31 maio 2006

Sobre a greve


Pessoal do Rio, leiam o depoimento da professora Glória Reis, de Minas Gerais:

Gente, eles fazem greve não é por salário ou por melhoria na educação...Eles fazem simplesmente porque acham ótimo mais umas férias além das que já têm e, principalmente, porque PODEM, não devem satisfação a ninguém... As autoridades são uns bolhas, morrem de medo de professor, não sei de onde vem tanto poder... Bem, a causa maior está na famigerada estabilidade do funcionalismo público, isso não há dúvida... Já perceberam que só eles fazem greve? Por que não fazer? Não há nada que os detenha e mais o empurrão desses pelegos de sindicato que vivem disso...Contar com aprovação de alguma lei que ponha fim a esse abuso??? Desistam... Os políticos são os maiores cúmplices deles, pois qual "legislador" que não tem mulheres, filhas, netas, sobrinhas, toda uma galera, no funcionalismo público? Acho que a única saída é fazer MUITO BARULHO, vão para a porta da secretaria, levem cartazes bem vistosos, batam panelas, gritem nos jornais e EXIJAM que os salários sejam descontados, é nessa tecla que vocês têm de bater, afinal quem paga são vocês, somos todos nós, contribuintes. Aqui em Minas, o gov. Aécio Neves, desde que entrou deu ordem: se professor entrar de greve corta salário... Até o momento, está funcionando.E, vocês mesmos, percam este medo de professor, parem de justificar a greve, parem de aceitar o álibi dos baixos-salários, que isso é uma grande falácia.

29 maio 2006

Nova greve no Rio. Dá para acreditar?


"a greve desde que seja em prol de um melhor salario para os servidores, sim e correta, pois nós professores merecemos um bom salário, pois nossos governates, não fazem greve , por que almenta seus salários quando bem quer. "

Encontrei, nestas três linhas, 3 erros de gramática, falta de 3 acentos e 3 erros de digitação, sem falar da pontuação... Trata-se do comentário de um professor, publicado no site Globo.com, a respeito da nova greve dos professores do Colégio Pedro II. Mesmo se o texto estivesse sem erros, o conteúdo é de chorar. Esse professor acha que merece aumento apenas porque “os nossos governates almenta seus salários quando bem quer.” Um professor assim combina bem com Seu Creysson, nosso Minístrio Anaufabético, não?

Para mostrar que existem cabeças mais pensantes do que muito professor, copiamos nos comentários ao pé desta mensagem depoimentos de pais e alunos do Colégio Pedro II. Principalmente os alunos mostram uma consciência política tamanha que revela a causa mais inconfessa do que está acontecendo nesse colégio: a degradação perversa de todas as experiências educacionais mais bem-sucedidas neste País. Nenhuma delas resiste ao nivelamento por baixo deflagrado cedo ou tarde por greves políticas ou por mudanças negativas na administração pública.

Papagaios repetem em todas as instâncias: “A greve é um direito”, pois não pensam com mais profundidade ou têm a mesma preguiça que o nosso presidêntio-operárico, que recebeu salário de seu partido durante anos a fio pela profissão de “candidato”, sem ter se dado ao trabalho de estudar economia, administração ou até mesmo inglês... É claro que incomoda, ao governo e ao sindicato dos professores, a existência de uma escola como o Colégio Pedro II, onde muitos pais e alunos conhecem seus direitos e sabem reivindicá-los, mostrando inclusive melhor nível de argumentação e de raciocínio.

Vamos agora discutir a reivindicação desses professores: eles fizeram greve durante 95 dias no ano passado e o acordo firmado com o Governo não foi cumprido. Seu sindicato, que NADA EM DINHEIRO e POSSUI ADVOGADOS, não entrou com nenhuma ação. Porque será?...


PORQUE ESSE É O JOGO: O JOGO DO FAZ-DE-CONTA!

