28 dezembro 2008

Drummond e a escola


Brincar com as crianças não é perder tempo, é ganhá-lo. Se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados, em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.

Carlos Drummond de Andrade

27 dezembro 2008

Retrospectiva 2008 - muito a lamentar


O Esquema – a série
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http://educaforum.blogspot.com/2008/12/o-esquema-vi-cobrar-da-comisso-de.html
http://educaforum.blogspot.com/2008/11/o-esquema-v-tudo-por-dinheiro-e-poder.html
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Ilegalidade e autoritarismo na escola
http://educaforum.blogspot.com/2008/09/trabalho-de-diretor-de-escola.html
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A polícia invadindo a escola
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Expulsão e exclusão de alunos
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A corporação é dona da escola
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O fracasso da escola
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A omissão da mídia
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O caso Araraquara http://educaforum.blogspot.com/2008/12/o-wally-de-araraquara.html
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O caso EMEF Imperatriz Dona Amélia http://educaforum.blogspot.com/2008/12/cobranas-para-sme.html
http://educaforum.blogspot.com/2008/12/o-direito-vingana-e-impunidade.html
O caso EMEF José Olympio Pereira Filho http://educaforum.blogspot.com/2008/07/crianas-e-adolescentes-sem-advogados.html
O caso EE Lucas Roschel Rasquinho http://educaforum.blogspot.com/2008/06/mdia-nota-zero.html
O caso EE Padre Josué Silveira de Mattos http://educaforum.blogspot.com/2008/04/mas-ser-o-benedito.html
O caso EE Jacoub Koubdijan http://educaforum.blogspot.com/2008/09/mais-uma-escola-de-faroeste.html
O caso EE Octacílio Carvalho Lopes http://educaforum.blogspot.com/2008/05/escola-que-chama-aluno-de-bicha-tira.html
O caso EE David Eugênio dos Santos http://educaforum.blogspot.com/2008/02/escola-instituio-da-tortura.html

Retrospectiva 2008 - algo a comemorar


26 dezembro 2008

Se o aluno fosse importante...


Desde 1997, o programa Papai Noel dos Correios recebe milhares de pedidos de crianças carentes. Para variar, um dos itens mais solicitados este ano foi o material escolar: cadernos, lápis, lápis de cor, livros etc.

Esta é mais uma confirmação de que o aluno não é importante para a escola. Se fosse, o "excedente" (???) das verbas da educação não seria gasto em bônus para professores que mais faltam na escola ou "dão" aulas de péssima qualidade. Haveria um programa sério de atendimento às necessidades dos alunos cujas famílias não podem adquirir o material básico para manterem os filhos matriculados.

Ao contrário, existe uma "técnica" infalível de marginalizar e excluir o aluno que às vezes aparece na escola de chinelos, sem cadernos ou livros. Basta que seus "educadores" comentem o fato com desprezo na própria classe do aluno, para que ele se sinta discriminado e eventualmente nem volte mais à escola. Há também um método mais sutil: em suas intermináveis lamúrias sobre os alunos durante as reuniões na sala dos professores (afinal, não é para isso que serve a sala dos professores? rsrs), alguém pode mencionar o caso do aluno sem chinelos ou cadernos, tachando-o de "folgado", de "filho de família desestruturada" ou outro "elogio" qualquer. Dentro do corpo "docente" da escola sempre tem alguém que entende a necessidade de "dar uma lição" ao aluno e à família e inicia uma intriga que acaba redundando na evasão da "laranja podre" que precisa ser eliminada, "para não contaminar as outras". Simples assim.
Isto, porque o aluno não é importante para a escola. Importante é a continuidade do império da corporação.

Se houvesse o real desejo de inclusão, nenhuma secretaria da educação deixaria seus alunos sem cadernos, sem sapatos e muito menos recusaria a matrícula daqueles que ainda não possuem documentos.

Sobre a gratuidade do material escolar, vejam a análise feita pela ong Ação Educativa:

No ensino fundamental, o direito ao material didático-escolar gratuito encontra seu fundamento legal explícito na Constituição Federal, em seu art. 208 VII, que preceitua como forma de efetivação do dever do Estado com a educação, a garantia de atendimento ao educando através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde; o que é reafirmado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) - Lei nº 9.394/1996, art. 4º VIII, e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei n° 8.069/1990, art. 54 VII.
Fonte:
http://www.acaoeducativa.org.br/portal/opa/opa29.htm

Na reunião do dia 03/12 na Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, a Secretária Maria Helena de Castro declarou que, diferentemente dos secretários anteriores, entende e se interessa pela questão das verbas. Gostaríamos então de saber - e vamos cobrar seu pronunciamento a respeito - como ela entende a falta de atendimento aos alunos carentes e, principalmente, o desvio de verbas da APM e da FDE por partes de diretores, supervisores e dirigentes corruptos, como é o caso de Araraquara e região.

21 dezembro 2008

Por que não dá na mídia?


A mídia brasileira, tão ávida de escândalos em todos os níveis, não dá a mínima para os graves fatos que envolvem a educação, uma espécie de mar cor de rosa, um mundo a ser preservado de qualquer denúncia, logo tachada de “injúria” ou “difamação” que poderá “atirar lama” nessa instituição “sagrada”, essa casa-da-mãe-Juana onde todos se dão bem, menos o aluno.

O aluno? Ora, o aluno!... O que importa se ele é tratado como estorvo na escola? O que importa se ele se machuca e não é socorrido? O que importa se ele está ocioso durante as inúmeras aulas vagas e acaba se envolvendo em briga com os colegas? O que importa se um ventilador cai na cabeça dele? O que importa se ele estuda numa escola nota zero? O que importa se as verbas destinadas ao seu aprendizado são desviadas a bel prazer?

Este blog vive recebendo críticas por apontar todo tipo de mazelas, como se passássemos a vida inventando notícia ruim... O brado recorrente é: “Parem de apontar falhas, apontem soluções.”

Como se as soluções fossem difíceis! Bastariam honestidade, compromisso, competência e boa vontade.
Mas: como esperar essas soluções, de quem tem seus filhos estudando... na rede particular?

