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Analfabetismo matemático?


No "dia das crianças", o economista especializado em educação Gustavo Ioschpe atirou uma "bomba" através da VEJA que, em outro país, teria causado um terremoto de indignação. Aqui, o artigo não teve qualquer repercussão, simplesmente passou em branco e nem está disponível nos arquivos eletrônicos da VEJA.

Estranho? O artigo se entitula O rombo da educação é o cabide de emprego de 46 bilhões de reais e trata de um assunto que dói no bolso de todo cidadão consciente. Suspeitamos que o leitor da VEJA esteja anestesiado ou pouco alfabetizado em números para entender o economês do autor. E olha que ele fez umas continhas bem simples...

Vamos trocar em miúdos o conteúdo do artigo.
Através do famoso INEP (que aqui costumamos chamar de INEP(t) e tomara que desta vez a informação esteja correta, rs...), Gustavo Ioschpe ficou sabendo que o sistema de ensino brasileiro é um enorme cabide de empregos, onde:

Para cada 1 professor há 3 funcionários.

Apenas para termos uma ideia do tamanho do absurdo, digamos que para cada 1 professor que cuida de 1 sala de aula há 1 secretário de escola, 1 funcionário de limpeza e 1 funcionário na secretaria da educação. Precisa de tudo isso, para uma única sala de aula??? E para ter escolas tão mal administradas? (Lembram do aluno que ficou esperando 2 anos o seu histórico escolar?)

O autor do artigo pesquisou o sistema de países onde a educação é mais eficiente e descobriu que por lá a relação entre professores e funcionários é mais ou menos a seguinte:

Para cada 1 professor há... 1/2 funcionário.

Você entendeu bem: meio funcionário para cada professor, o que faz bem mais sentido. E nesses países as escolas funcionam!

Esses 2 1/2 (dois e meio) funcionários desnecessários para cada professor formam o tal cabide de empregos. Muitos são, mesmo, funcionários-fantasmas. Outros "trabalham" em gabinetes de políticos, como cabos eleitorais ou como aquelas empregadas e motoristas que atendem as esposas das excelências, ou então ficam a serviço dos sindicatos da "educação". Enfim, mil e uma utilidades, rs...

Esse cabide de empregos engole, todo ano, 46 bilhões de reais, pagos com os nossos impostos e sem qualquer utilidade para a melhoria da educação! Trata-se, apenas, de barganha que sustenta um sistema político viciado e corrupto. Você se conforma com isso?

Vamos fazer uma outra continha: o professor, que está sempre chorando por seu salário "de fome", que dá em média R$ 2.262,00 por mês, receberia R$ 3.906,00, se esses funcionários "invisíveis" fossem demitidos e o que eles recebem fosse somado ao salário dele. Por que, então, os professores não se revoltam contra o abuso dessas contratações?... Por um outro viés, esses cálculos tapam a boca daqueles que querem aumentar os investimentos da educação para 7% e até 10% do PIB, aumentando assim o desperdício. Espertinhos, hem?

Mas a sociedade se cala. Ou todos compactuam com a corrupção, ou todos sofrem de analfabetismo matemático... Qual é o seu palpite?

Já que o assunto é o rombo da educação, gostaríamos muito de saber - e estamos solicitando essa informação ao Gustavo Ioschpe - se o pagamento das pensões e aposentadorias de funcionários da educação é feito com as verbas destinadas à "Manutenção e desenvolvimento do ensino", algo que questionamos há muitos anos. Entendemos que esses recursos deveriam vir de outras fontes, pois os aposentados e pensionistas já contribuíram, mas não mais atuam na manutenção e desenvolvimento do ensino... Esta é também uma perguntinha de bilhões de reais, rs... Dá-lhe, Gustavo!

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