30 setembro 2012

28 setembro 2012

Câmeras de vídeo nas salas de aula? Queremos, sim!!!

Infelizmente, a discussão sobre disciplina nas escolas públicas do país está completamente desvirtuada. O aluno virou um monstro e é considerado "vagabundo", expressão generalizada graças à atuação da mídia, que só divulga casos de agressão entre alunos ou de alunos contra professores, ignorando o outro lado, como nas histórias dos links abaixo, que só puderam ser comprovadas através de câmeras de vídeo:

Nós, que temos ou tivemos filhos estudando na rede pública de ensino, nós que conhecemos a escola pública por dentro e temos senso crítico e de cidadania, sabemos que o uso do celular dentro das salas de aula foi proibido justamente para evitar flagrar cenas de agressão de profissionais da "educação" contra nossos filhos, tratados aos berros, com xingamentos de toda sorte, levando 

Então somos nós que queremos câmeras de vídeo nas salas de aula e, principalmente, nas reuniões de expulsão de crianças e jovens através dos Conselhos de Escola, às quais muitas vezes é vedada até a presença da família dos alunos. No caso abaixo, por exemplo, a diretora chamou a polícia para impedir a entrada do tio de criação de um aluno e permitiu apenas a da mãe biológica, que teve a fala cortada na primeira frase que tentou dizer e teve que assinar uma ata para ela ilegível, sendo analfabeta funcional:
Aluno expulso por brincadeira no facebook

CÂMERAS DE VÍDEO, SIM, EM TODAS AS SALAS DE AULA!

25 setembro 2012

Um verdadeiro filho do Brasil

De todos os filhos do Brasil, o mais legítimo é aquele que, apesar da falta de oportunidades, consegue levar uma vida digna e sobreviver aos diversos preconceitos que a nossa sociedade teima em negar.

Paulo Henrique é um verdadeiro filho do Brasil. Junto com sua mãe humilde, foi acolhido com amor por uma família que se esforçou em educá-lo e hoje, aos 16 anos, demonstra ser um garoto inteligente e sensível.

Paulo foi expulso da escola onde estuda, a EE Dona Amélia de Araújo, na zona leste de São Paulo. A escola apresentou em 2011 nota IDESP de 1,51 no Ensino Médio, onde o garoto cursa o 2º ano. Bom aluno, certamente melhor do que a escola onde estuda, nunca teve até hoje qualquer problema de disciplina. Vamos nos empenhar em reverter a injusta e principalmente ILEGAL expulsão praticada pelo Conselho de Escola, onde ele foi inclusive constrangido, humilhado e ofendido, junto com sua mãe de sangue e sua família de criação. Estamos encaminhando este documento à Secretaria de Estado da Educação, na esperança de que entenda a injustiça cometida pela direção da escola e proceda à reintegração imediata do aluno, que está perdendo aulas e provas.

Mais uma vez, explicamos que só tomamos a iniciativa de defender os alunos após conhecê-los pessoalmente e termos certeza de sua sinceridade e idoneidade. É o caso do Paulo Henrique, que nos encaminhou o depoimento aqui transcrito:

Sou aluno da EE Dona Amélia de Araújo, onde estudo desde a 5ª Série e onde tenho meus únicos amigos. 

Desde o dia 07/09/2012 aconteceram fatos que me deixam muito triste e desde esse dia fui proibido pela diretoria do colégio de frequentar as aulas. No dia 5, mais ou menos às 9:00 da noite, estava no computador de casa no facebook e apareceu na página da rede uma lista de pessoas que eu conhecia, mas ainda não eram meus amigos. Copiei então uma frase da internet que dizia: "Me aceita como amigo, sua linda, gostosa, bonita e cheirosa.". Mandei para algumas meninas que eu conhecia, mas não percebi que o convite também tinha ido para a Sra. Rose, diretora do colégio. Bem, em seguida o telefone de casa tocou e era ela, pedindo pra falar com a "Dona Edilene", mas não tinha ninguém com esse nome em casa, então passei para minha avó e ela disse para minha avó: "Estou imprimindo os documentos da expulsão do Paulo Henrique agora, amanhã não adianta ele vir pra escola, porque ele não vai entrar e segunda-feira quero que a mãe dele venha aqui na escola. Pergunte para ele o que ele acabou de me mandar no facebook". Minha avó falou comigo imediatamente e eu, quando vi que o convite tinha ido pra ela, excluí a postagem e fiz um pedido de desculpas. 

