
Há anos denunciamos a pobreza cultural da rede pública de ensino em São Paulo, principalmente na periferia, onde não existem nem mesmo áreas de lazer. Visitas monitoradas a museus, casas de cultura e institutos culturais são muito raras e, quando acontecem, dificilmente são proporcionadas a todos os alunos.
Em lugar de incrementar atividades culturais, que seriam de enorme proveito para os alunos, diretores de escola e coordenadores "pedagógicos" se empenham, ano após ano, em realizar excursões ao Playcenter, de longe o passeio mais frequente na rede pública de ensino. Trata-se de uma atividade imoral, pois pelo alto custo já exclui no mínimo 90% dos alunos das escolas estaduais e municipais. Além do preço do ingresso, os pais precisam também arcar com a despesa de transporte, pois os ônibus que transportam os alunos são alugados.
Duas escolas municipais da periferia da zona sul, a EMEF Olegario Mariano e a EMEF Milton Ferreira de Albuquerque, acabam de organizar esse passeio, ao preço "módico" de R$ 62,00 por aluno. Está na hora de as secretarias municipal e estadual da educação começarem a proibir os passeios ao Playcenter e investigarem esse esquema que vem vindo há anos: se a escola adquire 100 ingressos, recebe mais 100 de graça. O que você imagina que vai acontecer com os 100 ingressos grátis?... Uma farra absurda e inconfessável!
Em uma escola da extrema periferia de São Paulo, que tenha 1.500 alunos matriculados, quantos você pensa que poderão pagar R$ 62,00 para um passeio?... E os demais, vão ficar chupando o dedo?... A escola vai decretar feriado naquele dia?... Ou vai dar falta para os alunos que não forem para o passeio e cabularem aula?...
Esse é mais um exemplo da escola tabu, a escola que deseduca e estimula o ressentimento dos alunos.
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Comentários
Quer dizer 10 por cento dos alunos.
E se perguntarem para o Sarney se 62,00 é muito para um passeio no Play Center, ele vai dizer que é barato. Só que o Sarney recebe de aposentadoria 62.000,00 por mes.
A diferença está nos zeros...