E porque esses professores morrem de medo de serem perseguidos e perder suas mordomias. Então a ação covarde é prejudicar os alunos. E os professores não mostram seus contra-cheques, pois sabem que ganham muito mais do que a média dos pais de alunos...

Se os professores abusaram de sua covardia, os pais de alunos do Colégio Pedro II abusaram de inteligência e criatividade, tomando ações positivas que certamente seriam mais divulgadas se o Brasil fosse um país realmente preocupado com a Educação Pública:

  • Enviaram para Brasília o Projeto de Lei A EDUCAÇÃO É ESSENCIAL E NÃO PODE PARAR.
  • Entraram com MANDADO DE SEGURANÇA exigindo a contratação de professores substitutos.
  • Organizaram um blog.
  • Criaram o Orkut EDUCAÇÃO É ESSENCIAL.
  • Promoveram passeatas e aulas de rua.

A covardia não foi somente do Sindiscope, foi também da direção do Colégio Pedro II, que negou a greve até hoje, deixando os pais e alunos totalmente confusos, mas PERMITIU A DISTRIBUIÇÃO DE PANFLETOS DO SINDICATO dentro das salas de aula, que pediam o apoio dos pais e alunos à greve. Que vergonha, não?

Estes os fatos: pais de alunos da Rede Pública de Ensino usando seu tempo livre e gastando dinheiro do seu bolso saem na frente de um sindicato e de todas as autoridades que se dizem “preocupadas com a educação”, fazendo inclusive o papel de legisladores, que até hoje não souberam/não quiseram encaminhar um projeto de lei como A EDUCAÇÃO É ESSENCIAL.

Agora tire suas conclusões. Mas, antes, leia os comentários clicando ao lado. E, principalmente, assine o manifesto A EDUCAÇÃO É ESSENCIAL E NÃO PODE PARAR, entrando no link
http://www.petitiononline.com/alunado/petition.html e mostrando que sua massa cinzenta está à altura desses brilhantes pais e alunos do Colégio Pedro II. Acompanhe também a movimentação pelo blog http://paisconversandocp2.blig.ig.com.br

PARABÉÉÉÉÉÉNS, PESSOAL!!

26 maio 2006

Quem se importa com o flanelinha?


Entre os desaparecidos durante o trágico “Dia das Mães” em São Paulo estava o flanelinha Marcos André da Silva Cruz, um garoto de 14 anos assassinado na zona norte. O Estado de São Paulo de 21/05 relata que a irmã foi buscar informações no IML, sem sucesso. Em suas próprias palavras: “Não tinha porque matar. Não sei se foi a polícia, mas me disseram que ele foi rendido e morreu com as mãos para cima”.

É o tipo de notícia que me fere a alma. Alguém de nós, que temos computador e acesso à Internet, tem um filho flanelinha? Alguém teve um filho assassinado enquanto tentava juntar uns trocados para ajudar em casa? Como se sente a mãe desse garoto, desaparecido em situação suspeita na periferia? Ela terá coragem de aprofundar as buscas, sabendo que o resto de sua família poderá ser vítima dos mesmos criminosos?

Não se trata aqui dos atentados do PCC ou de uma situação específica. Se trata das condições da infância e juventude em São Paulo, onde os faróis estão cheios de flanelinhas, de crianças e adolescentes fazendo exibições de malabarismo para ganhar uns trocados, arriscando ser atropelados ou mortos a qualquer momento. Não dói na alma ver uma criança se exibindo num farol por dinheiro, quando aqueles jogos deveriam ser sua brincadeira de quintal?

Isto é São Paulo, onde o apartheid é visível somente nos faróis e nas poucas favelas que se avistam das avenidas e estradas principais de acesso à cidade. O imenso “favelão” que é São Paulo está isolado das áreas centrais e é invisível aos nossos olhos de gente que mora em casas sem goteiras, com chuveiro quente e agasalhos suficientes para os filhos não tremerem de frio durante a noite. Esses garotos de periferia às vezes andam quilômetros a pé para encontrar um farol ao qual possam ter acesso, pois se trata de “territórios” divididos por gangues. Isto é São Paulo: o lugar de onde as crianças e adolescentes mais necessitados são expulsos da escola e ficam apenas com duas opções, pedir dinheiro nos faróis ou se filiar à criminalidade. São Paulo: o campeão nacional da exclusão escolar!

