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Nasceu nosso gêmeo!

Finalmente um blog de professor que fala a verdade sobre a escola pública! 
Não: um blog de EDUCADOR! É com enorme prazer que participamos o nascimento do nosso blog "gêmeo"

Desmascarando a escola pública
Acesse clicando aqui e entenda porque o chamamos de blog "gêmeo", lendo a seguir o depoimento de seu organizador, o doutor em letras, escritor e artista plástico Edson Ribeiro. Há anos denunciamos que os verdadeiros educadores não têm espaço na rede pública, eles são discriminados e boicotados até desistirem. Pois é: o Edson foi afastado da sala de aula! Um caso muito parecido com o da Matilde, diretora da EE Lucas Roschel Rasquinho, lembram?

Meu nome é Edson Ribeiro da Silva. Sou professor da rede pública do estado do Paraná desde 1995. O professor mais detestado pela secretaria de educação. No momento, estou afastado das minhas funções de professor. Acabo de sair de um processo administrativo, em que fui condenado por falta de urbanidade e respeito à hierarquia. O motivo? Eu tenho me voltado para a denúncia do que ocorre na escola pública paranaense há quase dez anos. O que já me custou acusações, processos, ameaças, danos financeiros e morais. Já trabalhei com diretora cassada por desvio de verbas. Fui aluno de professores que mandavam que nós, alunos, saíssemos da sala um por um e fôssemos embora, para a escola achar que fosse prova. Ou que diziam para a gente pular o muro. Professores que davam aulas paralelas o ano inteiro, por serem parentes de diretores. Como professor, encontrei a mesma realidade. Escolas que dispensavam os alunos na terceira aula, para os santos professores poderem voltar mais cedo para suas casas, afinal, as professoras fazem almoço. Que liberavam alunos se havia algum torneio na cidade, rodeios, velórios... Semanas inteiras sem aula. E os diretores xingando os alunos no portão: se vocês ficarem aí, a gente vai ser obrigada a dar aula. Nunca vi uma reposição, seja por greve, por causa de gripe A. Nunca: as escolas faziam as suas gincanas e os professores combinavam de fazer joguinhos que não interessassem aos alunos, assim ninguém apareceria. Como eu me recusava a participar dessas ações, fui proibido de usar os carros dos colegas,mesmo nas escolas que ficavam em zonas rurais. Muitas vezes, quando eu acabava de dar minhas aulas, as escolas já estavam fechadas, e era preciso procurar o vigia para abrir o portão, mesmo sendo o horário letivo. E eu passei a ser o estorvo na vida dos colegas. Era rotina que eles negassem aos alunos o direito à recuperação de todas as atividades, porque daria muito trabalho fazer isso. O normal era mentir ao aluno que eles não tinham esse direito. Como eu mostrava a lei a eles, era repreendido por falta de ética. Da mesma forma, em dezembro. Os professores dispensam os alunos quase um mês antes do final das aulas. E vão fazer seus passeios ao Paraguai, usam o horário das aulas para fazer compras na capital do estado. E eu não autorizava meu aluno a sair da escola, aonde eles iam somente para assistir às minhas aulas, ouvindo reclamações de pedagogos e secretários. Eu me negava a entregar notas sem que o aluno tivesse seus direitos respeitados. E os colegas deixavam de falar comigo. Muitas vezes, os núcleos passaram a controlar se o professor estava indo trabalhar, ou vistoriava os livros de registros, para ver se já havia o resultado final ali, graças a denúncias feitas por meus alunos, que passaram a entender seus direitos. Trabalhei cinco anos com uma diretora, prima da outra que fora cassada, que me perseguiu por anos. Ela acabou com as eleições para APMF, com Conselho Escolar, e fazia coisas como permitir que a filha de sua amiga rica pudesse estudar na própria casa, com os professores mandando as atividades para ela. Os alunos me diziam que ela trocava aprovações, notas, por votos nela para diretora. Aos poucos, esses voos foram se transferindo para seus aliados políticos. Levei pais de alunos ao núcleo de educação, que relataram ter recebido propostas de trocar a aprovação do filho por votos. E o que ocorria era que, de fato, esses alunos eram aprovados pelo núcleo. Conselhos de classe nos quais aconteciam churrascadas e cervejadas. E colegas se recusavam a falar de problemas didáticos para poderem ficar bebendo e fumando nos corredores. Minhas denúncias não eram levadas a sério. Até que a escola se vingou de mim, e criou um processo contra minha pessoa. Mudei para Curitiba, onde o ensino público é pior que no interior. Os alunos manipulam os currículos, junto com professores sem concurso. Se eles não gostam de ler, não há literatura nos conteúdos. Se eles não gostam de escrever, não há produção de textos. E as escolas adotam sistemas de avaliação dos anos 70, proibidos pelo artigo 24 das LDBEN e por inúmeras deliberações estaduais. Por exemplo, existe a maldição da prova bimestral, feita com valores que ultrapassam metade da nota. Existe escola que faz uma recuperação, e o aluno comparece somente nesse dia. Em outras, dá-se ao aluno o direito de recuperar só metade da nota bimestral. Obriga-se a usar uniforme, chamando-se inclusive a patrulha escolar para obrigar o aluno a usar. Em outra, o aluno só pode usar a jaqueta do uniforme nos dias em que a direção permitir, mesmo que eles estejam com frio. Alunos aprendem a fumar nas escolas. As escolas ignoram as propostas curriculares, debocham dos Parâmetros Curriculares Nacionais e ignoram as diretrizes do estado, seguindo propostas feitas na década de 80. Não existe nenhuma cientificidade; tudo é achismo de professor. Tudo o que se publica sobre educação é ignorado e distorcido pelas escolas. O saber acadêmico é aqui ridicularizado por professores e pedagogos. E existe, sim, uma ditadura de pais de alunos, que querem que seus filhos sejam avaliados por métodos inócuos, como pesquisas na internet, e provas de pura decoreba. Esses pais acham que a escola da ditadura militar era um exemplo, e querem trazer de volta os valores daquele tempo, inclusive com censura prévia acerca do que o professor pode falar em aula. Com decoreba de hinos e orações católicas. No ano passado, fiquei cinco meses sem receber pagamento. E não havia ponto para eu assinar. Neste ano, resolvi pedir uma indenização no Ministério Público. Primeiro, as escolas me negaram todos os documentos que são de acesso público. Chegaram a lavrar atas dizendo que eu não tenho acesso a eles, nem a atas de reuniões e conselhos de que participei. Como eu insisti, tentaram me iludir, mas a palavra da justiça é diferente do que núcleo e escolas falam. Então, eles criaram uma sindicância porque eu pedi esses documentos, inclusive as provas de que eu trabalhava sem receber. A partir disso, mandaram as escolas colocar seus regimentos dentro da lei e marcaram um dia para me entregar documentos que eu sei que estão adulterados. Enquanto isso, me puniram com um mês de afastamento. Por faltar com a ética profissional. Ah, e pelo fato de eu ser doutor na minha área, com prêmios e trabalhos publicados, por eu estar contando a minha experiência como docente em livro, por participar de congressos. Por ter um blog: desmascarandoaescolapublica.blogspot.com.br
Estou recebendo uma censura. Para o núcleo de educação, eu não posso usar esse material todo para pesquisa, se eles não me autorizarem. Eu preciso de espaço na mídia para denunciar essas coisas.

