
A reportagem de ontem do JN no ar, visitando a melhor e a pior escola de Goiânia, é um exemplo para todo o Brasil. Leia a reportagem e assista ao vídeo clicando aqui.
O vídeo fala por si e quem acompanha nosso trabalho aqui vai perceber que a reportagem é ainda mais reveladora do que parece:
Na melhor escola, paradoxalmente a mais simples, você viu, por exemplo, um recreio com crianças "agitadas", algo que na maioria das escolas públicas deixaria o corpo docente de cabelos em pé e seria motivo para advertências e suspensões. Viu também crianças descalças e vestidas de forma muito humilde: nenhuma exigência de uniforme, nenhuma exclusão devida a esses fatos, quando a gente soube, nestes anos, de tantos alunos empurrados para a evasão ou até mesmo nem aceitos na escola por sua condição social ou por falta de documentação. Não é, professora Glória Reis?
Nada disso foi comentado nessa reportagem Nota 5. Também não foi comentado o salário de R$ 1.100,00 de uma professora que é uma verdadeira educadora e que faz a diferença não apenas na escola em que dá aula, mas em toda a educação brasileira.
Como diz a diretora dessa escola, o segredo é COMPROMETIMENTO. Lindo, lindo! Um campo de flores para essas mulheres maravilhosas comprometidas em fazer com que todos os alunos aprendam!
Novamente, nota 5 para uma emissora que nem sequer menciona o nome dessa escola de excelência e que coloca como título da reportagem a palavra "disciplina", em lugar de "comprometimento".
Não dá nem vontade de criticar a outra escola, que aparenta estar bem melhor equipada, mas onde a diretoria e o corpo docente demonstram claro ressentimento contra os alunos, esses "bagunceiros" que vêm de "famílias desestruturadas". A expressão dura e insensível desses profissionais diz tudo. Eles estão lá apenas para receber seu salário e reclamar do aluno. Enfim, empurrando a educação com a barriga...
Comentários
Então qual é o papel da família afinal?
Concordo mais uma vez que salário não deve ser impedimento para o não-trabalho, o desleixo, a vagabudagem,o descuido etc., mas penso ser extremamente perigoso sugerir que vencimento, a médio prazo,não seja motivo de preocupação de políticas públicas.
Você um dia se cansa de só contribuir, mesmo que isso represente um prazer, sem o retorno financeiro adequado, justo, cidadão e merecido.
Penso que entronizar o papel do Educador passa, SIM, por valorização profissional e salarial, sobretudo.
Então dia 24 estaremos no Geduc
Ministério Público as 15 horas.
Você virá também ?
Quem sabe esse Grupo de Educaçao criado no MP nos mostre uma luz no fundo do túnel.
O Terturliano vai levar um calhamaço
Eu vou levar dois.
Um da Andronico de Mello e outro do Senador Adolfo Gordo...
Dois casos escabrosos.
Cadê o belíssimo e ao mesmo tempo verdadeiro e corajoso depoimento da professora Amanda Gurgel?
Esta sua máxima é verdadeira e acredito também muito nela.
Mas Giulia, é que sinto, às vezes, em seus textos uma certa tendenciosidade - desculpe-me... Mas no momento em que cita neste post o salário, dá-se a impressão de que ele não tem muita importância.
É este ponto apenas que me preocupa.
Sei que muitos profissionais têm preconceito contra o blog, mas eu não. Acredito no contraditório.
E reafirmo, como sempre digo aqui, nossa luta não é tão distinta.
Quando as cortinas se abrem o espetáculo é de todos nós!
Eu não estou te cobrando o óbvio. Nos conhecemos a tempo bastante para vc saber disso. Eu apenas penso que deve-se destacar e discutir os profissionais de educação (que são muitos) verdadeiramente comprometidos com educação. Há que se criticar e condenar maus profissionais (e pais e mães também), mas sempre lembrando que quando queremos estimular os nossos alunos e fazer a turma progredir citamos muito mais o que é bom e dá certo do que os erros que eles cometem.
um abraço
Estarei sempre aqui. Às vezes, aplaudindo e, por que não, tb vaiando pra despertar um pouco.
Abraços