Escola do papagaio


Retomando o tema A escola brasileira desprepara (leia o post clicando aqui), veja a tradução do texto La escuela mata la criatividad? clicando aqui.
Apesar de sempre colocarmos que o maior problema da educação brasileira não é a qualidade do ensino, mas a falta de respeito ao aluno - em todos os níveis - não podemos deixar de questionar os equívocos das propostas governamentais para solução dos inquestionáveis baixos índices de qualidade.

O maior equívoco é certamente a crença de que "falta dinheiro" no sistema educacional, o que desperta a ganância dos riquí$$$imos sindicatos do ensino básico. A verdade é que as verbas para manutenção e desenvolvimento do ensino, no país, são mais do que suficientes, porém desperdiçadas, manipuladas ou desviadas. A maioria delas NÃO É APLICADA na manutenção e desenvolvimento do ensino!

O segundo grande equívoco é a respeito da questão pedagógica. Ou a proposta é simplista e nebulosa, visando algo que não significa absolutamente nada, como "boa formação" dos educadores, ou então estapafúrdia, como fornecer às escolas, professores e alunos, equipamentos de ponta que, sem projetos consistentes, representam apenas mais desperdício = desvio de verbas.

Não se costuma questionar o mais importante: o estrago que a nossa escola, em 99% dos casos baseada no sistema cópia/decoreba, faz na inteligência e na curiosidade das crianças.

Uma entrevista que vale a pena conhecer é com o educador norte-americano Thomas O'Brian, que trocou a decoreba pelo construtivismo no ensino da matemática. Leia clicando aqui. Detalhe muito importante: O'Brian, já professor havia muitos anos, só se tocou de que apenas "empurrava fórmulas e conceitos goela abaixo dos alunos" quando começou a perceber com seus próprios filhos o mecanismo do aprendizado. Por isso, o construtivismo, como ele o entende, não é aquela "linda" teoria que os diretores de escolas pseudo-construtivistas (minha filha foi vítima de uma delas) tentam impingir aos pais desavisados, mas um conceito prático e sólido.

Não é necessário porém buscar métodos e teorias em outros países. A entrevista com Thomas O'Brian é muito interessante, mas temos excelentes exemplos de educadores brasileiros que se preocupam em não embotar a inteligência das crianças e conseguem manter viva sua curiosidade. É o caso do professor Edson Thó Rodrigues, da EMEF José Américo de Almeida, em João Pessoa, PB, que desenvolve o ensino da geometria através de espelhos e do caleidoscópio. Mais um Educador Nota 10 da Fundação Victor Civita.



Também a educadora Maria Inês Miqueleto, de quem falamos no post Parabéns, Sra. Coordenadora Pedagógica!, preocupa-se em seu trabalho com o desenvolvimento do raciocínio dos alunos, o que é demonstrado na conversa com as professoras de português sobre a interpretação de texto por parte dos alunos.

Outra Educadora Nota 10 é Fernanda Pedrosa de Paula, professora da EM José de Calazans em Belo Horizonte, que transformou a aula de educação física em oficina de circo, levando os alunos a desenvolver efetivamente habilidades motoras, equilíbrio e trabalho em equipe, como raramente têm oportunidade no "ensino" convencional. Além disso, ela consegue algo que é um bicho de 7 cabeças na nossa escola: integrar os alunos especiais. Falando francamente - e todos sabemos disto - nas escolas públicas de todo o país, as aulas de educação física não passam de um bate-bola inconsequente, muitas vezes com os alunos largados sozinhos na quadra... Fernanda revela em seu projeto a inigualável e inimitável criatividade brasileira!



Esses maravilhosos exemplos mostram como é possível substituir a "escola do papagaio" por uma escola viva e contemporânea. Não é possível que, 13 anos após a morte do saudoso Plínio Marcos, nossa escola ainda seja   a "grande castradora das vocações".

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