Estou super arrependido de tal ato, isto trouxe muito tormento para mim e toda a minha família, nós tentamos conversar com a diretora, eu pedi desculpas pessoalmente, mas ela não quis saber, primeiro me convidou a me retirar da escola, me suspendeu novamente por 4 dias e convocou um conselho de classe para a minha expulsão.

No dia do conselho, meu tio (de criação) e minha mãe foram comigo. Chegando na escola, ela proibiu a entrada do meu tio, dizendo que ele não era nada meu, ele falou que cuida de mim desde quando eu nasci, ela nem quis saber e chamou a polícia para impedir a entrada dele.

Na sala do conselho ela falou coisas muito difíceis de escutar, isso é o que mais me dói. Ela me expôs na frente dos meus colegas e dos professores ali presentes, dizendo que viu o meu RG e que lá não constava o nome do meu pai, que eu não tinha pai e por isso que eu era desse jeito. Ela não sabe que meu pai de coração estava do lado de fora com a polícia que ela havia chamado para ele. A diretora também disse que minha mãe era omissa e que a família que me cria não tem a menor condição de cuidar de mim, pelas palavras dela parecia que eu era um monstro. A pior acusação que ela fez foi falar que ligou para a minha casa e minha avó disse a ela que não era nada minha. Mentira, tenho certeza que é mentira! Ela queria a todo momento me humilhar perante a todos.

Estou muito arrependido e triste com o que aconteceu, magoou muito minha família tudo o que ela falou no conselho, mas mesmo assim eu não quero sair da escola, tenho medo de repetir de ano e não conseguir me enturmar em outra escola. Quero muito uma nova chance.

Paulo Henrique de Araújo

COMO SEMPRE DIZEMOS AQUI, OS CONSELHOS DE ESCOLA, MUITAS VEZES MANIPULADOS POR DIRETORES DE ESCOLA SEM ESCRÚPULOS, TÊM SE TORNADO TRIBUNAIS DE EXCEÇÃO PARA A EXPULSÃO DE ALUNOS POR MOTIVO FÚTIL. ESTA PRÁTICA INJUSTA E ILEGAL TEM QUE ACABAR: UM CONSELHO DE ESCOLA NÃO PODE AGIR COMO UMA QUADRILHA!

19 setembro 2012

Precisa de informação? Só pra começar, vinte mangos!




Para muitas pessoas, este é um assunto muito chato e não vamos nem comentar, aliás, já o fizemos muitas vezes. Leia o excelente texto do Mauro clicando aqui e entenda tudo.

Mais alguns assuntos que têm ficado sem informação:


Ah! A imagem acima não é tentativa de enfraquecer campanha eleitoral de ninguém, ok? Trata-se de uma criação do amigo Mauro para ilustrar agradavelmente um assunto que já nos  rendeu muitos aborrecimentos. Afinal, uma imagem vale mais do que muito blablablá!


16 setembro 2012

A paixão da educação brasileira é a buRRocracia

Sensacional artigo do cientista político Alexandre Barros, dica da amiga-irmã Glória Reis

Leia clicando no título: Educação - tudo legal e tudo muito ruim.

Uma única frase já explica todo o texto, que trata principalmente da questão dos currículos, que ligam o nada a coisa nenhuma: "Autoritarismo burocrático é a resposta. É assim porque 'tem de ser assim'".

O artigo é uma boa resposta para aqueles que teimam em pedir mais verbas para a educação, sem perceber que o buraco é mais embaixo e que a buRRocracia daria conta de torrar mais esses recursos, lesando ainda mais a sociedade. Sim, porque a paixão da educação brasileira é a buRRocracia e a maioria dos gestores da área são buRRocratas.

