A escola tabu nº 18 - A dislexia


Dislexia é uma palavra hoje bastante usada. Em 2001, quando começamos a falar disso, ninguém no Brasil sabia do que se tratava. Hoje também não se sabe direito, mas a palavra é bastante usada, rs...

Muito fácil dizer que se trata de uma disfunção neurológica que leva a confundir e trocar letras e números. E daí? Como resolver? A dislexia foi descoberta há mais de 120 anos, mas poucos são os países que sabem lidar com essa dificuldade, que impede a milhões de crianças se alfabetizarem na idade certa, além de prejudicá-las durante ainda muitos anos.

No Brasil não existem estatísticas sobre a percentagem de crianças dislexas nas escolas. E, por incrível que pareça, elas são tratadas da mesma forma tanto na rede pública de ensino, quanto na particular: a escola tenta expulsá-las - e muitas vezes consegue.

Por se tratar de um fenômeno conhecido há apenas algumas décadas - pelo menos no Brasil - a tendência é tratar as crianças dislexas por "burras". Na rede particular isso não costuma ser dito com clareza: primeiro a escola chama os pais para falar das dificuldades da criança e depois sugere que talvez em outra escola ela tenha mais sucesso. Se livrar do aluno é a primeira idéia de uma escola incompetente. E é muito bom que os pais procurem mesmo outra escola para os filhos! Quando a direção chama os pais para sugerir a mudança significa que o aluno é indesejado, que os professores não sabem o que fazer com ele e que nessa escola estaria quase certamente fadado ao fracasso.

Já na escola pública o aluno dislexo corre o risco de ser chamado de "burro" com todas as letras. Aliás, na rede pública, todas as crianças com problemas de aprendizagem, seja TDA, TDAH ou outro tipo de dificuldade, costumam ser tachadas de burras, preguiçosas, mal educadas etc.

Mas o resumo da ópera é que, devido à incompetência geral e à falta de vocação para educar, os alunos dislexos incomodam as escolas e costumam ser expulsos, de forma direta ou branca.

Segue a mensagem de um pai de alunos que está em contato conosco desde o início de 2008. Sua filha estudava numa escola de elite em Belo Horizonte e ele resolveu processá-la por expulsar a menina.

Ganhamos em duas instâncias. A escola me propôs um acordo mas, como não aceitei, ela jogou o processo para uma instância maior. O que eu estou pleiteando é o ressarcimento de todas as parcelas pagas desde o primeiro ano até a quarta série (do currículo antigo), bem como danos e assédio moral tanto para a aluna quanto para os pais.

Como não obtive ainda a conclusão do processo não remeti ainda para vocês. Para que você entenda, a escola não me forneceu – nem para cópias xerográficas – as provas de minha filha. Solicitamos, desta forma, de maneira judicial, que todas “os originais” nos fossem enviados, o que ocorreu no mês de junho do corrente ano. Solicitamos a correção das provas por dois profissionais definidos a critério da justiça e foi verificado, dentre outras coisas, que ela (minha filha) teria que ter um tempo maior para toda e qualquer atividade escolar que fosse feita a título de prova.

Além disto tudo, entrei em contato com uma rádio aqui em BH (muito prestigiada por diversas camadas da população – tipo Programa do Datena) e colocamos a matéria no ar com entrevista simultânea entre eu e Diretor da escola num horário nobre.

No mais, o que falta aos pais cujos filhos são submetidos ao padrão de “escola pública ou plural” e sofrem qualquer tipo de preconceito é esclarecimento. A justiça – por definição é cega - e esta cegueira a que me refiro não deveria perceber qualquer distinção entre os humildes e os poderosos.

O conselho ou palavra que dou a todo e qualquer pai é que procure os seus direitos de forma jurídica em última instância. Essas escolas que tratam os seus alunos como burros, idiotas e outros pseudônimos doentios nem sequer sabem da existência de doenças (como a dislexia) que são tratáveis e outras, ainda, sob o prisma de psicossomáticas, podem ser curáveis simplesmente com tolerância e amor.

Já dizia Roberto Carlos... “Eles estão cegos!”.

Oriente sua comunidade, através do seu blog, que é possível mudar isto, que é possível colocar um basta em adestradores travestidos de professores, em criaturas que, por uma questão conjuntural, são denominados “mestres”.

Leia os posts publicados anteriormente sobre dislexia:

Dislexia no Brasil: alguma solução?

O pai vai processar a escola

Viva a inteligência dos pais!

Dislexia: ainda a grande desconhecida

Querido Jô (este post trata também da Progressão Continuada)

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