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A escola expulsando e enterrando os futuros pensadores



Lembram do jovem retratado no post Expulsar Rui Barbosa, que tal? Ele permanece o símbolo do aluno brilhante desvalorizado pela escola, a ponto de correr o risco de expulsão. Esse caso foi um daqueles que exigiram uma estratégia muito especial: levamos o aluno (acompanhado pelo pai, por ser menor de idade) para o departamento jurídico da Secretaria da Educação, no exato dia e hora marcados para ele comparecer na escola e assinar sua "transferência compulsória", expressão usada pela SEE para abafar a expulsão. Só assim conseguimos garantir sua permanência na escola. Mas o que mais chama a atenção nessa história é o fato de um aluno educado, respeitoso e com rendimento escolar bem acima da média incomodar a escola, a ponto de ela tentar se livrar dele. Outro caso emblemático foi da aluna de São João da Boa Vista, uma das melhores da escola, expulsa por uma manobra sórdida da diretora, e só reintegrada depois que enviamos à Secretaria da Educação uma mensagem tocante e muito bem escrita pela menina, demonstrando a injustiça da expulsão.

Uma das principais queixas dos alunos que nos escrevem é a respeito do cala a boca que recebem quando se atrevem a dar opinião ou a discutir qualquer assunto em sala de aula ou - pior - na diretoria da escola. A escola brasileira, salvo raríssimas exceções que confirmam a regra, não está preparada para receber o aluno que discute, debate e principalmente não aceita o cala a boca. Se ele for expulso da escola, poderá ser recrutado pela marginalidade, que está hoje muito melhor "preparada" do que nosso serviço de inteligência. Ou não está??...

Para ilustrar o estrago que cometem nossas escolas - não apenas as públicas! - segue um brilhante texto de Augusto Cury, retirado de O código da Inteligência. Escolhemos Augusto Cury, provavelmente o autor brasileiro mais lido no mundo, por ser um educador desprezado pelas nossas universidades, da mesma forma como a escola renega seus alunos de melhor potencial intelectual. Sinal dos tempos!

Desde os primeiros dias escolares as crianças deveriam descobrir o prazer de expressar seus pensamentos, comentar suas opiniões. Mas não incentivamos as crianças a falarem porque se procura em sala de aula um silêncio doente, um silêncio antipedagógico, que castra o debate de ideias. Claro que enquanto o professor está transmitindo as informações, o silêncio é fundamental. Mas a cada cinco ou dez minutos o professor deveria interromper o silêncio e provocar a mente dos alunos. Deveria perguntar, debater, estimular o pensamento e a expressão das opiniões. Assim, seus alunos aprenderão a ser pensadores e não servos do sistema social.

Muitos profissionais da educação querem mudar o sistema, mas não têm meios ou cacife para isso. O sistema impõe um monólogo em sala de aula, um conteúdo programático extenso e fechado e um regime rígido de provas. Creio que mais de 95% das informações que são transmitidas aos alunos não serão lembradas ou utilizadas.

A pauta educacional não deveria ser em primeiro lugar a quantidade de informações, o detalhismo de dados, mas o raciocínio esquemático, o debate de ideias. A sala de aula deveria ser um teatro onde professores e alunos são construtores do conhecimento.

Por que não incentivamos as crianças e adolescentes a debater? Porque tumultua o ambiente, e suas respostas são erradas ou superficiais. Achamos que primeiro elas precisam ter bagagem, milhares de informações, para depois aprender a se expressar. Crasso engano! Depois que produzimos zonas de conflitos que bloqueiam a inteligência queremos que falem, respeitem seus pares, não sejam alienados, tenham compromissos com a sociedade e com o futuro. Com excelentes intenções, cometemos erros educacionais imperdoáveis.

A juventude mundial tem sido treinada sistematicamente para a passividade. A educação que faz da memória um depósito de informações é prejudicial à formação da personalidade, gera doenças e não saúde psíquica. Tem muito mais chances de formar algozes do que altruístas.

Se um aluno não aprende a questionar seu professor, o conhecimento que lhe é transmitido e muito menos quem e como o produziu, terá grandes chances de ser um mero repetidor de ideias. Sem aprender a fazer debate sobre esses quatro elementos, não saberá transformar informações em conhecimento, conhecimento em experiência e experiência em sabedoria. A escola clássica deveria incentivar a rebeldia saudável e não a submissão, a inquietação e não o conformismo, a participação e não a quietude, a construção e não a servidão.

O embrião da formação de pensadores começa na pré-escola e no ensino fundamental. É lá que promovemos ou enterramos os futuros pensadores. Nas universidades, apenas fazemos a “missa do sétimo dia”.

Comentários

sameline b pict disse…
Olá, eu sou aluna e gostaria de saber se posso ser impedida de assistir aula, ou até msm impedida de fazer uma prova por não estar com o fardamento completo?
Obs: sou de uma rede de ensino privada.
Giulia disse…
Infelizmente escola particular faz o que quer... Peça para seus pais escolher uma escola mais responsável, pois essa parece que só se preocupa em divulgar sua marca. Geralmente as escolas particulares entendem que a legislação só se aplica às escolas públicas e os pais não denunciam os abusos, então tudo tende a ficar coimo está.

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