Positivo ou negativo?


As crianças podem muito mais do que cumprir tarefas.
Da matéria Avaliar sempre, Revista Nova Escola, edição abril 08
http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/pdf/0211/premio.pdf

Sempre que apontamos os graves problemas que nos chegam diariamente, aparece algum comentário se queixando de que costumamos mostrar o “lado negativo” da educação e sugerindo que apresentemos “propostas para mudanças”. O último comentário recebido foi bem eloqüente e diz que “aderimos ao trágico, que nosso foco é bélico, com tom agressivo, caveira sangrando, bruxas, provocações, máscara chorando...”.

Aderimos ao trágico, sim senhor! Se nós não o fizermos, quem vai fazer?...
Quem ia se preocupar em reintegrar a garota de São João da Boa Vista, expulsa injustamente da EE Pe. Josué Silveira de Mattos? Quem ia se preocupar em defender os alunos perseguidos na EMEF Imperatriz Dona Amélia porque suas mães denunciaram abusos de autoridade, sendo que essas mães estão sendo arrastadas para um tribunal? Quem ia mostrar ao Brasil os alunos espancados por policiais militares chamados nas escolas para “manter a disciplina”? Quem ia se dar ao trabalho de apontar a “parceria” criada entre diretores autoritários e certos conselheiros tutelares, no sentido de expulsar alunos das escolas?

Infelizmente, o “lado negativo” sobrou para nós! A escola, no Brasil, continua uma instituição autoritária e excludente. Um tímido sinal de que essa realidade está vindo à tona é o índice IDESP, levantado pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo para avaliar todas as escolas da rede. Esse índice leva em conta não apenas a qualidade do ensino, mas o fator inclusão. Os resultados de 2007 são bem claros:

Índice IDESP da 4ª Série do Ensino Fundamental: 3,23 (sobre 10,00)
Índice IDESP da 8ª Série do Ensino Fundamental: 2,54 (sobre 10,00)
Índice IDESP do 3º Ano do Ensino Médio: 1,41 (sobre 10,00)

Como já comentamos no post http://educaforum.blogspot.com/2008/05/o-vis-anti-aluno.html, à medida que o aluno se torna mais velho, o descaso e o autoritarismo da escola aumentam e o já péssimo índice IDESP despenca de vez. Para entender melhor esses números, o aluno da rede pública sai do Ensino Médio com 14,10% do conhecimento necessário para enfrentar o mundo – que é pra isso que serviria a escola, ou não??? Estamos falando aqui do aluno que TERMINA o Ensino Médio, pois a metade deles se perde pelo caminho...

Então me digam se o quadro não é dantesco?! E o que o aluno vai perdendo pelo caminho de sua jornada escolar não são apenas informações frias, são o estímulo, o interesse, a vontade de estudar, a autoestima e a fé no futuro.

Mais uma vez louvamos a iniciativa e a coragem da SEE em mostrar esse marasmo, mas deixamos claro que vamos cobrar soluções rápidas e eficientes, ano a ano.

Aos que se aborrecem com a constatação da realidade nua e crua e querem focar o “lado positivo”, sugiro que entrem no link da Revista Nova Escola apontado acima. Pessoalmente, acho muitas matérias da Nova Escola interessantes e esclarecedoras. O que mais me impressiona é que uma revista tão boa e barata seja tão pouco aproveitada pela classe docente brasileira. Se eu fosse professora (mais uma vez deixo bem claro que não sou), essas matérias seriam de uma ajuda valiosíssima para o meu trabalho. A Nova Escola é uma revista muito antiga, pode ser comprada em qualquer banca por R$ 2,90 e ainda a maioria das matérias – como acima – pode ser acessada de graça pela Internet! Então, senhores professores, em vez de procurar aqui propostas positivas para mudanças no seu próprio trabalho, busquem aprimorar seus conhecimentos de alguma forma. A velha lenga-lenga de que professor “ganha pouco” e não pode se atualizar não cola mais. Todas as Secretarias da Educação do Brasil inteiro investem rios de dinheiro em cursos e oficinas. E além disso está aí a Revista Nova Escola, entre outras publicações, para mostrar centenas de exemplos positivos na educação.

