05 junho 2011

Viva a inclusão!


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O que fazer com o aluno dislexo? Até hoje, o Brasil não sabe... mas também não quer saber! Por tratar-se de uma minoria, a tendência é a escola não se preocupar com esses alunos ou até expulsá-los.

Por esse motivo, é extremamente louvável a iniciativa da professora Ana Lúcia, que se preocupou em trazer de volta o aluno Christian, totalmente desestimulado para ir à escola. Ela criou uma estratégia muito interessante: motivou os colegas a escreverem mensagens para o menino, confeccionou um livrinho e o levou para ele. Copiamos aqui algumas das mensagens, que também comentamos, para mostrar como as crianças podem ser sensíveis, compreensivas e perspicazes.



Aqui Fabiana usou toda a sua arte para demonstrar seu carinho ao amigo.



Júlio sente a falta do colega e percebe que, de alguma forma, ele faz a diferença na classe.



Georgia entende que Christian tem muitas qualidades especiais.



Marcelo sente falta da companhia do Christian durante a atividade de jardinagem. Como é importante para as crianças a convivência e a camaradagem!


Isabella percebe a inteligência do colega e entende que ele não deve sentir vergonha.


Agapi revela que Christian é um menino alegre e que sua presença torna a classe especial.



Essa mensagem de Marina é uma pérola! Ela percebe que todos têm dificuldades em alguma área e que com perseverança é possível vencer os obstáculos.

O livrinho que a professora Ana Lúcia levou para o Christian contém muito mais mensagens, mas devido às limitações do blog não foi possível postar todas. Elas têm em comum a espontaneidade e o interesse das crianças pelo colega de quem realmente gostam.

Christian é mesmo um menino de muitas qualidades. Apesar da dislexia e do DDA, tem raciocínio lógico e rápido, é alegre e muito interessado pelo mundo que o cerca. Certamente conseguirá superar todas as suas dificuldades, é apenas questão de tempo, como entendem os próprios colegas. Ele teve também a sorte de sua família não permitir que desistisse dos estudos e conta com uma professora que faz questão de sua presença na classe.

Que essa atitude da professora Ana Lúcia possa servir de exemplo para todas as escolas que tendem a excluir seus alunos dislexos e portadores de DDA. Torcemos também para que a escola do Christian busque e encontre uma forma de lidar com esses alunos especiais, não apenas por precisarem ser incluídos, mas por terem grandes qualidades e uma inteligência que merece ser explorada. Eles podem fazer a diferença, revelando alguns dos mistérios de que nem sonha nossa vã filosofia...

14 comentários:

Edson Ferreira da Silva disse...

"Eles podem fazer a diferença, revelando alguns dos mistérios de que nem sonha nossa vã filosofia..."

Vã filosofia e incapacidade de enxergar o diferente como igual a nós.
Todos somos parte de tudo.

Giulia disse...

Edson, não entendi... Pelo jeito você não é portador de dislexia, nem, eu. Tente imaginar o desespero desses pais que não conseguem ver seus filhos se alfabetizarem. Aliás, veja que interessante: a mãe desse menino, o Christian, é também dislexa, foi empurrada de escola em escola e sofreu horrores em sua vida escolar. Na época em que o Fantástico fez a matéria sobre dislexia (há uma década) ela foi uma das pessoas entrevistadas e ainda não sabia que seu próprio filho era dislexo. Dá para imaginar o sofrimento dela, ao ver que seu depoimento não serviu para nada e que seu próprio filho está passando por tudo que ela mesma passou? Entre a alfabetização dela e do filho se passaram mais de 30 anos, o menino estuda em escola particular de renome, faz tratamento com psiquiatra e psicopedagoga, tem 11 anos e ainda não está alfabetizado. A falta de interesse da educação brasileira por esse tema é simplesmente impressionante!

Eu acredito na escola pública disse...