Que o menino Marcos André, desaparecido entre tantos outros que tiveram a infância roubada nesta cidade sem alma, seja abençoado onde estiver, e que nos perdoe a omissão!

20 maio 2006

Na escola pública de SP, o crime compensa?

Do blog http://cremilda.blig.ig.com.br

Na EE David Eugenio dos Santos (zona norte da Capital), um grupo de mães e uma corajosa educadora que fazia parte do Conselho de Escola resolveram denunciar os maus tratos, torturas físicas e perseguições que os alunos sofriam. Denunciaram também, acompanhados de farta documentação, os indícios de desvio de verbas. A diretora, depois que o caso saiu nos jornais, foi afastada, mas continuou assinando ponto na Diretoria de Ensino Norte 2. Processo de averiguação, aparentemente abafado, produziu o resultado: a vice- diretora foi promovida a supervisora. A diretora vai voltar para a escola. A supervisora da escola foi promovida a Dirigente Regional. O Dirigente Regional foi promovido a Coordenador da COGSP (Coordenação Geral de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo). Valha-nos, Deus! As mães que denunciaram não podem voltar com as filhas lá na escola. Elas têm medo. A educadora que reuniu provas e documentos e que ajudou as mães foi punida com 90 dias de suspensão sem vencimentos. Como esse não é o único caso assim que vemos, parece que o caminho mais rápido para uma promoção em Escola Estadual de S. Paulo é cometer abusos... isso devidamente amparado por uma panelinha, amigos influentes... Se não for assim, esperamos que a Secretaria de Educação explique essas estranhas promoções...Ou então fica provado o seguinte: O crime compensa quando é praticado na escola pública de São Paulo.

Enviada por Cremilda

18 maio 2006

Pratafórmica do Seu Creysson 4


Eça veio da Xapada dos Viadeiro, gostei mutcho:

Proméçia 5
A merêndia e as merendêrias na minha jestaum vai sê mutcho gostósia! As merendêrias vai vim do Nordéstio e de Mina Gerásio de aviaum pra todas escólias do Brasiu, élias vaum casá com os policiários que cuida das escólias e vaum morá nas casínias de látia que vô mandá colocá no terrênio. Açim fica garantídio a sigurância e a boa limentaçaum pros alúnios. Tem mais: quando falta professôrio, a aula vai sê de culinário e de tiro ao Álvaro! Isso é o pograma multidisciplinário do Seu Creysson, ókeyo?

Farta índia 7 proméçia pra acabá minha pratafórmica. Aguárdio sua sujestaum!

DISPOIS DO PRESIDÊNTIO OPERÁRICO, XEGOU A VEIZ DO MINÍSTRIO ANALFABÉTICO!

