31 janeiro 2014

Pobre criança fardada!




Chovem, literalmente CHOVEM, mensagens sobre "escolinhas" particulares que tratam crianças como objetos, já na chegada ao portão. O que será então que se passará dentro das salas de "aula" dessas escolas? Veja a última:

Nesta tarde, ao arrumar minha filha de 4 anos para a escola, vi que a farda estava molhada, então eu não poderia vesti-la assim, ai resolvi colocar a farda antiga modelo do ano passado. Ao chegar na escola dei de cara com a diretora que reparou que a aluna estava com a farda antiga (do ano passado), ela proibiu minha filha de assistir aula com o fardamento antigo e me mandou ir em casa pegar uma roupa normal, pois preferia que viesse a paisana do que com farda antiga. Fiquei muito constrangida e  chateada com o ocorrido e gostaria de saber se ela agiu corretamente e se não o que devo fazer?

Nossa resposta foi a seguinte: 
Fuja de uma escola onde o cérebro da diretora não consegue ir além da questão do uniforme!

SOCORRO! A CRIANÇA CONTINUA SEM VAGA!



Você leu no dia 20 o post sobre a menina Sarah, que vai completar 6 anos em abril e até hoje não teve a chance de frequentar uma creche ou escola infantil, mesmo os dois pais trabalhando o dia inteiro para sustentar a família. Pasme! O problema ainda não foi solucionado e hoje fomos pessoalmente à SME, mas as notícias não foram muito animadoras. Resolvemos então apelar para o próprio Secretário, Cesar Callegari. Leia nossa mensagem:

Prezado Cesar,

Ainda quero lhe desejar um Feliz 2014 e sucesso na empreitada de administrar a rede municipal!

Como você sabe, estamos sempre tentando orientar e apoiar os pais de alunos para que aprendam a se manifestar e a se defender das falhas do sistema, que não são poucas, seja na rede municipal ou na estadual. Em muitos casos, porém, a burocracia e a falta de comunicação são tão grandes que eles acabam desistindo. Muitos pais, aliás, nem possuem recursos para acionar mecanismos simples como o Conselho Tutelar ou o Ministério Público, não poucas vezes desistem.

O caso que levei hoje à SME, onde falei com Fátima Abrão, responsável pela Demanda Escolar, é de uma menina que vai completar 6 anos em abril e até hoje não teve direito a frequentar creche ou EMEI. Este ano os pais tentaram matriculá-la diretamente no 1º ano do Ensino Fundamental, mas também não conseguiram. A Fátima apurou que ela está em 6º lugar numa enorme lista de espera na região onde mora. Ela disse que é possível que "a fila ande", mas, se não andar, a criança vai ficar mais um ano em casa...

No dia 20 entramos em contato com a SEE, pensando que poderia ser mais fácil resolver por lá, já que perto da casa da criança há também uma escola estadual, mas a resposta foi de que a data de corte é 31 de março e que a matrícula só poderia ser feita por ordem judicial. 

Enfim, é o tipo de situação que só os burocratas de carteirinha acham normal, pois essa criança está perdendo anos de vida. De acordo com a Fátima e também a Valéria, da ATP, não há nada a fazer, o sistema é "imexível"... Espero mesmo que não, espero que atrás de um sistema haja seres inteligentes e suficientemente sensíveis para entender a necessidade de se valorizar e priorizar o maior capital da cidade e do país: o capital humano.

Se numa classe "cabem" 35 alunos, podem caber também 36! Além disso, muitas escolas particulares de Educação Infantil têm fechado por falta de verbas, cadê seus supervisores para buscar alternativas de convênio? É preciso agir com mais agilidade, milhares de crianças estão esperando uma oportunidade! A Erundina, no início dos anos 90, criou o famigerado "turno da fome", hoje desprezado e extinto. Saiba que nós pais de alunos, em praticamente todos os Conselhos de Escola da cidade, APROVAMOS A MEDIDA, porque, mais do que o conforto dos nossos próprios filhos, entendíamos a necessidade e a urgência da inclusão! Nessa época, o programa funcionou perfeitamente, pois, para incluir, bastam boa vontade, criatividade e determinação. E agora?

Seguem abaixo os dados da criança em questão, na esperança de que você possa ajudar a resolver, não só este caso, mas também fazer um levantamento de como são efetivamente preenchidas as 35 vagas de cada classe em todas as escolas. Sistemas não andam sozinhos e precisam ser alimentados. Sabemos que muitos diretores de escolas são incompetentes ou corruptos, é preciso haver muita vigilância, a história dos "alunos-fantasmas" está longe de ser explicada ou resolvida!

Bom, espero mesmo que você leia este e-mail pessoalmente e que nos convide para uma reunião sobre o sistema de matrícula, de forma que possamos explicar aos pais de alunos como funciona esse mecanismo tão "misterioso". Vamos deixar de lado as nossas diferenças sobre o FÓRUM MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO, que você reinventou com "chapa branca", vamos fazer de conta que foi uma brincadeira, rs. A nossa prioridade é sempre o aluno e não estamos aí para picuinhas...

