Dislexia no Brasil - Alguma solução?


Mais uma vez queremos aqui debater o assunto dislexia, pois costumamos receber muitos apelos de pais preocupados com o progresso escolar de seus filhos disléxicos. Não vamos mais recomendar visitas a sites ou organizações voltadas para a questão, pois o retorno não tem sido positivo. Aparentemente, a dislexia e outras disfunções como o DDA e o TDAH continuam bastante desconhecidas no Brasil e as pesquisas andam a passos de lesma. Se alguém puder recomendar algo que tenha realmente RESOLVIDO a vida escolar de seus filhos, por favor informe para o e-mail educaforum@hotmail.com.

Seguem alguns depoimentos a respeito:

Olá, meu nome é Debora. Sou mãe de um garoto dislexo, hj ele tem 8 anos, vou contar-lhes um pouco da nossa historia... que hj ainda é uma luta e uma busca. Meu filho sempre foi lento na escola e tinha dificuldades, eu sempre atribui isso a minha separação que foi brusca com muita dor... pois ele amava seu pai. O tempo passou e ele foi p terapia... 3 anos de terapia. Ele tinha 3 anos qdo td aconteceu, hj 8 anos. A escola ele odiava... e eu sempre comprando o melhor p ele mesmo em dificuldades p ver se o interesse voltava, mas que nada, as escolas, os professores,nem mesmo o pai o ajudavam... e eu ali, te amo filho, quero te ajudar, vc precisa ir p escola, palavras de mãe com mta dor no coração. Até que um dia ano passado a coordenadora da escola me chama e na frente dele me diz absurdos e mais absurdos.. até o ponto das palavras doerem em mim, e eu procurar ajuda... sabe seu filho passará da primeira p segunda, da terceira p quarta, lá ele podera estar retido dois anos e depois passará até a 8serie e lá se retem mais duas vezes, e aí se nao tiver condiçoes de acompanhamento recebe um certificado de conclusão, e aí será um pedreiro, um pintor. Não tenho nada contra essa profissão, mas quem é ela p dizer o que meu filho será. Procurei ajuda, com o laudo na mão pesquisei, leio sobre o assunto, mas ninguém sabe nada, tenho uma professora que o ajuda muito a tarde, aula particular, mas sobre td o amor... eu o amo incondicionalmente, sei que um dia td vai passar eu acredito, assim como vc mãe que de repente perdeu as esperanças... Fiquem com DEUS... bjs no coração.
Mãe de um aluno

A dislexia é um distúrbio de aprendizagem que causa imensos sofrimentos às crianças e também aos adultos, pois os sintomas persistem por toda a vida. Todo este sofrimento e dificuldades que os disléxicos passam poderiam ser evitados se não vivêssemos na cultura da sacralização da leitura, do livro, do intelecto. E sabemos o quanto isso se dá, principalmente nas escolas, justamente onde o estudante deveria ser visto como um todo, com suas múltiplas potencialidades, independente da sua dificuldade com a escrita e a leitura. Certa vez li sobre um dos maiores cirurgiões dos EUA, que só conseguiu estudar Medicina porque nos países mais adiantados não há repetência nem vestibular. Então, ele conseguiu terminar o ensino básico e ser aceito numa faculdade, embora com notas baixíssimas. E este médico, hoje, salva milhares de crianças sendo especialista em cirurgias de tumores no cérebro. Se fosse no Brasil seria, certamente, mais um refugo da escola.
Professora Glória Reis

Disléxicos famosos:

Hans Christian Andersen, entre outros livros infantis, é autor de O Patinho Feio, história que bem reflete estados psicológicos de um disléxico severo, sua baixa auto-estima, a consciência de seu potencial. Esse livro foi traduzido em muitos idiomas através de quase todo o mundo. Por causa de sua severa disgrafia, as histórias de Andersen foram ditadas a um escriba. Ele teve sérias dificuldades na escola e durante toda a sua vida, não conseguiu aprender a soletrar e a escrever em sua língua nativa.

Cher, cantora e atriz: "Meus dias na escola foram muito difíceis. Eu só conseguia aprender através de meu canal auditivo. Por isto, em meu boletim sempre constava a seguinte observação: Não se valeu de todo seu potencial para aprender".

Winston Churchill, estadista: "Fui totalmente desestimulado em tudo, em meus dias de escola. E nada é mais desencorajador do que ser marginalizado em sala de aula, o que leva a nos sentirmos inferiores em nossa origem humana".

