Delação na escola: quem recebe esse "prêmio"?...


Está sendo travada na sociedade uma discussão sobre delação premiada A princípio, a delação só é "necessária" quando o "culpado" de algum crime não se identifica, seja por covardia, seja por estratégia. O prêmio só faz sentido se a delação for realizada por alguém já  condenado, com a promessa de ter a própria pena diminuída ao entregar algum cúmplice, evitando assim que esse continue cometendo crimes. A delação premiada é portanto instrumento de prevenção e não de vingança.

Diz o bom senso que as crianças devem ser orientadas a dizer a verdade  e a ter coragem de admitir os próprios erros.  Entretanto, em muitas escolas públicas de todo o país, a delação é estimulada como algo normal, apenas para "tirar da frente" problemas disciplinares que incomodam  a direção da escola.  Trata-se de uma espécie de vale-tudo, em que coloca-se colegas contra colegas a bel prazer pelos motivos mais banais, muitas vezes devidos à falta de supervisão dos alunos durante as aulas vagas. Quem pichou a parede da escola? Quem começou a guerra de giz? Quem escreveu bilhete contendo palavrões? Quem  quebrou a descarga do banheiro?...

Imediatamente começa uma inquisição braba, muitas vezes culminando na famigerada suspensão coletiva de uma semana, com separação da classe: primeiro as meninas, depois os meninos, ou vice-versa. Nesse meio tempo, a direção da escola costuma receber denúncias anônimas, às vezes utilizadas para culpar alunos inocentes. Muitos pais revoltados por ter seus filhos em casa durante a semana os estimulam a entregar os colegas, fazendo o jogo da escola. Depois de a direção "decidir" quem é o culpado, que ninguém se atreva a contrariar o veredicto. A "honra" da direção é inviolável!

Esse tipo de atitude é o cúmulo do antipedagógico. Uma delação desse tipo não premia ninguém, apenas coloca os alunos uns contra os outros e levanta suspeitas muitas vezes infundadas. É impressionante que a suspensão coletiva ainda seja tão usada nas escolas públicas brasileiras, principalmente na rede estadual de São Paulo, cuja Secretaria da Educação já recebeu diversas denúncias nesse sentido e continua se fingindo de morta, quando seria tão simples publicar, em seu blindado site, textos que condenassem essa medida e sugerissem soluções pedagógicas para problemas de disciplina muitas vezes causados pela ausência de professor em sala de aula ou de inspetor durante o recreio. Para não falar dos alunos largados na quadra, no pátio ou nos corredores da escola, sem qualquer supervisão.

Professor Padula, alguma mudança para o ano que vem?...


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