28 fevereiro 2010

O "furdunço" do Saresp


Impossível, entender as informações que circulam na mídia sobre o Saresp 2009: a Folha, o Estadão e o Uol informam números diferentes, além de manipulação dos dados, que impede uma comparação realista com aqueles de 2008. Uma verdadeira pirotecnia! Para não falar do site da própria Secretaria da Educação, esse "buraco negro" de desinformação.

Só tem uma pessoa que pode nos esclarecer, e é para essa que vamos apelar. Quem será?...





26 fevereiro 2010

Por que, diabos, a sociedade não reclama?


Esta pergunta foi colocada no portal Luis Nassif no Fórum Propostas para a Educação, em que alguns debatedores não entendiam porque a sociedade se cala diante do sucatamento do ensino público. Segue a mensagem que postei lá, para discussão aqui no nosso espaço.

Quando se pergunta por que a sociedade não reclama, entende-se os pais de alunos da rede pública. Esse é o problema! Se a sociedade como um todo entendesse que o problema é grave e prejudica todo o país, isso poderia ser o início de uma verdadeira mudança. Mas não é esse o caso. Os filhos dos formadores de opinião estudam na rede particular e isso causa um certo desinteresse pelo ensino público. Uma pena! Eles não fazem idéia de quanto seus próprios filhos poderão vir a ser prejudicados mais tarde...

Por outro lado, certos pais de alunos da rede pública, como eu, reclamam em todas as instâncias possíveis, mas não recebem apoio da mídia, sem o qual nenhuma questão consegue tomar proporções consideráveis. E a mídia só se interessa por assuntos que envolvem grande número de pessoas. Parece um contrasenso, pois a grande maioria da população brasileira tem seus filhos na rede pública, mas não reclama. Nem na escola e muito menos publicamente.
Na escola, os pais que reclamam costumam ser tratados por diretores e demais profissionais como arruaceiros e baderneiros. Na melhor das hipóteses, como desocupados. Recebi de meus próprios filhos alguns "recados" de professores e diretores de escola, no sentido de eu "arrumar algumas roupas ou panelas para lavar". Esses "profissionais" nunca tiveram coragem de me dizer isso pessoalmente, pois sabiam que eu responderia à altura e que tinha algum contato com a mídia, o que poderia "expor" a escola. Os pais mais humildes, porém, ao reclamar, não recebem recados: eles costumam ser tratados aos gritos ou ameaçados, além de terem seus filhos marcados e perseguidos, manobra que funciona em 99% dos casos, já que os pais da rede pública não têm outra opção a não ser a escola do bairro. Mudar os filhos para outra escola do mesmo bairro significa levar para lá o histórico de "aluno problema", "laranja podre que contamina as outras".

Reclamar publicamente pode ser extremamente estressante, como no caso de duas mães da rede municipal de São Paulo, que fizeram sérias denúncias e tiveram seus filhos perseguidos de forma vergonhosa. Levei essas mães pessoalmente para a SME, elas foram "submetidas" a uma ridícula investigação que concluiu pela "inconsistência" das denúncias e isso incentivou a diretora da escola a vingar-se das mães abrindo inquérito policial contra elas. Vou dar apenas uma idéia de algumas das denúncias, mais do que comprovadas nos livros de ocorrências e de atas do Conselho de Escola:

- exibição da fita pirata Tropa de Elite para alunos de 6ª Série;
- funcionária tira sapato do pé de uma criança e o atira nas costas de outra, deixando marcas testemunhadas pelo próprio presidente do Conselho de Escola, que não foi interrogado durante a investigação;
- reforma irregular do prédio, realizada durante horário de aulas, com crianças passando embaixo de andaimes;
- compra de copiadora adquirida de parente da diretora, sem aprovação do Conselho nem coleta de orçamentos.

Ao receberem a intimação da delegacia, levei essas mães novamente à SME e desta vez fomos atendidos pelo próprio secretário Alexandre Schneider, que foi tão "charmoso" e amável quanto costuma ser, negou-se porém a interferir no assunto junto à diretora da escola... Moral da história: as mães continuaram a ser as "baderneiras" da escola, já que a diretora fez a cabeça de toda a comunidade escolar contra elas, e seus filhos continuaram sendo as "crianças-problema".

