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Passe livre para a democracia e a transparência na vida pública!



No dia 13 de junho, um dia que espero venha a simbolizar um novo começo para São Paulo e talvez para o Brasil, voltei para a escadaria do Teatro Municipal. Voltei depois de 20 anos, quando junto com outros pais de alunos invadimos essa escadaria, reivindicando uma escola pública de qualidade para os nossos filhos. Foi assim que nasceu o Fórum Municipal de Educação da Cidade de São Paulo, que ainda hoje se reúne uma vez por mês na Câmara Municipal para debater não apenas assuntos educacionais, mas de todas as áreas da cidadania.

Outra interessante coincidência fez com que eu quisesse voltar ao Teatro Municipal, este 13 de junho. No dia anterior, assistindo ao noticiário sobre as manifestações do movimento Passe Livre, ouvi um nome que me pareceu familiar: Maurício Ribeiro Lopes. Sim! - lembrei em seguida, foi o promotor que acatou as representações que nós, do Fórum Municipal de Educação da Cidade de São Paulo, apresentamos ao Ministério Público, denunciando o desvio e a manipulação das verbas destinadas ao ensino, em nível municipal e estadual, na década de 90. O noticiário informou que o promotor Maurício Ribeiro Lopes  iria  sugerir ao governo a suspensão do aumento de R$ 0,20 da tarifa durante um período de 45 dias, quando seria possível discutir com calma a planilha de reajuste dos transportes em São Paulo. Gostei da mediação do "nosso" promotor e esperava que sua proposta fosse aceita pelo governo. Não foi! O governo, diga-se Geraldo Alckmin e  Fernando Haddad - simplesmente negou-se a discutir o reajuste e mantém sua posição até hoje. Como se chama um governo que não discute com a população? Resposta: AUTORITÁRIO. Qual é o contrário de autoritário? DEMOCRÁTICO.

Os meninos do Passe Livre são muito bem intencionados e merecem todo meu apoio, por isso gostaria de dar-lhes algumas sugestões, já que boas intenções são apenas o início de um movimento consistente. Procurar o Ministério Público é uma excelente medida, mas precisa ser bem aproveitada. Quando o governo negou-se a discutir o aumento das tarifas dos transportes, o movimento Passe Livre poderia ter causado impacto na mídia apresentando a planilha de reajuste das tarifas segundo seus próprios cálculos, obrigando o governador e o prefeito a posicionar-se publicamente a respeito. Vou dar apenas alguns exemplos do que poderia ser colocado:
  1. O argumento do governo é que o aumento está abaixo da inflação. Como assim?... Pois, segundo cálculos da associação AUDITORIA CIDADÃ, a tarifa de ônibus em São Paulo, que em 1994 era de R$ 0,50, deveria custar hoje R$ 2,23, corrigida pelo INPC/IBGE. Este tipo de informação poderia colocar em cheque a posição governamental. Também de acordo com a AUDITORIA CIDADÃ, o que a Prefeitura e o Estado de São Paulo pagam anualmente para o  Governo Federal de juros sobre juros de uma dívida pública que só beneficiou grandes bancos e corporações, daria para oferecer à população PASSE LIVRE EM MAIS QUE O DOBRO! Leiam clicando aqui.
  2. Seria interessante apresentar um comparativo entre o preço dos transportes em São Paulo (o mais caro do país) e o de outras capitais do mundo, que tenham uma qualidade comparável. Informações muito fáceis de obter, com alguns cuidados: não dá para comparar o transporte de São Paulo com o de cidades do primeiro mundo, onde os veículos não trafegam superlotados, têm ar condicionado, circulam com segurança e ninguém é obrigado a aturar o motorista ouvindo rádio em alto volume (rsrs). Sim, eu uso transporte público e sei do que se trata!
  3. Quando se fala da passagem de R$ 3,20, trata-se, na verdade de uma passagem ida e volta, ou seja, de R$ 6,40. Se houver necessidade da integração ônibus/metrô/trem, o preço pula para R$ 5,00 na ida e R$ 5,00 na volta, ou seja, R$ 10,00 por pessoa. Uma família de 4 pessoas que queira fazer um passeio de domingo, digamos, ir ao parque do Ibirapuera ou a um museu gratuito, poderá ter um gasto de R$ 40,00 só de condução. Mais caro do que um lanche no Mac Donald's. A tal "nova classe média" pode se dar a esse luxo?...
  4. Qual o "peso" do transporte no salário do brasileiro? E comparando com outros países?
Quando eles propõem TARIFA ZERO no transporte público, esses meninos não estão errados, apenas não souberam ainda pesquisar e apresentar o assunto com conhecimento de causa. Fico chocada com a pobreza dos argumentos de muitos comentaristas de telejornal, quando limitam-se a falar que tarifa zero "é um absurdo" ou que "em nenhum país do mundo o transporte é de graça". Pra papaguear esse tipo de "opinião" não precisam ganhar altos salários, não é?... Então vejamos: eu luto por educação pública "de graça", pois sei que ela é muito bem paga com os nossos impostos, apesar de apenas metade dessas verbas chegarem à sala de aula. Por que esses meninos do Passe Livre não podem lutar por transporte público gratuito, se eles chegarem à conclusão de que as verbas públicas são suficientes para tal? Mas isso, sim, exige estudo e pesquisa. Para isso, eles precisariam de suporte de seus docentes universitários, que talvez, nem estejam dispostos a ajudá-los, pois, se o quisessem, o estariam fazendo e esses meninos seriam melhor esclarecidos...

