Uma história sórdida


Em vinte anos de luta pela educação e com três filhos que só estudaram na rede pública, posso atestar que a coisa mais difícil é encontrar um diretor dentro da escola, trabalhando. Eles sempre têm mil desculpas para justificar sua ausência: foram para "reuniões fora", para “resolver problemas” na diretoria de ensino ou na secretaria da educação...

Por isso, neste blog, valorizamos demais a atuação dos bons diretores, de quem depende a qualidade das escolas. O nível dos diretores, em todo o país, anda tão ruim que se pensa ser suficiente um prédio escolar “pintadinho e arrumadinho” para atestar uma boa direção. A lição mais importante quase nenhum deles faz: cuidar do elemento pedagógico. E, por favor, não venham contestar isso, pois não é necessário discutir a má qualidade do ensino em todo o país!...

Vamos agora refletir: duas ótimas diretoras de escola, ambas da diretoria de ensino Sul 3 - tão boas que se atreveram a cobrar trabalho, presença e pontualidade dos professores e funcionários (!) - começaram a ser perseguidas pelos profissionais da “banda podre”, que fizeram intrigas e calúnias contra elas, além de ameaças que as levaram a pedir férias para tentar se recuperar do desgaste. Não é muita coincidência?...

Localizadas na extrema periferia da zona sul de São Paulo, as duas escolas estão afastadas 12 km uma da outra. As diretoras não se conhecem, mas elas têm muito em comum: conseguiram recuperar suas escolas, não apenas no aspecto físico, mas também pedagógico:

A EE Lucas Roschel Rasquinho, esfacelada por uma péssima direção até 2008, teve em 2009 uma grande melhora no IDESP, que ficou acima da média. Além disso, a nova diretora fundou uma rádio comunitária junto com os alunos, equipou a sala de vídeo com aparelhos de última geração, criou uma zeladoria e equipamentos de segurança, incrementou a merenda e fez a formatura dos alunos de graça, aliás moralizou a escola, onde não cobrava uniformes nem outras taxas.

A EE Joaquim Álvares Cruz estava em completa decadência, quando a nova diretora arregaçou as mangas e, quase sem equipe de apoio, conseguiu reformar o prédio, arrumar as contas da APM e em pouco tempo desenvolveu um projeto de gestão tão bom que foi um dos poucos selecionados pelo programa Mais Educação para representar a diretoria de ensino.

Além da qualidade do seu trabalho, as diretoras dessas duas escolas têm mais dois pontos em comum, um ponto positivo e outro negativo:
  • graças à assiduidade e pontualidade que tiveram durante sua vida profissional, mereceram uma licença prêmio que poderiam tomar quando lhes fosse mais oportuno;

  • graças à moralização que implantaram em suas escolas, despertaram a ira da “banda podre” e do sindicato APEOESP, que se revoltou por elas terem marcado falta aos professores que fizeram greve no início do ano.

O EducaFórum recebe denúncias do Brasil inteiro, principalmente de São Paulo. A EE Lucas Roschel Rasquinho é nossa velha conhecida, mas as informações sobre a EE Joaquim Alvares Cruz começaram a chegar somente este ano e chamaram nossa atenção, pois ambas escolas estão dentro de uma região dominada pela banda podre do sindicato, que atrapalha o trabalho dos POUCOS bons diretores de escola da rede.

Além dessas duas escolas, recebemos denúncias da comunidade de mais duas unidades da diretoria de ensino Sul 3, a EE Hermínio Sacchetta, de onde os maus profissionais e a APEOESP conseguiram afugentar um bom diretor, e a EE Prisciliana Duarte de Almeida, cuja ótima diretora está também sendo pressionada a sair. Estamos de olho!

A incompetência do dirigente da Sul 3, que não soube dar às diretoras da EE Lucas e da EE Álvares Cruz qualquer apoio contra as intrigas e ameaças que sofreram, chegou ao ponto de recomendar que ambas emendassem suas férias com a licença prêmio, “até a poeira baixar”. Isso não é estranho???!!! Que poeira o dirigente queria que baixasse?...

