumar algumas roupas ou panelas para lavar". Esses "profissionais" nunca tiveram coragem de me dizer isso pessoalmente, pois sabiam que eu responderia à altura e que tinha algum contato com a mídia, o que poderia "expor" a escola. Os pais mais humildes, porém, ao reclamar, não recebem recados: eles costumam ser tratados aos gritos ou ameaçados, além de terem seus filhos marcados e perseguidos, manobra que funciona em 99% dos casos, já que os pais da rede pública não têm outra opção a não ser a escola do bairro. Mudar os filhos para outra escola do mesmo bairro significa levar para lá o histórico de "aluno problema", "laranja podre que contamina as outras".
Reclamar publicamente pode ser extremamente estressante, como no caso de duas mães da rede municipal de São Paulo, que fizeram sérias denúncias e tiveram seus filhos perseguidos de forma vergonhosa. Levei essas mães pessoalmente para a SME, elas foram "submetidas" a uma ridícula investigação que concluiu pela "inconsistência" das denúncias e isso incentivou a diretora da escola a vingar-se das mães abrindo inquérito policial contra elas. Vou dar apenas uma idéia de algumas das denúncias, mais do que comprovadas nos livros de ocorrências e de atas do Conselho de Escola:
- exibição da fita pirata Tropa de Elite para alunos de 6ª Série;
- funcionária tira sapato do pé de uma criança e o atira nas costas de outra, deixando marcas testemunhadas pelo próprio presidente do Conselho de Escola, que não foi interrogado durante a investigação;
- reforma irregular do prédio, realizada durante horário de aulas, com crianças passando embaixo de andaimes;
- compra de copiadora adquirida de parente da diretora, sem aprovação do Conselho nem coleta de orçamentos.
Ao receberem a intimação da delegacia, levei essas mães novamente à SME e desta vez fomos atendidos pelo próprio secretário Alexandre Schneider, que foi tão "charmoso" e amável quanto costuma ser, negou-se porém a interferir no assunto junto à diretora da escola... Moral da história: as mães continuaram a ser as "baderneiras" da escola, já que a diretora fez a cabeça de toda a comunidade escolar contra elas, e seus filhos continuaram sendo as "crianças-problema".
Quando se pergunta por que a sociedade não reclama, entende-se os pais de alunos da rede pública. Esse é o problema! Se a sociedade como um todo entendesse que o problema é grave e prejudica todo o país, isso poderia ser o início de uma verdadeira mudança. Mas não é esse o caso. Os filhos dos formadores de opinião estudam na rede particular e isso causa um certo desinteresse pelo ensino público. Uma pena! Eles não fazem idéia de quanto seus próprios filhos poderão vir a ser prejudicados mais tarde...
Por outro lado, certos pais de alunos da rede pública, como eu, reclamam em todas as instâncias possíveis, mas não recebem apoio da mídia, sem o qual nenhuma questão consegue tomar proporções consideráveis. E a mídia só se interessa por assuntos que envolvem grande número de pessoas. Parece um contrasenso, pois a grande maioria da população brasileira tem seus filhos na rede pública, mas não reclama. Nem na escola e muito menos publicamente.
Na escola, os pais que reclamam costumam ser tratados por diretores e demais profissionais como arruaceiros e baderneiros. Na melhor das hipóteses, como desocupados. Recebi de meus próprios filhos alguns "recados" de professores e diretores de escola, no sentido de eu "arrumar algumas roupas ou panelas para lavar". Esses "profissionais" nunca tiveram coragem de me dizer isso pessoalmente, pois sabiam que eu responderia à altura e que tinha algum contato com a mídia, o que poderia "expor" a escola. Os pais mais humildes, porém, ao reclamar, não recebem recados: eles costumam ser tratados aos gritos ou ameaçados, além de terem seus filhos marcados e perseguidos, manobra que funciona em 99% dos casos, já que os pais da rede pública não têm outra opção a não ser a escola do bairro. Mudar os filhos para outra escola do mesmo bairro significa levar para lá o histórico de "aluno problema", "laranja podre que contamina as outras".
Reclamar publicamente pode ser extremamente estressante, como no caso de duas mães da rede municipal de São Paulo, que fizeram sérias denúncias e tiveram seus filhos perseguidos de forma vergonhosa. Levei essas mães pessoalmente para a SME, elas foram "submetidas" a uma ridícula investigação que concluiu pela "inconsistência" das denúncias e isso incentivou a diretora da escola a vingar-se das mães abrindo inquérito policial contra elas. Vou dar apenas uma idéia de algumas das denúncias, mais do que comprovadas nos livros de ocorrências e de atas do Conselho de Escola:
- exibição da fita pirata Tropa de Elite para alunos de 6ª Série;
- funcionária tira sapato do pé de uma criança e o atira nas costas de outra, deixando marcas testemunhadas pelo próprio presidente do Conselho de Escola, que não foi interrogado durante a investigação;
- reforma irregular do prédio, realizada durante horário de aulas, com crianças passando embaixo de andaimes;
- compra de copiadora adquirida de parente da diretora, sem aprovação do Conselho nem coleta de orçamentos.
Ao receberem a intimação da delegacia, levei essas mães novamente à SME e desta vez fomos atendidos pelo próprio secretário Alexandre Schneider, que foi tão "charmoso" e amável quanto costuma ser, negou-se porém a interferir no assunto junto à diretora da escola... Moral da história: as mães continuaram a ser as "baderneiras" da escola, já que a diretora fez a cabeça de toda a comunidade escolar contra elas, e seus filhos continuaram sendo as "crianças-problema".
Comentários
Já acordei do sonho.
Acreditar, de hoje em diante, significa PRA MIM, delirar - não mais sonhar.
Colocou no Forum ou no seu blog..
Sei não, pode ser implicância minha, mas parece que seu blog ficou muito mansinho depois de sua entrada no Portal do Nassif.
Mas não deu nome da escola, fica na base do faz de conta....
Se tivesse dado o nome da escola aí sim, eu ia sentir firmeza, mas assim meio no ar...
Bem, que se pode fazer....
Assim você não vai nunca cutucar ninguém e portanto não corre o risco de ser expulsa...
Pode e deve.
Se eu não puder implicar, não volto mesmo.
MAS QUE GIRA, GIRA...
Eu desisti justamente porque batia de frente muitas vezes. Isso me cansou e, além de me destruir fisicamente, acabou com meus sonhos de uma educação melhor.
Continuem a lutar, mas com a suavidade da inteligência!!!!
Sou professor da rede pública e acompanho o seu blog pq ele me dá subsídios para fazer a reflexão com meus colegas.É bom vê esse lado dos pais numa rede q costuma ser pouco cobrada pl família.Queria ver mais pais como vc aqui em Alagoas.
Acho q 98% do q vc publica tem razão de ser.
E antes q vc presuma eu não tenho filhos,mas acredito na rede pública e pretendo colocá-los nela pq é essa educação q é a cara do Brasil, portanto dessa forma me faz preocupar mais com ela.
http://mse.mec.gov.br/
Muito bom artigo, eu e minha esposa já sentimos exatamente isso na pele.
Hoje, após ter desistido de dar murro em ponta de faca, desdobro-me para pagar uma escola particular.
Gostaria muito que os demais pais também tomassem uma atitude contra toda essa irregularidade.
[]’s
Cacilhας, La Batalema