Um abraço,

Giulia Pierro - EducaFórum

20 janeiro 2014

A escola tabu nº 67 - Brigando por vaga na escola!!!




Ah, como seria bom se não precisássemos mais brigar por uma vaga na escola! Infelizmente, apesar da propaganda oficial, em que "há vagas para todos", o sistema continua emperrado e os problemas só vêm a público quando os pais procuram meios "alternativos", como este blog. O Brasil é o país onde o poder público dá uma... para o cidadão, portanto muitas romarias para as diretorias de ensino, secretarias da educação e até para o Ministério Público dão em nada. E olha que nós ajudamos PRA CARAMBA para que tudo funcionasse da melhor maneira possível, mas ainda hoje a situação é precária. Vamos relembrar:

No final da década de 90 pedimos uma reunião conjunta com a PRODAM e a PRODESP, através da Comissão de Educação da Câmara Municipal, para cobrarmos a concretização da MATRÍCULA UNIFICADA Estado/Município. O que isso quer dizer? Na bagunça geral brasileira, ainda existem escolas de Ensino Fundamental tanto na rede estadual quanto na municipal. Então, no mesmo bairro pode haver uma escola municipal e outra estadual: uma pode ter vaga, a outra não. Tudo seria mais fácil se uma única rede cuidasse do ensino fundamental, como está na Constituição, não é mesmo? Mas isto é... Brasil! 

O que pedimos então para a PRODAM  e para a PRODESP foi um cadastro unificado das matrículas escolares na cidade de São Paulo,de forma que os pais não tivessem que correr de uma escola para outra  para conseguir uma vaga EM ESCOLA PRÓXIMA DE SUA RESIDÊNCIA, como garante, também, a Constituição. A reunião foi ótima, ainda lembro de como os diretores dos dois órgãos nos garantiram que haviam condições técnicas para o sistema localizar em qual escola, próxima de sua residência, cada aluno poderia estudar, fosse  ela estadual ou municipal.

Pois é, a matrícula foi unificada e... até hoje muitos pais suam para conseguir vaga para seus filhos na escola. Os que acompanham nosso trabalho há anos sabem que nada disso é questão de incompetência, mas de CORRUPÇÃO. Sim, esta é a palavra-chave, palavra que finalmente está sendo falada abertamente em todos os cantos do país e em todas as situações que envolvem o poder público. Bom, onde entra a CORRUPÇÃO na questão das vagas escolares?

Para entender o assunto, releia um post antigo de 2007, clicando aqui. Em resumo, muitos alunos NÃO estudam em escola próxima ou até ficam na rua, porque suas vagas foram destinadas a quem faz favores para diretores de escola, supervisores e até dirigentes de ensino. Outras vagas são prometidas a cabos eleitorais de vereadores e deputados de cada região. Outras, ainda, são de ALUNOS-FANTASMAS, ou seja, alunos que já saíram da escola, mas sua matrícula foi mantida para que a escola receba verbas sem ter trabalho, pois, para a maioria dos des-educadores, escola boa é... escola vazia. Complicado de entender? Sim, só quem tem filhos na rede pública e olhos bem abertos consegue ver e registrar esses absurdos.

Bem, chegou a hora de dar um exemplo bem concreto, não é? Os pais da menina Sarah, que completa 6 anos em abril, estão há 4 anos buscando vaga para ela, primeiro em creche, depois em EMEI (Escola Infantil) e agora em EMEF (Escola de Ensino Fundamental), sem sucesso. Todos sabemos que, hoje, as crianças cujos pais podem pagar uma boa Escola Infantil chegam ao Ensino Fundamental já semi-alfabetizadas. As que nunca tiveram essa oportunidade costumam ser barradas no Ensino Fundamental e, se conseguirem a matrícula, muitas vezes são discriminadas e não merecem a mesma atenção que as crianças mais "sabidas". Muitas acabam se desestimulando e até evadindo. Ou então engrossam as fileiras dos analfabetos funcionais, que são enormes, em todo o Brasil.

O caso da menina Sarah, que há 4 anos tem sua vaga negada em escolas do Jardim Guarujá, que pertence à região do Jardim Ângela,  em São Paulo, está muito bem documentado através do cadastro que os pais fizeram na Prefeitura e até no Ministério Público. Por que, então, esta menina de quase 6 anos foi sumariamente ignorada pelo sistema? Porque não havia ninguém para interceder por ela. 

Bom, se a menina Sarah não tinha ninguém para interceder por ela, agora tem, e somos nós. Bora arregaçar as mangas e conseguir sua vaga numa das duas escolas bem próximas à sua residência! A Secretaria da Educação que nos aguarde. E vamos acompanhar bem de perto a vida escolar da menina, para garantir que ela não seja discriminada e excluída.

Entendeu agora o que é corrupção no sistema de vagas escolares?...