16 maio 2006

O crime LEGALMENTE organizado


Os tristes acontecimentos do "dia das mães" prolongado em São Paulo exigem uma reflexão mais profunda. Depois de todos esses atentados, ainda é possível fazer uma separação entre a criminalidade "comum" e o crime organizado? Não será o preso principalmente um ser humano? E depois de ser atirado num depósito de corpos como é uma delegacia de polícia ou um presídio no Brasil, qual sua chance de ser reintegrado à sociedade? Sabemos que é quase nula. É ísso que permite ao crime organizado se fortalecer cada vez mais. O crime organizado é uma indústria, uma enorme empresa que a cada dia tem mais chances de recrutar um número maior de seres humanos...dentro e fora dos presídios, pois o mercado de trabalho convencional está saturado e a desesperança tende a dominar as comunidades carentes. O crime organizado está infiltrado também nas Febens, os presídios juvenis que o Estado de São Paulo teima em alimentar há décadas, ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente, uma lei que se fosse cumprida poderia mudar o destino de milhares de jovens caídos no crime por falta de opção ou de regeneração. Mas o drama desses seres humanos que a sociedade perde para a marginalidade se inicia na escola, que tende a excluir e a expulsar o aluno carente, o diferente, o inteligente. Esse é o início da exclusão e disso não se fala, é assunto tabu. Da escola para a Febem é um pulo, da Febem para o crime organizado é outro. Esta é a realidade que estamos vivendo aqui em São Paulo, a "locomotiva" do Brasil. É uma situação diferente da do Rio de Janeiro, onde as facções criminosas lutam entre si. Aqui, em São Paulo, a criminalidade conseguiu criar um sistema organizado que acabou de dar mostras de sua força de maneira incontestável. Se as rebeliões nos presídios e a onda de violência foram sustadas em tão poucas horas, não podemos ser tão ingenuos de pensar que isto saiu de graça, como querem nos impingir. Certamente houve uma "boa negociação" entre um governo omisso e um sistema criminoso que nunca escondeu suas exigências. O que nos espera daqui para frente?

São questões que não podemos ter medo de enfrentar. O governo se dobrou diante do crime organizado, numa situação que poderia ter prevenido, considerando que os atentados já haviam sido anunciados. Negociar com o crime é o mesmo que compactuar com ele. O crime organizado não dá valor à vida, mas ao poder, ao dinheiro, ao domínio. E qual é o valor que o governo tem dado, todos esses anos, à vida humana? Não é também crime permitir a exclusão de crianças e adolescentes da escola? Não é também crime apinhar esses garotos dentro de mini-presídios onde são "dominados" através de espancamentos e torturas? Durante os últimos anos ficou patente a infiltração do PCC dentro das Febens, tentando arregimentar meninos acuados e desiludidos para o crime organizado. Qual a medida que o governo tomou? Desde o início da década de noventa, o ECA determina com toda clareza que as crianças e adolescentes em conflito com a lei precisam ser atendidos em seus municípios de origem, em regime municipalizado. Qual o interesse do Estado de São Paulo em manter esse monstro que é a Febem, onde um garoto de Presidente Prudente ou de Ribeirão Preto é transferido para a Capital e torna-se uma possível vítima do crime organizado, que está atuando dentro de todas as unidades? Interesses existem, é claro. Cada interno da Febem custa ao Estado de R$ 1.800 a 2.000 por mês. Para onde vai esse dinheiro? Com muito menos qualquer família teria condições de dar uma vida digna a seu filho. Se temos que discutir o crime organizado, vamos então também discutir o crime LEGALMENTE organizado, esse que permite a exclusão de seres humanos das escolas, da sociedade, da vida. O crime organizado não dá valor à vida, certo? Aqueles que saem com uma arma na mão sabem que sua vida pode terminar no mesmo dia. E o crime LEGALMENTE organizado, dá valor ao quê? Vamos refletir sobre isto?...

12 maio 2006

Feliz dia das mães, Cássia!


Cássia, você é um exemplo para todos nós, pais de alunos de escolas públicas, para não desistirmos de uma educação de qualidade para todas as crianças e adolescentes do Brasil, para não deixarmos nossos filhos serem discriminados e perseguidos por uma escola que parece ter o único objetivo de torná-los passivos e acomodados, ou então, expulsá-los. Parabéns, Cássia, são mães como você que fazem a diferença. Que sua voz seja finalmente ouvida pela Promotoria e pela Ouvidoria da Educação do Estado de São Paulo!

Seu filho é "santo"?


Eu não agüento mais ouvir: “É, mãe, mas seu filho também não é santo, né?” E eu pergunto: porque este tipo de indagação? O que significa “ser santo”? Ainda bem que ele não é, pois se o fosse talvez o pregariam na cruz, como fizeram com o único que recordo ter sido realmente santo.