Então que fique mais uma vez claro: as notícias jorram diariamente para nosso e-mail, porque não há outras mídias que se interessem por elas! A grande mídia não se indispõe com seus maiores anunciantes e, além disso, em toda boa família de jornalista sempre há uma professorinha, diretora de escola ou supervisora de ensino da rede pública, que se faz de vítima daquele “demônio” que é... o aluno.

É por isso que, em Araraquara, um esquema milionário de desvio de verbas pôde funcionar durante dez anos sem perturbações, até que UMA ÚNICA PESSOA HONESTA se atreveu a denunciar e, de lá para cá, teve sua vida virada do avesso. E é por isso que a Secretaria da Educação está levando esse assunto em banho-maria, até que caia no esquecimento.

É por isso que as mães da EMEF Imperatriz Dona Amélia, após se atreverem a denunciar os abusos e falcatruas da escola, foram ignoradas pela Secretaria da Educação e levadas para uma delegacia de polícia.

OS FORMADORES DE OPINIÃO DESTE PAÍS NÃO ESTÃO MINIMAMENTE INTERESSADOS NA MELHORIA DA EDUCAÇÃO DOS FILHOS... DOS OUTROS.
APENAS NÃO PERCEBEM QUE, DESTA FORMA, OS ESTÃO COLOCANDO EM SÉRIO RISCO DE VIDA.

20 dezembro 2008

O "Wally" de Araraquara...


Um certo diretor de escola, envolvido até o pescoço no esquema de corrupção de Araraquara, que durante dez anos desviou milhões de verbas das APMs para os bolsos de supervisores, diretores de escola e principalmente da dirigente de ensino, “fugiu” para São Paulo. Ele recebeu a promessa de que seria “salvo”, desde que calasse o bico, já que seria um dos “pilares” do esquema e seu testemunho poderia ser fatal na explosão do escândalo, que está até hoje bastante morno... (Pois é, você viu ou ouviu algo sobre isto na Globo, na Band, na Folha, no Estadão?...)

Pois bem, esse “Wally” de Araraquara foi identificado aqui em Sampa. O que o traiu foi seu modus operandi, exatamente igual ao que usava em seu local de origem. Isto significa que não mudou de atitude e muito menos se arrependeu de seus atos.

Esse “Wally” está desde 2004 como diretor efetivo numa escola da Capital, onde foi aplicando seus métodos:

  • Já entrou instituindo o uniforme, que mandava confeccionar em Matão e revendia a “preços módicos” para os pobres alunos – lógico – OBRIGADOS a usá-lo, caso contrário seriam barrados na porta da escola.

  • Escolhe a dedo os membros do Conselho de Escola e da APM. A diretora financeira da APM da sua escola, que deveria ser uma mãe de aluno, é uma professora “fingida” de mãe. Ela assina cheques em branco para ele, que é “especialista” em notas frias.

  • Em sua escola, ele conseguiu “se livrar” do EJA, o curso para adultos mais críticos, que estavam se apercebendo de suas falcatruas.

  • Desde sua entrada na escola, costuma organizar muitas festas e... adivinha para onde vai o dinheiro? No ano passado, “sumiram” 8 mil reais arrecadados numa dessas festas...

  • Sabe as carteirinhas de identificação de alunos que a SEE distribuiu GRÁTIS para as escolas? (grátis uma ova, cara pálida: você pagou essas carteirinhas com o dinheiro suado dos seus impostos...) Pois bem, o “Wally” cobrou de cada aluno R$ 3,50 pela carteirinha!

  • Sabe as provas que os alunos fazem na escola? Ou pagam R$ 3,00 ou “se viram”...

  • Sabe esses policiais da ronda escolar que deveriam ficar do lado de fora da escola, mas que todos os diretores convidam para “disciplinar” os alunos? Na escola do “Wally” eles ficam bem à vontade, comem a merenda dos alunos, usam os computadores à vontade e aí vai...

E então, alguém se habilita a adivinhar... onde está “Wally”?

Cobranças para a SME

Desde a semana passada, deixamos diversos recados para a secretária do Secretário Alexandre Schneider, Cláudia Oliveira, e para o Chefe de Gabinete, Waldecir Pelissoni, para que comentem o inquérito instaurado na 69ª Delegacia de Polícia contra as mães da EMEF Imperatriz Dona Amélia, que denunciaram as graves irregularidades citadas no post Processe as Mães! http://educaforum.blogspot.com/2008/12/processe-as-mes.html. Aliás, o documento que encaminhamos ao próprio Secretário no dia 14 de dezembro não mereceu qualquer resposta. Leia o documento aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/12/escola-pblica-deformando-cidados.html.

Essas mães receberam um telefonema da delegacia, que não as intimou por escrito, mas ameaçou que se não comparecessem no dia e hora estipulada uma radiopatrulha iria buscá-las em casa. Na delegacia, NÃO PUDERAM LER os documentos que as incriminavam, apenas uma escrivã LEU PARA ELAS alguns tópicos, de forma que elas não têm certeza alguma do real teor do inquérito.

Entendemos que a SME precisa apurar imediatamente o que está ocorrendo, pois, mesmo que tenha sido a diretora da escola, a supervisora ou a dirigente de ensino a denunciar as mães, a Secretaria é responsável pela forma antipedagógica e pelo abuso moral que seus funcionários praticam contra os cidadãos que pagam seus salários:
  • No ano passado, essas mães foram "trituradas" por uma comissão da SME que realizou uma apuração preliminar onde deveriam ter sido investigados crimes claramente registrados no Livro de Ocorrências da Escola.

  • No dia 09 de abril deste ano as mães foram novamente humilhadas e constrangidas durante reunião promovida pela SME na própria EMEF, com faixa que convidou toda a comunidade escolar a rejeitar sumariamente quaisquer denúncias feitas por elas, denúncias aliás que não foram sequer mencionadas durante a reunião! Veja a foto da faixa neste post e leia o relato da reunião aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/04/armao-ilimitada.html. Estavam sentados à mesa da reunião, além de autoridades da Secretaria e da diretoria de ensino, diversos representantes de sindicatos e de vereadores.

  • A SME não comunicou às mães o resultado da apuração preliminar, até hoje desconhecido por elas.

  • A SME não deu explicação alguma à Rádio AM da Cidade, que solicitou esclarecimentos sobre as denúncias feitas pelas mães e sobre o inquérito instaurado contra elas.

