A escola do seu filho já grevou este ano?


A última visita da blitz do Jornal Nacional, que foi para a melhor e a pior escola de Belém do Pará, mostra diversas aberrações. Leia a reportagem e assista ao vídeo clicando aqui.

A pior escola, nota 1,4 no IDEB (índice que é medido de 0 a 10), mostra total descaso para com o aluno. A greve dos professores já virou programa anual, a ponto de os alunos terem inventado o verbo "grevar". A parte mais interessante da blitz foi quando a reportagem procurou os professores dessa escola na assembleia que estava discutindo aumento de salário. Nenhum deles estava lá!...

A "melhor" escola de Belém do Pará é aquilo que chamamos aqui de escola pública "de classe média", como existem muitas em todo o território nacional, principalmente nos grandes centros urbanos. Essa de Belém é uma escola federal restrita a filhos de militares, que pagam de R$ 60,00 a 221,00 de mensalidade para manter a matrícula. Isso abre uma discussão: uma escola pública pode ser restrita?...

Uma diferença entre essa escola e as demais "de classe média" é que as outras não cobram mensalidades a "preço fixo". Outra diferença é que as demais disfarçam a seleção dos alunos, feita na surdina pela direção da escola, que privilegia os indicados por vereadores e demais políticos, além de, claro, os alunos de melhor classe social.

Escolas públicas "de classe média" são aquelas procuradas pelos pais que não podem pagar escola particular, mas querem um tratamento diferenciado para os filhos. Assim, eles "oferecem" um valor mensal razoável para a APM e assim têm a vaga garantida. Aqueles que pagam mais têm, além da vaga, um lugar cativo no Conselho de Escola e na própria APM, onde mandam e desmandam junto com a direção da escola, mantendo assim um sistema que privilegia seus filhos e exclui os alunos indesejados. Além de cobrar mensalidade (disfarçada em "contribuição espontânea"), as escolas públicas "de classe média" costumam vender uniformes dentro da escola, cobrar carteirinhas e outras taxas, além de implantar cantinas que vendem lanches caros. Tudo para garantir a exclusão daqueles que não podem pagar, mantendo o "bom nível" da escola. Nas escolas públicas "de classe média", a proposta educacional também lembra a rede particular: o ensino é "puxado" (o que nada tem a ver com qualidade!), os alunos são massacrados com excesso de cópias, decoreba e lições sem o devido acompanhamento, obrigando os pais a contratar professores particulares para os filhos poderem "passar de ano".

Essa foi a última reportagem da série JN no ar, fraca e de modo geral "salva" pelas colocações pertinentes e perspicazes de Gustavo Ioschpe, que gostaríamos continuasse a visitar as escolas públicas deste imenso país e a desvendar seus tabus. Linda e alentadora, sua mensagem para os pais de alunos:

Se a gente puder deixar um recado para o pai para a mãe que estão nos ouvindo é: sempre apoie o seu filho. Porque algumas escolas, infelizmente, desistem dos seus alunos. E se os pais também desistirem, se chamarem o filho de burro, de preguiçoso, aí é que esse filho está perdido. O pai e a mãe sempre têm que achar que seu filho pode ser o primeiro brasileiro a ganhar um Prêmio Nobel.

Só gostaríamos que Gustavo tomasse mais cuidado ao fazer a apologia do "dever de casa". A maioria das escolas públicas "de classe média" entopem os alunos de lições, sem corrigi-las adequadamente e muito menos se preocupando com o aprendizado.

Leia sobre as demais visitas do JN às escolas públicas:

