Expulsar o aluno... ou a escola?


Mais uma expulsão de aluno na rede estadual de São Paulo, desta vez dupla. Trata-se de um único aluno, mas que foi expulso de uma escola no ano passado e está ameaçado de expulsão na escola atual.

Leia, ao pé da página, o depoimento do aluno, que levaremos pessoalmente à Secretaria da Educação, apenas aguardamos o agendamento com a subsecretária, Profª Raquel.

Nossa estratégia de "salvação" para alunos expulsos é a seguinte: informamos aos pais todas as dicas sobre a legislação, recomendamos que procurem todas as autoridades (mais ou menos) competentes, sejam a Diretoria de Ensino, a Secretaria da Educação, o Conselho Tutelar, o Ministério Público etc. Pretendemos com isso que eles andem com as próprias pernas, reivindicando o direito líquido e certo de seus filhos ao "acesso e permanência numa escola próxima de sua casa", garantido a todos os alunos pela Constituição Federal e pelo ECA. Algumas vezes os pais obtêm sucesso, mas, quando não conseguem e voltam a nos procurar, revelamos nossa estratégia: pedimos um depoimento de próprio punho do aluno (ou aluna), para conhecermos a versão dele e avaliarmos se podemos de fato ajudar. Em média, apenas um aluno em cada dez nos envia o depoimento, mas aquele que o faz demonstra determinação e consciência de cidadania, bastante raros em crianças e adolescentes.

É o caso do aluno em questão, inteligente e com muita vontade e facilidade para aprender, especialmente em matemática. É muito difícil um aluno expulso no meio do ano conseguir ser promovido na nova escola. Ele conseguiu, mas este ano foi suspenso tantas vezes e perdeu tantas provas que as médias estão muito baixas.

Vamos lutar por ele e cobrar da SEE um projeto pedagógico que oriente os diretores, coordenadores e professores de todas as escolas, no trato com os alunos mais inquietos e questionadores, geralmente os mais inteligentes e os primeiros que as escolas costumam expulsar.

O caso desse menino não é isolado. A diferença entre ele e os demais alunos expulsos - que são muitos, basta ver as estatísticas de "evasão" das escolas - é que ele pediu ajuda. A maioria simplesmente abandona os estudos e é assim que a escola joga cérebros no lixo.

Há escolas que expulsam alunos a rodo. Fica a dúvida: não deveria ser o contrário, sendo essas escolas "expulsas" da vida de seus alunos?...

Olá, tenho 12 anos.  Desde os seis anos fui diagnosticado com TDAH. O problema é que eu bagunço muito na escola e não estão me aguentando, os outros falam que eu não respeito ninguém. Mas eu não acho isso, a minha mãe acredita mais nos professores, diretores e coordenadores do que em mim.

Estudei numa escola chamada..........,  não fiquei cinco meses lá, depois fiquei 2 semanas sem ir pra escola e fui pra escola chamada........... No primeiro mês falaram que não dava mais pra ficar lá, consegui passar de ano, estou no 7º. Tomei varias suspensões, a ultima foi de 2 semanas.

Quando eu estou de suspensão fico em casa agoniado para ir a escola, eu gosto de ir a escola diferente de outros que bagunçam pra não ir pra escola. Eu não penso em parar de estudar eu quero acabar os estudos, sei que um dia melhoro.

Eu não quero mais ficar passando por médicos tomando medicamentos, não quero nem psicólogos, estou muito cansado de tudo isso.

Comentários

Anônimo disse…
Infelizmente sinto muito por essa criança e compreendo completamente a dor que a família e ela possa estar sentindo pois meu filho que esta em escola particular passou pela mesma coisa e desde seus 8 anos ele vem lutado para esquecer a vergonha de ter sido jogado CATEGORICAMENTE fora. Pois é isso que eles fazem e sem escrúpulos e isso deveria ser um crime mas nesse pais onde crime é crime o que esperar?
Priscila Araújo disse…
Meu filho também foi diagnosticado com TDAH, porém até hoje estão em teste com os medicamentos.O caso do meu filho é mais complicado, pois ele quer sair da escola (cada vez que ele tem um problema ele quer fugir do problema, já mudou de escola 4 vezes e tem 12 anos). Ele não gosta de estudar as matérias que são ministradas da maneira convencional, porem as que são de forma diferente ele se envolve... como por exemplo filosofia (difícil ver uma criança gosta de filosofia e entender). Acontece que é necessário uma revisão das escolas, elas precisam se adaptar aos novos alunos que são bombardeados com problemas e informações constante. E assim como essa mãe eu também acredito mais na escola do que no meu filho, tendo em vista que sei o comportamento dele. Foi bom ler isso para eu repensar algumas coisas.
Giulia disse…
Olha, os pais não podem ficar cegos... Conhecer os próprios filhos é fundamental, mas é preciso estar sempre atentos, pois muitas vezes as falhas são da escola. Neste caso específico, a mãe acabou entendendo as razões do filho e resolveu lutar por ele. Quanto à questão do TDAH, geralmente são mesmo crianças mais inteligentes e que têm dificuldades para se adaptar ao "método" copia e decora, mais do que inadequado em qualquer época.

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