Cássia A. Dalcim Marques


Todas nós: Giulia, Vera, Helem, Cristina, Caroline, já ouvimos isso a respeito dos nossos filhos, dito por professores, coordenadores pedagógicos, diretores de escola. Mas o que eles entendem por “santo”? Ter um cadeado na boca, algemas nas mãos e pés?... Não, graças a Deus nossos filhos não são “santos”, são saudáveis, alegres, inteligentes. Será isto que incomoda? A escola não está preparada para lidar com o aluno que questiona, que faz perguntas difíceis ou embaraçosas, que tem a curiosidade de quem está despertando para a vida. A escola faz de tudo para reprimir a espontaneidade da criança, matar sua vontade de aprender e sufocar sua vocação. Para não falar do adolescente, tratado como um criminoso em potencial, ameaçado e muitas vezes levado da escola para a delegacia dentro de uma viatura policial. Esta é a realidade da escola pública, onde a maioria dos pais se cala, amedrontada diante da arrogancia e do autoritarismo de supostos educadores.

O último episódio que envolve o filho da Cássia é de arrepiar. Nessa escola “de faroeste” que é a EE Aracy da Silva Freitas, em Mongaguá – um barril de pólvora pronto para explodir – houve diversas ocorrências de alunos incendiando carteiras e cortinas. Numa dessas ocasiões, foi ateado fogo a uma carteira na sala do filho da Cássia, justo na hora em que ele estava fora da classe. Por incrível que possa parecer (para quem não conhece o histórico dessa escola...), o garoto levou a culpa do ocorrido, foi interrogado por policiais sem a presença dos pais e finalmente foi entregue em casa dentro de uma radiopatrulha, como se fosse um marginal. Durante vários dias ele continuou a ser acusado pela direção da escola, quando os colegas de classe se revoltaram contra a verdadeira autora do ato e pediram para que ela se entregasse. Mas a menina, pressionada pela direção da escola, não quis assumir o fato publicamente e limitou-se a pedir desculpas ao garoto enviando-lhe um recado no Orkut, depoimento que foi impresso pela Cássia e que vale como documento. No fim, pressionada por todos os lados, a garota não teve outra saída a não ser se entregar. Mas agora, quem vai remediar o estrago? É possível anular a humilhação, o constrangimento, o assédio moral de que esse aluno foi vítima durante anos?

Este episódio foi a gota d´água na tentativa de expulsão de um garoto que a EE Aracy da Silva Freitas tenta afastar há anos. Leia na seção EducaFórum – Os textos a última denúncia que a Cássia entregou para a Promotoria da Infância e Juventude de Mongaguá, relatando inclusive a omissão da Ouvidoria da Educação do Estado de São Paulo, já notificada em agosto de 2005 dos fatos escabrosos que ocorrem dentro daquela escola. Será que, mais uma vez, a Ouvidoria vai lavar suas mãos?

08 maio 2006

Srs. Promotores, sigam o exemplo!


Medidas tomadas por Promotores da Infância e Juventude no interior do País mostram quanto o Ministério Público poderia fazer pela educação pública no Brasil inteiro.

Em Mirassol/SP, o Dr. José Heitor dos Santos acionou a EE Anísio José Moreira, onde os alunos comem a merenda em pé por falta de cadeiras. O promotor denunciou também a aula vaga e pediu que a escola pague uma indenização de 7 milhões aos alunos.

Em Leopoldina/MG, o Dr. Sérgio Soares da Silveira participou de reunião na Pastoral do Menor e instruiu os pais e alunos sobre os direitos da criança e do adolescente, contidos no ECA. Ele esclareceu que sob nenhum pretexto a escola pode excluir os alunos, como, por exemplo, na falta de uniforme, material escolar ou documento. Ele se colocou à disposição de todos em sua sala no Juizado Especial, afirmando que as escolas faltosas seriam punidas na forma da lei.

