28 outubro 2013

Ufa, tomaram providências! Até quando?...




Como sempre reiteramos, nosso trabalho é bem sucedido "no varejo", mas quase nada podemos fazer "no atacado", ou seja, a melhora da rede pública de ensino, no país como um todo, depende de uma mudança de mentalidade que a sociedade brasileira ainda não está disposta a enfrentar.

Nebuloso?... Só se você estiver acessando este blog hoje pela primeira vez. 

A questão é complexa, mas nada que não se explique. Existem dois grandes problemas a resolver:

1. A qualidade do ensino 
A qualidade de ensino não depende de nós, pais de alunos há 20 anos engajados no suporte e orientação a outros pais e alunos de escolas públicas. Enquanto os formadores de opinião, que podem (e preferem) escolher uma escola particular para separar seus próprios filhos dos filhos dos "outros", não entenderem o princípio de igualdade garantido na Constituição, a rede pública de ensino, estruturada e gerida por esses mesmos formadores de opinião, não vai melhorar em qualidade. O lobby da escola particular vai sempre garantir a mediocridade do ensino público, atuando espertamente junto às Secretarias da Educação, às Diretorias de Ensino e aos Supervisores de escola, ou seja, a política educacional vai continuar sendo manipulada...

2. O respeito ao aluno enquanto cidadão
O aluno da rede pública, em todo o território nacional e salvo honrosas exceções que confirmam a regra, é tratado como um estorvo, um pivete em potencial, um ser "mal formado" já de berço. De modo geral, as reuniões de pais e mestres, nas escolas públicas, resumem-se a queixas generalizadas em que fala-se da influência negativa, sobre os demais, dos alunos que provêm de famílias "desestruturadas", seja lá o que isso signifique. Os pais de alunos, com medo de que seus filhos estejam sendo incluídos nessa categoria, se calam... A falta de respeito ao aluno da rede pública, além de estar implícita no número absurdo de aulas vagas, na falta de planejamento pedagógico da maioria das escolas e na forma como ele é tratado (muitas vezes aos berros), é reforçada pela atuação da grande mídia, manipulada pelos sindicatos da classe docente, preocupados em livrar o profissional do ensino de sua responsabilidade pelo fracasso da escola. A solução encontrada é... culpar o aluno! Toda vez que um aluno se atreve a torcer o cabelo de um professor, isso é viralizado na mídia, mas raramente você vai ver alunos menores de idade sendo maltratados, xingados e até levados de camburão para uma delegacia de polícia! Os poucos pais que se atrevem a fazer essas denúncias são depois obrigados a tirar seus filhos da escola, devido às inevitáveis perseguições e represálias promovidas por diretores, coordenadores "pedagógicos" e outros profissionais que zelam por manter as escolas longe da mídia.

A solução do problema nº 1 está portanto fora do nosso alcance, mas com respeito ao problema nº 2 temos tido uma atuação enérgica e muitas vezes eficaz, sempre em casos pontuais, ou seja, "no varejo". É o caso de uma das denúncias que trouxemos no post Será que o demônio é o aluno?????, que nos foi trazida por pais de alunos das escolas JARDIM CAPELA 4 e ORLANDO MENDES DE MORAIS, na periferia da zona Sul de São Paulo. As escolas adotaram um sistema de fechaduras que tranca os alunos nas salas de aula, ou seja, a porta só pode ser aberta por dentro. Do lado de fora, somente com chave! Os pais não foram consultados sobre essa questão e, após uma reforma, ambas escolas apareceram com essa "novidade", que os deixou apavorados, pois a aula vaga come solta na rede pública, então muitas vezes, na falta de professor nas salas, os alunos ficavam sozinhos, trancados lá dentro! Se desse uma briga ou uma confusão, até aparecer um inspetor de alunos com a chave, poderiam transcorrer muitos minutos, como de fato aconteceu diversas vezes! Por outro lado, se ocorresse um incêndio ou outro sinistro na escola e os alunos estivessem sozinhos dentro da sala de aula, eles poderiam não perceber nada... Enfim, os pais nos procuraram temerosos e falando de uma "tragédia anunciada", pois as escolas têm mais de 10 salas de aula e apenas dois inspetores de alunos.