24 fevereiro 2010

Escola tumultuada é escola corrupta!


Segue mensagem recebida de Antonio Monteiro, denunciante do esquema de ensino de Araraquara, que resultou no famoso "Podrão", inquérito policial com 20 volumes de notas fiscais frias. Leia aqui sobre o "Podrão".

Já divulguei em todos os lugares a corrupção e a impunidade e vou continuar minha luta. Vamos unir forças, é necessário pedir o afastamento de diretores, supervisores de ensino e funcionários da DE de Araraquara. Hoje não faz sentido lutar para trocar de dirigente, isso foi feito e de nada adiantou. Vamos lutar para fechar a Diretoria de Ensino de Araraquara com base no inquérito policial 015/06, pad 001 A 004/2007 NA 1ª COMISSÃO PROCESSANTE, ONDE TEM DEZOITO DIRETORES DE ESCOLA PROCESSADOS POR NOTAS FISCAIS FRIAS, E MAIS CHEGARÃO.

Vamos pedir o fechamento da DE de Araraquara com base

  • nos depoimentos dos auditores da FDE,
  • nos depoimentos dos donos de empresas que fecharam suas firmas e cujos talões foram roubados e usados no esquema de corrupção
  • na impunidade da ex-dirigente Sandra Rossato, que foi considerada culpada mas recebeu a "punição" de 90 dias de suspensão, já aposentada!...

Hoje o que interessa é mostrar à população que fomos enganados, perseguidos, minha família não tem um dia sequer de sossego, não temos paz. Nossa luta é pela moralização de um sistema de ensino corrupto, que rouba do aluno as verbas a que tem direito, e por isso sofremos discriminação! Minha esposa está covardemente processada por perseguição de uma ex-dirigente insana e vingativa, a quem se negou a obedecer. Essa ex-dirigente se uniu com supervisores e professores que não davam aulas, nem iam à escola, dormiam nas reuniões, maltratavam alunos. Minha esposa cobrava deles uma postura decente e eles se vingavam fazendo a cabeça dos alunos e pais de alunos contra ela.

A técnica usada pelos maus gestores da educação pública para encobrir suas falcatruas é provocar tumulto na comunidade escolar. Eles usam alunos, pais e professores para fazer intrigas e estimular baderna.

ESCOLA TUMULTUADA É ESCOLA CORRUPTA! O que aparece são vidraças e portas quebradas, mas tudo isso serve PARA ABAFAR O VERDADEIRO PROBLEMA: A CORRUPÇÃO!

Não faço barganha, quero justiça e ela será feita, tudo virá à tona na hora certa. Chega de política suja! Eu vou fazer tudo o que posso para conscientizar a população de que a escola é do povo, não é da dirigente de ensino, nem dos supervisores ou dos políticos.

É necessário fechar a diretoria de ensino de Araraquara para que acabe a CERTEZA DE IMPUNIDADE das pessoas corruptas que mantiveram esse esquema sujo durante dez anos, usando notas fiscais frias, comprometendo pais de alunos ingenuos nas APMs e usando o poder político como trampolim.

O POVO DE ARARAQUARA, QUE PRECISA DE ESCOLA PARA SEUS FILHOS E FOI ROUBADO DURANTE DEZ ANOS, MERECE JUSTIÇA!

Antonio Monteiro
Araraquara, fev. 2010

13 fevereiro 2010

A escola tabu nº6 - A violência que ninguém vê



Retomamos a série "A escola tabu" com dois vídeos que mostram a questão que a mídia mais ignora: a violência da escola contra o aluno. Esses vídeos foram parar no telejornal, mas a repercussão foi praticamente nula, pois a escola continua sendo uma instituição intocável e o profissional da "educação" um ser "abnegado", mesmo flagrado em situações degradantes.

