Pular para o conteúdo principal

Os pais de alunos da rede pública: sem representatividade!

O primeiro semestre do ano letivo já passou e nada indica que a representatividade dos pais nos Conselhos de Escola tenha melhorado. Como sempre, os diretores fizeram a "eleição" na base de cartas marcadas, escolhendo a dedo os pais de sua "panela". Quando comentamos essa realidade numa das audiências públicas do PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO de São Paulo, um sindicalista nos ameaçou de processo, pois teríamos que "comprovar" o fato. O convidamos, então, a nos apresentar um único exemplo de escola onde a direção tivesse promovido uma campanha para a eleição do Conselho, divulgado amplamente a data e deixado de "coordenar" a votação na sala onde os pais deveriam se reunir no dia da eleição.

Como nos anos passados, os pais nos encaminham por e-mail constantes denúncias de irregularidades em escolas de todo o Brasil, comprovando o óbvio: eles não têm qualquer respaldo dentro da escola dos filhos, ninguém os representa!

Nossa esperança era a discussão do PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, no qual tentaríamos inserir a questão da gestão democrática nas escolas e a inclusão da comunidade. Misteriosamente, após a 2ª audiência pública do Plano, realizada dia 23 de maio, todas as demais audiências temáticas já agendadas foram canceladas, o que significa voltar à estaca zero!

Surgiu também um complicador, que foi a criação pela Secretaria Municipal de Educação de um tal fórum de educação "chapa branca", diferente do nosso, criado há 20 anos como movimento de pais de alunos e muito ativo na discussão das políticas públicas. Esse novo fórum governamental teria a incumbência de organizar a conferência municipal de educação, cujos representantes deverão participar da estadual e, finalmente, da Conferência Nacional de Educação em 2014, em Brasília. Historicamente, os pais de alunos não possuem representatividade nas conferências municipais de educação, tanto quanto não a possuem nos Conselhos de Escola. Basta dizer que, na conferência regional de Santo Amaro (realizada em 29/06 e preparatória da municipal) havia 160 presentes, entre professores, funcionários, pais e alunos, sendo que os pais/mães eram apenas 6 e os alunos 4. Que representatividade é essa?... O pior de tudo foi que o PLANO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, sem dúvida o assunto mais importante para finalmente garantir uma política educacional efetiva em São Paulo, não estava na pauta!

Nada indica que teremos boas novidades no segundo semestre, por isso nossa prioridade continuará sendo o projeto que o Fórum Municipal de Educação da Cidade de São Paulo - o legítimo - defende há anos através de suas entidades (leia detalhes clicando aqui) como a principal sugestão para a efetiva implantação da gestão democrática nas escolas:

Para que a comunidade se sinta bem-vinda na gestão escolar, o Ministério da Educação precisa fazer um pronunciamento nacional no começo de cada ano letivo, falando sobre a importância da participação dos pais e responsáveis nos Conselhos de Escola. Por sua vez, os governos estaduais e municipais precisam fazer campanhas de divulgação das eleições dos Conselhos de Escola, ESTIPULANDO UMA ÚNICA DATA para todas as escolas da mesma cidade ou rede, e distribuindo folhetos explicativos. Cada governo poderia usar uma pequena parte de suas verbas publicitárias a fim de promover a GESTÃO PARTICIPATIVA NA ESCOLA.

Que fique bem claro: os pais de alunos deixam de participar dos Conselhos de Escola porque NÃO SÃO BEM-VINDOS, não porque são omissos. A "melhor forma" que os diretores de escola encontram para boicotar sua participação, além de melar a eleição, é agendar as reuniões durante o horário de expediente. 

Sem gestão democrática, a escola pública vai continuar sendo uma cópia perfeita do sistema governamental brasileiro: autoritária, relapsa, incompetente!