Entramos imediatamente em contato com a Secretaria da Educação, mas houve grande demora, como sempre, na "apuração" dos motivos que levaram os diretores de escola a escolher tal fechadura para as salas de aula. Quando percebemos que o assunto ia continuar sendo levado "na flauta", ameaçamos que chegaríamos na escola junto com o corpo de bombeiros, para avaliar os perigos das tais fechaduras. Pedimos aos pais de alunos que nos informassem sobre quaisquer novidades e finalmente obtivemos uma boa notícia. Ela não é tão boa quanto gostaríamos, pois entendemos que essas fechaduras deveriam ser totalmente trocadas, mas não temos como tomar mais qualquer atitude. Explicamos:

A escola reuniu todos os pais nos três períodos e deu uma explicação sobre a escolha daquele tipo de fechadura: seria para garantir que os alunos ficassem "tranquilos" dentro da sala durante as aulas, evitando que outros alunos tentassem entrar para "invadir" ou "atrapalhar". Para garantir que, durante o recreio, nenhum aluno tentasse entrar na sala para "roubar" os pertences de outros. Para garantir que o professor pudesse dar uma aula tranquila "sem transtornos". A diretoria da escola quis saber se os pais estavam de acordo com a escolha dessas fechaduras, pois, se houvesse rejeição, todas as fechaduras seriam trocadas. Os pais questionaram como ficaria durante as aulas vagas e em caso de acidentes, mas a direção os "tranquilizou", dizendo que as chaves das salas de aula haviam sido entregues para todos os profissionais da escola, que todas as aulas vagas seriam monitoradas rigorosamente e que os alunos nunca ficariam sozinhos: eles seriam levados para o pátio, a quadra ou a sala de informática, tomando-se os maiores cuidados. E blábláblá...

Se tudo isso realmente for verdade e se essas medidas todas continuarão sendo tomadas após a poeira baixar, só ficaremos sabendo com o tempo, mas, após tanta lavagem cerebral, a grande maioria dos pais deu um voto de confiança para a escola e aceitou o sistema de fechaduras.

Bom, menos mal! Mesmo meses após a instalação das tais fechaduras, os pais foram consultados e providências foram tomadas. Mais um caso solucionado "no varejo"...

Entretanto, o aluno continua sendo o "vilão" da história, o "causador" dessa medida que visa "manter a ordem" dentro de um sistema que lhe oferece o mínimo: basta consultar a nota IDESP das duas escolas, que pertencem ao mesmo bairro, para constatar que ela não chega a 2 sobre 10!

17 outubro 2013

Manifestação pacífica não dá mídia!




Após as manifestações de junho, que levaram milhões às ruas de todo o país, a sociedade continua inquieta mas cautelosa, para que suas cobranças legítimas não sejam confundidas com "vandalismo". Essa é a palavra mágica que tem afastado os cidadãos das ruas. 

O fenômeno é interessante: em junho, a multidão era enorme e o vandalismo mínimo. Quando as manifestações diminuíram de tamanho, mesmo com objetivos válidos e importantes, o vandalismo, simbólico ou gratuito, cresceu e foi se tornando o assunto principal. Hoje, manifestação pacífica não dá mídia! 

A grande mídia, no Brasil, está nas mãos do governo e de grandes corporações, principalmente financeiras, que só querem saber de barulho se for para responsabilizar o cidadão comum pelos atentados à "ordem" e para inibir sua livre expressão, ameaçada pela repressão certeira da polícia.

Já postamos aqui diversas informações sobre a associação Auditoria Cidadã da Dívida, da qual participamos e que trocamos em miúdos na cartilha infantil Socorro, o Brasil tem cheque especial!!! Chegou a hora de informar que em 15 de outubro a Auditoria Cidadã da Dívida - Núcleo São Paulo realizou sua primeira grande manifestação, formada por diversos Atos Públicos:




Entre 10:00 e 12:00, entrega de carta no gabinete de TODOS OS VEREADORES, mostrando a necessidade da realização de uma Auditoria da Dívida Pública Paulistana, seguida por palestra esclarecedora, gravada no auditório Freitas Nobre da Câmara Municipal.




Às 12:30, saída da Câmara Municipal a caminho da Prefeitura de São Paulo.




Às 13:15, chegada na Prefeitura, com distribuição de folhetos e esclarecimentos à população.




