
Gostaria de registrar que nunca tive coragem
de colocar meus filhos em escolas públicas, por ouvir falar coisas
horríveis. Porém neste ano de
2011 tive uma experiência muito ruim numa escola particular chamada João
XXIII na Vila Prudente - que é só fachada! Uma mensalidade para o ensino
médio de quase R$ 900, que para a zona leste é muito alta. Oferecem mundos e
fundos e ensinar que é bom NADA! Torturaram minha filha, não davam aulas
de reforço, faziam chacota dela e sempre que eu procurava a tal
coordenadora de nome Vera "estava tudo bem", porém as mensalidades
estavam rigorosamente em dia. Isto sim interessava. Não fazem reunião,
não dão satisfação, não respondem e-mail, não atendem telefone etc.
Muitas vezes fui na escola tentar questionar,
mas sempre estava tudo “maravilhoso”. Hoje minha filha é uma adolescente
medrosa, apavorada, tem verdadeiro horror daquelas pessoas, até de
"escurinha" foi chamada e ninguém fez nada. O Diretor é um
irresponsável que não toma providência nenhuma. Ao passo que conversei
com outras mães de escolas públicas e fiquei com vergonha! pois tem reunião,
dão atenção, são tratadas como gente.
Confesso que tirei a imagem ruim totalmente e
peço mil desculpas de um dia ter pensado desta forma. Acho que o Governo
teria que investir muito nas escolas públicas e acabar com estes
estabelecimentos que viraram fábricas de dinheiro a base de cartéis.
Me perdoem, já mandei e-mail até para a
presidência da República, Ministério da Educação, inclusive à Comissão
de Direitos Humanos.
Laura Maria
Laura é das poucas mães de alunos de escola particular que têm a coragem de lutar pelos direitos da filha. Muitos pensam que a solução é simples: mudar os filhos de escola. E assim acabam trocando... seis por meia dúzia. A questão é muito séria e nada discutida no país. Vamos relembrar um depoimento muito esclarecedor do professor Júlio Groppa Aquino, trecho de uma antiga entrevista:
JG: As escolas privadas são a cara da elite brasileira. Fazem parte do seu “pacote existencial”: academia, shopping, condomínio fechado, escola privada. Elas vendem aquilo que a elite quer: uma farsa com fachada de excelência. O processo de desinstitucionalização escolar, que na escola pública assume a forma de deserção, na escola privada confirma-se como fraude pedagógica. Não há o mínimo de supervisão, de controle. O ensino particular é um Velho Oeste. Tem jurisdição própria e transparência zero. E não há debate algum sobre isso. A escola privada, no Brasil, está acima de qualquer suspeita, como se seus resultados fossem sempre ótimos. E a imprensa em geral só faz alimentar a mistificação, como o ranking das melhores escolas privadas feito pela Veja. Em meados deste ano, a Folha de S.Paulo publicou um caderno especial intitulado Colégios, em que mostra o cotidiano das escolas campeãs do vestibular. E o que lá se vê? Hiperconcorrência entre os alunos, “baias” individuais, avaliação frenética, vigilância digital, exclusão sistemática dos “mais fracos”. Um dos destaques é o Colégio Objetivo, que pertence ao “barão” do modelo escolar vigente, o senhor (João Carlos) Di Genio. Não dá para acreditar que essas “corporações” espalhem impunemente seus horrores pedagógicos e que a imprensa seja servil a isso tudo. É preciso ter coragem para desmascarar esse estado lamentável das coisas na educação, seja particular, seja pública.
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