Mas nós, que conhecemos bem o "buraco", vamos aproveitar a oportunidade para mais uma vez mostrar que a qualidade do nosso ensino ainda não é o maior problema. Veja por exemplo: 






A escola tabu nº 63 - A arte na escola pública


Já falamos aqui algumas vezes do educador Edson Ribeiro, um dos poucos que têm a coragem de escancarar o dia a dia da rede pública de ensino, que, salvo raríssimas e honrosas exceções, é a mesma pasmaceira em todo o país.

Ficamos muitos felizes de podermos dar visibilidade aos textos desse educador, que aliás está sendo processado pelo Estado do Paraná por ter a coragem de mostrar a realidade...

O texto que ele acabou de publicar em seu blog Desmascarando a escola pública é extremamente interessante, principalmente para nós, pais de alunos da rede pública, que podemos comprovar os fatos que ele relata, sempre que visitamos as Feiras de Arte e de Ciências das escolas dos nossos filhos.

Leia com atenção esse novo texto de Edson Ribeiro clicando aqui e cobre da escola dos seus filhos maior seriedade na "Área de Arte" (assim chamada nos parâmetros curriculares).

Já contamos com dois educadores que tiveram a coragem de se expor neste bloguinho tão odiado pela corporação: o outro educador é Márcio Gonçalves, também do Paraná, coincidentemente o Estado de onde também recebemos a maioria de denúncias de pais de alunos sobre o autoritarismo da rede de ensino... Conheça o Márcio clicando aqui e participe de sua página no Facebook!


15 setembro 2012

A escola tabu nº 62 - Parabéns professor: abaixo a impunidade!



Finalmente os educadores começam a se manifestar e a denunciar a ESCOLA TABU. Leiam o que escreveu o professor Márcio Gonçalves e participe de sua página do Facebook https://www.facebook.com/contraimpunidadedenuncie?notif_t=page_new_likes
Parabéns, Márcio, conte também conosco!

Sou professor de filosofia e sociologia, da rede estadual, na cidade de Campo Largo - PR. Desde que assumi meus padrões venho sofrendo perseguição da direção e de um grupo de professores "nazistas". Essas pessoas que estão no poder há mais de dez anos fazem todo o tipo de irregularidade e nenhuma denúncia é feita nos órgãos competentes. Eu fiz uma denúncia em 2006, na ouvidoria do núcleo de educação e da SEED, mas nada foi feito. Espero que através desse blog e da minha página no Facebook possamos unir forças para conscientizar o maior número de pessoas a tomar atitudes e dar um grito de basta à impunidade. Chega de sofrimento. Todos temos direitos e deveres, mas não podemos comungar com o assédio moral, sexual, perseguição e opressão. Parabéns aos organizadores desse blog e contem comigo. Abraço fraterno.

Continuem também a visitar a página no Facebook da menina Isadora, DIÁRIO DE CLASSEEla começou a divulgar as denúncias que recebe de outras escolas de todo o Brasil: um exemplo a ser seguido!

08 setembro 2012

Nem Ayrton Senna, nem Macunaíma: Rui Barbosa

Mais um excelente e inspirador artigo de Gustavo Ioschpe na Veja: Por que somos tão pouco ambiciosos?

Acompanho Gustavo Ioschpe há anos e já adianto que discordo de algumas ideias que divulga, por outro lado acho ridículos comentários do tipo "concordo em gênero, número e grau".  Se um texto não nos acrescenta nada, de que nos serve?

