SOCORRO! A CRIANÇA CONTINUA SEM VAGA!



Você leu no dia 20 o post sobre a menina Sarah, que vai completar 6 anos em abril e até hoje não teve a chance de frequentar uma creche ou escola infantil, mesmo os dois pais trabalhando o dia inteiro para sustentar a família. Pasme! O problema ainda não foi solucionado e hoje fomos pessoalmente à SME, mas as notícias não foram muito animadoras. Resolvemos então apelar para o próprio Secretário, Cesar Callegari. Leia nossa mensagem:

Prezado Cesar,

Ainda quero lhe desejar um Feliz 2014 e sucesso na empreitada de administrar a rede municipal!

Como você sabe, estamos sempre tentando orientar e apoiar os pais de alunos para que aprendam a se manifestar e a se defender das falhas do sistema, que não são poucas, seja na rede municipal ou na estadual. Em muitos casos, porém, a burocracia e a falta de comunicação são tão grandes que eles acabam desistindo. Muitos pais, aliás, nem possuem recursos para acionar mecanismos simples como o Conselho Tutelar ou o Ministério Público, não poucas vezes desistem.

O caso que levei hoje à SME, onde falei com Fátima Abrão, responsável pela Demanda Escolar, é de uma menina que vai completar 6 anos em abril e até hoje não teve direito a frequentar creche ou EMEI. Este ano os pais tentaram matriculá-la diretamente no 1º ano do Ensino Fundamental, mas também não conseguiram. A Fátima apurou que ela está em 6º lugar numa enorme lista de espera na região onde mora. Ela disse que é possível que "a fila ande", mas, se não andar, a criança vai ficar mais um ano em casa...

No dia 20 entramos em contato com a SEE, pensando que poderia ser mais fácil resolver por lá, já que perto da casa da criança há também uma escola estadual, mas a resposta foi de que a data de corte é 31 de março e que a matrícula só poderia ser feita por ordem judicial. 

Enfim, é o tipo de situação que só os burocratas de carteirinha acham normal, pois essa criança está perdendo anos de vida. De acordo com a Fátima e também a Valéria, da ATP, não há nada a fazer, o sistema é "imexível"... Espero mesmo que não, espero que atrás de um sistema haja seres inteligentes e suficientemente sensíveis para entender a necessidade de se valorizar e priorizar o maior capital da cidade e do país: o capital humano.

Se numa classe "cabem" 35 alunos, podem caber também 36! Além disso, muitas escolas particulares de Educação Infantil têm fechado por falta de verbas, cadê seus supervisores para buscar alternativas de convênio? É preciso agir com mais agilidade, milhares de crianças estão esperando uma oportunidade! A Erundina, no início dos anos 90, criou o famigerado "turno da fome", hoje desprezado e extinto. Saiba que nós pais de alunos, em praticamente todos os Conselhos de Escola da cidade, APROVAMOS A MEDIDA, porque, mais do que o conforto dos nossos próprios filhos, entendíamos a necessidade e a urgência da inclusão! Nessa época, o programa funcionou perfeitamente, pois, para incluir, bastam boa vontade, criatividade e determinação. E agora?

Seguem abaixo os dados da criança em questão, na esperança de que você possa ajudar a resolver, não só este caso, mas também fazer um levantamento de como são efetivamente preenchidas as 35 vagas de cada classe em todas as escolas. Sistemas não andam sozinhos e precisam ser alimentados. Sabemos que muitos diretores de escolas são incompetentes ou corruptos, é preciso haver muita vigilância, a história dos "alunos-fantasmas" está longe de ser explicada ou resolvida!

Bom, espero mesmo que você leia este e-mail pessoalmente e que nos convide para uma reunião sobre o sistema de matrícula, de forma que possamos explicar aos pais de alunos como funciona esse mecanismo tão "misterioso". Vamos deixar de lado as nossas diferenças sobre o FÓRUM MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, que você reinventou com "chapa branca", vamos fazer de conta que foi uma brincadeira, rs. A nossa prioridade é sempre o aluno e não estamos aí para picuinhas...

Um abraço,

Giulia Pierro - EducaFórum

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