Violência na escola


O amigo Victor diz que este blog culpa o "profissional do ensino" pela falência do sistema educacional.

Mais uma vez repetimos que existem profissionais - e profissionais. Os competentes e compromissados com o aluno, que infelizmente são minoria no país, merecem todo o nosso respeito. E eles sabem disso! Não é à toa que contamos, entre os nossos leitores, profissionais do ensino como a Glória Reis, a Edilva Bandeira, o Juarez Firmino, a Márcia Fernandes, a Vera Vasconcelos e muitos outros que entendem nossa língua.

O pior profissional não é o que está em sala de aula. Quanto maior a hierarquia, maior a responsabilidade. Entre um professor, coordenador pedagógico, diretor de escola, supervisor de ensino, dirigente e secretário da educação, a maior responsabilidade é do secretário. De todos os secretário de educação que conheci, o único que mereceu o S maiúsculo foi Mário Sérgio Cortella. (Não por acaso, seus filhos estudaram na rede pública...) Sua política educacional era tão bem elaborada que a rede municipal de São Paulo, naquela época, conseguiu aumentar um turno nas escolas, funcionando a contento. Além disso, a aula vaga era quase nula, os projetos pedagógicos magníficos e muito bem conduzidos. Enfim, ele tirava leite de pedra. E nada de violência nas escolas! Os pais de alunos tinham uma linha direta de contato com a supervisão de ensino e ninguém se atrevia a mexer com os nossos filhos.

Vamos agora analisar o assunto tratado no link abaixo, que ocorreu no município de Vera Cruz:
Professora é acusada de agredir aluno com régua no interior de São Paulo

É óbvio que o aluno disse a verdade e que a professora mentiu ao negar a agressão. Mas ela negou porque pôde. Ela sabe que o processo administrativo não vai dar em nada, trata-se da palavra dela contra a de um aluno de seis anos, que costuma "ter fantasias" (como as "autoridades" costumam alegar). A diretora da escola, como de costume, não se pronunciou, disse que "vai apurar os fatos".

O único problema dessa escola é que o caso foi parar na mídia, por isso VAI TER que haver uma apuração. Nós do EducaFórum sabemos como isso funciona: os coleguinhas do aluno, crianças de 6 anos de idade, vão ser "triturados" até confessarem qualquer coisa, apenas para acabar com o interrogatório. Serão até capazes de assumir a culpa, rsrs. Ou talvez serão induzidos a acreditar que o aluno caiu e bateu a cabeça na parede. Ou ainda que foi agredido por um aluno com o dobro da idade durante o intervalo... Conheço bem essas sessões de tortura psicológica de portas fechadas! Lembram do caso da menina de São João da Boa Vista, acusada injustamente de colocar fogo na lixeira da classe? A diretora fez DUAS SESSÕES de duas horas cada, até conseguir que os alunos "caguetassem" a menina, que já havia sido expulsa. E conseguiu!

Mas é bem provável que, daqui para frente, a única mídia de olho no assunto seja este modesto bloguinho, rsrs.

Nota ZERO para essa escola de Vera Cruz cujo nome nem foi divulgado na reportagem! Nota ZERO para o secretário de educação da cidade, onde esse tipo de agressão é frequente. Nota ZERO para a diretoria de ensino que, na pior das hipóteses, vai "advertir oficialmente" a professora, "caso a agressão for comprovada". Nota ZERO para a diretora da escola, que não vai apurar nada, apenas cometer violência psicológica contra uma classe de crianças de 6 anos. Nota ZERO para a professora, que agrediu uma criança indefesa e ainda deu aos seus alunos o exemplo da mentira.

Nota ABAIXO DE ZERO para a prefeita da cidade, que certamente pressionou a emissora para não divulgar o nome da escola nem dos envolvidos. E a MENÇÃO DESONROSA vai para a Rede Globo, que mais uma vez faz a cobertura covarde e omissa de um crime da escola contra aluno. Se fosse o contrário - aluno batendo em professor - o Brasil inteiro estaria comentando o assunto, que certamente iria parar no fantástico (com f minúsculo)...
PARABÉNS aos pais do menino, que fizeram BO e assim trilharam o caminho da Justiça e da Lei. Vivemos num estado de direito marcado pela omissão e pela covardia das autoridades. Só a ação consciente e cidadã poderá mudar o status quo.

