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Provocando a classe docente



Toda vez que começa alguma greve de professores, me dá frio na barriga e imediatamente lembro daquele famigerado 1992, quando o aluno da rede estadual paulista foi vitimado por uma greve de 83 (ou mais...) dias. Outras greves, tão ou mais longas, houve desde então em outras partes do Brasil e uma escola que foi muito marcada, embora não se fale mais das greves, foi o renomado colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Alunos que têm, em seu "currículo", greves tão longas, dificilmente conseguem recuperar o aprendizado, a não ser que a família ajude muito, contratando bons professores particulares ou metendo a própria mão na massa, o que é muito difícil em se tratando de alunos da rede pública.

Dado o marasmo em que patina a educação brasileira, considerando também que "ninguém" quer ser professor e que os sindicatos continuam sempre manipulando a sociedade, urge encontrar soluções alternativas.

O texto deste link contém uma frase muito reveladora:

Todos que admitiram ter vontade de lecionar passaram por experiências positivas de ensino. Isso nos leva a concluir que se o aluno tiver um bom professor, ele pode querer ser um.

Pode ser que eu não passe de uma provocadora, mas devo confessar que, em toda a minha vida escolar (estudei na Itália, onde o ensino é tido por "muito melhor" do que aqui...), não tive nenhum professor tão bom quanto sugere essa frase. Pergunto-me então qual seria a porcentagem dos "bons professores" para a maioria dos alunos brasileiros: 5%, 10%, 15%? Mais do que isso?...

Bom professor, a ponto de estimular no aluno a vontade de seguir sua carreira, tem que ter PAIXÃO PELO CONHECIMENTO, pelo menos na sua área de ensino. Se ele não tiver, que tenha pelo menos PAIXÃO POR CRIANÇAS, o que pode ajudar a compensar o pouco interesse pela matéria que ensina. Quem sabe, assim, ele se deixe contagiar pelo interesse dos alunos!

Mas o quadro é "negro", como diz o título da matéria lincada. Poucos, no Brasil, professores ou não, têm paixão pelo conhecimento, haja vista a pobreza das produções culturais, salvo raras e honrosas exceções que confirmam a regra e não caem no gosto popular. Menos ainda são os que têm paixão por crianças e - vixe! - por adolescentes, haja vista a corrida para a redução da maioridade penal.

Resumindo esta minha provocação, talvez o Brasil precise mesmo se livrar da classe docente e investir no ensino através da tecnologia. Se você não tem um bom e carismático professor, se o seu professor se sente à vontade para faltar 83 dias ao trabalho, é porque ele não dá a mínima para você, aluno! Qual é, então, a alternativa?...

Comentários

Marilza disse…
Esse blog já faz tempo que tá querendo acabar com o professor
Giulia disse…
Marilza, muito ao contrário! Queremos muito que o professor seja amado, respeitado e valorizado, o que porém depende principalmente da própria atuação dele. Você não imagina a nossa frustração, ao ver que, 25 anos após o início da nossa luta pela educação pública, a classe docente continua tão descompromissada.

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