Essas medidas são exemplos de como seria fácil resolver os problemas da educação pública neste País. Na verdade, nem haveria necessidade de acionar o Ministério Público. Bastaria os vereadores e deputados das Comissões de Educação tirar a bunda da cadeira e fazer seu trabalho de fiscalização das escolas. Os Conselhos Tutelares também deveriam zelar pelo cumprimento do ECA, mas a maioria deles se coloca à disposição das escolas para promover a expulsão de alunos, como inúmeros pais já relataram. O que se vê, neste imenso Brasil, são ações isoladas de promotores da infância e juventude em defesa dos alunos, mas essas medidas tampouco costumam surtir efeitos duradouros. Se TODAS as Promotorias da Infância e Juventude se colocassem à disposição dos pais e alunos, aí sim, o quadro poderia mudar rapidamente.

03 maio 2006

Viva a Veja!


Rasguei o verbo contra a revista Veja no blog da Glória, com respeito à matéria sobre o livro O professor refém, de Tânia Zagury. Eu havia deixado de ler a Veja por ser, de modo geral, tendenciosa. Após essa matéria, porém, resolvi ficar “de olho” nela a fim de não me alienar, pois nada é tão ruim que não possa ficar pior...

Vou me retratar! Tive uma grata surpresa, ao ler o artigo de Cláudio de Moura Castro, publicado na edição de 26/04, Precisamos de uma crise. De forma extremamente lúcida, o artigo coloca e esclarece a seguinte questão: Estamos diante de dois grandes problemas: convencer os brasileiros de que nossa educação é péssima e, então, entender como melhorá-la.

O artigo aponta que, mesmo o Brasil apresentando resultados vergonhosos no teste internacional Pisa e ficando entre os últimos lugares em nível mundial, a sociedade não se indigna, condição essencial para a tomada de soluções efetivas. Pesquisas mostram que, absurdamente, os pais de alunos estão satisfeitos com a educação oferecida aos filhos. Infelizmente, o grito de indignação dos pais ainda está por vir. Por outro viés, países com o mesmo nível de renda que o Brasil e que pagam aproximadamente os mesmos salários aos professores, apresentam desempenho muito melhor do que o nosso. Está portanto comprovado que aumentar o salário do professor não é garantia de melhora na qualidade do ensino.
Avançando em suas reflexões, Castro se reporta ao livro O professor refém, mostrando um enfoque totalmente diferente daquele dado pela matéria anterior da Veja. Diz Castro: De tudo o que os professores reclamaram, em hora nenhuma mencionaram que os alunos não estão aprendendo – no fundo, o único assunto importante. Ou seja, o professor não se preocupa com esse probleminha...

E o que a escola precisa ensinar? Agora Castro mata a charada, esclarecendo: A primeira missão da escola é ensinar a ler, a entender o que foi lido, a escrever e a usar números para lidar com problemas do mundo real. Isso é o que certamente a escola não faz, pois o Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional indica que 74% dos brasileiros adultos não entendem o que lêem e muito menos sabem se expressar por escrito. Basta dar uma rápida olhada em qualquer grupo de discussão da Internet para conferir. Criticando os teóricos e ideólogos da moda, Castro afirma que não há “consciência crítica” sem entender o texto escrito. O meio para que escola possa cumprir sua missão é, em primeiro lugar, que os professores entendam com clareza esse objetivo: alfabetizar em letras e números. Em seguida, o professor precisa prestar contas dessa missão. Para isso, os alunos devem ser avaliados e testados com freqüência e os professores que tiverem êxito devem ser premiados. Portanto, chega de infindáveis greves por melhores salários para professores que não os merecem!

Em quase todas as escolas há bons professores, que merecem ser reconhecidos e premiados. Está na hora de a classe docente separar o joio do trigo e parar com a velha ladainha do “pobre professor”.

Tiro o meu chapéu para Cláudio de Moura Castro, de quem discordei em outras ocasiões. Nesse artigo, só não concordo com o título: Precisamos de uma crise. A crise existe, é crônica e grave. O que falta é apenas a indignação!