A omissão da SME representa, para toda a comunidade, o aval ao mau comportamento de professores, diretores, supervisores e diretores de ensino que, além de promoverem ou permitirem os maiores abusos contra alunos, resolvem vingar-se dos denunciantes, na certeza da impunidade.

ESTE É O TRISTE FIM DA TENTATIVA DE ALGUMAS MÃES E ALUNOS VISITAREM O SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO, APÓS TEREM OUVIDO SEU PRONUNCIAMENTO EM UM PROGRAMA DE RÁDIO, DE QUE ESTAVA ABERTO AO DIÁLOGO COM A COMUNIDADE. NO DIA 08/10/07 ESSAS MÃES E ALUNOS FORAM ATENDIDOS POR UMA ASSESSORA EM UM SAGUÃO DA SME E, A PARTIR DESSA DATA, ELAS E SEUS FILHOS PASSARAM A SOFRER TODO TIPO DE PERSEGUIÇÃO, CULMINANDO NO ATUAL INQUÉRITO POLICIAL.

Entendeu agora por que os pais preferem se calar diante dos crimes da escola?...

19 dezembro 2008

O "direito" à vingança e à impunidade

Entre os inúmeros “direitos” da categoria que atua na rede pública de ensino – direito a faltar até dia-sim, dia-não, direito a agredir os alunos física ou moralmente, direito a tratar o aluno e seus pais como mero estorvo, direito a abafar as denúncias de quem se atreve a apontar seus desmandos – estão o “direito” à vingança e à impunidade.

É o que ocorre na EMEF Imperatriz Dona Amélia, desde o início do ano passado. Além de ter contrariado diversas leis que protegem as crianças e adolescentes confiados aos seus cuidados, a direção da EMEF resolveu se vingar das mães que se atreveram a levar suas denúncias à Secretaria da Educação, processando-as. E, como sempre, essa vingança seria consumada, se essas mães se dobrassem ao autoritarismo e ao abuso. Uma delas já havia sido condenada a uma cesta básica e a trabalhos comunitários por “difamar” a escola. Por esse motivo ela havia se afastado do grupo, mas, após ser intimada novamente a comparecer à delegacia de polícia, percebeu que a sede de vingança da direção da escola é ilimitada e resolveu se unir novamente às outras mães, na esperança de se defender dessa nova investida.

Há três semanas estamos tentando saber da SME o que acontece, mas ninguém nos dá retorno: nem a assessora do Secretário que atendeu pessoalmente essas mães em 8 de outubro do ano passado, Cláudia Oliveira, nem o chefe de gabinete, Waldecir Pelissoni e – óbvio – muito menos o próprio Secretário Alexandre Schneider.

Finalmente, a Rádio AM da Cidade resolveu cobrar um pronunciamento do Secretário e, provavelmente, desta vez ele virá a público. Mas certamente dirá que o ato de processar as mães foi uma ação “isolada” da direção da escola, que não recebeu o aval da Secretaria. Que seja! Mas como vai ficar? Como fica uma Secretaria da Educação que, além de não cumprir com sua obrigação de proteger os alunos a seus cuidados, ainda permite que seus pais sejam processados por funcionários que exercem autoridade dentro da escola? É essa a “atitude pedagógica” da SME?

A palavra está agora com o Secretário Alexandre Schneider: a Secretaria vai manter o “direito” à vingança e à impunidade da direção da EMEF Imperatriz Dona Amélia?

Leia aqui algumas matérias anteriores sobre essa EMEF. Todos os abusos estão registrados no livro de ocorrências da escola, que a SME não se dignou a consultar.
http://educaforum.blogspot.com/2008/12/escola-pblica-deformando-cidados.html
http://educaforum.blogspot.com/2008/12/processe-as-mes.html
http://educaforum.blogspot.com/2008/04/armao-ilimitada.html
http://educaforum.blogspot.com/2007/11/raio-x.html

16 dezembro 2008

Professor coragem


Meu nome é Flávio Lima, sou professor da rede pública estadual de ensino, leitor assíduo do seu blog, venho por meio deste veiculo de informação demonstrar minha revolta e indignação com tudo o que acontece na educação em Araraquara e região.

É angustiante como tudo acontece. Só quem vive o dia-a-dia nas escolas sente no espírito, na carne, a canalhice existente no funcionamento da maioria das escolas de Araraquara. O clientelismo político que eu defino como politicagem sebosa prevalece nas relações internas, no convívio diário e no trato dos recursos destinado ao funcionamento das escolas. A CRISE QUE ASSOLA A EDUCAÇÃO PAULISTA CHAMA-SE CORRUPÇÃO e das grandes, daquelas que podemos determinar como ‘MÁFIA EDUCACIONAL' . Existe uma máfia agindo em toda a diretoria regional de ensino de Araraquara para desviar os recursos destinados à educação e quando não são desviados são utilizados de forma incompetente e irresponsável. Uma síntese do que acontece na educação hoje: cada escola tem um deputado ou um político influente da cidade determinando o funcionamento das mesmas, começando pela diretoria regional de ensino. Essa ex dirigente de ensino Sandra Rossato manda, ordena mesmo fora da diretoria de ensino, ela ordena a atual dirigente designar diretores de escola, funcionários, desviou por 10 anos e continua desviando recursos da própria diretoria de ensino e das escolas. Por 10 anos Sandra Rossato criou funcionários fantasmas, diretores de escola relapsos desviam verbas descaradamente na frente de todos sem medo de ser punidos, diretores de escola, vice e professores coordenadores são escolhidos com o único critério de ter sido fiel cabo eleitoral nas campanhas Os conchavos com comerciantes na troca de notas fiscais frias é uma constante. Microempresas são criadas para prestar serviços nas escolas numa troca de favores nunca vista. Sandra Rossato e muitos diretores de escola conchavados transformam a vida de qualquer um que ameaçe o esquema de dinheiro fácil. Palavra dela: a escola é um tesouro inesgotável, mas se ela for ameaçada prepare-se para viver o inferno de Dante. Começam as perseguições, baixarias, retaliações, difamações, desmoralizações, vale tudo para não ser desmantelada a torneira aberta do dinheiro publico nos bolsos de Sandra Rossato e seus seguidores. Esta foi a pior dirigente de ensino para a educação paulista e de Araraquara e região que vi desde a década de setenta, somos testemunha disso, confirmamos tudo o que já está para apurar e o que ainda virá. A sujeira rola dentro dos bastidores. Enquanto Sandra Rossato e esses seus comparsas, ou seja, diretores de escola que estão atuando dentro das escolas de Araraquara e região e políticos corruptos que os apóiam não deixarem as escolas em paz, viveremos este caos, esta humilhação pela qual passam todos que trabalham honestamente dentro do setor educacional. Relatos informais do que acontece no meio escolar fazem qualquer cristão tremer na sua fé. Diretores que entram sem nada e saem de carro zerinho, todo mundo comenta. Certa vez certo diretor cheio de orgulho disse: Eu só aceitaria retornar como diretor da escola estadual Prof. Victor Lacorte se me dessem mais cinco escolas para colocar meus amigos como diretores, não me deram, fiquei na assessoria de um certo deputado estadual, aquilo é dor de cabeça (pura barganha, como se a educação fosse uma coisa qualquer). Dizem que alguns têm apartamentos em Araraquara somente adquiridos com o dinheiro de escolas. Há funcionários de cargos simples com chácara, casa na praia, carros do ano para si e um para a filha. Ser dirigente de ensino, supervisor de ensino, diretor de escola neste governo virou ser mercenário, escapam poucos.