Tom Cruise, ator: "Eu tinha que treinar a mim mesmo para concentrar minha atenção. Assim, me tornei muito visual e aprendi como criar imagens mentais para poder compreender o que lia".

Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos: "A mais satisfatória forma de arrebatamento é pensar, pensar e pensar".

Albert Eisntein, um dos maiores cientistas de todos os tempos: "Quando eu lia, somente ouvia o que estava lendo, e era incapaz de lembrar a aparência visual da palavra que lia".

Danny Glover, ator: "As crianças faziam piada de mim por causa da minha pele negra, de meu nariz grande, e porque eu era disléxico. Já como ator, demorou um longo tempo para que eu pudesse entender por que as palavras pareciam misturadas em minha mente e eu as pronunciava de maneira diferente".

Whoopy Goldberg, atriz: "Minhas lembranças da escola não são minhas favoritas...Nós não somos estúpidos - nós temos uma deficiência e essa deficiência pode ser superada".

Greg Louganis, duas vezes ganhador de Medalha de Ouro Olímpica: "Dislexia! Este era eu, este foi meu problema. Você não pode imaginar que alívio é para alguém com dezoito anos saber que não é mentalmente retardado".

Nelson Rockefeller, governador da cidade de New York: "Eu mesmo fui uma daquelas crianças enigmáticas - um disléxico, ou leitor reverso - E para mim, ainda hoje, é difícil ler".

Comentários

Gilda disse…
Infelizmente as escolas continuam exatamente como a Débora relata, não tolera diferenças nem sabe como proceder com um aluno disléxico, deixando a cargo da família toda a responsabilidade de ensinar seu filho que tem seu tempo e seu rítimo diferenciado dos demais alunos.
Resumindo nossos professores não foram capacitados para atender estes alunos, e não se atualizam assim como nossos escolas são jurássicas.
Giulia disse…
Oi, Débora, não consigo enviar e-mail para você! Não sei o que acontece com o seu endereço eletrônico (ou talvez com o nosso, rsrs, pois não consigo entrar no friendconnect). Manda uma mensagem para educaforum@hotmail.com, por favor! O comentário com o link para o seu endereço sumiu... Obrigada e abraço!
Maria Elvira disse…
Oi Giulia,
Professores não estão capacitados a atender dislexicos. Isto é tarefa para fonoaudiólogas e psicológas, que adoram dar pitaco mas nunca estão na escola quando a gente precisa. Professores podem e devem observar os sinais de que este problema de fato existe no aluno e sim encaminhar este aluno para ser avaliado se possível. Digo se possível, pois muito embora nossas amigas psicólogas e fonoaudiólogas estejam sempre nas TVs falando das car~encias escolares nunca estão disponíneis para atender alunos da rede pública quando os encaminhamos. A maioria dos pais de aluno das escolas públicas não pode pagar um tratamento de fono ou de psicóloga e a criança fica sem atendimento mesmo. As Secretarias de Saúde se recusam a fazer um trabalho conjunto com as Secretarias de Educação. Exigindo que os pais levem as crianças aos postos para uma infinda peregrinação que acaba em desistência. A maioria absoluta de crianças matriculadas em escolas públicas que apresenta baixo rendimento escolar é portadora de dislexia, dislalia, disgrafia, disortografia, discalculia e etc. Não é papel da escola nem das professoras dar conta destas car~encias assim como não cumpre a fono ou a psicóloga alfabetizarem as crianças.
Achei ótimo a discussão aparecer aqui, quem sabe vocês conseguem sensibilizar estas profissionais sempre tão solicitas para criticar o trabalho das professoras a se interessarem tb pelas crianças.
Renata disse…
Prezada Maria.
A capacitação e interesse de se informar parte também de cada profissional. O papel dos profissionais é de esclarecer o tratamento e de orientar a escola quanto possíveis estratégias para otimizar o aprendizado dessas crianças. A dislexia atinge cerca de 5% da população mundial e, portanto, a maioria das crianças não apresenta dislexia. O fracasso escolar é decorrente de uma série de questões, que em grande parte, são extrínsecas ao indivíduo. Podem ser por conflitos familiares/emocionais, falhas pedagógicas ou ambiente pouco estimulador. O transtornos de aprendizagem e comportamentais são exceções e merecem muita atenção. O fonoaudiólogo não vai alfabetizar a criança e sim facilitar o processo de alfabetização e corrigir outros problemas que estejam interferindo, como as trocas na fala, por exemplo. O que falta é vontade, estímulo, interesse por parte de muitos profissionais.