Moral da história: as duas diretoras acabaram ficando meses afastadas da escola, contra sua própria vontade, além de estragar sua licença prêmio. Durante esse tempo, a banda podre e a Apeoesp conseguiram “fazer sua caveira” junto à comunidade, promovendo inclusive manifestações em frente às duas escolas, atirando lama sobre elas e distribuindo panfletos pedindo sua cabeça. Pior: as escolas foram sucateadas e até depredadas!

A cereja do bolo: quando o projeto de gestão da EE Joaquim Álvares Cruz foi selecionado pelo programa Mais Educação, a diretora não foi comunicada nem convidada para a homenagem que seria prestada aos diretores das escolas! Ela descobriu isso por acaso através do site da Secretaria da Educação e, quando ligou para a diretoria de ensino Sul 3, uma assessora do dirigente lhe disse que ela não seria convidada para a cerimônia: quem receberia a homenagem pela escola seria seu vice, pois sua demissão sairia em breve no diário oficial...

Pois assim são tratados os diretores que IMPLANTAM BONS PROJETOS E EXIGEM TRABALHO E ASSIDUIDADE DOS PROFISSIONAIS DAS SUAS ESCOLAS.

Durma-se com um barulho desses!!!


Comentários

cremilda disse…
Então é mais ou menos assim que precisa fazer o relatório.
A gente precisa mandar isso para o Governador, para a PGE, para a OAB, para a SEE e para Deus e o mundo.
A Banda Podre tem que ser parada de qualquer jeito....que se comece nessas duas escolas priorizando a Lucas Rosquel Rasquinho
Giulia disse…
Mandei por e-mail para o gabinete do Paulo Renato, do Governador, do Padula, do JB e mais comunidade, o link para essa matéria, junto com o link para o vídeo que mostra a baderna armada pela Apeoesp em frente ao Lucas. Agora ninguém pode dizer que não sabe da história...
cremilda disse…
Então, sabe aquela senhora que chegou na reunião onde estava a Apeoesp? Aquela que chegou e se enfiou do meu lado colocando a cadeira meio na forçada ???
Ela se apresentou como representante da comunidade.Ela mora longe da escola.Não tem filhos na escola.
Ela se vestiu de preto e ficou companando a Mathilde na porta da escola dizendo que ia pega-la de pau.
De vez em quando uma professora descia e ia lá cochichar algo com ela.
A Apeoesp leva essa figura para a reunião e ela se apresenta como representante da comunidade ?
Esse depoimento deveria estar na averiguação preliminar da Sul 3, uma vez que uma pessoa que foi ouvida garantiu que falou isso na hora que estava depondo para a Comissão.
Anônimo disse…
Vocês Estiveram no COGESP e foram engolidas pela realidade.
Educaforum e Cremilda.
Qual é a de vocês?
Estão a milhares de quilometros dessas escolas, nada sabem sobre a realidade escolar, nada sabem sobre o dia-a-dia de uma escola.
Só sabem é fazer denuncias vazias...
Giulia disse…
Só podia ser anônimo, rsrs!...
Ste disse…
Estudo a menos de um ano na escola EE Joaquim Alvares Cruz.
Nao estava presente no momento do ocorrido, mas o q tenho a dizer que..a "banda podre", que insistem em dizer, ja tirou varios estudantes da rua, e que antes de quererem acabar com isso, deveria ser feita uma pesquisa muito ampla sobre o assunto, nada começa por acaso. Esta escola nao é uma das melhores, pelo contrario vive em uma situaçao precaria, falta organizaçao e projetos para ajuda-la. Esta localizada em uma região muito afastada, em que existe diversos alunos preocupados com o futuro. Muito obrigado
Giulia disse…
Conhecemos muito bem a escola, Ste. Esse episódio já vai fazer dois anos e esperamos mesmo que os alunos estejam mais conscientes de seus direitos. Vocês é que podem fazer a diferença. Se faltam organização e projetos, cobrem e participem. Um abraço!

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