22 março 2015

Rubem Alves tinha razão?


Já dizia Rubem Alves que os professores quase não olhavam para as crianças, o que ficava patente porque eles nunca falavam de seus alunos, a não ser de forma negativa...

De fato, a coisa mais rara é ouvir ou ler algum depoimento de professor (incluindo todos que se dizem "educadores", como os coordenadores, diretores de escola e demais profissionais da educação) falando positivamente sobre algum de seus alunos. Quando eles falam, trata-se geralmente de queixas, tanto que nas salas dos professores, seja na rede pública ou na particular, o aluno costuma ser considerado um estorvo (confirmado por profissionais que não aguentaram permanecer na profissão e abandonaram a rede).

A  Exame.com publicou uma notícia que provavelmente confirmaria a visão de Rubem Alves, se o assunto já não tivesse sido abafado. Alunos do colégio Bandeirantes tiveram acesso a dados sigilosos do colégio sobre os próprios alunos e divulgaram esse conteúdo. O colégio entrou imediatamente na justiça para retirar das redes sociais as informações e os vídeos que os alunos compartilharam. Sobrou porém uma pérola que fala por si, mostrando como uma tal criança era vista por seu "educador" (a):

"Tem olheiras, boca de ódio, tem cara de criança de filme de suspense."

Deus proteja os alunos que divulgaram os dados sigilosos do colégio! Sua vida, daqui para frente, vai virar um verdadeiro inferno...

12 março 2015

Expulsão de escola: segue nova orientação para os pais



Já que este blog é o "campeão" no recebimento de denúncias sobre expulsão de alunos, segue a última mensagem recebida e nossa resposta-padrão,  pois muitos pais ainda não conhecem o caminho das pedras que leva à reintegração dos alunos na escola. Muitas vezes a direção da escola volta atrás apenas por medo de ser responsabilizada judicialmente. Apesar de não haver pesquisas internacionais sobre o assunto, pois seria um tremendo vexame para qualquer país receber esse troféu, sabemos por experiência própria que o Brasil é o campeão mundial em expulsão escolar. Sabemos também como essa questão é angustiante para os pais, por isso não cansamos de repetir a lenga-lenga, mesmo cansando os frequentadores do blog....

Fui chamada  a comparecer na escola pela professora do meu filho  para resolver um assunto relacionado ao uso do celular na sala de aula. Chegando lá , ela me relatou os fatos quando o secretário da escola interrompeu a conversa e de forma muito grosseira disse: "se é sobre o aluno nem precisa falar mais nada, já liguei paraa  diretora e ela falou que o aluno vai ser transferido, porque já aconteceu outro fato ele não teria uma segunda chance". Eu  e a professora ficamos assustadas com a atitude dele, e eu perguntei por que que não me foi dito nada sobre o acontecido, pra chegar ao  ponto do meu filho ser expulso, e pedi para que ele abaixasse o tom de voz. Ninguém  soube me explicar nada, ele apenas disse que não iria mais falar comigo e se eu quisesse saber de alguma coisa, teria que falar com a diretora, que não se encontrava na instituição e não fui informada quando poderia falar com ela. Sou leiga no assunto, ao meu ver acho que foi abuso de poder e constrangimento, pela forma que ele me tratou, sendo que tais assuntos eu deveria ser chamada pela diretora em particular, não na frente de todos, não cabia a ele  fazer isso. Às vezes acho que pode ser pessoal, pois ano passado meu filho sofreu agressão na interior da escola por outros alunos, e a responsável pela escola pediu para que fosse resolvido internamente, entre eu e os pais dos alunos. Não aceitei, fiz boletim de ocorrência e o processo está em aberto. Desde então sinto que ele sofre algum tipo  de "perseguição ", por parte da direção.
Peço ajuda no que devo fazer, a escola pode expulsá-lo ou transferi-lo, onde é que o meu filho vai estudar??


Nossa resposta:

A atitude da direção dessa escola é absolutamente autoritária. Mostre a legislação contida no post abaixo e diga que entraremos em contato com as autoridades do Rio de Janeiro se essa perseguição continuar!

http://educaforum.blogspot.com.br/2014/03/legislacao-da-educacao-anote-ai.html

05 março 2015

Mídia nota zero - A série XXVIII - A fantástica demonização dos alunos!




Andamos abandonando a série "Mídia nota zero" por pura decepção, mas o Fantástico deste domingo deu bons motivos para retomar o tema. Foram duas matérias e acabamos relacionando uma com a outra, dentro da nossa visão peculiar de pais de alunos da rede pública.