Ah, como gostaríamos que a má qualidade do ensino fosse o pior problema educacional do país!

Comentários

Anônimo disse…
Que elementos temos para afirmar com tanta categoria que "É óbvio que o aluno disse a verdade e que a professora mentiu ao negar a agressão.", conforme voce afirmou no texto?
Giulia disse…
Anônimo, desculpe, esqueci de postar a foto da testa do menino, onde aparecem o ferimento e o galo. Também assisti o vídeo, que não encontrei mais para colocar no blog.
Anônimo disse…
Seguinte
Vera Cruz é subordinada a Diretoria de Ensino de Marilia.
O prefeito de Marilia, professor Bugarelli, isso mesmo um professor que saiu da escola pública marido de uma professora.
Esse prefeito é reeleito e disputou com o Camarinha que perdeu
Então o prefeito professor e sua esposa professora.
Professor naquela região é um DEUS.
Pode tudo.
As diretorias de Ensino de lá não atendem a imprensa quando é um caso desses, por ordem expressa do prefeito professor de escola pública.
TÁ DOMINADO, TÁ TUDO DOMINADO.
Anônimo disse…
Você não entendeu, Giulia. Eu não duvido que a criança está ferida, o que eu perguntei foi: como se pode ter tanta certeza que a professora mentiu? Foi feita alguma investigação ou simplesmente pelo fato dela ser professora já se depreende que ela é mentirosa?
Victor Zazuela disse…
Pessoal, calma...
Antes de tudo vamos esclarecer algumas coisas. A escola era municipal ou estadual? No primeiro caso, a Diretoria de Ensino nada tem que ver com a escola, pois há uma secretaria municipal de educação no referido município. Trata-se de realmente obter maiores esclarecimentos.
O fato - que é o que importa - é de que uma criança foi agredida, o que significa, no mínimo, um absurdo. Sendo agredido ou não pela professora, a violência existiu e merece uma investigação profunda, séria e isenta (nem sei se isso é possível, hoje em dia, uma vez que toda a sociedade está marcada por corporativismo e cinismo.
Cara Giulia, quando crítico é tentando indicar que existe solução, pois há inúmeros profissionais sérios - já cansados, reconheço.
Tento abordar os assuntos de uma forma que se possa incrementar as discussões com um leque de elementos que não se resume ao mau profissional, apenas isso.
A educação é algo tão sério que ultrapassa até mesmo o trabalho do docente. É um processo dinâmico, político e filosófico. Tais conceitos sequer foram ainda admitidos e compreendidos pela sociedade brasileira.
Lamento muito que o processo ensino-aprendizagem tenha fixado residência na violência. É triste.
Mas isso revela ferimentos, não é a causa.
Ainda temos muito a caminhar.
Giulia disse…
Anônimo (qual deles?... não é melhor inventar um pseudônimo?), me parece óbvio que uma criança de 6 anos, ferida, conte para a mãe que a veio buscar... a verdade. Se ela fosse adolescente e tivesse algo a esconder, seria possível supor uma mentira. Sobre a "investigação" já falei: vão massacrar a classe inteira para sustentar a mentira da professora.
Anônimo disse…
Victor
Imaginar que o fato do prefeito de Marilia e sua esposa serem professores de escola pública não influencia no comportamento de Vera Cruz, deve ser por não conhecer o poder de um prefeito em cidadezinha do interior.
A diretoria de ensino de Marilia é estadual, acha mesmo, meu amigo que ela não influencia em nada na cidade de Vera Cruz, uma cidade deste tamanhinho e colada com Marilia?
Giulia disse…
A escola é municipal.
Giulia,

Coloquei o vídeo no seguinte endereço:
http://vodpod.com/watch/3467731-professora-acusada-de-agredir-aluno-com-rgua

Lá também existe o código para você incorporar o vídeo no seu blog.

Embora a escola seja municipal, a Secretaria Estadual de Educação também é obrigada a fiscalizá~la.

