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Beijinhos de coco para Gustavo Ioschpe


Querido Gustavo,

Permita-nos chamá-lo de querido. Somos mulheres que teimam em querer ser mães de todos os brasileiros. Que enorme pretensão, a nossa!...

Somos também aquelas que não concordam com você "em gênero, número e grau" - lembra? - mas acompanhamos a sua trajetória com muito interesse e sentimos orgulho deste filho tão corajoso, tão brilhante, tão à frente do tempo!

Seu último artigo na Veja nos deixou comovidas e espantadas! Nele você foi um enorme passo além do que costumamos reivindicar e sugeriu algo hoje inimaginável: que cada escola tenha um Conselho de Escola com um pai (ou mãe, né?...) na presidência. Imaginamos que você deve estar sendo, neste momento, bombardeado por milhares de profissionais da educação indignados com essa proposta. Ou talvez não, talvez eles tenham ficado tão pasmos quanto nós... ou até petrificados! rs

Saiba, querido Gustavo, que temos mais de 20 anos de luta pela democratização dos Conselhos de Escola, veja nosso artigo Gestão participativa na escola - A exclusão da comunidade,  publicado no livro Educação 2007, da Editora Humana. 

No entanto, nunca desejamos que a presidência dos Conselhos de Escola fosse, por decreto, atribuída aos pais de alunos, da mesma forma como discordamos que ela seja sumariamente atribuída ao diretor da escola, como aliás é na rede pública paulista. Os pais não tem nem mesmo o hábito da real participação nos Conselhos, pois em 99% dos casos seus "representantes" são escolhidos a dedo pelos diretores de escola, com a desculpa de que os pais "não participam" ou "não gostam de participar". Quase nenhuma escola (alguma o faz?...) promove uma real eleição do Conselho de Escola, convocando com antecedência a comunidade, para que os membros de cada segmento possam ser eleitos por seus pares e tornar-se seus efetivos representantes.

Está tudo por fazer, para que a participação dos pais e alunos seja real e democrática. Suspeitamos até que a eleição dos representantes de professores e funcionários também seja um jogo de cartas marcadas...

O primeiro passo para que o Conselho se torne um órgão realmente representativo da comunidade escolar é acabar com o diretor da escola na presidência. Meio caminho andado! A disputa pela presidência deveria ser uma nova etapa, após a eleição dos representantes dos 4 segmentos do Conselho: pais, alunos, professores e funcionários. Esse seria o momento em que a comunidade escolar poderia se reunir para esse objetivo comum  tão  importante, ou seja, eleger quem de fato pudesse representar todos os segmentos da escola da melhor maneira possível, promovendo a união da comunidade escolar. Eleger aquele que apresentasse as melhores condições e as melhores propostas para o progresso da escola e a qualidade do ensino. Poderia ser um pai ou uma mãe de alunos? Claro! Como também poderia ser o professor ou o funcionário mais preparado ou democrático da escola. Mais uma vez declaramos aqui que nossa luta não é "contra o professor ou o funcionário da escola", mas a favor do aluno e de sua educação.

De qualquer forma, o presidente do Conselho de Escola, da mesma forma como o prefeito ou o governador, não pode governar sozinho nem ter todos os poderes, inclusive o de convocar o colegiado para expulsar sumariamente alunos, como é tão comum em escolas de todo o país. 

Já sugerimos para a Secretaria da Educação que a eleição dos Conselhos fosse realizada no mesmo dia em todas as escolas, que a convocação fosse feita com muita antecedência e precedida de reuniões em que cada segmento ouvisse seus candidatos e pudesse conhecer suas propostas. Exatamente como uma eleição para cargos públicos. Somente assim poderíamos acreditar que os Conselhos de Escola estariam de fato preocupados com o progresso da escola e não com os interesses particulares da cúpula.

Parabéns, Gustavo, mais uma vez você nos surpreendeu! Mesmo com algumas divergências, nossos caminhos estão próximos e esperamos que seu último artigo possa nos ajudar a contestar Conselhos de Escola constituídos irregularmente e até corruptos, como neste caso, em que um bom aluno - bom de disciplina e de notas - foi expulso da escola após uma sessão de Conselho. Mas seu destino já estava traçado: a diretora já o havia avisado de que, se teimasse em querer ficar na escola, "faria de sua vida um inferno". E o fez.

Um beijo carinhoso das mães do
EducaFórum

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