Nosso objetivo, aqui, é ajudar os pais e alunos que se afogam no “lado negativo” da educação, sem ter quem os oriente e ampare. Aliás, a solução para transformar o “lado negativo” em positivo nós já estamos cansados de apontar! Ela está aqui: http://educaforumtxt.blogspot.com/2007/01/gesto-participativa-na-escola.html

Comentários

Anônimo disse…
Oi Giulia,
Mais uma vez vc está certíssima. Infelizmente há muito pouco de positivo para destacar.
Quanto a revista Nova Escola, eu fico até com raiva. Na sala de leitura tem vários números se estragando e ninguém lê. Já tentei organizar uma roda de leitura com os temas mais interessantes, mas fiquei lendo sozinha. Pura burrice.
beijos
Danielle
Vera Vaz disse…
Mas, Danielle, claro que não vão nem chegar perto dessa revista! Basta olhar nas comunidades de professores do Orkut pra descobrir que a consideram uma publicação "inimiga dos professores"!!!! Eles não querem nem ouvir falar de qualquer coisa que leve à mudança e que não os encare como coitadinhos vítimas de um sistema e dos alunos e de seus pais!
Tá dificil a coisa mesmo.... Tenho pena de você pois imagino o que deve passar! Não desanime, por favor! É em professores como vc que confiamos pra ver a Educação mudar!
Anônimo disse…
Querida
Imagina eu que como o toco da imprensa direto e reto
Sou o menino da fábula que gritou que o Rei estava nu.
Eu posso
Não tenho nada a perder,mesmo assim é dificil.
A poderosa Globo depois que eu comecei a comer o toco dela, de vez em quando retira uma materia do site
Hoje por exemplo eu não vi nada mais da diretora" coitadinha" que levou dois tiros.
Será que descobriram o verdadeiro motivo?
Giulia disse…
Pois é, Danielle, você não sabe como a gente fica chateada com esse descaso, principalmente porque o assunto continua tabu. A lei do silêncio na corporação é praticamente infalível. Por isso reforço o que a Vera colocou: não desanime, por favor!!! A gente continua torcendo para que outros professores procurem quebrar essa inércia e que aos poucos nas salas dos professores comecem a surgir outros assuntos além das intermináveis lamúrias sobre salários e indiscplina.
cremilda disse…
Giullia
Não liga para a Danielle, ela é como nós.
A gente jura que vai desistir no momento da raiva, mas parece que está no sangue essa paixão pela educação
Essa vontade insana de fazer algo a mais por essa causa é algo que nasce no peito da gente e nunca mais vai embora
Imagina quando esse "virus" contamina uma educadora...
Ela não vai jogar a toalha nunca, vai é sempre dar mais um passo.
Se é graças a elas que a escola não ruiu de vez, acha que ela vai desistir?
Giulia disse…
Sabe, Cremilda, a questão não é jogar a toalha, é manter a firmeza de tentar "contaminar" os outros, que é o mais difícil. A gente sabe de todas as artimanhas do sistema para fazer os bons educadores se fecharem em si mesmos! Apenas um exemplo: a diretora de uma escola ficou "aborrecida" com um professor que vivia defendendo os alunos e falou para ele que devia ser louco. E não parou por aí!!!Ela o encaminhou ao departamento médico com uma carta em que dizia que o professor tinha problemas mentais. O médico "discordou" do diagnóstico da diretora mas não teve coragem de contrariá-la e o professor até hoje é obrigado a se apresentar periodicamente no departamento médico para "controles"...
Veja a que ponto chega o abuso de autoridade e o CORPORATIVISMO, pois médico de repartições públicas também é funcionário público e é claro que ele vai ser "solidário" com a diretora e não com o professor, que está um nível abaixo... Cadê o profissionalismo de ele próprio fazer o diagnóstico, como cabe a um médico???
Cremilda Estella Teixeira disse…
Também já vi esse filme e posso até dar os nomes
A diretora da Escola DAvid Eugenio dos Santos fez isso com uma professora que era contra o elástico e tudo que era castigo fisico que a escola usava muito Foi dada como louca pela diretora e o médico do departamento do estado aprovou o "diagnóstico"
A professora contestou o laudo e apresentou outro de outro médico
Conclusão
A professora ficou tres meses sem receber salário e respondeu processo administrativo mas não desistiu.
A escola não coloca aluno de castigo no elástico,mas continua espancando alunos, a professora continua denunciando e incentivando as mães a denunciar.
Saiu da sala de aula foi "readaptada"
O dirigente reginal da época, aconteceu em 2005.Norte 2 que devia investigar os casos de tortura e desvios de verba, não investigou e foi promovido a coordenador geral da cogesp
Então é isso.
Muitas jogam a toalha e se conformam, muitas não jogem
Muitas não se vergam e não quebram
são as rochas firmes, os referenciais de honestidade dentro da escola pública
Toda vez que tenho chance eu chamo a atenção do Serra para a COGESP.
Nunca soube de onde veio o OUVIDOR
da SEE, tenho curiosidade em saber o que ele aprontou para merecer o tal cargo...
cricardoandrade disse…
Por que vocês não vão dar aulas em uma escola pública da periferia da cidade de São Paulo, para verem pelo que os professores passam?
Giulia disse…
Estava demorando para aparecer por aqui um daqueles que infestam a coluna do Gustavo Ioschpe, rsrs!
Anônimo disse…
Cricardo
ah...tá bom.
a gente nem precisa para saber o que os alunos passam
aliás quando voces passam por lá
não fazem nada
tanto que as escolas tiveram nota 1.00 só faltou tirar zero
cricardoandrade disse…
Os alunos MANDAM nas escolas p�blicas.