Bem, depois desse blábláblá certamente desinteressante para a maioria daqueles que gostam de "emoções fortes", vai meu relato sobre a manifestação do dia 13, que prometi aos meus amigos do Facebook e que estão me cobrando ansiosamente. Deixei por último mesmo, para ver quem conseguia chegar até aqui sem pegar no sono, rs.

Como disse no início, fui até ao Municipal pelas duas coincidências acima e para entender melhor esse movimento, já que a bandeira desses meninos me parecia apenas esboçada e não confio na grande mídia, inclusive os melhores depoimentos eu achei nas redes sociais. Decidi não levar máquina fotográfica, pois já havia entendido que a "arma" mais combatida pela repressão policial é o registro de imagens. 

Cheguei pontualmente às 17:00 e a escadaria já estava tomada por grupos de jovens carregando bandeiras de partidos políticos. Isso me desagradou um pouco, mas já sabia que iria encontrar esse tipo de "fauna", inclusive topei com diversos políticos que conheço há décadas e que até hoje só ajudaram a manter o status quo. Os grupos de partidos, porém, eram pequenos e realmente só ocupavam a escadaria do Municipal.

Me afastei da escadaria e comecei a andar no meio da multidão, que estava se adensando na praça e nas ruas laterais. Tive muitas surpresas agradáveis, como ver jovens escrevendo pequenos cartazes no chão ou nas calçadas com suas próprias palavras, por exemplo É a TV Globo quem "educa" o Brasil, Vândalo é quem destrói nossa dignidade, Gente é pra brilhar, não pra levar porrada. De repente, ganhei uma flor de um garoto que me chamou de "senhora". (Pois é, acho que eu era a única "coroa" da manifestação, rsrs.) Uma flor branca, linda, ainda não murchou. Perguntei: "Você é de qual movimento?" Ele respondeu: "De nenhum. Sou um estudante que veio contribuir divulgando a paz". Não vi nenhum desses manifestantes espontâneos fotografados ou filmados na grande mídia, preocupada em realizar bombásticos noticiários. Aliás, havia um enorme frisson por parte dos jornalistas, que comentavam entre si: "Hoje o bicho vai pegar. Você fica pra lá que eu fico pra cá" e falavam constantemente no celular. Não vi nenhum repórter fazendo entrevistas ou querendo saber por que essa moçada estava lotando o local. Todos pareciam estar de sobreaviso, aguardando a parte mais "interessante" da manifestação, aquela que daria ibope. E, de fato, não li nem assisti a relatos reveladores colhidos pela mídia. Repito: os melhores depoimentos foram espontâneos, de cidadãos que vieram a público dar seu testemunho, muitas vezes dramático.

Fiquei na manifestação até ao início da passeata, quando tive certeza de que esse público que estava na praça e nas laterais não iria iniciar qualquer provocação à polícia. Isso me bastava e eu não estava a fim de enfrentar gás lacrimogêneo nem balas de borracha, que também tinha certeza seriam usadas para REPRIMIR A MANIFESTAÇÃO, pois era disso que se tratava e que ficou provado depois.