Obrigado.

Edson Ribeiro da Silva

Comentários

cremilda disse…
Tá difícil para ler o seu texto.
Muito pequena a letra e muito clara. Só mesmo com muito boa vontade.
Roubei o texto do professor mas deu o seu crédito.
Giulia disse…
Oi, Cremilda, experimente teclar
CTRL +, isso aumenta o tamanho da letra. Realmente, esse professor mostra a falta de compromisso que a gente bem conhece e que é da classe docente em geral. As exceções são raras, não apenas na qualidade do trabalho, mas principalmente na coragem de expor as chagas da educação no país. Enquanto a imagem pública do professor continuar inviolável, a maioria vai continuar se comportando da forma como o Edson descreve: dando a mínima para o aluno. Eu recebi esse texto dele por e-mail, vamos ver se a mídia divulga.
Anônimo disse…
NA SUL 3 ESTÁ LOTADO DE CASOS ONDE PROFESSORES E DIRETORES HONESTOS FORAM TIRADOS DOS SEUS CARGOS POR DISCORDAREM DA POLITICA SUJA E INESCRUPULOSA DO DIRIGENTE SAMUEL . A DIRETORA DA EE PRIDCILIANA, ESCOLA LOCALIZADA EM PARELHEIROS, A DIRETORA É ALVO DE PERSEGUIÇÃO DELE
PRECISA TER AUDITORIA NAS ESCOLAS DA SUL 2 E DA SUL 3
cremilda disse…
O Texto " tudo vale a pena..." está no site oficial de Itu.
www.itu.com.br
Giulia disse…
Anônimo, vale para você o mesmo que foi explicado para o Eduardo no outro post: conhecemos bem as tramoias da Sul 3 para afastar os diretores honestos, MAS só encaminhamos as denúncias se tivermos telefone e e-mail válido das pessoas que nos relatam esses fatos. Preservamos sua identidade, mas fazemos questão de falar com elas ao vivo e a cores, entende? Da forma como você faz, não adianta.
CREMILDA disse…
Hoje eu perdí a paciência e o pouco de compostura que tenho.
A DIFERENÇA ENTRE A MARTA SUPLICY E O KASSAB É SÓ O TAMANHO DO PÊNIS ?
Glória Reis disse…
Giulia, a Cremilda tb reclamou da fonte, acho mais fácil mudá-la. Repare que aqui no comentário está ótima.
Quanto ao conteúdo da postagem, só um comentário: a máfia escolar é mais poderosa do que Al Capone...
Hoje assisti a uma sessão na ALMG para iniciar o Fórum da Educação e fiquei enojada de ver o comportamento dos "educadores"(sic), vaiavam, gritavam, zombavam, batiam paus, uma verdadeira histeria, e nao deixavam os oradores falarem. A secretária da educação de BH foi impedida de falar diante da gritaria e do desrespeito.
O que mais me chocou foi imaginar aquela turba dentro das salas de aula com os alunos...QUANTO PERIGO para nossos estudantes!!!
Giulia disse…
Pois é, Glória, como disse a diretora Mathilde, que foi afastada de uma escola paulista por exigir dos professores trabalho, pontualidade e assiduidade: SE ESSES PROFESSORES FORAM CAPAZES DE AFASTAR UM DIRETOR, DO QUE SERÃO CAPAZES EM SALA DE AULA, COM OS ALUNOS?...

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