Entre outras colocações, o artigo defende que as políticas públicas para a educação no Brasil sejam mais ambiciosas: com isso concordo plenamente. As metas estipuladas até 2022 são uma piada! Um prazo tão longo sugere talvez que as nossas crianças sejam retardadas?? Aliás, de vez em quando são divulgados "estudos" segundo os quais os alunos brasileiros não aprendem por desnutrição, ou por pertencerem a famílias "desestruturadas", ou por qualquer outro motivo que isente o profissional da educação e o poder público de qualquer responsabilidade. Nossas crianças não são retardadas, retardado é um sistema educacional que, claramente, privilegia o ensino básico privado, ao manter a rede pública em condições gerais precárias, sem política educacional unificada, com eterna dança das cadeiras de diretores de escola (muitos eleitos politicamente), com supervisores de ensino e secretários da educação claramente manipulados pelos sindicatos, que cobram a contrapartida pela "ajuda" nas campanhas eleitorais... Não se engane, você que é mãe ou pai de aluno de escola pública: todo esse pessoal que "luta" pelo ensino público tem seus filhos estudando na rede privada e não se esqueça de que a sociedade brasileira ainda está muito longe de abandonar a "lei de Gérson".

Como sempre trazemos aqui, pipocam no pais inteiro ilhas de excelência que mostram como seria fácil alfabetizar a maioria dos alunos na idade certa: leia clicando aqui, aqui e aqui. O que falta então, para tomar medidas enérgicas que façam o ensino público dar um salto de qualidade? Gustavo coloca muito bem que nossos professores descreem de seus alunos: somente 7% acreditam que seus alunos chegarão à universidade, segundo questionário da Prova Brasil 2009. Não é necessária pesquisa para saber da descrença do professorado: eles próprios conhecem sua incompetência, embora prefiram atribuir o fracasso aos alunos. Por outro lado, já que não há projeto nacional unificado e as faculdades de pedagogia são fracas, cada um se sente à vontade para ensinar "do seu jeito", o que tem causado situações desastrosas.

Outro ponto alto do artigo é a afirmação de que a educação deixou de ser uma questão dos brasileiros e se tornou propriedade dos professores e funcionários das escolas. Sem cobranças, a maioria deles acaba se acomodando em um sistema que não incentiva o mérito, nem pune o demérito: as únicas causas que defendem são as suas próprias. 

Causam preocupação certos programas como o Pacto nacional pela alfabetização na idade certa, que consistirá na distribuição de minibibliotecas para todas as salas de alfabetização do país e na capacitação de professores alfabetizadores. Um programa que consumirá anualmente 1,3 bilhões de reais. Já vimos aqui muitos "filmes" em que livros distribuídos para as escolas foram jogados no lixo, clique aqui para ver um caso bem recente. Outro mais antigo foi o programa LITERATURA EM MINHA CASA, em que os livros destinados pelo governo federal aos alunos da rede pública raramente chegaram ao seu destino. Quanto à capacitação de professores alfabetizadores, vamos acompanhar o caso bem de perto e cobrar do Secretário da Educação Básica do MEC, Cesar Callegari, a utilização correta e eficaz desses recursos. Para quem não conhece a trajetória dos 20 anos de atividades do EducaFórum, na década de 90 estivemos, junto com o então deputado estadual Cesar Callegari, cobrando do governo estadual paulista a manipulação e desvio de verbas destinadas ao ensino. O atual secretário é especialista no assunto e esperamos que  se preocupe em dar transparência ao destino dessas verbas bilionárias do governo federal, pelas quais é aliás responsável. Também nos preocupa a meta estipulada para a alfabetização plena dos alunos da rede pública: o 3º ano do ensino fundamental. Entendemos que projetos bem sucedidos conseguem alfabetizar os alunos já no 1º ou 2º ano. Mais uma vez, como diz Gustavo Ioschpe, o país mira muito baixo. Repito: nossas crianças não são retardadas e não merecem ser tratadas como tais!

Gustavo enxerga dois Brasis: um é cosmopolita, aguerrido, preparado e ambicioso. Ayrton Senna. O outro é provinciano, com baixa instrução, acomodado, satisfeito com o que a vida lhe deu. Macunaíma. Eu enxergo mais um: Rui Barbosa, culto, corajoso, humano, ético.

A Secretaria da Educação lamenta?...

Mais uma notícia sobre aluno impedido de assistir aula por ter chegado com atraso na escola.     Desta vez a informação foi publicada na Folha de São Paulo do dia 31. 