Reinam soberanos e NUNCA s�o punidos, mesmo quando (FREQ�ENTEMENTE) agridem outros alunos.

Giulia, voc� me faz acreditar na exist�ncia do Diabo...

Que outra explica�o para existir algu�m como voc�
Anônimo disse…
Giullia
Olha só, acabou o argumento e o crica apela para do Diabo
Do jeito que a escola está infestada de cricardos, só mesmo
por DEUS...
Anônimo disse…
Acho que o professor Cricardo quer é a pena de morte
Os alunos vão direto da escola para a CASAFEBEM e ficam lá por tres longos anos
Lembram o caso de Ribeirão Preto?
O aluno pegou cana dura por reagir a uma agressão da professora.
Todo dia um vai preso, um não alguns
A policia militar está a postos para socorrer as coitadinhas
O Cricardo quer que aluno que olhar torto para professora seja morto seu corpo esquartejado e sua cabeça seja depois de salgada espetada num poste em frente da escola
Aluno é punido injustamente e o cara vem com o papo que nunca é punido?
Não é punido com a execução que não existe a pena de morte no Brasil, só por isso.
Olá Giulia,
Passei um tempinho sem vir aqui, mas como bem disse a Cremilda acima, deve ser algo que está debaixo da pele. Nunca deixei de ler as suas postagens. E desta vez resolvi voltar a comentar. Você citou a revista Nova Escola (que eu adoro e sou até assinante) como um exemplo de boa literatura para professores. Também acho. Contudo, esta mesma revista sempre fala das escolas de São Paulo como exemplos para o Brasil. E paralelamente eu leio as suas postagens contando coisas terríveis destas escolas. Dai eu me pergunto, pq mesmo uma revista tão envolvida com a educação pública como a Nova Escola tem receio de mostrar as mazelas? A quem serve este silêncio na mídia? Por que só neste blog eu leio este tipo de denúncia? Onde estão os reais responsáveis?
Parabéns pela coragem!
Maria Elvira
Ops! cometi uma um erro: é embaixo da pele e não debaixo da pele, desculpem!
Giulia disse…
Maria Elvira, você fez uma ótima colocação. É realmente impressionante o silêncio da mídia quanto às mazelas da educação! No Brasil vige uma lei do silêncio que tem duas vertentes: uma é a do descaso, do comodismo, do deixa como está para ver como fica; outra é a do "politicamente correto". Em geral, as publicações ditas "sérias" acham que colocar o dedo nas feridas é criar confusão, "armar barraco", como nós do EducaFórum somos constantemente acusados...
A Revista Nova Escola é uma das publicações para onde eu me cansei de mandar informes e nunca foi publicado nada contundente. Quando a gente fala "contundente", não é no sentido de provocar atritos, mas de causar indignação e buscar soluções rápidas e eficientes.