Às 14:00, entrega protocolada de carta dirigida ao prefeito Fernando Haddad, mostrando a urgência da realização de Auditoria da Dívida Paulistana, em lugar de um novo "empacotamento" que tenta legitimar uma dívida ilegal, imoral e paga com juros sobre juros. Uma dívida fruto do "rouba-mas-faz", que:

em 2000 era de 11 Bilhões, 
até hoje foram pagos 24 Bilhões!!!
e ainda "ficamos devendo" 63 Bilhões????????

Qual dívida, paga com juros sobre juros, aumenta 5 vezes em lugar de diminuir???

O que a população paulistana precisa saber é que essa dívida, alvo de CPI que comprovou as fraudes e a falta de contrapartida para a população, é paga POR TODOS NÓS, via Prefeitura de São Paulo, para o Governo Federal, MAS NO FINAL TODA ESSA DINHEIRAMA VAI PARA O MERCADO FINANCEIRO, pois o Governo utiliza essas verbas para pagar a Dívida Pública Federal!




Por esse motivo, a manifestação do dia 15 não poderia simplesmente parar na Prefeitura. Assim, à tarde, o Núcleo São Paulo da Auditoria Cidadã da Dívida se reuniu no MASP e de lá seguiu em passeata para o Banco Central, onde demonstrou sua indignação pela ganância dos banqueiros, que praticam USURA às custas de uma população que é privada de serviços sociais básicos como educação, saúde e saneamento, para pagar uma imoral BOLSA-BANQUEIRO.





Essa primeira manifestação do Núcleo São Paulo foi absolutamente pacífica, mas é claro que, ao chegar em frente ao Banco Central, choveram policiais de todos os lados. Eles receberam panfletos e se mostraram muito interessados no assunto, da mesma forma que os passantes pela Av. Paulista.

Mas a manifestação não parou no dia 15! Hoje, dia 17 de outubro, às 17:00, no PLENÁRIO da Câmara Municipal, será realizada a primeira Audiência Pública sobre a dívida paulistana, solicitada pelo Núcleo SP da Auditoria Cidadã à Comissão de Administração Pública. Esperamos que disto resulte uma COMISSÃO DE ESTUDOS sobre a dívida municipal, que poderá servir de exemplo para todos os municípios e estados da Federação também endividados, além de confluir na urgente e indispensável AUDITORIA DA DÍVIDA MUNICIPAL. 

No entanto, nada disso você lerá na mídia! Manifestação pacífica e bem fundamentada, apresentando dados concretos elaborados por gente competente, não é divulgada. E não foi por falta de exposição: apareceu, durante a passeata, um fotógrafo do Uol/Folha, que nos acompanhou durante boa parte do trajeto tirando fotos e a quem entregamos o livro A dívida pública em debate. Outro jornalista veio na contramão e "se desculpou" por estar correndo para "outra pauta", onde provavelmente havia vândalos para enriquecer a matéria. Claro! rs

07 outubro 2013

Conselho de Escola não pode virar QUADRILHA!!!


Entende-se por quadrilha um grupo de pessoas que se reúnem para burlar a Lei. Isso é o que mais acontece nas escolas públicas de todo o Brasil! A rede pública de ensino não oferece nada do que está na Constituição Federal, assim prejudicando o desenvolvimento das nossas crianças e jovens:

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)

Poderíamos então afirmar que existe uma QUADRILHA que opera para evitar que a Constituição seja respeitada? Sim, poderíamos! Essa quadrilha deve ser provavelmente orquestrada pelo "Lobby da Escola Particular" em sintonia com diversos governos, que armaram o fechamento de milhares de escolas públicas em todo o Brasil, nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, foram surgindo outras tantas escolas particulares de péssima qualidade, que ajudam a manter o posicionamento do país na rabeira dos índices mundiais. Bem, até aqui nada de novo. Todos sabemos que um governo ignorante não tem o mínimo interesse em educar seu povo!

Existe porém, no sistema educacional, uma outra QUADRILHA, ainda mais perversa do que a governamental: a QUADRILHA composta pelo Conselho de Escola, quando esse se dobra aos maus diretores, que manipulam os pais e alunos, jogando UNS CONTRA OS OUTROS.