Giulia,
Já que vc está falando de DDA, poste um artigo sobre a inclusão de alunos especiais. Aqueles portadores de síndrome como Down, de retardo mental e os autistas. A escola fala em inclusão e joga estas crianças na sala sem material de apoio, sem professor de apoio, sem suporte psicológico (aliás estas psicólogas adoram dar entrevistas, mas na escola não fazem nada).
Enquanto isso vou te contar a história do Gustavo. Ele nasceu portador da síndrome de down. A mãe que não era casada com o pai pensava que ele nunca iria falar nem aprender e o conservou em casa o quanto pode até os 3 anos de idade. No ano passado ela morreu de câncer e ele foi morar com o pai que só o via nos feriados de fim de ano. Agora Gustavo com 4,5 anos entrou na escola (Ed.Infantil). Tem sido muito difícil para ele a adaptação que já não é fácil para os demais. Não tem nada na escola que tenha sido pensado para o Gustavo, exceto uma boa dose dedicação da professora dele. A publicidade da TV mostra a menininha down tocando bateria e dizendo que ser diferente é normal. Que normal que nada! O Gustavo é que diga.

Giulia disse...

Pois é, Maria Elvira, mais um tabu: a escola que finge que inclui! Onde você quer que eu encontre um artigo sobre isso?...

Vera Vaz disse...

Mas se a escola não sabe lidar com o "pouco diferente" como vai poder se abrir pra lidar com o "muito diferente"?
Sabe, não é uma questão só de especialistas, é mudança de paradigma mesmo!
O dia que a escola aceitar a inclusão estará salva para investir em todos os alunos dentro de suas potencialidades.

Glória Reis disse...

Que lindo, Giulia. Tão bom saber de fatos que levantam nossa esperança... Quanto à dislexia, gostaria de acrescentar que, além sa escola é óbvio, os pais precisam ser esclarecidos para que possam ajudar seus filhos. Inclusive saber dos graus da dislexia, esse aluno que vc citou, que ainda não foi alfabetizado aos 11 anos, provavelmente tem um grau mais severo (e deve sofrer muito). Tive o problema (menos severo) com meu filho e acredito que meu esclarecimento ajudou muito. Quando na 5ªsérie ele chegou em casa e disse que a profª chamou-o de "patinho feio" da sala, eu o tirei da escola (isso no início do ano) e o deixei todo o ano com uma professora aposentada muito competente a afetiva que dava aulas particulares. Foi incrível o quanto ele desenvolveu longe do sofrimento "coletivo" da escola. No outro ano, retornou mais forte e confiante. Este ano, tive a grande alegria de vê-lo formado na Fundação Getúlio Vargas com excelentes notas e fecundo aproveitamento. Isso não seria possível se eu não intervisse no massacre à sua dielexia quando criança.

Eu acredito na escola pública disse...

Giulia,
Posso enviar material para vc se quiser. Diga o email...

Giulia disse...

Manda sim, Maria Elvira: te agradeço! educaforum@hotmail.com

cremilda disse...

Mas todos somos diferentes...
Somos um universo individual numa criação espetacular do ARQUITETO DO UNIVERSO....
A escola quer fazer justamente o contrário, vejam por exemplo a exigência de uso de uniforme. Só um pequeno exemplo, para massificar, para robotizar.
Aluno que fala muito, que questina que se rebela ou exige respeito tem carreira curta na escola.
Em São Paulo, só ficam os bonzinhos e mesmo assim não aprendem também.

Giulia disse...

Não aguento mais esse papo de "ser diferente é algo comum"... Todos somos diferentes, sim, mas é o conjunto que faz o mundo girar! As qualidade de um suprem as deficiência do outro, o conhecimento de um pode acrescentar algo a outro e assim por diante. Nossa igualdade é justamente naquilo em que podemos fazer a diferença. Cada um dando o melhor de si, o mundo também melhora. Agora, esse papo de "inclusão" sem dar as ferramentas, é pura falácia! E disso o Brasil está cheio!

Eu acredito na escola pública disse...

Gostei Giulia,
Ser diferente não é comum não. E o certo não é entender todos como iguais, mas entender que todos são diferentes e respeitar as diferenças de cada um.
Vou te mandar o material na 2a. pois minha mãe está doente e eu só voltei para casa hj.
um abraço

Giulia disse...

Melhoras para sua mãe, Maria Elvira! Abraço.

Anônimo disse...

Nada é bonito e completo. Tenho dificuldade de aprendizado e vejo meu filho tendo os mesmos problemas e não vejo nenhum FOCO nas linhas da escolas. Elas continuam jogando os alunos para fora. Ninguem faz nada, ninguem fala com coerencia, os profissionais não sabem fazer nada... uma lastima...

Eu acredito na escola pública disse...

Giulia,
desculpe não ter enviado o material. Minha está internada Há 13 dias, estou com ela no hospital. Tentarei te enviar na próxima 2a.feira.
um abraço