Comentários

É isso mesmo Giulia. Dever de casa pode ser uma faca de dois gumes. Alunos que não tem nenhum suporte em casa para realizar as tarefas não se beneficiam dessa prática adequadamente. Alunos que levam excesso de tarefas de casa deixam de aproveitar seus momentos livres em tarefas extra classes. Dá mesma forma muitas tarefas em tão curto tempo impede os professores de avalia-los adequadamente. Além disso nenhum dever de casa substitui uma aula bem trabalhada.
É por estas e outras que não considero este Sr.Ioschpe o mais adequado para avaliar as escolas públicas. Apesar de que ele até que tem sido bem lúcido e este recado para os pais está muito bom.
Giulia,
Fugindo um pouco do assunto. Mas contando com o apoio de vocês. Há nove meses, estudantes do Instituto Sarah Kubitschek uma escola estadual no bairro de Campo Grande aqui no Rio de Janeiro, estão sem professor de Língua Portuguesa e agora perderam o professor Matemática estes alunos não conseguirão fazer o Enem. Segundo matéria publicada no Jornal Extra (leia-se O Globo) a diretora informou a alguns pais que não sabia que o professor substituto de Língua Portuguesa não estava dando as aulas. Dois substitutos chegaram a comparecer na escola mas optaram por dar aulas em outra escola. E os alunos continuam sem aulas.
Giulia disse…
Como assim, Maria Elvira? O ano começou em fevereiro, são apenas 3 meses este ano. Eles estão há quanto tempo sem aula de português?
Maria Elvira disse…
Oi Giulia,
Meu pc falhou e não sei se a outra resposta foi.
Eles estão sem aulas de Língua Portuguesa desde o 2o.semestre do ano passado e sem aulas de Matemática desde a semana passada.
Giulia disse…
Maria Elvira, que situação! Infelizmente, daqui de Sampa, não podemos fazer nada... Às vezes, nem mesmo a secretaria daqui nos dá bola. Vou passar o assunto para o Gustavo Ioschpe, vamos ver se ele repassa para a Globo e pelo menos sai mais uma reportagem.
cremilda disse…
Ontem estivemos no Geduc.
Segundo andar sala 207,Rua Riachuelo 115.
Esse grupo foi criado este ano em abril
Só resolvem casos coletivos rsrs.
E o promotor me falou que casos de salas inteiras sem professor de determinada matéria é com eles.
Então, gente ...bora lá bater na porta do Geduc.
Para o Tertuliano foi melhor, ele foi para outra sala e outro departamento e consegui desentravar uns processos que estavam lá parados.
Para mim foi engraçado
Eu sempre mando casos pontuais. Ele disse que esses eu devo procurar a Vara de Infância e Juventude, a promotoria e vou lá levar o caso da escola Senador Adolfo Gordo.
Quando ele disse que os meus casos não eram com eles, eu nem fiquei irritada mas perguntei.
O senhor me convida para esta reunião para dizer que não é com o Senhor ?
Que eu volte para o final da fila ???
Anônimo disse…
Oi trata-se a 3ª vez que li a tua página e gostei imenso!Bom Trabalho!
Cumps
Giulia disse…
Cremilda, será que tem Geduc também no Rio de Janeiro? Viu acima o caso do Instituto Sarah Kubitschek?
cremilda disse…
Então eu dei um depoimento na Alesp e o Mauro colocou no You tube em resposta a professora Amanda Gurgel que a imprensa endeusou, divulgou o vídeo junto com os sindicatos
Resultado. A professora que pede aumento de salário foi até no Faustão puxar palmas para uma greve.
O meu vídeo está com mais de 10 mil acessos em 4 dias, muito pouco em comparação com o vídeo da professora.
Mas os professores entraram lá e mostraram que de fato eu tenho razão
O mau professor tudo que ganha é muito.
o endereço de lá se me permite
mãe cremilda teixeira responde a professora sindicalista Amanda Gurgel.
Giulia disse…
Fiz um depoimento lá. Você leu?
cremilda disse…
Lí mas parece que as tias não se envergonham não
Continuam ofendendo e postando palavrões impublicáveis.
Giulia disse…
Cremilda, este país tá muito atrasado!... Repito o que sempre digo: tem de aparecer um grupo de sociólogos que façam um estudo sobre essa aberração que é a classe "docente" brasileira e expliquem por que a sociedade tolera isso. Eu sei a resposta, você sabe, mais meia dúzia também, mas, e daí? Meia dúzia de andorinhas não fazem verão! Só nós não conseguimos dormir com esse barulho...
Maria Elvira disse…
Giulia,
O Secretário Estadual de Educação exonerou a diretora e "disse" que abriu sindicância para apurar os "fatos", mas os alunos continuam sem aula. Triste né?
cremilda disse…
Eu não desisto !!!
Uma andorinha só pode não fazer verão, mas pode muito bem fazer cocô na cabeça do abutre que por acaso passar embaixo dessa andorinha.
Estão estrebuchando, mas tem quase doze mil acessos em sete dias.
E comentários então são centenas.
O importante é não passar batido...
o nome do vídeo aó para aproveitar o seu espaço
mãe cremilda teixeira responde para a professora sindicalista Amanda Gurgel ? YouTube.
Obrigada.

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