Ensino médio hoje: para quê?


Já disse aqui que esse papo de esquerda e direita é conversa de intelequituau hipócrita, que esconde sua falta de atitude atrás de teorias nebulosas. O maior exemplo é a Folha de S. Paulo, esse jornal que se diz "de esquerda", mas não compartilha com a população nem mesmo notícia ou artigo requentado, rs. Está claro que a folha (com f minúsculo) não está interessada na difusão do conhecimento.

O amigo Tertuliano trouxe, do clipping da Assembléia Legislativa, um artigo justamente publicado na Folha, que vale a pena reproduzir. Desafiando a tendinite, vou aqui copiar trechos do artigo, já que, como todos sabemos, a Folha não disponibiliza seus textos na internet.


A hora e a vez do ensino médio

A sociedade brasileira parece ainda não ter-se dado conta da crise que vem afetando nosso ensino médio, com previsíveis consequências para o desenvolvimento sustentável do país. Trata-se de uma verdadeira bomba-relógio.

Para entendermos a gravidade da situação, o primeiro fato a encarar é o de que vivemos em uma sociedade de conhecimento, que exige, como passaporte mínimo para que os jovens sejam inseridos no mercado de trabalho, o diploma do ensino médio.

Também para outros países, a vantagem competitiva passa a ser esse nível de escolaridade de sua população. Entretanto, a média brasileira de anos de estudo ainda é de 7 anos e apenas 16% da população economicamente ativa concluiu o ensino médio.

Sem dúvida, isso é fruto de um processo histórico, mas, se os dados atuais fossem animadores, poderíamos prever boas perspectivas para o futuro. Infelizmente, é justamente aí que se processa a montagem da bomba-relógio.

O ensino médio no Brasil sofre de males seríssimos. Há problemas de cobertura, modalidade de currículo e forma de atendimento, com graves reflexos no fluxo e no desempenho dos alunos. Em termos de cobertura, menos da metade daqueles que deveriam estar nesse nível pode ser aí encontrada. Parte está no fundamental e quase 20% estão fora da escola. O mais grave é que, na faixa de 18 a 24 anos, 68% estão nessa situação.

Quanto ao currículo, observa-se que menos de 10% dos alunos cursam o ensino profissionalizante, ou seja, mais de 90% dos jovens estão sendo "preparados" para uma universidade na qual a maioria não pisará.

A soma desses fatores está por trás de uma verdadeira sangria, responsável pela perda de metade de nossos alunos: entram 3,6 milhões e concluem 1,8 milhão.

Estamos perdendo esses jovens para o desemprego, para a reprodução da pobreza (22% dos mais pobres já têm filhos) e para a violência. Dos que concluem, apenas 9% (em matemática) e 24% (em português) apresentam um desempenho considerado adequado.

Em face dessa situação, cabe a pergunta: quem é o responsável pela oferta do ensino médio? De fato, 86% das matrículas estão nos sistemas estaduais, cujos governantes serão eleitos neste ano. O voto de cada um de nós deveria estar condicionado a propostas dos candidatos sobre como pretendem enfrentar tais problemas.
Wanda Engel Aduan, doutora em educação pela PUC-RJ

Ainda devido à tendinite, rs, e também por preguiça, pois não aguentoooo mais repetir sempre as mesmas coisas, seguem trechos de um texto que escrevi há três anos. De lá pra cá, quais as mudanças?... rsrs

O ensino médio no Brasil é uma terra de ninguém que exclui metade da população, entre evasão e expulsão. O "sonho" do ensino universitário é um lugar comum que afeta a sociedade brasileira como um todo, um preconceito que afasta muitos jovens do ensino e da vida. A maioria dos jovens de baixa renda se daria por satisfeita se pudesse realizar o sonho de ter uma profissão e perspectivas para o futuro. Nem todos os jovens têm real interesse em continuar os estudos, mas são bombardeados com a idéia de que sem o "canudo" irão fracassar na vida.

Quando o governo quis acabar com o ensino técnico e médio integrado, um projeto que poderia ser hoje uma solução em nível nacional, lutamos com unhas e dentes para manter e ampliar o programa. Mas o bom senso e o bem comum são sempre vencidos, neste país. O que prevalece é a incompetência geral, explorada por interesses inconfessáveis, como o império dos "cursinhos" e do ensino "superior/inferior" das universidades particulares.

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