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Laudo de superdotação? Pra quê???


Criamos o Troféu Anta da Educação em 2006, mas ele foi até hoje conferido apenas duas vezes, veja aqui e aqui, por ser um prêmio DE PESO, que só cabe a quem demonstrar profunda "expertise". Não que haja falta de candidatos na educação brasileira: esses abundam, mas nosso objetivo aqui é resolver os problemas, não criar caso... Quando porém a buRRocracia oficial passa de todos os limites, tiramos o troféu do baú, lustramos e o entregamos a quem de direito.

Desta vez o Troféu Anta da Educação vai, com toda pompa, para a Dirigente de Ensino da SUL 2, que mandou os pais da menina Valéria, de 6 anos, buscar um "laudo de superdotação" para a filha, pois "a legislação impediria" que ela passasse para o 2º ano do Ensino Fundamental, sendo que a menina já é plenamente alfabetizada e realizou o teste de prontidão para o 2º ano com 100% de acertos.  O passo-a-passo deste "causo" que se arrasta desde o começo do ano você lê clicando aqui.

Para que serviria um "laudo de superdotação"? Para medir se a aluna estaria apta a entrar na faculdade? rsrs Serviria para saber se ela poderá tornar-se um novo "Einstein"? Para que, Sra. Dirigente?... Aliás, se a Sra. realmente achava que esse laudo tivesse alguma utilidade, por que então não encaminhou os pais da aluna para um serviço público que pudesse emiti-lo? Não, a dirigente laconicamente sugeriu que  a família fosse buscar o tal laudo e só.

Os pais da menina contataram alguns psicólogos: um disse que precisaria de 6 sessões para atestar a superdotação da menina, ou seja, mais tempo perdido e R$ 1.000 de gasto! Pechinchando, pode-se chegar a R$ 500... Amanhã os pais vão visitar uma ONG que eventualmente poderia prestar tal serviço sem custo. A surpresa veio da Internet: buscando ajuda, os pais da Valéria encontraram um estudo da própria Secretaria da Educação, da época em que a secretária era Maria Helena de Castro, chamado Um olhar para as altas habilidades - construindo caminhos, leia clicando aqui. O estudo seria destinado à formação continuada de educadores, dentro de um programa do Centro de Apoio Pedagógico Especializado - Cape. O pai da menina foi até ao endereço que consta do documento e teve a surpresa de verificar que a instituição se encontra no interior da Diretoria de Ensino SUL 1, é portanto um órgão da Secretaria da Educação! Infelizmente o centro estava fechado à hora que o pai chegou lá, mas ele pretende voltar amanhã e pedir orientação. 

Amanhã, portanto, teremos mais notícias. Saberemos então como funciona esse programa de formação continuada de educadores, já que aparentemente nem a Dirigente de Ensino da SUL 2 sabe de sua existência... Ou será que ela não quis orientar os pais da Valéria?...

Quantas dúvidas! E quantas dificuldades para se resolver o problema de uma aluna que só precisa pular um ano para se sentir integrada à escola. Ou será que o projeto de inclusão só vale para os alunos com dificuldades especiais? Esta pergunta é para o Secretário Herman Voorwald. Ops! Fernando Padula...

Comentários

Anônimo disse…
`Num país pleno de carências, não se considera relevante o atendimento diferenciado a quem já foi privilegiado com
um dom especial. Os superdotados estão escondidos nas salas de aula comuns, como se seus talentos fossem invisíveis.`
(Cupertino, 1998)

Giulia, o ensino publico esta tão defasado mas tão defasado que seria cômico se não fosse trágico, exigir-se tal laudo. O ensino publico é pra inglês ver, ou seja , os professores fingem que ensinam e as crianças fingem que aprendem, o sistema esta falido e é impressionante a grande quantidade de professores que estão de licença. Na escola da minha filha mais velha (6 ano) ela esta reclamando que a maioria dos professores estão faltando, alguns estão de licença medica e os professores eventuais, pelo que parece, estão la só pra encher lingüiça, porque minha filha me mostrou uma lição ridícula - ligar au au ao cachorro, miau ao gato .Da pra acreditar? Ela esta indignada e olha que ela foi acelerada e esta um ano adiantada na escola imagina se não estivesse ela estaria se sentindo bem pior.
Cristina e Claudemir- pais da Valeria.
cremilda disse…
Giulia

A Fabiola se interessou pela história da Valéria.
Passo a bola para você.
Você vai saber repassar a história da Valéria direitinho.
Ela foi premiada, agora é Jornalista Amiga da Criança e do Adolescente e se Deus quiser, vai nos ajudar.
Fabíola Cidral ‎Cremilda Estella Teixeira, por favor me mande a história detalhada nos emails fabiola.cidral@cbn.com.br e no ouvintesp@cbn.com.br
cremilda disse…
Vê se consegue mandar os dados todos que puder do caso da Valéria para a Fabiola, eu tento e voltam sempre.
Meu email deve estar já mais do que manjado.Bloqueado, sei lá, mas não chega.
fabiola.cidral@cbn.com.br
ouvintes@cbn.com.br
Giulia disse…
Mando já. Um abraço!
Giulia disse…
Já mandei, vamos ver. O Mauro não consegue criar um novo e-mail pra você?
cremilda disse…
Queria que você mandasse, o meu telefone para a Fabíola também e o telefone do Claudemir, e o seu naturalmente. Pode ser que ela queira esclarecer alguma coisa conosco.
Obrigada
Giulia disse…
Já passei tudo para ela.
Osmar José Paz Delmaschio disse…
Resposta para o "Anônimo"

É verdade, aqui no interior do Estado de São Paulo a quantidade de licenças também é enorme. O ensino público está falido. Sou professor há quase 20 anos, amo minha profissão e defensor número 01 da escola de qualidade. Tudo isso ocorre por causa da desvalorização do professor, em parte provocada por ele mesmo quando não cumpre com sua obrigação. Há mais ou menos 10 anos grande parte dos professores abusavam das licenças. Hoje em dia há muitas licenças por motivos justos, visto que grande parte dos professores estão ficando doentes e o pior é que não se encontram mais substitutos - Ninguém quer investir mais nessa profissão.Eu mesmo leciono 26 aulas semanais e não pretendo pegar mais aulas. Seria bom para todos que o governo paulista não aprontasse ainda mais. É um absurdo a situação de mais de 500 professores que estão com salários atrasados por erros burocráticos. Toda a sociedade deve se mobilizar e cobrar ensino de qualidade, responsabilidade dos professores e atitudes dos nossos governantes.

Um abraço Giulia !
Giulia disse…
Osmar, o "anônimo" são os pais da Valéria (veja ao pé do comentário: Cristina e Claudemir). Não estou conseguindo falar com eles, parece que os telefones estão com problema, quero confirmar a informação da lição "ligar au au ao cachorro e miau ao gato no 6º ano", pois custo a acreditar... Tem coisas que a gente simplesmente não acredita! Quanto ao sucatamento da rede, é impressionante o que se tornou. Faz anos que repetimos: nada é tão ruim que não possa piorar.

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