O pior de tudo é que todos sabem e ninguém, ninguém mesmo toma uma atitude para mudar este quadro e eles, os corruptos, sabem disso, aproveitam até UM DIA A CASA CAIR. Lançaremos nessa imensidão podre dentro da educação estadual paulista uma cartilha com o título EDUCAR PARA A ÉTICA - CARTILHA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NAS ESCOLAS PUBLICAS – que tenta fazer um chamamento às pessoas de bem que restam na educação, para travar uma luta desigual contra essa corrupção desenfreada que toma de conta das escolas do Estado de São Paulo, em especial Araraquara. Nela propomos a conscientização de todos para formar uma ONG exclusivamente para agir dentro deste contexto de combater a corrupção nas escolas e conscientizar pais, alunos, professores, funcionários e diretores honestos numa campanha na qual, com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB e as cartilhas do governo Federal, seja estimulada a pratica e ação dos conselhos escolares. Faremos uma ação direta nas escolas com palestras, cursos, denúncias, interferência direta dentro das escolas incentivando a denuncia anônima (criaríamos um e-mail, telefone para tal finalidade), seminários, simpósios, distribuição das cartilhas, panfletos, tudo que for preciso para começar uma luta contra essa poderosa engrenagem de corrupção inserida no meio educacional.

O objetivo desta carta é parabenizar o blog EducaFórum pela coragem, solidariedade e pelas postagens de denúncias que afligem a educação do Estado de São Paulo e especificamente da diretoria de ensino de Araraquara. É preciso cobrar atitudes sérias de empenho nas apurações do maior esquema de desvio de recursos públicos da Educação do Estado de São Paulo, como também mostrar nossa indignação e luta neste contexto.

14 dezembro 2008

Escola pública: DEformando cidadãos


O EducaFórum parte do princípio de que tudo, na escola, é questão pedagógica.

No dia 08/10/07, um grupo de mães e alunos da rede municipal de São Paulo foi procurar o Secretário da Educação, após ouvir em um programa de rádio que ele estaria disposto a dialogar com eles. Foram atendidos por uma assessora, que ouviu seus relatos de abusos e irregularidades e lhes prometeu uma escola melhor. De lá para cá, a vida dessas mães e alunos virou um inferno: perseguições, represálias, humilhações, uma “apuração” que nem ao menos consultou os registros do livro de ocorrências da escola e, finalmente, um processo... da escola contra as mães, que nada fizeram, além de seguir estritamente o ECA, ao denunciar crimes da escola contra seus próprios filhos.

O resumo de tudo isso é extremamente grave: essa escola pública, que em nada difere das demais (poucas!) onde alguns pais têm a coragem de denunciar desmandos e abusos, contraria todo e qualquer procedimento minimamente pedagógico. Ela é uma escola que DEforma cidadãos.

Leia o documento que acabamos de encaminhar à SME.

E d u c a F ó r u m

Sr. Alexandre Alves Schneider
Secretário da Educação do Município de São Paulo
claudiaoliveira@prefeitura.sp.gov.br

Cópia Sr. Waldecir Navarrete Pelissoni
Chefe de Gabinete
wpelissoni@prefeitura.sp.gov.br

Cópia para Sra. Hatsue Ito
Coordenadora de Ensino de S. Mateus
smecesaomateusadm@prefeitura.sp.gov.br

Ref. EMEF Imperatriz Dona Amélia – Escola processa mães de alunos

Sr. Secretário,

No dia 8 de outubro do ano passado estivemos em seu gabinete, acompanhando algumas mães de alunos e seus filhos que gostariam de ter falado pessoalmente com V.Sa., a fim de relatar casos de violência física e psicológica da EMEF Imperatriz Dona Amélia contra alunos, além de graves irregularidades que ocorriam na escola. Essa visita foi incentivada por uma entrevista que V.Sa. deu na época a uma emissora de rádio, dizendo-se aberto a ouvir os pais e alunos. Aquelas mães e as crianças foram atendidas em um saguão por sua secretária Cláudia Oliveira, que ouviu seu relato e prometeu às crianças que a escola iria melhorar.

De lá para cá iniciou uma série de perseguições e represálias contra essas mães e seus filhos, relatadas em diversos documentos que lhe encaminhamos nos meses seguintes, conforme anexos. No último documento, datado de 28/03/08, as mães pediram novamente uma reunião com V.Sa., em sala fechada, a fim de poderem finalmente relatar a gravidade da situação. Essa reunião não foi concedida e nem mesmo foi dada qualquer satisfação às mães. Até o acesso ao resultado da apuração preliminar, efetuada para verificar as denúncias, lhes foi negado.

Na semana passada, três mães foram intimadas pela escrivã Sandra a comparecer à 69ª Delegacia, Av. Arquiteto Vila Nova Artigas, 720 – Cj. Teotônio Vilela) – Tel. 2704-5085, conforme inquérito nº 634/08, a partir de uma denúncia da EMEF Imperatriz Dona Amélia.

