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A escola tabu nº 60 - O país que odeia seus jovens

Este é um tema que não nos cansamos de trazer, pois diariamente recebemos e-mails de jovens expulsos ou discriminados na escola por sua inteligência ou vivacidade, que atrapalha o clima de velório dominante nas salas de aula. As expulsões, diretas ou brancas, ocorrem de forma cada vez mais frequente até nas escolas "de elite", como você já viu aqui.

Na rede pública de ensino, uma formas bastante eficaz para se livrar dos alunos - já que  para certos "educadores" escola boa é escola vazia - é impedir-lhes o acesso à sala de aula. Leiam as mensagens que recebemos esta semana e tirem suas próprias conclusões:

Boa Tarde, estudo o 3° ano do Ensino Médio em uma escola pública, gostaria de saber se eles podem me proibir de entrar 5 min atrasada na escola, pois faço ensino técnico em outra escola que fica praticamente do outro lado da cidade e por causa do transito não consigo chegar a tempo na escola as 19hs, a escola onde curso o ensino técnico me libera a partir das 17:30, mas sempre chego atrasada na escola por causa do transito, estou perdendo muitas provas e atividades no ensino médio, minha mãe já foi até a coordenação da escola e conversou só que eles só deixam entrar atrasado quem esta trabalhando e não aceitam a autorização do ensino técnico, agora estão convocando minha mãe para uma reunião, falando que se ela não comparecer para justificar minhas faltas vão passar meu caso para o conselho tutelar, o que eu posso fazer em relação a isso? Existe mesmo uma lei que proíba o aluno de entrar na segunda aula?
Desde já agradeço a sua atenção.

Nota do EducaFórum: leia clicando no link nosso post A tragédia do Ensino Médio, em que falamos do absurdo que foi a extinção do Ensino Técnico integrado ao médio. Esta aluna é duplamente vítima: primeiro, dessa medida que há mais de quinze anos prejudica milhares de jovens brasileiros, segundo, da perversidade de uma escola que quer claramente se livrar dos alunos. 
Mais uma mensagem de aluno recebida esta semana:

Olá, primeiramente parabéns pelo seu blog que conseguiu me tirar muitas dúvidas e até saber de direitos educacionais que eu não conhecia. Enfim, ainda me permaneceu uma dúvida quanto à entrada no estabelecimento de ensino. Tenho 18 anos e sou um aluno de colégio público cursando o 3º ano do ensino médio e tive uns problemas em relação à entrada no colégio que me foi negada. O caso é que em algumas poucas vezes em que eu me atraso quanto ao horário estipulado pelo colégio que é de 7:00h a.m ás 7:15 a coordenadora não me permite mais a entrada, até ai aceito pelo fato de que se eu e outros mais entrássemos nesse horário acabaríamos prejudicando a aula, porém eles não me deixam entrar nas aulas seguintes mesmo sabendo que um dia de aula contém 6 aulas sendo que algumas matérias como português e matemática tem 2 (duas) aulas em uma mesmo dia, sendo assim pela lógica eu poderia entrar em uma próxima aula de outra matéria ou mesmo no horário do intervalo para não ‘atrapalhar’, mas segundo eles eu me atrasando na primeira aula é motivo para não poder frequentar todas as outras estabelecidas naquele dia. Eu estou pedindo uma solução quanto a isto para que eu não perca mais aulas já que eu não gosto de perder conteúdos e também não sou um aluo faltoso e estou ali para aprender, de preferência algo que eu pudesse argumentar como um respaldo de alguma lei ou um direito que não me possa ser negado como vi em um dos seus artigos falando sobre a não obrigação do uniforme escolar. Antecipadamente obrigado e que continuem assim.

Nota do EducaFórum: teoricamente, o aluno tem direito ao acesso à sala de aula em qualquer situação, é o mesmo caso da não obrigatoriedade do uniforme escolar. Entretanto, a escola adora por o aluno para fora, como se não bastassem as aulas vagas, que na rede pública chegam a roubar-lhe até 30% do ano letivo. 
Mais uma mensagem recebida de uma aluna:

Tenho 22 anos e estou no 3º do Ensino Médio no período noturno. No 1º dia de aula, depois das férias de julho, nos foi anunciado que não poderiamos mais ser dispensados mais cedo por falta de professor, teriamos um subistituto ou ficariamos em sala até que desse o horario de saida, além disso, em casos que a pessoa estivesse passando mal, eles não liberariam, ligariam para algum familiar, e ele teria de ligar para o SAMU para nos buscar e levar ao hospital. Quando a vice diretora foi questionada nessa parte, ela disse que só sairiamos da escola durante o periodo de aula com o SAMU, caso contrário não sairiamos. O caso é que se uma escola abre suas portas para ensinar adultos que não tiveram a oportunidade de terminar a escola no periodo certo, ela tem que saber que esses alunos trabalham o dia todo, chegam cansados na escola, e terá um dia que a pessoa estará esgotada e não consegue nem prestar atenção na aula, pede para ir embora, e esse pedido é negado. 

Além disso, o atendimento na secretaria é o pior que já vi, todas as pessoas que atendem, sem exceção, são extremamente sem educação e não nos atendem direito, qualquer informação que é pedida, não nos é dada, ou as temos com grosseria. Pessoas sem ética profissional para trabalhar em escolas, tem mesmo que continuar empregadas ali?

Nota do EducaFórum: a escola não dá mesmo a mínima para o aluno, principalmente para o trabalhador. Quanto a pessoas sem ética profissional, é na escola que elas mais se concentram, pois não há qualquer fiscalização e o autoritarismo come solto. Essa aluna, se a escola descobrir que entrou em contato conosco, será sumariamente expulsa via Conselho de Escola.


É MOLE?


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