Tecnologia na Educação Infantil: é possível!




Saiu este sábado na VEJA o excelente artigo de Gustavo Ioschpe A tecnologia não nos salvará (por enquanto). Costumamos acompanhar o trabalho sério e bem fundamentado de @gioschpe no Twitter e vimos que ele lançou apelos em nível nacional para receber informações sobre estudos e projetos que justifiquem os enormes investimentos que os governos estadual de São Paulo e federal pretendem fazer, adquirindo milhares de tablets e lousas digitais. Seu artigo é muito claro: o MEC não apresentou nenhum estudo que demonstre impacto positivo na distribuição dos tablets e a Secretaria Estadual da Educação fez pior: encaminhou uma carta do fabricante DELL, fornecedor das lousas, que resumia um suposto estudo da Unesco justificando a aquisição do produto, estudo esse que a própria SEE declarou não possuir... Durma-se com um barulho desses! E tomara que o artigo do Gustavo consiga fazer barulho suficiente para que a sociedade se indigne com essas intenções claramente politiqueiras.

O resumo da ópera é o seguinte: de nada adiantam equipamentos eletrônicos na educação, se não houver um profissional competente desenvolvendo um projeto pedagógico claro e eficiente.

O EducaFórum também lançou um apelo através do Twitter para saber se existia algum projeto bem fundamentado de uso de tecnologia na sala de aula, pois muitos pais de crianças com TDAH nos pedem ajuda e informam que seus filhos só se aquietam na frente do computador.

Recebemos hoje, através do escritor Luís Camargo, o seguinte depoimento, bastante surpreendente, da professora Margareth Knüpfer, que trabalha na Escola Municipal Irã, no Rio de Janeiro:
Apresentei imagens para a turma dos alunos de 5 anos para ver qual seria a reação deles e o resultado foi melhor do que o esperado. Eles são muito agitados e sem concentração. Na sexta-feira entrei na sala deles e vi que a professora tinha apresentado as vogais para eles. Comentei com ela sobre o trabalho com imagens e sugeri levá-los até a Sala de Leitura e contar a história do Castelo Silencioso e depois apresentar os slides das vogais. Todos participaram das atividades com bastante interesse. Quando percebi que já estavam começando a dispersar, decidi parar. No final foram para a sala e desenharam o castelo para mim, um aluno foi me chamar para que eu os fotografasse desenhando. A outra turma, de 4 anos, também está bastante empolgada com o uso do computador. Eles não podem me ver que fazem uma festa!



Nada disso seria possível, se a E.M. Irã não possuísse um datashow em sua sala de leitura! Ponto para a Secretária Claudia Costin, cujo belo trabalho também acompanhamos através do Twitter @ClaudiaCostin. Perguntamos ao Luís Camargo detalhes sobre a mensagem da professora Margareth Knüpfer, ele esclareceu que há 6 anos desenvolve  trabalho voluntário de apoio à Margareth  e que juntos elaboraram um projeto para alunos em fase de alfabetização, que está dando muitos frutos.





Luís Camargo, doutor em Letras pela Unicamp e autor de livros infantis como Maneco Caneco Chapéu de Funil e O cata-vento e o ventilador, mora em São Paulo e se corresponde com a professora através de e-mails, indo visitar os alunos, no máximo, uma vez por ano. Seu trabalho de apoio à professora consiste em elaborar powerpoints com fotografias de animais, objetos, lugares etc., que pertencem ao universo das crianças. Cada fotografia é acompanhada de uma palavra-chave. Luís elabora roteiros de observação das imagens e exploração das palavras, como percepção de rimas, palavras dentro de palavras, quantidade de sílabas etc., além de escrever histórias para as crianças, muitas vezes inspiradas no trabalho dos próprios alunos, que a professora Margareth lhe envia escaneados. A história do Castelo Silencioso, por exemplo, mencionada pela professora em seu e-mail, foi criada por Luís para introduzir os alunos ao estudo das vogais: trata-se de um castelo onde as pessoas não conseguiam se comunicar, pois falavam palavras que continham apenas consoantes. Após conhecerem as vogais, as pessoas que viviam no castelo conseguiram formar palavras inteligíveis e se comunicar. A partir de então, o Castelo Silencioso passou a ser chamado o Castelo das Letras Falantes.

Um trabalho como esse é um claro exemplo de que o uso da tecnologia na educação é possível e independe de altos investimentos, mas só pode ser realizado com muita paixão, conhecimento dos interesses da criança e do desenvolvimento da mente infantil, que Luís Camargo estuda há pelo menos 30 anos.

Parabéns Luís, que outros educadores e escritores possam se dedicar de forma voluntária ao apoio da educação pública no país! Parabéns, professora Margareth, continue proporcionando aos seus alunos experiências tão ricas e proveitosas!

OBS: além da professora Margareth, do Rio de Janeiro, Luís Camargo desenvolveu trabalhos a distância com professores de Dois Irmãos e Morro Reuter, no Rio Grande do Sul, e Naviraí, Mato Grosso.

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