Sr. Secretário, os graves fatos denunciados pelas mães que estão sendo incriminadas pela escola não foram sequer investigados, apesar de estarem fartamente documentados nos livros de ocorrências e de atas do Conselho de Escola da EMEF. Isso tem uma explicação, devido à ineficiência das apurações preliminares realizadas por colegas de profissão dos professores e diretores de escola que cometem abusos e irregularidades. Mas, o fato da escola processar os denunciantes, isso já é o cúmulo do absurdo!

Tão logo soubemos da intimação, tentamos falar com algum responsável pela SME, mas não fomos atendidos nem pela sua secretária, Cláudia Oliveira, nem pelo seu Chefe de Gabinete, Waldecir Pelissoni. A Profª Marisa disse que entraria em contato com a Coordenadoria de São Mateus e checaria no departamento jurídico o que estaria ocorrendo. Ela ficou de nos dar uma resposta até quarta-feira passada, dia 10/12, porém não entrou em contato e no dia 12/12 tentamos novamente falar com algum responsável pela SME, mas não conseguimos.

Sr. Secretário, pedimos que seja verificado imediatamente o que está ocorrendo, pois entendemos que o papel da escola é atender os alunos e seus pais, não processá-los!

Entendemos também que V.Sa. tem obrigação moral de atender pessoalmente esses alunos que, no dia 8/10/07, ouviram de sua secretária a promessa de que sua escola iria melhorar, quando o resultado de sua visita lhes trouxe apenas perseguições, constrangimentos e humilhações. Sr. Secretário, toda atitude tomada por uma escola tem um efeito pedagógico, ou, ao contrário, extremamente antipedagógico. A decisão de processar mães de alunos que nada fizeram, a não ser seguir estritamente o ECA, ao denunciar abusos e desmandos por parte da própria escola, é um ato de autoritarismo extremo que não pode obter seu aval!

13 dezembro 2008

Processe as mães!


A escola exibiu a fita pirata Tropa de Elite para alunos de onze anos, a fim de que entendessem que são trombadinhas em potencial?
Processe as mães!
.-.
A funcionária tirou um sapato do pé de uma criança para atirá-lo nas costas de outra?
Processe as mães!
.-.
A escola coloca professores readaptados por problemas psiquiátricos nas classes para tapar as aulas vagas?
Processe as mães!
.-.
As aulas vagas continuaram a todo vapor durante todo o ano letivo? Processe as mães!
.-.
A escola fez construção dentro do prédio durante o ano letivo e os alunos tiveram que passar por baixo de andâimes para entrar nas salas de aula? A obra foi feita sem coleta de orçamentos, o projeto nem a planta foram apresentados ao Conselho de Escola?
Processe as mães!
.-.
A escola comprou uma máquina de xerox do primeiro que apareceu e gastou R$ 3.600 da APM?
Processe as mães!
.-.
Os ventiladores não foram consertados e um caiu na cabeça de uma criança?
Processe as mães!
.-.
O elevador da escola está sem conserto e uma aluna paraplégica caiu da escada?
Processe as mães!
.-.
A eleição do Conselho de Escola é manipulada?
Processe as mães!
.-.
As atas das reuniões de Conselho de Escola são assinadas por ocasião da reunião seguinte?
Processe as mães!
.-.
As crianças sofrem humilhações e perseguições por que seus pais ousam reclamar das falhas da escola?
Processe as mães!
.-.
As mães vão até à Secretaria da Educação junto com os filhos para protocolarem as denúncias, são atendidas em um saguão por uma assessora, as próprias crianças ouvem dessa assessora que a escola delas vai melhorar, tudo piora E UM ANO E MEIO DEPOIS AS MÃES SÃO PROCESSADAS PELA ESCOLA???!!!

SIM, ESTA É A REALIDADE

Este post é dedicado aos ilustres acadêmicos e formadores de opinião que foram procurados pelo EducaFórum para se pronunciarem sobre o descalabro do autoritarismo na rede pública de ensino e que lavaram suas mãos, por entenderem que não se trata de problemas da educação, mas de casos de polícia.
A escola que processou as mães é a EMEF Imperatriz Dona Amélia, cuja história você lê aqui:

11 dezembro 2008

O esquema VIII


O deputado Simão Pedro demonstrou seriedade durante a reunião da Comissão de Educação, dia 03/12, mas ontem, na sua entrevista para a Rádio da Cidade, fez diversas declarações que o fizeram parecer corporativista, como aliás costumam ser os deputados ligados à educação e eleitos pela classe docente. Ele fez aquele “famoso” discurso de que os pais deveriam estar mais presentes na escola e elogiou o programa Escola da Família, criado para camuflar o real direito da comunidade PARTICIPAR DA GESTÃO DA ESCOLA, e não apenas comparecer nos finais de semana, como convidada ou prestadora de serviços. A realidade é que os pais de alunos não são bem-vindos na escola, a não ser em raras exceções que confirmam a regra. E, principalmente, eles não são convidados a participar do Conselho de Escola, um direito líquido e certo que lhes é negado por diretores de escola que não querem mostrar suas falcatruas. Pior ainda é a situação dos pais convidados para participar das APMs sem qualquer esclarecimento e que, em boa fé, acabam assinando cheques em branco ou até arcando com prejuízos pessoais em decorrência de transações ilegais! Tudo isso faz parte de um esquema de corrupção que está começando a se revelar e que contamina a rede pública de norte a sul.

A solução para tudo isso é muito simples, mas exige coragem e vontade política. Para refrescar a memória, segue pela enésima vez o link para nosso artigo Gestão participativa na escola: a exclusão da comunidade, artigo esse que deve ser muito chaaaaato, pois ninguém lê... http://educaforumtxt.blogspot.com/2007/01/gesto-participativa-na-escola.html.

No dia 03/12 demos nosso voto de confiança à Comissão de Educação para que investigue o dossiê que lhe entregamos e na semana que vem vamos encaminhar novas denúncias e alguns fatos que confirmam as anteriores.

