A escola tabu nº 36 - Por que os alunos não aprendem


Na mídia, a capacitação dos professores é mais um assunto tabu, mantido a sete chaves para que a corporação possa continuar responsabilizando o aluno e a família pelo fracasso da escola.

Finalmente, o depoimento de duas grandes educadoras brasileiras demonstra por que os alunos não aprendem. Em debate realizado durante seminário internacional organizado pelo Instituto Singularidades, no dia 8 de novembro, Bernadete Gatti, da Fundação Carlos Chagas, e Eunice Durham, professora da USP, se posicionaram clara e corajosamente sobre esse assunto tabu.

A educadora Bernadete Gatti foi professora de crianças e adolescentes durante anos, antes de se voltar para a área acadêmica, onde é reconhecida por sua clareza de pensamento e de expressão. Alguns dos seus textos podem ser lidos no site da UNESCO.

Bernadete aponta as exacerbadas diferenças sociais no Brasil, onde 50% dos jovens que deveriam frequentar o ensino médio estão fora da escola, o que alimenta a segregação social, através da segregação educacional. As deficiências no ensino e a falta de resultados provocam a evasão de enorme contingente de jovens. Pedindo desculpas por usar uma expressão muito forte, ela descreve a formação de professores no Brasil como desqualificada, por faltar a prática de ensino em praticamente todas as disciplinas e nos métodos de alfabetização, com estágios inexistentes ou realizados sem supervisão. Segundo ela, os cursos de pedagogia nas universidades brasileiras são arcaicos, teóricos e desvinculados das salas de aula. É necessária uma urgente reformulação desses cursos, bem como uma supervisão dos cursos à distância, cada vez mais frequentes e de qualidade duvidosa.

Bernadete lembra que a elaboraçao da LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação, sancionada em 1996, foi acompanhada do compromisso de saldar uma dívida histórica com a sociedade, proporcionando educação de qualidade à população excluída. O pagamento dessa dívida está sendo feito de forma muito lenta e é gritante a desproporção entre o enorme contingente de recursos aplicados e os resultados pífios. O sistema educacional está "afogado" em avaliações, sem foco nas soluções.

A educadora Eunice Durham não teve tanta vivência em escolas quanto Bernadete Gatti, mas nasceu em família de professores e pautou toda a sua carreira acadêmica no estudo e pesquisa da escola. Com estilo alegre e irreverente, ela caracteriza o professor de forma sucinta e objetiva:
- O mau professor é aquele de quem os alunos não aprendem.
- O bom professor é aquele de quem os alunos aprendem.
- O professor excelente é aquele de quem os alunos aprendem com prazer.

Na opinião de Eunice, bons professores são uma raridade no Brasil. E pela primeira vez, em um seminário educacional, alguém menciona a questão da aula vaga no ensino público, assunto proibido nas secretarias da educação. Eunice Durham, sem papas na língua, declara que 1/3 das aulas devidas deixam de ser dadas na rede pública, fenômeno tipicamente brasileiro que deve ter deixado perplexos os convidados internacionais ao seminários, vindos da Espanha, Chile, Canadá e Austrália.

Eunice lamenta a destruição do Curso Normal, voltado para a prática do ensino e, como Bernadete, critica as universidades, voltadas para a formação de doutores e não de professores. Entre as causas que impedem o avanço da educação, ela também aponta a atuação dos sindicatos, que têm resistência a quaisquer mudanças.

Nada do que foi falado por essas duas educadoras é novidade aqui e, infelizmente, a repercussão desse seminário é restrita ao ambiente universitário, pois a mídia nacional não se interessa por educação. Para nós, porém, foi muito importante esse reconhecimento da incompetência docente, feito por quem está no topo da pirâmide educacional. Finalmente, os alunos e as famílias foram publicamente isentados de culpa pelo fracasso da escola. Como sempre dizemos aqui, a suposta "satisfação" da população brasileira pela qualidade da educação ocorre por dois motivos: a real incapacidade de famílias mal alfabetizadas perceberem a incompetência dos professores e, por outro lado, o medo de tecer qualquer crítica à escola, o que sempre acarreta perseguição e muitas vezes até expulsão dos filhos. Disso, provavelmente, as duas educadoras e os convidados internacionais ao seminário nem desconfiam...

Comentários

Anônimo disse…
Por que os alunos não aprendem?

Simples. Porque existem aqueles que ficam mimando eles. Passando mão na cabeça e fazendo vista gosta para tudo que eles fazem (tipo xingar professor, ficar batucando e ouvindo funk bem alto no celular, ficar de costas para o professor quando este está tentando explicar algo... e por aí vai). Quando existem alunos interessados em estudar estes são criticados, chamados de "bonzinhos" e "otários", enquanto se comportar como maloqueiro e marginal virou virtude.
Durma-se com um barulho desses!

Olegário
Giulia disse…
Olegário, é isso mesmo, continue dormindo!
Anônimo disse…
Estou bem acordado e atento, dona madame! A senhora é que vive num mundo de fantasias, enganando os outros (enganar a si mesma a senhora não está, pois é espertíssima e se aproveita bem dessa situação, assim como a sua colega truculenta, a Cremilda) Em que partido a senhora vai se candidatar nas próximas eleições? Quais os figurões que apóiam vossas senhorias?

Olegário
Giulia disse…
Caro Olegário, sua própria truculência o trai. Pode ficar acordado até à próxima eleição, ou então se candidatar no meu lugar, se for essa a sua vocação, pois não é a minha.
cremilda disse…
Mas é isso mesmo
Esse tipo de psor não escreve no meu blog.
Ponto. Saudações.
Quando escreve e passa eu revejo e deleto.
Simples assim.
cremilda disse…
Olegário, não sou nem filiada a nenhum partido politico, mas se quisesse seria um direito meu líquido e certo.
Não tenho intenção de me candidatar acho que nem a Giullia.
Acho que educação deveria ser de interesse de todos, independente de partido político, que partidarizar a luta é apequenar a causa...
Em toda eleição tem cem pessoas em cada partido candidata para defender as "coitadinhas" das professoras, se sair alguém para defender os alunos é legitimo e se eu sentir que é sério,apoio, com certeza.
Vamos aguardar.
Anônimo disse…
Os alunos não aprendem porque os professores não ensinam, muitos deles (professores) nem sequer dominam o conteúdo de suas disciplinas! Não existe aluno burro, existe aluno fraco e se é fraco é porque não tem como aprender sozinho! Simples assim.
Anônimo disse…
Nossa quanto carnaval. Realmente este é o pais do carnaval. Tudo isso é tão sério! Tenho estado calada, pensado e recolhida com todos os absurdos que eu vivi e que estou vendo meu filho viver. Se eu tivesse todo o dinheiro do mundo para fazer justiça eu não conseguiria fazer a justiça do mal que foi feito ao meu filho no que diz respeito ao ensino.

O Brasil anda de marcha ré !

Espero que todos acordem logo porque só o ensino pode fazer brilhar um pais!
Giulia disse…
Senhores e senhoras anônimos(as):fique claro que seus comentários só serão publicados se tiverem um mínimo de urbanidade, caso contrário são imediatamente deletados.

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