30 agosto 2009

A exclusão dos pais de alunos


Mais um exemplo do autoritarismo na rede pública de ensino:

Recebemos do amigo Ribamar, pai de aluno do Colégio Pedro II, Carta Aberta à Sociedade (leia clicando aqui), em que fica bem claro que a direção do colégio quer os pais e responsáveis fora do Conselho Deliberativo da instituição.

O Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, é uma das escolas mais antigas do país, mantida com recursos federais. Não se iluda! É uma escola elitista, não é aberta a qualquer aluno, porém até hoje teve uma gestão democrática que permitiu aos pais lutar (mesmo com pouco sucesso) pelos seus direitos e contra as indecentes greves que flagelaram a escola nos últimos anos. Greves absurdas, feitas pelos profissionais da educação que recebem os salários mais altos do país!

Se o novo regimento que exclui os pais do Conselho entrar em vigor, será mais uma derrota da democracia e uma prova de que a educação brasileira é uma caixa preta onde tudo é possível, menos a ética e a transparência.

23 agosto 2009

Processo administrativo & tortura


O leitor atento deste blog tão antigo já entendeu bem para que servem os processos administrativos na educação pública: para tudo ficar como está, ou seja, manter os abusos, o autoritarismo e a corrupção. Esta é a regra - e se alguém puder contestar isso, fique à vontade! Será bem-vindo tanto quanto aqueles que NÃO desmentiram que falta nas escolas públicas (menos em época de epidemias) sabonete e toalha para os alunos lavarem as mãos...

Existe um tipo de informação que só circula aqui no EducaFórum e nos blogs afins, PaisOnline, blog da Glória e Cremilda dentro da escola: a tortura de pais, alunos e cidadãos comuns que são convocados a testemunhar nos processos administrativos. Vamos lembrar, por exemplo, a mãe da aluna de São João da Boa Vista, doente do coração, que ia ser massacrada na sessão processante onde deveria depor contra a diretora da escola. Por sorte nós pudemos acompanhá-la ao local, evitando que se submetesse a essa tortura. Leia o post Churrasquinho de mãe para entender os fatos.

Um outro caso tem nos ocupado durante mais de um ano e espanta que ainda não tenha chamado a atenção da grande imprensa pela gravidade dos fatos: é o famigerado esquema de corrupção de Araraquara, que durante dez anos desviou milhões de verbas da maioria das escolas estaduais da região, através da assinatura de cheques em branco por parte de membros das APMs e da emissão de notas frias por parte de empresas-fantasmas. Caso de polícia que não interessa a ninguém, pois envolve políticos importantes, numa das regiões mais ricas do país. Leia o último post a respeito do assunto, sendo que não precisamos esclarecer que até hoje não fomos recebidos pelo Secretário Paulo Renato nem por sua assessoria...

As últimas informações que temos tido sobre o esquema de Araraquara se referem a processos administrativos onde pais, alunos e cidadãos comuns são torturados psicologicamente para que assumam a culpa dos desvios ou deixem de apontar os verdadeiros criminosos, notadamente a ex-dirigente de ensino e seus supervisores, que foram, no mínimo, coniventes. Essa corja está pagando os serviços de grandes advogados para que os processos sejam arquivados ou as penas minimizadas. Pelo andar da carruagem, esse que poderia ser o primeiro grande exemplo de Justiça na educação vai resultar
  • na responsabilização dos pais de alunos, que foram escolhidos a dedo por diretores desonestos, para assinarem cheques em branco destinados ao pagamento de notas frias;

  • em processos de calúnia e difamação contra aqueles que tiveram a coragem e a honra de denunciarem esse esquema milionário de desvio de verbas que deveriam beneficiar os alunos da rede pública de ensino.

A essa altura do campeonato, onde estão os nobres deputados da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, que receberam de nossas mãos o dossiê sobre o esquema de Araraquara, durante a mesma reunião à qual compareceu a ex-secretária Maria Helena de Castro? Relembre os fatos lendo o post O Esquema VI - Cobrar da Comissão de Educação.

Mais uma pergunta: onde estão as comissões e as ongs de Direitos Humanos, que permitem a tortura psicológica de pais, alunos e cidadãos em processos administrativos que têm a única finalidade de intimidá-los? Compactuar com um esquema de corrupção é continuar a alimentá-lo e permitir sua perpetuação!

Se alguém ainda não entende por que os pais de alunos não gostam de participar das APMs e Conselhos de Escola, é que não fez sua lição de casa: ler este blog com atenção. Histórias não faltam. Aliás, nós fizemos história: e daí?

20 agosto 2009

Escolas & hospícios


Nada mais presente na escola do que a monotonia, a rotina mórbida, a falta de projeto, de futuro, de surpresas, de mistérios e suspenses. O dia a dia escolar é morno, sem novidades, muito menos que medíocre. E, ao mesmo tempo, a vontade do aluno passa a ser erigida por outras pessoas, tornando-o um ser teleguiado, conduzido, acéfalo e desmotivado. Passando a viver assim uma espécie de pesadelo contínuo. Para muitos, um processo terrível, quase insuportável, do qual levará mágoas e traumas para toda a vida.