Devido ao autoritarismo da rede pública de ensino, as denúncias costumam ser abafadas com ameaças e perseguições, mas sempre que alguma vêm a público, em seguida pipocam outras, um indício de que as pessoas acabam tomando coragem de se expor. Esta semana surgiram diversos fatos novos que levaremos à próxima reunião da Comissão de Educação, referentes à Diretoria de Ensino Sul 3 e ao esquema de Araraquara. Já estamos preparando mais um documento para acrescentar ao que já foi entregue aos deputados. Aguardem!
EM TEMPO, uma curiosidade
A última vez que coloquei o link para o artigo Gestão participativa na escola recebi o e-mail de um internauta fazendo a seguinte crítica: "Achei o artigo interessante, mas estou cansado de ler somente comentários negativos. Vocês nunca fazem sugestões!" Me esborrachei de rir, pois o comentário mostrava que a pessoa havia lido o artigo somente pela metade... A segunda parte trata de sugestões práticas, aliás, foi a parte que deu mais trabalho e discussão para a equipe, antes de chegarmos a um acordo. Fica portanto a dica: não comece a ler o artigo, se não for para ir até o final, rsrs.

08 dezembro 2008

Todos acordando cedo, amanhã!



Amanhã, entre 6h00 e 7h00, o deputado Simão Pedro, presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, dará entrevista à Rádio da Cidade - programa Tribuna da Cidade sobre as denúncias que protocolamos no dia 3 de dezembro. Estaremos lá para cobrarmos providências.


Ouça aqui: Rádio da cidade AM 1370 ou pela internet: www.amdacidade.com.br

06 dezembro 2008

O esquema VII - Secretária ciente


Entrega do documento publicado no dia 04/12 à Secretária da Educação e aos sete deputados da Comissão de Educação - Carlos Giannazi avaliando o tamanho da encrenca...

Como consta do documento entregue aos deputados da Comissão de Educação no dia 03/12, após diversas reuniões na Secretaria da Educação, com o Chefe de Gabinete, o Coordenador da COGSP e a Coordenadora da CEI, tivemos certeza de que todas as denúncias encaminhadas à SEE desde junho iriam acabar em pizza. Pedimos então uma reunião com a própria Secretária, Maria Helena de Castro, reunião solicitada em 20/10 através de documento protocolado por mim pessoalmente no Gabinete da Secretária e do Chefe de Gabinete, mas também enviado por e-mail, just in case. O documento você lê aqui, http://educaforum.blogspot.com/2008/10/para-variar-autoritarismo.html Como sempre explicamos, publicamos os documentos no blog para servirem de modelo aos pais de alunos que queiram se comunicar com as autoridades.

Não obtivemos resposta alguma e, quando ligamos para a secretária do Chefe de Gabinete, Águeda, o comentário foi lacônico: ela iria "ver". A resposta nunca veio, os problemas foram se avolumando e se aprofundando, o que nos levou a procurar a Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, formada por sete deputados de partidos diferentes:
Simão Pedro (Presidente da Comissão) PT spedro@al.sp.gov.br
Maria Lúcia Prandi PT mlprandi@al.sp.gov.br
Maria Lúcia Amary PSDB mlamary@al.sp.gov.br
Paulo Alexandre Barbosa PSDB mailto:pabarbosa@al.sp.gov.br
José Bruno DEM josebruno@al.sp.gov.br
Rita Passos PV rpassos@al.sp.gov.br
Carlos Giannazi PSOL cgiannazi@al.sp.gov.br

A Secretária Maria Helena de Castro estava presente à audiência, aliás agendada pela Comissão de Educação para que ela pudesse prestar contas de seu trabalho.
Aproveitei então para entregar também à Secretária uma cópia do documento destinado aos sete deputados. Não sabemos como ela vai reagir ao seu teor, mas uma coisa é líquida e certa: ela não vai poder alegar que desconhece as denúncias.

Durante os meus três minutos de fala, no final da reunião, fiz questão de dizer que já havíamos pedido uma audiência para a Secretária e que nos foi negada. Com o Gabriel Chalita foi ainda pior: ele agendou conosco mas, após duas horas de chá de cadeira em sua sala de espera, mandou dizer que não nos atenderia. A verdade é que os pais e alunos da rede pública não são tratados como clientes e muito menos como "categoria". Basta dizer que a reunião da Comissão estava tão lotada de visitantes que precisou haver duas trocas de auditório: cada deputado havia convidado suas "categorias", ou seja, as entidades da classe docente que os elegem. Nenhum deles se preocupou em convidar os pais de alunos. Nós "nos convidamos" e quase ficamos de fora... Isso prova, se ainda alguém tiver dúvidas, que não estamos atrelados a nenhum partido político e que cobramos de todos eles!
A "performance" mais aplaudida durante a reunião foi do deputado populista Carlos Giannazi, que estourou seus dez minutos de fala para reivindicar melhores salários para os professores, já que a promessa de 60% de aumentos até o ano de 2010 não satisfez o plenário, lotado de profissionais sedentos de $$$. Pedimos então que a Secretaria garantisse que a promessa de 60% de aumentos de salários seria atrelada a 60% de aumento da qualidade do ensino.
Agora a palavra está com a Comissão de Educação que, a partir de agora, vai ser firmemente cobrada a respeito das denúncias recebidas.