Comentários

Anônimo disse…
Finalmente o prefeito Fernando Haddad apresentou uma proposta relevante:

Aluno de SP poderá repetir em 5 das 9 séries
http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2013/07/1318190-aluno-de-sp-podera-repetir-em-5-das-9-series.shtml

Até que enfim, quem sabe, pode-se dar um basta na maldita "aprovação automática" que criou milhões de semi-alfabetizados ou mesmo analfabetos...

O governador "picolé de chuchu" poderia fazer algo semelhante para o Estado.
Anônimo disse…
o professor do meu filho durante a aula em uma escola particular,disse a ele que deviamos(nos os pais)colocar ele em uma escola publica,assim sobraria dinheiro para ele se vestir melhor e comprar tenis de marca.não é um absurdo! o que fazer nessa situação? aguardo.
cleide.francisco@hotmail.com
Giulia disse…
Cleide, isso é PRECONCEITO e CONSTRANGIMENTO ILEGAL, caberia aí uma ação. Mas escola particular é um feudo inabalável, infelizmente a única solução é você mudar seu filho para uma escola democrática. Manda pra gente por e-mail o nome da escola, vamos ver se dá pra fazer alguma coisa. Um abraço! educaforum@hotmail.com

Postagens mais visitadas deste blog

A expulsão é legal?

Recebemos a seguinte mensagem de Manaus e a respondemos no comentário. Dê também sua opinião!
Sou ex-Conselheiro Tutelar e hoje trabalho como consultor de projetos sociais na Prefeitura. No entanto, estou sempre envolvido com o problema de atitudes arbitrárias em escolas públicas onde alunos são expulsos ou suspensos sem qualquer critério legal. Por este motivo gostaria de estar recebendo informações mais detalhadas sobre a legalidade desse procedimento adotado pelas escolas. Até que ponto a escola teria poderes para expulsar alunos, ou trata-se de um ato totalmente ilegal? Favor encaminhar informações jurídicas sobre o caso.

Respeito ao aluno, 3ª Parte. A expulsão da escola

Este é certamente o problema mais grave da escola brasileira: a expulsão de alunos. Além de não ser inclusiva, ela é inóspita para os alunos já matriculados e, na primeira oportunidade, eles são "convidados" a sair da escola, ou então, sumariamente expulsos. E aqui sempre fazemos o mesmo apelo aos pais: não permita que seu filho seja expulso, procure entender o que está por trás dessa atitude da escola! Tenha a coragem de enfrentar essa questão de cabeça erguida, não seja mais uma vítima de um sistema de exclusão.
Já falamos aqui exaustivamente sobre a expulsão na rede pública de ensino, que se dá de várias formas: "oficialmente", através do Conselho de Escola,  através de manobras dos diretores de escola, ou de forma "branca".

A expulsão na rede particular é tão ou até mais frequente do que na pública, e isso também já demostramos aqui diversas vezes. Mas na rede particular ela costuma ser melhor disfarçada, através de um "convite" para buscar …

Escola pública ou particular. Qual a sua opção?...

De vez em quando a gente atende uns pais de alunos bem descontrolados, difícil manter a linha. Faço questão de reproduzir aqui toda a troca de mensagens com um cidadão que quase me tirou do sério... rs
Dia 4 de setembro "Por um acaso deparei com seu site. Gostaria de que me informassem se é LÍCITO aluno de escola pública ser agraciado; com merenda substanciosa ; material escolar, transporte, uniforme e até tablets, pelos quais pouco se exige de cuidados e/ou devolução; pelos PODERES PÚBLICOS, enquanto que alunos de escolas particulares, cujo custo é elevado e que foi assumidos pelos pais como opção, para que tenham uma escola  de melhor qualidade; não é fornecida merenda, material, livros, transporte,nem tablets em pé de IGUALDADE? Será que os cursos das escolas particulares são regidos por diretrizes, normas, conteúdos, ou programas de entidades estranhas ao Ministério da Educação do Governo Federal? Será que as crianças das escolas particulares não são Cidadãos Brasileiros? Será…