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Respeito ao aluno, 3ª Parte. A expulsão da escola


Este é certamente o problema mais grave da escola brasileira: a expulsão de alunos. Além de não ser inclusiva, ela é inóspita para os alunos já matriculados e, na primeira oportunidade, eles são "convidados" a sair da escola, ou então, sumariamente expulsos. E aqui sempre fazemos o mesmo apelo aos pais: não permita que seu filho seja expulso, procure entender o que está por trás dessa atitude da escola! Tenha a coragem de enfrentar essa questão de cabeça erguida, não seja mais uma vítima de um sistema de exclusão.

Já falamos aqui exaustivamente sobre a expulsão na rede pública de ensino, que se dá de várias formas: "oficialmente", através do Conselho de Escola,  através de manobras dos diretores de escola, ou de forma "branca".

A expulsão na rede particular é tão ou até mais frequente do que na pública, e isso também já demostramos aqui diversas vezes. Mas na rede particular ela costuma ser melhor disfarçada, através de um "convite" para buscar outra escola onde o aluno possa se sentir melhor... blá-blá-blá... Além disso, os pais que matriculam seus filhos na rede particular costumam sentir vergonha - sim, vergonha! - de seu filho ser expulso e não denunciam o fato, limitando-se a baixar a cabeça e mudar de escola, assim, na surdina. 

Acabamos de receber por e-mail esta mensagem bem reveladora, leia:

Meu filho estudava até hoje no Colégio Ari de Sá Cavalcante sede Washington Soares, Fortaleza, Ceará. Fui surpreendido hoje com uma ligação de sua coordenadora que me informou que o mesmo tinha acumulado mais de 10 pontos disciplinares (todos por não entregar alguma tarefa ou por tarefas incompletas). Normalmente a tarefa não entregue era a redação. O meu filho tem problemas de comunicação verbal oral e portanto, escrita também. Mas o que me surpreendeu foi a coordenadora me chamar para uma conversa e já relatar que ele teria que trocar de colégio e me perguntar de supetão se eu tinha algo a dizer sobre isso. Foi a primeira vez que a vi. Concordo que eles devem prezar pela disciplina e fazer com que as crianças entendam que não cumprir com as tarefas gera consequências.  Mas isto não deveria ter alguma gradação até chegar a uma punição mais severa como esta?

Impressionante, como esse pai não atentou para a questão mais grave da situação: o aluno, que já estudava naquela escola, tem problemas de comunicação, seja oral, seja escrita. Portanto, ao decretar a expulsão do aluno, essa escola assinou o próprio atestado de incompetência, por não saber lidar com um aspecto fundamental na educação - provavelmente o mais importante - que é o desenvolvimento da linguagem. Sugerimos a esse pai que escolha para o filho uma escola mais democrática e competente na comunicação, o que porém não é nada fácil de encontrar, em todo o país...

E assim segue a "educação" brasileira! As escolas particulares, que em sua esmagadora maioria só visam lucro, expulsam os alunos que não sabem orientar e ficam só com os "bons", aqueles que lhes permitem manter seu lugar no "ranking", o que muitas vezes depende de maiores gastos para a família, obrigada a contratar professores particulares.

Já as escolas públicas expulsam por qualquer pretexto, mesmo o mais fútil, pois escola boa é escola "vazia", já que nem todos os alunos são domesticáveis, não aceitam o autoritarismo e a mesmice de uma escola que só ensina... a submissão. Geralmente os alunos expulsos são os mais inteligentes, é com esses mesmos que a escola não sabe nem quer lidar! De novo: é o Brasil jogando seus melhores cérebros no lixo.

Não aceite a expulsão de seu filho da escola! Veja o resumo da legislação brasileira: http://educaforum.blogspot.com.br/p/resumo-leis.html

Leia os posts anteriores da série "Respeito ao aluno, um bom começo!"


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