04 dezembro 2008

O esquema VI - Cobrar da Comissão de Educação


Após a declaração pública da Secretaria Estadual da Educação, de que concordou com a invasão da PM dentro da EE Amadeu Amaral e com a agressão de diversos alunos, promovendo inclusive sua expulsão sumária através do “julgamento” (sic) do Conselho de Escola (leia aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/11/compactuar-com-formao-de-quadrilhas.html), decidimos cortar as relações com a SEE, pois com essa declaração a Secretaria provou que o exemplo de ilegalidade que permeia a rede de ensino está vindo de cima. Resolvemos assim mudar de foco e encaminhar para a Comissão de Educação da Assembléia Legislativa as denúncias que temos recebido, já que entre as funções do legislativo está a fiscalização do Executivo. Esta quarta-feira entregamos pessoalmente o documento anexo aos sete deputados da comissão e o protocolamos junto ao presidente, deputado Simão Pedro. Coincidentemente, a Secretária Estadual da Educação, Maria Helena de Castro, esteve na reunião da comissão e também não escapou de receber em mãos o documento, que provavelmente não sensibilizará os nobres deputados nem a secretária, porém, a partir de agora, nenhum deles poderá dizer que desconhece as denúncias. E continuaremos cobrando soluções, com a ajuda de vocês! O e-mail do deputado Pedro Simão, presidente da Comissão de Educação (o bonitão da foto), é spedro@al.sp.gov.br.
Ah! Você não entende por que cargas d´água a gente escreve tanto? Pois é, antes do início da reunião fizemos nossa inscrição para falar e, como você pode ler no relato do próprio site da Assembléia, fomos os últimos. Mas escuta essa: quando anunciaram a última pessoa para falar não se tratava de nenhum de nós representantes de pais de alunos! Fomos indagar ao deputado Simão Pedro e ele disse que nossos nomes haviam sido retirados da lista, pois "teríamos aberto mão do direito à fala"... Muito estranho, não? Que forças ocultas são essas que nos perseguem? rsrs Exigimos então nosso direito, eu e o Mauro pudemos falar durante... três minutos, mesmo assim com o plenário quase vazio. Três minutos, em uma reunião que durou quatro horas! Veja então: se não tivéssemos entregue um calhamaço para cada uma das autoridades, teríamos praticamente perdido a viagem. No mínimo, lotamos seus gabinetes de papel, rsrs.


E d u c a F ó r u m – http://educaforum.blogspot.com

São Paulo, 03 de dezembro de 2008

À Comissão de Educação da
Assembléia Legislativa
do Estado de São Paulo

Ref.: Autoritarismo e corrupção na rede estadual de ensino

Desde o dia 4 de junho deste ano tivemos diversas reuniões na Secretaria Estadual da Educação, com seu Chefe de Gabinete, Fernando Padula, com o Coordenador da COGSP, José Benedito de Oliveira e a Coordenadora da CEI, Edna Matos, denunciando o autoritarismo e a corrupção na rede, que consideramos o maior problema educacional no Estado, ainda pior que a má qualidade do ensino, já que essa é reconhecida e se tem procurado um rumo para corrigir as falhas, enquanto o autoritarismo e a corrupção continuam assuntos tabu. Pedimos uma reunião com a Secretária Maria Helena de Castro, mas não nos foi concedida.

Tivemos a esperança de que seriam tomadas medidas efetivas para reduzir essas que são as maiores causas da evasão e expulsão de alunos da escola, além do desvio de verbas da APM. Desde então, nosso otimismo foi abatido pelo agravamento dos casos concretos que levamos ao conhecimento da SEE, pois a força da corporação é maior do que qualquer boa intenção, por parte das autoridades, de se resolver os problemas. A evidência mais forte é
A FALTA DE PUNIÇÃO DE DIRETORES DE ESCOLA, SUPERVISORES, DIRIGENTES DE ENSINO E PROFESSORES “INVESTIGADOS” EM APURAÇÕES RIDÍCULAS QUE RESULTAM NO ABAFAMENTO DOS PROBLEMAS E MUITAS VEZES NA PUNIÇÃO DAS PRÓPRIAS VÍTIMAS.

Resumimos as graves questões levantadas:

Corrupção na rede de ensino de Araraquara – CEI
Um esquema de grandes proporções, supostamente orquestrado pela ex-dirigente Sandra Maria de Camargo Rossato, funcionou durante dez anos na quase totalidade das escolas da cidade, mais de 50, tendo levado à investigação de apenas 22 pessoas e de nenhum supervisor de ensino, sendo que a maioria deles era conivente. O esquema funcionava com base na assinatura de cheques em branco, do fornecimento de notas frias e do abafamento do escândalo através de ameaças, perseguições e represálias. A Comissão de Educação precisa iniciar uma investigação urgente para evitar o triunfo da impunidade e da corrupção na rede estadual de São Paulo. O processo aberto contra Sandra Rossato é o PAD nº 95/2006, que se encontra na 3ª unidade processante.

EE Lucas Roschel Rasquinho – COGSP – DE Região Sul 3
Aluno agredido por professor em 2007 tornou-se bode expiatório dos problemas de indisciplina da escola em 2008. O assunto foi informado à SEE em maio 08 e deu origem a uma Apuração Preliminar que concluiu por responsabilizar o próprio aluno e a família denunciante. Outros pais de alunos se atreveram a também denunciar o autoritarismo da direção, mas foram ameaçados e intimidados com o argumento de que a escola seria fechada devido às denúncias. A direção chegou ao cúmulo de orquestrar a elaboração de um abaixo-assinado para defender sua própria atuação, colhendo – dentro da escola – assinaturas de professores, pais, alunos e pessoas da comunidade. Para perceber a veracidade desta informação, bastaria comparar o abaixo assinado a favor da direção da escola, pautado e bem escrito, com aqueles contra a direção, desalinhados e com erros de português. Essa atitude ilegal não foi investigada durante a Apuração Preliminar, como aliás as demais denúncias, sendo a conclusão da comissão um documento tendencioso e baseado em opiniões, em vez de fatos, o que contraria a lei 10.261/68. Essa escola apresenta também graves problemas na APM, com a assinatura de cheques em branco e até o sumiço de cheques, mas nada disso foi investigado, portanto é necessária uma urgente investigação da Comissão de Educação.

EE David Eugênio dos Santos – COGSP – DE Norte 2
O autoritarismo nessa escola atingiu proporções gigantescas em 2004, com alunos de Ensino Fundamental recebendo castigos cruéis e constrangedores, o que foi na época amplamente divulgado na mídia. A Apuração Preliminar instaurada concluiu por responsabilizar a professora Suely Valente, a única que teve a coragem de apoiar os pais, professora essa que foi compulsoriamente readaptada por problemas psiquátricos “administrativos” (sic). Essa professora nos acompanhou à COGSP no dia 02/10 e relatou o seguinte: mesmo readaptada, uniu-se à comunidade e conseguiu que fosse aberto um novo processo, desta vez contra a diretora da escola, apontando inclusive o desvio e a manipulação de verbas. Esse processo contra a diretora já dura três anos e não dá mostras de se concluir, enquanto o processo da readaptação da professora, que nada mais fez do que seu dever de denunciar maus tratos contra alunos e irregularidades administrativas, “se resolveu” no prazo de um ano. Por este motivo não acreditamos na lisura dos processos abertos pela SEE e pedimos que a Comissão de Educação investigue essa escola.