Quis voltar para casa a tempo de assistir aos telejornais. O da Cultura, que considero o menos pior, começou com uma notícia que talvez acabou ofuscada pela pauta bombástica da noite, mas que seria considerada um crime de lesa pátria se este fosse um país minimamente politizado: o "microempresário" Eike Batista recebeu do BNDES (Banco Nacional de DESENVOLVIMENTO) a bagatela de 200 milhões para reformar uma de suas "micropropriedades": o Hotel Glória, no Rio de Janeiro. Provavelmente, essa notícia só veio a público porque o "microempresário" está com "macroproblemas" financeiros e provavelmente não vai conseguir devolver o empréstimo aos cofres públicos, ou seja, esse dinheiro que já saiu do nosso bolso vai ficar no prejuízo. Entendeu a proposta da AUDITORIA CIDADÃ, que queremos já em São Paulo??? 

Ao iniciar a cobertura da manifestação da noite, ficou visível o constrangimento da emissora na hora de mostrar a truculência policial, que já não dava mais para  esconder. Ficou uma situação hilária: a toda hora a imagem sumia e a Maria Cristina Poli reclamava de problemas técnicos, rs. Teve também um engraçadíssimo "ato falho" da emissora: a âncora queria mostrar a foto de um policial que ela entendia acuado e amedrontado, mas a foto que apareceu foi de um policial jorrando spray de pimenta nos olhos de um cinegrafista. Ela se apressou em dizer: - Não é esta, não é esta! rsrs

Cabe aqui um parêntese: tanto Alckmin quanto Haddad deixaram claro, de forma subliminar, que contavam com a rápida condenação do VANDALISMO pela sociedade. Essa palavra foi exaustivamente repetida por todos os baba-ovo da mídia e por outros que não conseguiam enxergar uma polícia armada até aos dentes para a guerra, pronta para "enfrentar" jovens carregando garrafinhas e catando pedras pelo caminho. Seria cômico se não fosse muito, mas muito sério. Infelizmente para o governo o tiro saiu pela culatra e o movimento não morreu.

Não foi apenas por ser uma emissora estatal que a Cultura custou a admitir a "virada do jogo": toda a grande mídia estava apontando o Passe Livre como um MOVIMENTO DE VÂNDALOS e essa imagem só foi revertida quando diversos jornalistas sentiram na própria pele as agressões que claramente partiram da polícia. E as mídias sociais ajudaram a mostrar o verdadeiro espírito do movimento, que busca consolidar o processo democrático no país e exige transparência na vida pública. 

Trata-se de jovens insatisfeitos e inexperientes, mas serenos e curtindo um momento para eles ainda inédito. E os jovens merecem sempre o nosso respeito, mesmo que falem as maiores asneiras. Nós, que temos o dobro ou o triplo de sua idade, temos a responsabilidade de oferecer-lhes a nossa pouca sabedoria e não ironizar sua pouca experiência. Passe livre para a democracia e a transparência na vida pública!

Seguem alguns depoimentos interessantes:








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Depoimento do músico Sérgio Santos em seu blog:
http://www.sergiosantos.mus.br/na-rua/

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Noticias de uma guerra (muito) suspeita

