
Muitos pais de alunos escrevem revoltados, relatando que os filhos receberam suspensão coletiva, uma prática muito frequente e simplesmente INCONSTITUCIONAL. Aqui, na rede pública de São Paulo, funciona da seguinte forma: metade da classe é suspensa durante alguns dias; na volta desses alunos, suspende-se a outra metade.
A escola não é "boba" de dispensar toda a classe durante uma semana, pois poderia ser processada por oferta irregular de ensino. E também (geralmente) não é boba de dar a suspensão por escrito: isso é informado oralmente aos pais por intermédio dos filhos, assim nada fica registrado de forma oficial.
O que muitos não sabem é para que serve a suspensão coletiva. De modo geral, ela é utilizada por escolas incompetentes para "solucionar" problemas disciplinares. Quando ocorre alguma situação considerada grave, suspende-se uma classe inteira até que "apareça" o culpado. Para que isso aconteça, estimula-se a delação. O importante, para certos diretores incompetentes, é tirar o problema da frente e esquecer o assunto, para que tudo volte "ao normal" dentro da escola. O "problema", nesse caso, é o aluno e/ou os alunos a serem expulsos.
Estimulando a delação, a escola amputa o espírito de nossas crianças e adolescentes, como no magnífico filme Perfume de Mulher, relembrado pela professora Glória Reis, uma das raras educadoras que se posicionam a favor do aluno.
O caso mais interessante de suspensão coletiva no qual nos envolvemos foi de uma aluna de São João da Boa Vista, "incriminada" justamente durante uma suspensão coletiva, quando a diretora da escola deu ouvidos a um telefonema anônimo que a apontava como culpada de ter ateado fogo à lixeira da classe. Leia clicando aqui o depoimento escrito de próprio punho pela aluna, que foi expulsa, após quase um mês reintegrada à escola e finalmente absolvida pelo juiz da infância e juventude que julgou o caso. Essa história foi recheada de detalhes sórdidos para encobrir as falhas da escola, como por exemplo o próprio Ouvidor-surdor e o Dirigente de Ensino da região terem ligado para a irmã da aluna, tentando colocar panos quentes sobre o fato... Não seria uma vergonha, para a Secretaria da Educação? Bem, esse fato ocorreu em 2007, mas a prática da suspensão coletiva e da expulsão de alunos continua de vento em popa, o que demonstra que a SEE não se envergonha absolutamente dessas práticas ilegais das escolas.
Aliás, a Secretaria da Educação ADORA denúncias anônimas. Lembram do caso da diretora de escola que foi incriminada por uma denúncia anônima de tão baixo nível que nós simplesmente a jogaríamos no lixo? Releia o caso clicando aqui. Pois é: aquela denúncia absurda deu no afastamento daquela diretora, pessoa digna cuja única falha foi cobrar trabalho dos professores e profissionais da equipe! O sistema, portanto, não amputa apenas o espírito dos alunos, mas também dos raros profissionais corajosos e compromissado com o aluno e a educação.
Durma-se com um barulho desses!
Comentários
m num verdadeiro inferno... Socorro!!! Tenho fé que um dia alguém coloque ordem nessa tortura, é tão simples basta estar presente nas Unidades Escolares. Um bom feriado.
Eu não publico comentários de professor tranqueira no meu blog.
Alí não tem espaço para eles.
Interessante é que os piores,aquelas pústulas que queríamos ver espremidos da escola pública são aqueles que invocam a democracia para terem o direito de ofender e insultar, de mentir e de escrever coisas como a Giulia diz "impublicáveis"
As vêzes eu até rio, chegam a ser infantis, e escrevem; quero ver se você tem coragem de publicar este comentário....
Como se eu precisasse provar algo para essa corja.
Em nome da democracia eles PROVOCAM os trabalhadores éticos. Eles são infelismente a MAIORIA esmagadora, que o sistema sustenta com a impunição.
Mas gostei do "soda cáustica".hehehe
Agora qto a Sra Giulia, eles entram no site não para ver o qto falamos mal "deles" mas o qto falamos de "verdade" VERDADEEEEEEE.
Só tem um probleminha, "eles" aumentam rapidamente como praga numa plantação!!!
Deus nos acuda.
SEE, faça alguma coisa pela amor à EDUCAÇÂO.
Gratos