EE Padre Josué Silveira de Mattos – CEI – DE São João da Boa Vista
Em abril 07, a diretora da escola reuniu o CE para expulsar uma aluna acusada de atear fogo à lixeira da classe. De acordo com a mãe da garota, o indiciamento foi baseado em “telefonemas” recebidos pela diretora durante a suspensão coletiva e ilegal da classe onde ocorreu o fato. Tão logo a mãe soube que a filha havia sido acusada – sem provas, pois não havia testemunha ocular – aliás, naquele momento o professor saiu tranquilamente da sala para dar aula em outra classe – ela tentou falar com o Dirigente de Ensino, que se recusou a atendê-la. Saindo da DE, a mãe fez um BO na Delegacia da Mulher, atestando que a diretora a havia chamado para informar que expulsaria a aluna da escola e que a havia ofendido, dizendo-lhe que sua filha era “do mal”.

A expulsão da garota – que foi impedida de frequentar as aulas desde o dia da ocorrência, 03/04/07 - foi votada pelo CE em reunião de 17/04/07. Constatamos que essa reunião foi realizada inteiramente fora dos padrões legais e que a expulsão foi registrada em ata como “transferência compulsória”. Consta também da mesma ata que, durante a suspensão da garota, a direção da escola fez duas reuniões com os alunos da classe, pressionando-os até conseguir testemunhas da acusação. No entanto, essas supostas testemunhas foram imediatamente desmascaradas pelo juiz durante processo civil movido pela diretora e encerrado a favor da aluna falsamente acusada, no final do ano. Logo após a expulsão ilegal votada pelo CE, entramos em contato com a Profª Edna, da CEI, que compreendeu a ilegalidade do ato e solicitou a reintegração da aluna. Em 27/04 a mãe recebeu um documento assinado pela diretora da escola, informando que a filha poderia voltar às aulas. Este documento está em nosso poder e confirma que a expulsão foi consumada, caso contrário não haveria reintegração da aluna. Foram três semanas de suspensão, revertida somente após determinação da SEE. Até o final do ano letivo, a aluna teve que conviver com a mesma classe que a acusou, pois o pedido da família de transferi-la de período não foi atendido. Mesmo assim, ela superou bravamente o trauma e este ano está finalmente estudando em outra classe.

A expulsão da aluna pelo CE durou três semanas (de 03/04 a 27/04/07) e não seria revertida, se este EducaFórum não tivesse questionado o ato junto à CEI. Aliás, após a reintegração da aluna, a diretora mandou colocar em frente ao prédio uma faixa, cuja foto foi na época encaminhada à CEI, solidarizando-se com o Conselho de Escola por ter sido desrespeitado em sua deliberação... (esperamos que V.Sas. percebam a absurda inversão de valores desse ato). Pois bem: em setembro recebemos um telefonema da mãe da aluna, informando que havia sido convocada para TESTEMUNHAR em processo administrativo contra a diretora da escola, aqui em São Paulo, no dia 14 de outubro. Leiam com atenção o nosso relato aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/10/churrasquinho-de-me.html, quando acompanhamos essa mãe à comissão processante, mas tivemos que desaconselhá-la a depor, pois vimos que dentro da sala onde ela foi chamada haviam entrado a diretora da escola, sua advogada e o professor que NÃO VIU quem colocou fogo na lixeira da classe. A procuradora, mesmo percebendo que essa mãe estava sem advogado, não permitiu que ela fosse acompanhada em seu depoimento pela assessoria do EducaFórum. Certamente a advogada da diretora tentaria fazer um acordo ou talvez ameaçá-la de que viraria ré, caso não pudesse provar suas acusações. Acusações mais do que comprovadas pela expulsão da aluna, registrada em ata de Conselho de Escola e reforçada pelo documento que solicita sua reintegração à escola, documento esse que a procuradora se recusou a protocolar e anexar ao processo, entre outros documentos.

Percebe-se claramente que também esse processo, um ano e meio após a ocorrência que o originou, vai acabar em “pizza”, exatamente como o da EE David Eugênio dos Santos. A expulsão de um aluno é orquestrada pelos diretores de escola em apenas alguns dias, enquanto a punição de diretores e funcionários que cometem crimes contra os alunos é empurrada até o esquecimento do assunto.

Senhores Deputados, a apuração desses fatos tenebrosos nunca ocorre de forma isenta nos processos abertos pela Secretaria. Já comentamos em diversas reuniões na SEE que os pais evitam fazer denúncias, para que seus filhos não se tornem duplamente vítimas, como nos casos aqui expostos.

O autoritarismo na rede continua em alta e não dá sinais de diminuir. As denúncias de corrupção não são devidamente apuradas e costumam resvalar na impunidade dos culpados. A Ouvidoria da Educação e o próprio Departamento Jurídico da SEE continuam defendendo que o Conselho de Escola é soberano para deliberar sobre qualquer assunto, mesmo se sobrepondo à Lei, CONTRARIANDO A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E O ECA. Esta visão é compartilhada pela maioria das escolas da rede e só mudará se a SEE tiver a coragem de deixar bem claro, PARA TODA A REDE, que A EXPULSÃO DE ALUNOS É PROIBIDA, além de ser um procedimento antipedagógico. Mas a Secretaria tem se pronunciado abertamente a favor da expulsão de alunos, ao mesmo tempo silenciando sobre as denúncias de currupção. A REDE ESTADUAL DE ENSINO PUNE DUPLAMENTE OS ALUNOS E ABSOLVE AQUELES QUE OS AGRIDEM E OS PREJUDICAM, MANIPULANDO AS VERBAS DA ESCOLA.

Em vista da gravidade da situação, entendemos que a Comissão de Educação não pode continuar ignorando todos estes fatos, que aliás detalhamos em nosso blog. Seguem anexas cópias dos textos “O Esquema”, de número I até V, além do depoimento da professora Suely Valente, da EE David Eugênio dos Santos, uma das vítimas do esquema de corrupção em vigor na rede estadual de São Paulo. Leia aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/07/professor-jos-benedito-veja-o-esquema.html