Mas aqui acreditamos que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Tanto acreditamos que tivemos a grata surpresa da volta da professora Glória Reis ao seu blog. A Glória, mineira de Leopoldina, é uma grande lutadora pelos direitos da criança e do adolescente na escola. É das poucas pessoas que abominam a hipocrisia que domina a sociedade e voltou justamente por perceber que sua luta faz falta.

Aqui, neste vídeo que marca a volta da Glória ao seu excelente blog, vemos crianças sofrendo maus tratos e espancamentos dentro de uma creche do interior de São Paulo. Não se trata de um fato incomum, apenas calhou de ter sido registrado e corajosamente divulgado. Por ser uma creche particular, as "professoras" foram imediatamente despedidas por justa causa e espera-se que nunca mais voltem a lidar com crianças.






O segundo vídeo foi copiado do blog da Cremilda e mostra um caso de violenta agressão de aluno pelo professor de educação física numa escola estadual, também do interior de São Paulo.





As diferenças deste para o primeiro vídeo são duas:

  • A reportagem é bem menos bombástica: trata-se de uma "suposta" agressão que "teria acontecido"...

  • Para variar, a Secretaria da Educação não se manifestou e deixou o "veredicto" por conta do Conselho de Escola, que "investigará" os fatos e, caso a agressão for confirmada, o professor "poderá até ser punido".

A mídia costuma pisar em ovos quando se trata de mexer com a rede pública de ensino e com os sindicatos da categoria, que oferecem batalhões de advogados para defender os profissionais. A mesma postura é tomada pela Secretaria da Educação, que não se indispõe com os sindicatos e prefere lançar os alunos aos circos montados nos "coliseus" dos Conselhos de Escola, onde eles e seus pais costumam sofrer a violência em dobro, pois são expostos publicamente e "triturados" em interrogatórios intermináveis. Alguma dúvida de que o aluno não queira voltar para a escola???

Já sabemos como vai acabar o caso desse menino, espancado no rosto e pescoço com uma chave de carro. Veja aqui um caso clássico.

11 fevereiro 2010

O prazer de estar na escola



O programa Mais Educação, do Governo Federal, mostra que com poucos recursos, muito entusiasmo e boa vontade é possível tornar a escola um lugar prazeroso para o aluno e realmente eficaz na alfabetização em letras, números e leitura do mundo.



Você vê neste vídeo uma escola inserida em uma comunidade carente de uma das cidades mais violentas do país, professores de fala simples, mansa e voltada para o aluno. Nenhum luxo, nada de equipamentos sofisticados, nada de grades, cadeados e tensões.

Você vê crianças indo à escola com prazer e tendo outras atividades além de sentar em uma mesa copiando da lousa e exercitando a decoreba.

Essa é a escola que tem o poder de transformar o país!

07 fevereiro 2010

O esquema X - "O Podrão"



Você acha possível alguém criar um esquema de corrupção sozinho?...
Claro que não, pois a palavra esquema pressupõe o envolvimento de diversas pessoas. De qualquer forma, para ocorrer corrupção são necessários no mínimo dois envolvidos.
Mais uma vez trazemos aqui o tenebroso “caso Araraquara”, que aponta uma das regiões mais ricas do país roubando dinheiro da educação. Já cansamos de falar sobre o Cronograma do esquema, sobre o Funcionamento do esquema e de mostrar As provas do crime.

Mas hoje temos duas novidades, uma boa e outra ruim. Primeiro a ruim:
O jornalista Glauco Cortez, que mantém o blog Educação Política, foi notificado judicialmente devido a comentários de seus leitores sobre o esquema de Araraquara. Esse assunto é tabu na grande mídia e os poucos meios alternativos que se atrevem a enfrentá-lo correm esse risco. O EducaFórum faz questão de solidarizar-se com o jornalista e condena a omissão dos grandes meios de comunicação, lembrando que omissão também é crime.

A boa notícia é a demissão da dirigente de ensino de Araraquara, que até o fim tentou convencer que nadava num mar de rosas... Até agora não sabemos se ela participava ativamente do esquema montado pela ex-dirigente Sandra Rossato, já que era supervisora de ensino na época, mas com certeza sabia de tudo. Sua demissão pode ter sido um sinal de que a Secretaria Estadual da Educação está acordando para a realidade. A realidade está registrada nos diversos Processos Administrativos que correm na própria SEE, mas até hoje não houve interesse em fazer justiça. O que pode ter mudado?