Como a reportagem não falou o nome da escola, vamos divulgar o nome de todas as escolas de ensino infantil:
= FAZENDA SANTANA CMEI DA
- FLORENTINO SANTAMARIA MONS EMEI
- SAO FRANCISCO DE ASSIS EMEI CRECHE
- SITIO BANDEIRANTES CMEI
- ZORAIDE MEZENGA HARAGUCHI PROFA EMEI
Giulia,

Este é o link da reportagem da TV TEM:
http://tn.temmais.com/noticia/8/5688/professora_e_acusada_de_agredir_aluno_em_escola_de_vera_cruz.htm
Metas - Bernake disse…
Virou bagunça!!!!

Mesmo que a professora não o tenha feito, a escola é responsavel pela integridade fisica de seus alunos.

Mesmo que outro aluno tenha batido na criança (o que eu não acredito nesse caso), a escola (parte administrativa, como coordenação e/ou diretoria) deveriam ser punidos.

Mas como estamos em um estado de "manda quem pode e obedece quem tem juizo", nada irá acontecer.
Cristiano disse…
Giulia, eu sou o anônimo do primeiro comentário....

Conheço crianças de seis anos que mentem muito bem.
Giulia disse…
E eu conheço muitos marmanjos que mentem mais ainda...
Victor Zazuela disse…
"Embora a escola seja municipal, a Secretaria Estadual de Educação também é obrigada a fiscalizá~la."
Isso não procede.
Câmara Municipal de Vera Cruz


A SUA PARTICIPAÇÃO É MUITO IMPORTANTE PARA NÓS.

COLABORE COM O LEGISLATIVO, DÊ SUA OPINIÃO, CRÍTICA OU SUGESTÃO.

ENTRANDO EM CONTATO COM O NOSSO EMAIL E TELEFONE.

camveracruz@terra.com.br

(14) 3492-1437
Giulia disse…
Victor, procede sim! O que acontece é que na rede pública de ensino não há fiscalização alguma. A fala da Secretaria Estadual da Educação é sempre a mesma lenga-lenga: "Temos mais de 5 mil escolas na rede, não damos conta." Assim, na cara dura! Então, se eles não fiscalizam nem mesmo as escolas da própria rede, quando é que vão fiscalizar as da rede particular e municipal?...
Victor Zazuela disse…
Giulia,
tenho 17 anos de trabalho na SEE e nunca ouvi dizer que a Secretaria de estado tem a obrigação de fiscalizar a Rede Municipal. Em casos de convênios, tais como merenda escolar, empréstimo de merendeiras etc, eu sabia, claro. Sei também que Supervisores e as próprias diretorias de ensino fiscalizam, aprovam planos etc de escolas particulares.
Realmente procede tal informação?
Vivendo e aprendendo.
Você teria os termos legais que embasam essa obrigatoriedade?
Cristiano disse…
Também conheço marmanjos que mentem, mas isso não quer dizer que todacriança sempre fala a verdade. Há que se investigar essa história, antes de condenar por suspeita, ou melhor, condenar só por que a pessoa é professora.
Giulia disse…
Sim, é próprio da criança fantasiar a realidade, ela ainda não conhece o mundo. Mas porque ela mentiria para a mãe num caso como esses? Quem tem ou teve filho pequeno entende bem essas coisas... E levar uma reguada na cabeça é uma forma bem drástica de conhecer o mundo.
É claro que tudo precisa ser investigado, mas da forma como funcionam os processos administrativos, é pior a emenda do que o soneto. E a culpa é SEMPRE da criança.
Victor Zazuela disse…
Claro, temos que insistir na investigação - que seja séria também. Não só pra inglês ver...

Lembremos do caso da Escola-Base, em São Paulo.
Até hoje qual o destino da verdade naquele caso. Vidas destruídas pela condenação apressada.
mãe de aluno da escola disse…
Passado algum tempo, atenta ao caso, e até então só observando notei o seguinte, como a cidade é pequena é fácil colher dados, nenhum pai da sala da criança ficou sabendo por seus filhos, e sim pela midia, alunos foram ouvidos e ninguém viu o amigo machucado durante o periodo de aula, e nem viu a professora agredindo o menino, pelo contrario, todas as crianças dizem que´ela é muito atenciosa, carinhosa, a mãe veio reclar do machucado não na saida, mas após 20 minutos da entrega dos alunos, e o curioso pediu indenização...Como fica a profissional que embora tudo indica ter falado a verdade? E se realmente falou a vdd a dor da injustiça que ela não passou? Como reparar tal erro?

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