A menina que você vê nesta imagem é Júlia, uma criança de 7 anos, despejada com sua família sem-teto de um prédio invadido na Av. Ipiranga.  No dia seguinte ao despejo, após ter acampado na rua, Júlia chegou com oito minutos de atraso à escola onde está matriculada, a EE Prudente de Moraes. Júlia se atrasou porque foi tomar banho em outro prédio invadido e havia fila. A escola, como é de praxe na rede pública paulista, não permitiu a entrada da aluna após o fechamento do portão. Estranhamos muito o depoimento da SEE, segundo a Folha: "A Secretaria da Educação do Estado lamentou que a aluna tenha sido impedida de assistir à aula e afirmou ainda que ia apurar a conduta da agente que atendeu a aluna e sua mãe".

Como assim?... Em nosso último post publicado - leia clicando aqui -  a mãe de um aluno de 9 anos contou o que o filho sofreu um dia em que chegou atrasado: ele esperou 45 minutos na calçada e, após a mãe ter ligado para a escola, finalmente foi permitida sua entrada no prédio, mas ele foi impedido de assistir aulas, sendo alvo de chacotas por parte dos colegas. A mãe ficou impossibilitada de buscá-lo, por isso o menino permaneceu na escola até o final do período, sentado em um canto e olhando para a parede. Quando a mãe reclamou pelo tratamento dado ao filho, recebeu a explicação de que nenhum aluno entra após o fechamento do portão, conforme regimento da escola. A entrada do aluno após 45 minutos teria sido uma "irregularidade" e isso só foi permitido após a mãe insistir de que não poderia buscar o filho, devido a uma torção no tornozelo.

A Secretaria da Educação SABE PERFEITAMENTE que as escolas fecham o portão na cara dos alunos, principalmente do aluno trabalhador, esse que chega sempre em cima da hora no período noturno. Elas fecham o portão sim, e não o abrem, fingindo que estão educando os alunos, mas o que realmente querem é ter a escola vazia: quanto menos alunos, menos trabalho.

Levamos esse fato ao conhecimento do Chefe de Gabinete da SEE através do Twitter e ele mandou encaminhar "esses casos" para a Corregedoria da Educação. Como assim, Prof. Padula? Para o jornal vocês respondem que lamentam a aluna ter sido impedida de assistir à aula e para os demais alunos quem "apura" é a Corregedoria?... A SEE desconhece então os regimentos das escolas?


05 setembro 2012

Escola boa é... escola vazia

Mais um email de mãe de aluno mostra o que a escola pública, em 99% dos casos, NÃO É: acolhedora, inclusiva, competente. Isso é o que nós, pais de alunos, desejaríamos que a escola fosse mas, infelizmente, não é, como você pode ler na mensagem a seguir:

Venho por meio deste e-mail relatar a preocupante atitude tomada em relação a todos alunos que porventura cheguem atrasados na Escola Estadual ......., atitude essa que encontra respaldo no Regulamento da escola, conforme me foi informado.

Ocorre que nesta data meu filho chegou com atraso 15 minutos na escola, ou seja, às 13h15.

Os portões já estavam fechados e não havia nenhum funcionário para orientá-lo, assim, ele esperou na rua até às 14h00, quando me telefonou a cobrar, pois não tinha dinheiro. O instruí para que permanecesse no portão pois eu telefonaria para a escola, a fim de que alguém aparecesse e ele pudesse entrar.

Ao telefonar, falei com a Sra. ..., que me informou que excepcionalmente permitiria a entrada de meu filho, mas como a aula já estava em andamento ele deveria esperar até que a aula terminasse, a fim de não interromper o trabalho do professor, devendo entrar na classe no início da aula seguinte.

Ocorre que às 15h30 meu filho me telefonou novamente dizendo que entrara mas estava proibido de assistir aula, e novamente o orientei para aguardar, pois eu telefonaria mais uma vez à direção para esclarecer os fatos. Ele estava profundamente constrangido, impaciente e deprimido por passar tanto tempo sem nada fazer, sendo, segundo ele, "zuado" pelos colegas de classe que, durante o recreio, constataram que ele fora proibido de assistir aula com os demais.

