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Leitura: hábito ou interesse? Opinião dos seguidores!

Fiquei muito feliz com os comentários que recebi da Simone e da Nefer ao post Leitura: hábito ou interesse?. Suas opiniões  enriqueceram a reflexão de forma espontânea e apaixonada. Mais alguém?...

Lembro-me que quando estava na transicão do primário para o ginásio, nós tínhamos que ler aquelas coleções dos clássicos da literatura, como "Dom Casmurro", "A Moreninha" etc. Pra mim era uma tortura. Não sabia por que tinha que ler aqueles livros, mas lia porque cairia na prova. Então esta coisa de estimular o tal do "hábito da leitura" é colocar o carro na frente dos bois. Primeiro é preciso despertar a curiosidade pela leitura. É preciso que alguém sente do lado da criança, leia um livro pra ela e aí converse sobre isto. Não simplesmente dar o livro para a criança e dizer: "Tó, leia o livro que vai ser bom pra você!" Deste jeito vira uma coisa massante e a criança vai detestar. Será sempre o "ter que ler" ao invés de "estou curiosa para ver o que está no livro". O ideal seria que o ritual da descoberta de para que o livro serve começasse em casa. Mas se não comeca, na escola seria fundamental que os professores soubessem despertar o gosto nas criancas. Lembro que tive uma professora no cursinho que dava aula de Literatura Brasileira. Ela foi a pessoa que despertou em mim a paixão por ler. Ela contou a historia da "Hora da Estrela" de Clarice Lispector. Foi maravilhoso porque expôs a interpretação dela com a paixão, com entusiasmo, de um jeito muito contagiante. Sonhava com as aulas dela porque sabia instigar a nossa imaginação. Aquilo fez TODA a diferença pra mim! A pessoa ideal para fazer alguém querer pegar um livro e ler é aquela que tem paixão por livros, que tem uma relação afetiva com o livro. 
Concordo com você que mesmo quem ama ler nao vai amar todas as estórias, todos os livros. Isto é uma questão de identificação não só com a estória, mas a forma como a estória foi contada pelo autor. Adoro os livros da Isabel Allende porque ela sabe contar uma estória de um jeito fascinante, como uma conversa daquelas bem gostosas que a gente não quer que acabe nunca. Agora, o livro dos "Lusíadas" nao faz o meu gênero, apesar de eu amar livros e ler. Esta coisa de gostar de uma estória ou autor e não de outros acho que é um jogo muito mais emocional do que racional. 
Enfim, gostei muito que você tenha abordado este assunto aqui. Há muito a ser discutido a respeito, afinal é algo tão fascinante. Os livros são navios que têm o poder de nos levar para navegar em todos os tipos de mares e também têm o poder da máquina do tempo, de transportar a nossa imaginação para o passado, futuro, tempos imaginários etc. Os livros são possibilidades ilimitadas de descoberta, uma escola para nossa imaginação. 
Tudo de bom para todos e excelentes leituras! :)

Simone Bittencourt


Em primeiro lugar, parabéns pelo blog! Tenho acompanhado a mais de um ano. Esse é meu primeiro comentário, mas é mais uma das minhas várias apreciações das publicações de vocês.
Bem, eu leio por paixão, por hábito e por interesse também, mas porque minha mãe sempre incentivou e me ajudou sem preconceitos a encontrar o meu tipo de literatura, comentando comigo as impressões sobre os livros e sobre as leituras deles, me presenteando dicionários para que eu entendesse o que estava lendo. Minha mãe é professora - e hoje pedagoga - e me alfabetizou e transformou meus momentos de leitura em momentos associados ao prazer, fosse de comentar com ela, fosse de tomar chá, chocolate, suco e estar confortável durante as tardes em que lia, fosse na escolha dos livros. Outro dia um dos alunos dela do reforço disse que não gostava de ler. Eu disse a ele que ele não podia dizer isso, pois ele não tinha lidos os (inventei um número estrambólico como três trilhões) de livros publicados na terra, ou tinha? Ele disse que não. Aí eu disse a ele: "então, se não leu tudo não há como dizer que não gosta, você ainda não encontrou o tipo que você gosta". Foi engraçado, mas acho que é isso que falta, alunos participantes da escolha, menos normatismo no que é bom e deve ser "consumido", retirar a literatura do contexto de consumo normativo. Ler é encontrar-se com algo de ancestral e atemporal que liga você a quem escreveu aquele livro e isso, o encontro com esse espectro desse ancestral é muito pessoal, muito íntimo e é assim que deve ser conduzido. Pelo menos, acho...
Ah... esqueci de dizer: Há ferramentas, até mesmo multimídia, que podem ajudar na construção do prazer da leitura e o Skoob está entre eles. É uma rede social de leitores que tem ferramentas bem legais de composição de estante e histórico de leitura, muito bom! Quem sabe vocês não dão uma olhada lá e escrevem uma análise sobre? Seria muito interessante. Torço para que aconteça: http://www.skoob.com.br/

Nefer

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