Trabalho na esquina da Paulista com Augusta, em São Paulo. Estou acostumado à presença de emissoras de TV, produção de fotografia, manifestações, performances etc. É nosso cotidiano na esquina da America do Sul.
Por isso não foi surpresa quando hoje, tomando um café no botequim embaixo do meu prédio, vi na tv Globo as cenas de verdadeira guerrilha urbana, manifestantes colocando fogo nas ruas, cores dramáticas, narração idem, apocalipse now.
Olhei pra fora do boteco o que ví? Nada. Apenas os carros policiais, helicópteros, câmeras de tv, coisas a que estamos acostumados, cenas para tv, se me entendem. Tudo bem. Nada estranhando, voltei para o escritório, seis andares acima.
Por volta das seis da tarde, a TV do escritório mostrava mais cenas dessa guerra que eu não reconhecia como real. Tudo bem, estávamos acostumados a glorificação da Paulista, cenário idealizado etc. Comentei com meu sócio, Abel Coelho, sobre o exagero dessa cena para tv, visto que não avistamos um só manifestante, uma só bomba caseira, um só morteiro de Santo Antônio. Tudo bem, não fosse pelo que se seguiu.
Saí do prédio, tranquilo e calmo, desdenhando da ligação de Rita, minha mulher, que, assistindo a Rede Globo, me ligou para tomar cuidado, etc. e tal. Sorri do exagero dela e desci o elevador rumo a estação Consolação do Metrô, que fica bem defronte a portaria do prédio.
Para minha surpresa, a estação estava fechada. Guardas me avisaram “volte até a estação Trianon/Masp, se quiser embarcar”. Achei um exagero, protestei, quando me volto para o lado esquerdo da Paulista e vejo pessoas vindo de mãos levantadas, fotógrafos com as câmeras suspensas, e, antes mesmo que pudesse me dar conta desse exagero, cerca de seis motocicletas irrompem pela nossa calçada, em velocidade e impetuosidade, atropelando pessoas, seguida de dezenas de cavalos, ao que todos, assustados e, alguns de nós, já em estado de pânico e estupor, encostam-se nas marquises.
Quando fui protestar, os soldados da Policia Militar, com cacetetes batendo em seus escudos, foram nos empurrando, e, particularmente em mim, bateu com um cacetete nas costas, sem que eu pudesse pelo menos perguntar onde poderia tomar o Metrô. Uma truculência e humilhação a que não tinha presenciado nem nos momentos mais duros do regime militar.
Depois destes momentos de verdadeiro terror, e – note-se – sem que eu visse nenhum “manifestante”, nada, ninguém, fomos empurrados para a rua Bela Cintra, privados de explicação, do direito de escolher nosso caminho, de sequer perguntar o porque dessa violência gratuita, única, exclusiva da Policia Militar do Estado de São Paulo, vi uma barricada na esquina com a Luis Coelho, com coisas que me parecerem colchões e pneus, queimando. Adivinhe quem colocou fogo? Isso mesmo, a Policia Militar de São Paulo, disfarçadamente.
A mim restou descer a Rua Augusta, entre perplexo e assustado, ligando para a família, para me garantir – como nos tempos da ditadura -, dando minha localização, sem o direito de decidir meu caminho, meu rumo, meu destino.
Na descida da Augusta localizei, afinal, o motivo de toda essa movimentação da tropa de choque da PM que bate em empresários e trabalhadores: cerca de 20 rapazes e meninas – lembra dos barbudinhos da PUC? – armados de um perigosíssimo megafone e algumas camisetas, pedindo calma e paciência, fugindo do confronto direto com a Policia que, ameaçadora e assustadoramente, com um aparato que não vi nem no Largo São Francisco no tempo da ditadura, repito, fechava a Paulista, fazendo uma cena de guerra para as câmeras de tv.
A mim restou descer a Augusta até a Praça da Sé, resignado, com a marca do cacetete da policia de Geraldo Alkmin nas costas, e a humilhação que devem ter sentido meus amigos desaparecidos, os professores que apanharam de Mario Covas, Dilma Russef e outros tantos que agora são criminalizados por esta mesma força que teima em transformar rebeldia em anarquia, protesto em bandidagem, política em caso de polícia. E o pior: além de marcarem nossas costas com o cassetete da estupidez, roubam de nossos filhos a possibilidade de exercer a mais nobre das faculdades humanas, que é o espírito crítico e de liberdade.

Elcio Fonseca
RG 11.310.938-6
CPF 049.475.128-22

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"Cheguei no Teatro Municipal por volta das 17h30. Havia já uma quantidade considerável de manifestantes, o clima era emocionante e descontraído. Encontrei alguns amigos e de vez em quando algumas notícias chegavam, do tipo: Datena apoia o protesto (hã?), a PM vai prender gente a rodo hoje, etc...

O protesto saiu em direção à Praça da República, muita gente nas ruas e nos prédios apoiavam a manifestação.

As principais palavras de Ordem eram: "Vem pra rua, vem, contra o aumento"; "ôô, o povo acordou"; "sem violência"; "pula sai do chão, contra o aumento do buzão".

Continuamos caminhando tranquilamente até chegarmos na altura da praça Roosevelt. Nesse momento consegui subir em uma guia mais alta e a multidão era impressionante. Fiquei alguns minutos impressionada. Chegavam informações de que a estimativa era de 12.000 pessoas!!!!

Justo nesse momento, no que pra mim teria sido o auge, um pelotão da polícia militar (não sei se já era a rota) passou pelo lado direito da manifestação correndo....o que impôs a princípio certo medo, mas nada aconteceu. Continuamos cantando quando escutei os primeiros tiros e barulhos de bomba. A multidão se assusta e começa a gritar e a correr. Mesmo assim, assustados e com medo, fazíamos de tudo para não dispersar a manifestação.