É o “Podrão”.

O “Podrão” é um inquérito policial gigantesco, contendo 20 volumes de notas fiscais frias, que se encontra no 2º DP de Araraquara e que a qualquer hora vai “explodir”. Seria uma atitude inteligente por parte do secretário Paulo Renato, recém-chegado à Secretaria e portanto livre de responsabilidades que cabem aos ex-secretários Rose Neubauer e Gabriel Chalita, punir os responsáveis antes que tudo venha a público de forma incontrolável. Nós fizemos a nossa parte, postamos em seu blog todas as informações anteriores sobre o esquema e vamos inserir também este post. Secretário Paulo Renato, chegou a hora da verdade: apoiar o partido ou apoiar a educação?...

Ainda cabem uns esclarecimentos:

Quem denunciou o esquema?
Por incrível que possa parecer, foi a própria mandante, a ex-dirigente de ensino de Araraquara.

Por que?
Para mantê-lo sob controle.

Como?
Resumindo o funcionamento do esquema: a dirigente de ensino, alegando problemas “burocráticos”, mandava os diretores trabalhar com notas fiscais frias como se fosse a coisa mais natural do mundo, dizendo que isso “agilizava” a captação dos recursos. Ela pedia uma parte do dinheiro para “reformas ou necessidades da diretoria de ensino” e também mandava os diretores “guardarem uma parte para futuras necessidades”. Essas necessidades não existiam, era a deixa para que eles pudessem fazer seu pé de meia particular, assim como ela fez o seu. Ou talvez parte desse dinheiro tenha sido desviado para campanhas eleitorais. Se for assim, salve-se quem puder!...

Se você ler com atenção os depoimentos contidos nos links acima (cronograma e funcionamento do esquema), vai perceber que no início todos os diretores participaram, até por não entender direito onde estavam metidos, mas alguns começaram a se sentir incomodados e tentaram rebelar-se. Apenas alguns, pois os demais (ao todo 56 diretores de escola) aproveitaram o “pé-de-meia”, com o qual reformaram ou compraram suas casas, carro importado, pesqueiro etc.

Bem, os “rebeldes” tornaram-se um problema para a mandante do esquema e assim ela criou uma tática realmente maquiavélica: denunciou os diretores rebeldes – e só esses – como uma forma de amordaçar os demais que porventura tivessem alguma intenção nesse sentido.
Ela foi muito bem sucedida e alguns diretores de escola foram exonerados, até que uma das diretoras negou-se a participar do esquema e seu marido resolveu colher provas e mais provas de corrupção em todas as escolas às quais teve acesso. Isso permitiu a montagem do “Podrão”, que se espera ser conduzido de forma mais justa do que os processos administrativos da SEE.

Sobre os processos administrativos
A esse respeito também já falamos bastante aqui no blog, mas vamos resumir:
18 diretores de escola já foram investigados, porém nenhum supervisor, sendo que muitos estavam a par do esquema, orquestrado por Sandra Rossato dentro da própria diretoria de ensino. Alguns diretores de escola já foram julgados e exonerados e esperava-se que o julgamento da própria mandante do esquema fosse o último.

Mas não, ocorreu o contrário: no ano passado a ex-dirigente foi condenada a... 90 dias de suspensão, já estando aposentada. Dá para acreditar nisso? Uma piada de mau gosto!

Em compensação, uma das ex-diretoras acabou de ter sua aposentadoria cassada. Agora veja a diferença: o processo contra a ex-dirigente contém 14 volumes, o processo contra essa diretora contém apenas 5. Algo está "podrão" no reino da Dinamarca.

06 fevereiro 2010

Nova perseguição



Acabamos de receber mais um comentário sobre perseguição de alunos na escola. Mais uma vez esclarecemos que este tipo de denúncia não deve ser encaminhada através do blog, mas do e-mail educaforum@hotmail.com.

Agradecemos a atenção!