Alunos de ouro, prata ou bronze?...



Uma notícia importante passou totalmente despercebida por esses dias, apenas o Jornal da Band deu a informação no vídeo Alunos tentam arrecadar dinheiro para participar de competição, dia 19/09.

Trata-se de um grupo de 7 alunos da Escola Estadual Luis Magalhães de Araujo, localizada na zona Sul de São Paulo, que foram classificados na Olimpiada de Matemática 2014 para participar do Festival Internacional de Ciência Quanta 2014, na Índia, que vai iniciar dia 15 de novembro. Não vale a pena apontar as diversas falhas de informação da reportagem da Band, já que teve o mérito de divulgar a notícia, ao contrário dos demais meios de comunicação, que a ignoraram.

Os alunos não têm verba para custear a viagem e esta é a pergunta que não quer calar: por que mentes brilhantes que pipocam em vários lugares do país, muitas vezes nas periferias ou em cidades afastadas dos grandes centros urbanos, acabam tendo sua luz abafada pela falta de oportunidades ou pela indiferença geral?...

Já falamos muito aqui de como o Brasil costuma jogar talentos no lixo, e parece que o caso atual é exemplar. Na falta de apoio para sua participação à competição internacional, os adolescentes resolveram apelar para a Vakinha, uma ferramenta para arrecadar dinheiro através de doações pela Internet, mas conseguiram apenas uma pequena parte da verba necessária. E agora, a pouco mais de duas semanas do início do festival?...

Bem, a Band deu alguma visibilidade aos alunos e isso pode ajudar, mas parece oportuno apelar para as grandes instituições não governamentais, até para que tomem conhecimento do assunto e procurem ajudar, não apenas nesta situação, mas em eventuais casos futuros. Por este motivo estamos encaminhando o assunto para TODOS PELA EDUCAÇÃO, EDUCAR PARA CRESCER, INSTITUTO UNIBANCOINSTITUTO C&A, INSTITUTO AYRTON SENNA e outros, na esperança de que - mesmo que o apoio a alunos de escolas públicas não faça parte do escopo dessas instituições, algum de seus grandes patrocinadores possa sensibilizar-se e resolva ajudar esses alunos a realizar seu objetivo.

O que mais chama a atenção, nos depoimentos desses jovens de 16 a 19 anos, é a vontade de "fazer o melhor pelo nosso país", ou seja, de honrar a bandeira nacional durante uma competição com quase 30 países. São alunos da extrema periferia de São Paulo, exemplos de superação das inúmeras dificuldades que só alunos de escolas públicas em regiões carentes conhecem. E nosso especial parabéns vai para o professor voluntário recém-formado Fabiano Siqueira, que atua na escola Luis Magalhães de Araujo dando aos alunos o suporte inestimável de seu entusiasmo e garra.

Que esses alunos ganhem medalhas para o Brasil não tem qualquer importância, eles já são vencedores pela sua atitude e nossa homenagem é uma "chuva de ouro"! Falta agora o país aprender a reconhecer e a valorizar seus talentos, dando visibilidade a quem realmente merece. Vejam por exemplo as manchetes dos jornais de hoje:

O Estado de São Paulo - Torneio de ciência entra na rotina das escolas (privadas...)
Folha de São Paulo - Mergulho no idioma define boas escolas bilíngues (privadas...)

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