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A escola tabu nº 49 - Professor incita os alunos ao bullying

Já mostramos aqui diversos casos em que profissionais da escola praticaram maus tratos e até torturas contra crianças confiadas aos seus cuidados. É o que costumamos chamar de bullying docente, muito mais frequente do que aquele praticado pelos alunos contra os colegas. Leia clicando aqui. Mas esse é um assunto tabu, tratado pela mídia com luvas de pelica... Recebemos este mês um relato muito triste sobre um professor que - consciente ou não de seu ato - incitou seus alunos ao bullying contra um colega. Uma história muito parecida com a da famosa EE Octacílio de Carvalho Lopes, só que, desta vez, o aluno tem apenas 10 anos e estuda numa escola particular de Curitiba.

"Meu filho passou por uma situação na escola que me deixou bastante chateada e preocupada, com os efeitos que isso pode causar psicologicamente nele.

Ontem, antes de ir pegá-lo na escola, o professor de educação física me ligou para dizer que houve um episódio, em que ele conversou com as crianças sobre um problema generalizado de relacionamento, dando direito de todos falarem o que estavam atrapalhando as relações. Segundo ele, meu filho ouviu algumas reclamações, chorou e até assumiu alguns erros.

Quando peguei ele na escola, ele não falou nada. Tentei puxar conversa e ele ficou quieto, dizendo que estava tudo bem. Aí comentei sobre o episódio que o professor havia me relatado e pedi para ele me dizer o que tinha acontecido.

Aí ele disse que fez um comentário para uma colega sobre seu comportamento.
Ele disse: - Larissa, se você continuar chata, não terá mais amigos. 
A menina chorando foi reclamar na coordenação.

Neste momento, acredito que o melhor teria sido o coordenador chamar meu filho e na frente da menina ele se explicar, se desculpar, assim a menina iria entender que ele não queria magoá-la. Não ... Isso não foi feito.

O coordenador foi até à quadra, onde as crianças estavam reunidas e foi dizendo pro meu filho: - André, as aulas começaram este mês e já recebi 5 reclamações suas.
Ele ficou espantado... e ele continuou...

- Alguém mais tem alguma reclamação para fazer do André ou de outra pessoa?

(Na minha concepção, da forma como ele perguntou, meu filho virou o alvo preferido da classe)

Aí uma série de crianças levantaram a mão e começaram a "reclamar" do meu filho, como: ele quebrou meu lápis, ele riu de mim, enfim, coisas infantis, nada sério, algumas coisas ele nega, outras ele assume, coisa de menino levado e brincalhão, que sei que ele é.

No decorrer, as acusações foram ficando acaloradas e ele começou a chorar.
Os únicos que se comoveram e tentaram parar com a "inquisição", foram seus amigos, tentando o acalmar, o defendendo, e até assumindo erros que diziam ser do meu filho.
O professor e o coordenador se mantiveram firme neste propósito da sala de aula acusar meu filho, perguntando um a um sobre os problemas.

Meu filho tentou se defender, o coordenador disse: Agora não é o momento de se defender!

Um amigo disse: - Parem com isso, não estão vendo que ele está chorando?

O coordenador novamente: - Não parem, não, é bom ele saber seus erros.

No final ele NÃO teve direito a defesa e as crianças não receberam uma devolutiva que justificasse aquele massacre...

Acho válida uma conversa onde as crianças possam falar suas dores, os que machucam ouvirem seus erros, mas de uma forma democrática. Mas não acho correto iniciar o assunto chamando a atenção para um aluno. E principalmente, os acusados tem que ter direito a defesa. No final, os adultos teriam que dar um retorno para as crianças sobre aquela conversa.

Mas não, ele chegou agredindo meu filho, não deu direito de resposta, não respeitou quando ele começou a chorar, deixou que ele fosse acusado por muitos, por bastante tempo, sem defesa.
Meu filho está apavorado e revoltado e a menina que ele ofendeu também não foi ajudada. Essa conversa só acentuou a raiva dela pelo meu filho, o crucificou para que toda classe o julgasse.

Acho que, quando a brasa está quente, pode até ter uma conversa entre todos, de maneira democrática (onde todos acusam e se defendem, com um adulto no comando para evitar o que ocorreu), para tentar algo produtivo. Mas se ele já tinha recebido outras reclamações e o fogo já estava alto, teria que ter chamado apenas os envolvidos e tentar AMENIZAR O PROBLEMA, E NÃO CRIAR UMA INQUISIÇÃO, UMA SITUAÇÃO DE ÓDIO GENERALIZADA."

Orientamos essa mãe para que pedisse uma reunião com a direção da escola para esclarecer o assunto e parece que esse encontro foi proveitoso: a escola reuniu novamente os alunos para diminuir o desconforto que havia sido criado e conseguiu restabelecer a harmonia na sala de aula. Fica então essa orientação para todos os pais que percebem professores ou outros profissionais da escola incitando as crianças ao bullying: não deixem passar esses assuntos em branco, peçam uma reunião com a direção da escola e esclareçam os fatos, para que as consequências sejam amenizadas. 

Este foi um claro exemplo que põe por terra a teoria de que "a educação vem de casa": aqui, as referências de justiça e lealdade que muitos alunos recebem em casa foram simplesmente esmagadas por uma atitude que estimulou a delação e o desabafo inconsequente. Detalhe muito importante:  mais uma vez a escola é particular - e de renome! 

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