Muitos foram se abrigar na praça reformada da roosevelt. Mais bombas de efeito moral e tiros de borracha. Essa foi a hora que senti mais medo, era muita gente correndo, muita gente!
E isso foi umas das coisas mais bonitas que vi ontem...em todos os momentos mais tensos, haviam muitas pessoas gritando: "calma, eles estão longe"; "não vamos correr"; impedindo que aquilo se transformasse numa fuga desesperada de 10 mil pessoas. Muita gente passando água, vinagre, etc.

Me dispersei essa hora do grupo central, para me acalmar. Os barulhos de bomba assustam muito. Reencontrei a manifestação subindo a R. Augusta. Novamente nos organizamos. Começamos a cantar novamente. Muitas pessoas nos prédios acenavam! Continuamos subindo e desviamos para a Bela Cintra. Tudo estava normal, quando de repente mais bombas. Em cima e abaixo da manifestação. Estávamos cercados. Em uma esquina a cavalaria à postos, em outra o pelotão da rota impedia a passagem e atirava bombas de efeito moral em um ônibus. Como disse, estávamos na Bela cintra em meio aos carros, alguns buzinavam, alguns foram atingidos com as bombas. Soube de um relato que o carro de um senhor fora atingido com uma bomba e ele perdera o sentidos...enfim, o caos começara mesmo...

Conseguimos escapar até a consolação. Nesse momento comemorávamos ter conseguido ganhar uma grande via novamente. Enquanto isso, alguns fizeram barricadas com lixos e papelões para dificultar a cavalaria e o choque que vinha atrás de nós. Porém, na consolação estávamos novamente cercados. Decidimos nos sentar na rua para demonstrar que éramos pacíficos. Assim que sentei vi cair em cima da multidão séries de bombas e tiros de borracha. Fiquei desesperada e saí correndo...vi muitos amigos correndo com medo também. Fomos até a Angélica, mas a essa hora grande parte já havia se dispersado.

Subi então até a paulista, fiquei lá por uma meia hora, escutando os tiros e bombas que vinham da Augusta, pois uma parte do grupo ficara ainda lá. Nessa hora passava mal, de gás e de raiva... descendo a augusta em direção ao jardins ainda escutava muitas bombas ao longe...

Saí de lá com muita raiva, ódio de classe, e emoção, por ver tantas pessoas juntas, por ter visto o apoio da população! Segunda feira vai ser maior!!!
Agradeço ao César que esteve comigo do início ao fim."

Depoimento de Aline Fernandes, do Facebook

Comentários

Giulia, segue o preço dos ônibus nas capitais do país (mês de referência: Junho/2013)

Brasília - df - 1,50 - Valor mais baixo de uma tabela que vai até R$ 3,00, dependendo da distância percorrida

Teresina - PI - 2,10

São Luís - MA - 2,10 - Valor cobrado de segunda a sexta. Aos sábados e domingos, custa R$ 1,05.

Recife - PE - 2,15

Fortaleza - CE - 2,20

Belém - PA - 2,20

Boa Vista - RO - 2,20 - Valor referente à passagem paga em dinheiro. Com cartão, custa R$ 2,00.

Maceió - AL - 2,30

Macapá - AP - 2,30

João Pessoa - PB - 2,30

Rio Branco - AC - 2,40

Natal - RN - 2,40

Vitória - ES - 2,45

Aracajú - SE - 2,45

Palmas - TO - 2,50

Porto Velho - RO - 2,60

Goiás - GO - 2,70

Salvador - BA - 2,80 - Aos domingos, a tarifa é de R$ 1,40 para quem paga em dinheiro

Belo Horizonte - MG - 2,80 - Preço para ônibus que ligam bairros. Linhas circulares têm tarifa de R$ 2,00, e linhas que ligam favelas a terminais custam R$ 0,65.

Porto Alegre - RS - 2,85 - Valor mantido sob liminar da Justiça após aumento para R$ 3,05.

Curitiba - PR - 2,85 - valor cobrado de 2ª a sábado. Aos domingos custa 1,50.

Campo Grande - MS - 2,85

Manaus - AM - 2,90

Florianópolis - SC - 2,90 - (valor para quem paga em dinheiro. Com cartão custa 2,70)

Rio de Janeiro - RJ - 2,95

Cuiabá - MT - 2,95

São Paulo - SP - 3,20

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