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Mostrando postagens de Agosto, 2009

A exclusão dos pais de alunos

Mais um exemplo do autoritarismo na rede pública de ensino:
Recebemos do amigo Ribamar, pai de aluno do Colégio Pedro II, Carta Aberta à Sociedade (leia clicando aqui), em que fica bem claro que a direção do colégio quer os pais e responsáveis fora do Conselho Deliberativo da instituição.
O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, é uma das escolas mais antigas do país, mantida com recursos federais. Não se iluda! É uma escola elitista, não é aberta a qualquer aluno, porém até hoje teve uma gestão democrática que permitiu aos pais lutar (mesmo com pouco sucesso) pelos seus direitos e contra as indecentes greves que flagelaram a escola nos últimos anos. Greves absurdas, feitas pelos profissionais da educação que recebem os salários mais altos do país!
Se o novo regimento que exclui os pais do Conselho entrar em vigor, será mais uma derrota da democracia e uma prova de que a educação brasileira é uma caixa preta onde tudo é possível, menos a ética e a transparência.

Processo administrativo & tortura

O leitor atento deste blog tão antigo já entendeu bem para que servem os processos administrativos na educação pública: para tudo ficar como está, ou seja, manter os abusos, o autoritarismo e a corrupção. Esta é a regra - e se alguém puder contestar isso, fique à vontade! Será bem-vindo tanto quanto aqueles que NÃO desmentiram que falta nas escolas públicas (menos em época de epidemias) sabonete e toalha para os alunos lavarem as mãos...
Existe um tipo de informação que só circula aqui no EducaFórum e nos blogs afins, PaisOnline, blog da Glória e Cremilda dentro da escola: a tortura de pais, alunos e cidadãos comuns que são convocados a testemunhar nos processos administrativos. Vamos lembrar, por exemplo, a mãe da aluna de São João da Boa Vista, doente do coração, que ia ser massacrada na sessão processante onde deveria depor contra a diretora da escola. Por sorte nós pudemos acompanhá-la ao local, evitando que se submetesse a essa tortura. Leia o post Churrasquinho de mãe para entend…

Escolas & hospícios

Nada mais presente na escola do que a monotonia, a rotina mórbida, a falta de projeto, de futuro, de surpresas, de mistérios e suspenses. O dia a dia escolar é morno, sem novidades, muito menos que medíocre. E, ao mesmo tempo, a vontade do aluno passa a ser erigida por outras pessoas, tornando-o um ser teleguiado, conduzido, acéfalo e desmotivado. Passando a viver assim uma espécie de pesadelo contínuo. Para muitos, um processo terrível, quase insuportável, do qual levará mágoas e traumas para toda a vida.
Por que as escolas continuam sendo estes covis da evidente falta de ética, de caráter, de bom-senso, de vontade política de acertar, de modificar as coisas, de melhorar o mundo? Por que os professores e professoras são tão pérfidos, mesquinhos, excessivamente burocráticos? Imbecis mesmo. Julgam-se tão preparados, cheios de diplomas. Mas são desprovidos de malícia, de dignidade, de amor, de senso, de verdades. É proibido pensar em métodos ou fórmulas que aliviem os sofrimentos dos alun…

Do blog da Glória

Estamos em época de "férias". Sim, para variar, o Estado prefere deixar as crianças na rua do que orientá-las a lavar as mãos ou a passar álcool para evitar a gripe. Álcool??? Quero muito que alguém aponte uma única escola, em território nacional, onde as crianças possam lavar as mãos. Quando falta sabonete, falta papel para enxugar... Mas quem se importa com isso? Afinal, as escolas públicas brasileiras não passam de cabides de emprego e o compromisso do Estado é com o salário do professor, do diretor, do supervisor, do dirigente de ensino e da penca de assessores das Secretarias da Educação.
Dentro da massa amorfa dos "educadores" brasileiros, uma única voz se levanta em defesa da infância e juventude, as demais parecem se importar, mas não convencem. Segue a última crônica da professora Glória Reis:
Tenho curiosidade e uma paciência infinita para entrevistar os meninos na rua. Deparei com um, começo a perguntar. Ele apareceu na minha porta:
- Que série você está?
-…

Filmar o professor: essa é a solução!

Nossa amiga Caroline, do PaisOnline, sugeriu a leitura da excelente entrevista do cubano Martin Carnoy, publicada na Folha de São Paulo dia 10 de agosto. Leia na íntegra e veja abaixo algumas colocações de Martin Carnoy, que selecionamos, pois finalmente alguém disse o que cansamos de repetir!!!
Sugeri ao secretário Paulo Renato que acrescentasse um teste: filmar o professor, como no Chile. Professores de outra escola avaliam os videoteipes. Professores podem ser bons nos testes, mas péssimos para ensinar.
Os diretores devem se preocupar com os direitos das crianças. Aqui, os sindicatos de professores preocupam-se com os direitos dos associados - e estão certos em fazê-lo. Mas e as pobres crianças que não têm sindicatos para defender seus direitos à educação?
Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do Canadá.
Mesmo os melhores docentes brasileiros são menos capacitados do que os do…

A escola e o desgosto de ler

Deparei com o artigo Formando Não-Leitores de Luis Eduardo Matta, no site Digestivo Cultural, no qual o autor fala com maestria o que já postei aqui no blog e sempre repito: o quanto a escola é responsável pelo desgosto de ler e até mesmo pela ojeriza à leitura que desenvolve nos pobres alunos. Leiam o trecho do artigo e abram o site para ler completo. Aliás, o site é excelente.

Esta é mais uma dica da professora Glória Reis, uma das poucas pessoas que discutem educação no país. Leiam completo no seu blog.

Deseducação

Do blog da professora Glória Reis
Sobre mais uma menina fora da escola: tem 15 anos, negra, bonita, olhar vivo e a fala solta, ao contrário de outras crianças massacradas.
Sempre pergunto por que não estão estudando.
- Quando cheguei na 6ª série, minha mãe tinha até comprado caderno pra mim, cheguei na escola, me voltaram pra 5ª série, fiquei com muita raiva, meus colegas zombaram de mim, entornei corretivo na carteira, o diretor me mandou embora.
- E aí?
- Fui para outra escola, fiquei um mês...Também não gostavam de mim.
- E agora?
- Ando por aí...

Nós fizemos história - e daí?...

Muitas vezes me pergunto como é possível a gente ter começado este trabalho há vinte anos e a educação brasileira continuar no marasmo... Ô luta inglória!
Hoje assisti uma entrevista com Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus, que me deixou perplexa. Por um lado, ele foi esclarecedor, ao dizer o que todos sabem, mas ninguém comenta: não existe biblioteca nas escolas públicas brasileiras. No máximo, trata-se de um amontoado de livros abandonados, sem ninguém para catalogar e administrar o trabalho. Esta é uma informação que o EducaFórum repete há anos, sem qualquer repercussão. Após essa colocação, imaginei que Paulo Lins falaria de outros aspectos da educação brasileira, como escritor e também ex-morador da Cidade de Deus. Fiquei decepcionada quando ele disse que, apesar das deficiências, é um grande avanço que a maioria das crianças brasileiras esteja matriculada na escola. E foi mais um a dizer que a solução para a educação está no aumento das verbas, na valorização do professor …