A primeira matéria poderia ser bem interessante, se mostrasse vários ângulos da questão, mas virou um samba de uma nota só. Trata-se do vídeo "Agressão verbal na infância pode doer mais do que palmada", feito com base em pesquisa realizada com 10 mil adultos em todo Brasil, que revelaram seus traumas de infância devidos ao abuso emocional. Em todos os casos  relatados, os agressores eram membros da família.  Estranhamente, nenhum dos entrevistados mencionou qualquer agressão recebida na escola por professores, diretores de escola ou funcionários. Como assim?? Como foi feita a seleção desses casos???... http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/03/agressao-verbal-na-infancia-pode-doer-mais-do-que-palmada.html

Pois por aqui essas denúncias abundam - e geralmente de forma anônima - porque se vazarem os nomes dos envolvidos, os alunos são perseguidos até abandonarem a escola. Já houve casos de profissionais da "educação" chamarem alunos de "retardado", "songamonga", "ameba", "cavalo", "vagabundo", "vagal", "macaco", "bandido", "maconheiro", inclusive com expressões menos delicadas, como "viado", "bicha", "monte de merda" (bom, você já conhece o blog e sabe que não é politicamente correto, aqui se fala como na vida). Lembramos o caso bem documentado daquele secretário da educação de Barueri que xingou 41 alunos de uma mesma escola e mandou eles estudarem "nos quintos dos infernos", leia aqui:

E não pense que o abuso moral ocorra somente na rede pública! Ele é muito, mas muito frequente também na escola particular! http://educaforum.blogspot.com.br/2010/03/escola-tabu-n-10-imagine-na-publica.html

Agora assista ao vídeo da outra matéria veiculada pelo Fantástico no domingo, para depois falarmos da demonização do aluno: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/03/falta-de-acompanhamento-psicologico-e-maior-problema-na-escola-dizem-professores.html

Essa segunda matéria é sobre indisciplina escolar. Uma pesquisa da Fundação Lemann com 1.000 profissionais da educação chegou à conclusão de que um dos maiores problemas da escola é a indisciplina dos alunos. Diferentemente de matérias anteriores, nas quais a demonização do aluno foi bem mais ostensiva, o Fantástico leva o assunto de forma mais "light". Parece que a onda de responsabilização dos alunos pelas mazelas da escola está começando a diminuir, no que acreditamos que parte do mérito seja de blogs como o nosso e o da Cremilda, bem como do trabalho da professora Glória Reis e de outros educadores que têm a coragem de denunciar os abusos da escola. A matéria bem coloca o despreparo do professor ao lidar com a indisciplina, pois as faculdades não oferecem preparo psicológico e pedagógico adequado. Além disso, o professor tem que seguir um programa que não prepara para a vida, mas para a cópia e a decoreba, embotando a inteligência dos alunos e deixando-os inquietos.

De modo geral, o Fantástico ainda merece nota zero na cobertura do assunto educação. Mesmo mais sutilmente, suas matérias continuam demonizando o aluno e mantendo a santa madre escola num pedestal que ela não merece, pois continua incompetente e excludente. Para melhorar sua nota, o Fantástico teria que apresentar uma pesquisa que mudaria radicalmente as duas matérias veiculadas no domingo. Seria uma pesquisa junto a alunos do ensino básico na rede pública e particular, para apurar quais agressões - físicas ou verbais - eles sofreram dentro da escola por parte de professores, diretores e funcionários. Atreva-se o aluno a revidar as ofensas recebidas por aqueles que o deveriam orientar! Ele vai receber a pecha de INDISCIPLINADO e corre o risco de ser expulso da escola. Essa é a relação que fazemos entre as duas matérias falhas, parciais e tendenciosas que o Fantástico apresentou no domingo passado. 

Ainda sobre o Fantástico: a primeira matéria sobre dislexia na TV brasileira foi realizada pelo Fantástico em 2001, com a nossa ajuda, quando indicamos uma mãe que sofreu demais na infância pelo despreparo da escola no Brasil e que só conseguiu completar sua vida escolar, com dignidade, na Suíça. 10 anos depois, em 2011, essa mãe nos pediu ajuda para recuperar a gravação dessa matéria, pois estava sofrendo com seu filho disléxico exatamente os mesmos problemas que ela teve na infância e queria mostrar o vídeo ao filho. Enviamos milhares de e-mails ao Fantástico, mas esse "milagre" não foi realizado, nem mesmo essa mãe propondo pagar pela busca da matéria, que a produção do programa declarou impossível. Imaginem então se o Fantástico nos daria ouvidos para realizar a tal pesquisa com os alunos! É fantástico, é?...