Sabemos que a eleição dos segmentos pais e alunos do Conselho de Escola, EM TODO O PAÍS, costuma ser manipulada por diretores que não querem pais e alunos colocando o nariz na gestão escolar, apesar de a Constituição, em seu Artigo VI, garantir a "gestão democrática do ensino público" (veja acima). Esses diretores escolhem a dedo os "representantes" dos pais e alunos e os colocam contra a comunidade, para poderem continuar a agir de forma ilegal. Eles nem ao menos explicam para os pais e alunos o que é o Conselho de Escola, um órgão que deveria justamente zelar por uma gestão correta e democrática! Vejam por exemplo a mensagem que acabamos de receber de uma mãe:

"Gostaria de tirar uma dúvida: tive um problema na escola estadual do meu filho, com relação ao uso obrigatório do uniforme. Contestei a diretora com o argumento de que por lei estadual não é obrigatório usar uniforme em escolas públicas, e ela me disse que algum conselho, não me lembro qual, é maior que a lei estadual. Isso é verdade? Existe algum conselho que passe por cima de leis estaduais?"

Essa é uma mensagem típica, que demonstra perfeitamente a manipulação dos pais e alunos por certos diretores de escola. Eles costumam "usar" o Conselho de Escola para enganar pais e alunos, sem nem explicar como funciona e até se atrevem a declarar que ele teria força "superior à lei"!

Ora, que vergonha!!! Isso só ocorre por desinformação dos pais e alunos e pela omissão das Secretarias de Educação de estados e municípios, que também não têm interesse algum de entregar aos pais e alunos a co-gestão das escolas!

Por isso  recebemos avalanches de mensagens como essa e varamos as madrugadas para esclarecer aos pais e alunos o que é lei e o que é AUTORITARISMO. De uma vez por todas:

Nenhuma norma, seja de Regimento escolar, seja de Conselho de Escola, seja de Conselho de Classe, pode se sobrepor à legislação vigente em estados e municípios!!! Toda informação em contrário é MENTIRA E AUTORITARISMO!

Os Conselhos de Escola, em todo o país, tem sido manipulados para jogar pais contra pais e alunos contra alunos, a fim de que a direção das escolas possa fazer o que bem entende, contrariando a legislação, sem dar satisfação a ninguém, pois não há fiscalização!  A expulsão de alunos pelo Conselho de Escola é uma das maiores pragas da "educação" brasileira! Atiça-se os pais dos alunos "bonzinhos" para que dêem seu voto para expulsar os "pivetes", como a nossa "grande" mídia os costuma descrever:





Você, que é pai, mãe ou aluno da rede pública, não se deixe manipular! Conselho de Escola não pode virar QUADRILHA! Exija que no próximo ano sua escola realize a ELEIÇÃO DEMOCRÁTICA DO CONSELHO e candidate-se a representante de pais ou alunos! Ajude a desmascarar essas QUADRILHAS e a mudar a gestão das escolas!

01 outubro 2013

Contra expulsão de alunos, suspensão e negação de acesso à sala de aula!

Como todo ano, o segundo semestre é o "campeão" na expulsão de alunos, tanto
na rede pública quanto na particular! Nesta época, nosso e-mail LOTA de mensagens sobre expulsões a rodo, suspensões de alunos e negação de acesso à sala de aula, mesmo com alguns minutos de atraso ou por falta de uniforme, por falta de material etc.

De uma vez por todas! A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA, SEJA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL (Art. 206) , NO ECA (Art. 53) E NA LDB - LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO (Art 3º), GARANTE AO ALUNO

ACESSO E PERMANÊNCIA NA ESCOLA

Quando o aluno é vítima de uma dessas corriqueiras, lamentáveis e ilegais práticas, a escola incorre em CRIME DE RESPONSABILIDADE! Cobre seu direito de PERMANECER NA ESCOLA ONDE ESTÁ MATRICULADO E DE ASSISTIR A TODAS AS AULAS, TODOS OS DIAS, mesmo entrando na segunda ou na terceira aula! E mais: cobre PADRÃO DE QUALIDADE, como garante o Art. 3º da LDB! Cobre também o fim da AULA VAGA, essa vergonha nacional na qual o Brasil é certamente campeão mundial.

Enfim: cobre RESPEITO por parte do poder público e de todos os profissionais da escola!