Enfim, liguei e falei novamente com a Sra. ..., que me confirmou que realmente ele fora proibido assistir aula naquela dia em detrimento do atraso de 15 minutos, e que ficaria com falta em todas as matérias e por fim, que se eu preferisse, que fosse buscá-lo na escola a fim de levá-lo para casa. Disse ainda que essa era a regra da escola, regra essa aplicada a todos os alunos, devidamente asseverada pelo Regulamento: em caso de atraso acima de 10 minutos os alunos serão impedidos de adentrar na escola. Como haviam, por exceção, permitido sua entrada, ele ficaria sem o direito de assistir às aulas. Esclareceu ainda que os pais, ao fazer a matrícula nessa escola, deveriam estar cientes das regras e, caso não concordem, que busquem outra escola.

Ocorre que, acima do qualquer regulamento administrativo, no estado democrático de direito, temos as leis, e ainda acima das leis, temos nossa Carta Magna.

Não é possível que a escola não seja responsável por uma criança parada no seu portão por 45 minutos, por ter chegado com 15 minutos de atraso. Quem seria responsabilizado por meu filho, de apenas 11 anos, se o mesmo fosse abordado por marginais, pedófilos, ou até mesmo atropelado, durante o horário de aula? A escola não entrou em contato comigo para informar que não permitiria sua entrada, simplesmente fechou os portões fingindo ignorar sua presença, até que eu telefonei e reclamei.

Isso sem contar o constrangimento de o aluno ficar debaixo do sol esperando para poder adentrar na escola, como se a mesma pertencesse à direção e ele devesse implorar pela "honra" de ter acesso a um bem destinado à sociedade.

Enfim, às 16h30 meu filho me telefonou novamente, chorando, pois não aguentava mais ficar "de castigo", sem nada fazer, por tantas horas. Infelizmente não pude ir buscá-lo, pois tive uma torção de tornozelo. Assim, pedi que se acalmasse e tentasse se distrair fazendo um desenho, sem entretanto me conformar com o fato de que ele ainda terá que ficar nessa tortura por mais quase duas horas, até o horário da saída.

Relato esses fatos ao diretor da escola, ao fórum de pais de alunos, ao conselho tutelar, à assessoria da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e ao Grupo de Atuação Especial de Educação - Geduc, do Ministério Público, pois entendo totalmente irregular que a escola feche os portões a seus alunos, independente de atraso, deixando-os à mercê da rua, como é comum nessa unidade educacional. Entendo também irregular que, em detrimento de um atraso, o aluno seja castigado a ficar mais de 5 horas na escola, sem nada fazer, sendo alvo de chacota e ridicularização . 

O mais bizarro de tudo isso, a meu ver, é a questão de não se tratar de um caso isolado, mas de ser a prática instituída pela direção da escola para tratar de atraso.

Por fim, aguardo ansiosa vossa apreciação e esclarecimento acerca do ocorrido, bem como colaboração e providências que se façam cabíveis e necessárias, no sentido de mantermos eficazes as normas garantidoras dos direitos da criança e do adolescente, tão bem descritas pelo ECA e por nossa Constituição Federal.

Mãe de aluno

A mensagem, recebida esta semana, nos lembra outro caso que ocorreu há quase 20 anos: uma criança de 7 anos, cansada por andar sozinha durante 2 km até à escola, chegou 10 minutos antes da abertura do portão e sentou-se na guia para comer o lanche que havia levado de casa. Segundos depois, um caminhou manobrou na frente da escola, o motorista não percebeu a presença da criança e a atropelou, esmagando sua perna esquerda. O caso teve repercussão na época, mas não serviu de exemplo, pois até hoje a escola não quer saber e faz questão de ignorar se por acaso algum aluno ficou na sua porta: que suma da frente, será um a menos para dar trabalho. Parabéns para essa mãe, que teve a coragem de se expor e cobrar esclarecimentos: vamos acompanhar e monitorar o assunto!