Mostrar os bons exemplos é ótimo - até nós gostaríamos de poder apresentar um número maior, o que significaria uma real melhora na educação - mas o que não podemos fazer é mascarar a realidade que nos chega diariamente através das mensagens de pais e alunos do "Brasil real".
Você tem toda a razão: lendo a revista Nova Escola pode-se ficar com a impressão de que a educação no Brasil e principalmente no Estado de São Paulo não está no marasmo em que se encontra! E a gente sabe que somente os bons exemplos não vão produzir milagres, POIS SE ASSIM FOSSE A PRÓPRIA NOVA ESCOLA JÁ OS TERIA OPERADO. E não é assim! Mostrar uma dúzia de oito ou dez bons exemplos na maior, mais autoritária e excludente rede de ensino do país, a do Estado de São Paulo, que conta com mais de 5 mil escolas (há uns 15 anos eram quase 6 mil, alguém fez a contagem de quantas foram fechadas???) é, no mínimo, bizarro, principalmente porque a própria SEE fez uma autoavaliação extremamente negativa, o que é aliás louvável. Mas a revista Nova Escola é uma publicação dirigida ao professor e os professores não gostam de críticas!!! Aliás, é impressionante como eles "vestem a carapuça" e entendem que lhes é atribuída a causa de todas as mazelas...
Então, apesar de excelentes matérias que a gente não cansa de divulgar, a Nova Escolas, de um ponto de vista macro, está prestando um desserviço ao Brasil, dando a impressão de uma realidade que "não existe", já que 10 entre 5 mil escolas da maior rede de ensino do país não representam percentagem alguma...
Hoje, finalmente, o único que tem coragem de divulgar os fatos, além de nós (e falo aqui de alguns dos sites amigos lincados à esquerda) é Gustavo Ioschpe, em sua hiperpolêmica coluna no site da Veja. Você vai reconhecer, nos comentaristas da coluna do Gustavo, os "Cricardos" da vida que fazem ponto neste blog. Aliás, quem foi mesmo que deixou um comentário aqui chamando o Gustavo Ioschpe de "esculachador de professores"?...
BATALHADOR disse…
AMEIIIIIIII OS COMENTARIOS ACIMA.
PARABENS GIULIA PELA ABORDAGEM DO ASSUNTO .cOLOCOU O CRICARDO NO CHINELO.
ESTOU SEMPRE ACOMPANHANDO SEUS COMENTARIOS , PENA QUE QUASE NAO POSSO ME MANIFESTAR COMO GOSTARIA. MAS EM BREVE ESTAREI LIVRE PARA FALAR SOBRE TUDO.
oi Giulia,
Esculachador de professores talvez o Gustavo Ioschpe não seja, mas bem que poderia generalizar menos né! Tem um bando de barangas nas salas de aula é verdade. Mas também tem muita gente boa que não merece ler o que ele escreve.
beijos
Giulia disse…
Maria Elvira, francamente, não te entendo. Basta o bom professor não vestir a carapuça! Temos diversos amigos professores que entendem bem esses argumentos e não se sentem atingidos, porque não é com eles.