Por que as escolas continuam sendo estes covis da evidente falta de ética, de caráter, de bom-senso, de vontade política de acertar, de modificar as coisas, de melhorar o mundo? Por que os professores e professoras são tão pérfidos, mesquinhos, excessivamente burocráticos? Imbecis mesmo. Julgam-se tão preparados, cheios de diplomas. Mas são desprovidos de malícia, de dignidade, de amor, de senso, de verdades.
É proibido pensar em métodos ou fórmulas que aliviem os sofrimentos dos alunos. Que os motivem a estudar, a aprofundar seus conhecimentos, a discutir e a produzir ciência para melhorar a vida.


Os parágrafos acima são de Antonio da Costa Neto, extraídos de seu blog Mudando paradigmas.
Finalmente, parece que alguém acordou para a realidade! Preciso porém discordar de um ponto: nas escolas públicas a situação não é nada "morna"! As crianças e adolescentes, principalmente aqueles que não contam com o apoio dos pais, são diariamente agredidos e violados em seus direitos básicos, como já cansamos de relatar em inúmeros casos neste blog.

Ah! Continua de pé o desafio de nos apontarem alguma escola pública onde os alunos possam lavar as mãos com sabonete e toalha. Coragem, senhores sindicalistas, já que nos mandaram lavar roupa, devem achar a higiene importante!!! Vamos acabar de vez com a hipocrisia?
Antonio da Costa Neto é autor de diversos livros, entre eles Escolas & Hospícios, Educação alienante existe e Paradigmas em educação no novo milênio.

15 agosto 2009

Do blog da Glória


Estamos em época de "férias". Sim, para variar, o Estado prefere deixar as crianças na rua do que orientá-las a lavar as mãos ou a passar álcool para evitar a gripe. Álcool??? Quero muito que alguém aponte uma única escola, em território nacional, onde as crianças possam lavar as mãos. Quando falta sabonete, falta papel para enxugar... Mas quem se importa com isso? Afinal, as escolas públicas brasileiras não passam de cabides de emprego e o compromisso do Estado é com o salário do professor, do diretor, do supervisor, do dirigente de ensino e da penca de assessores das Secretarias da Educação.

Dentro da massa amorfa dos "educadores" brasileiros, uma única voz se levanta em defesa da infância e juventude, as demais parecem se importar, mas não convencem. Segue a última crônica da professora Glória Reis:

Tenho curiosidade e uma paciência infinita para entrevistar os meninos na rua. Deparei com um, começo a perguntar. Ele apareceu na minha porta:
- Que série você está?
-7ª série.
- A diretora da sua escola é boa?
- É...
- Como ela se chama?
- Não sei...
- Como não sabe nem o nome da diretora e diz que ela é boa?
- É que nem conheço ela...
- ???
- Uns lá é que falam que ela é boa.
- Mas isso não pode ser, você tem de ter sua própria opinião.
Ar de espanto. O que é ter opinião?, parece pensar. Mudo de assunto.
- E os professores?
- São bons...
- Todos?
- São.
- E as suas notas?
- Só Português que vem ruim...
- E a professora é boa?
- É...
- Então por que a nota vem vermelha?
- Ela não dá nem dever, às vezes sai da sala, vai lá pra baixo e fica fora uns 20 minutos, esses dias ela levou um computador pra sala.
- E vocês?
- Ela manda fazer exercício do livro.
- E fica no laptop...
- É...
E você ainda diz que essa professora é boa?
O menino sorri sem entender nada. Enfia na sacola o tênis e as roupas que me pediu, encheu a boca com o bolo que lhe dei e sinalizou que a entrevista estava encerrada.
E caminhou rumo ao portão no passinho miúdo de quem não tem planos para o futuro.

Glória Reis - Leopoldina, MG
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LAURO DE OLIVEIRA LIMA

Durante anos e anos, este processo de domesticação é exercido pelos mestres, na tentativa de submeterem os alunos a seus caprichos, gerando a revolta contida ou a passividade. Ninguém, no sistema escolar, está realmente empenhado em estimular o desenvolvimento das crianças, gerando um cidadão democrático, autônomo, seguro de si, criativo, generoso e sociável. Não é uma nova sociedade que se elabora. O que se tem em mira é um indivíduo conformado, passivo, obediente, integrado no grupo social."

Educador brasileiro - Do livro Para que servem as escolas

13 agosto 2009

Filmar o professor: essa é a solução!


Nossa amiga Caroline, do PaisOnline, sugeriu a leitura da excelente entrevista do cubano Martin Carnoy, publicada na Folha de São Paulo dia 10 de agosto. Leia na íntegra e veja abaixo algumas colocações de Martin Carnoy, que selecionamos, pois finalmente alguém disse o que cansamos de repetir!!!

Sugeri ao secretário Paulo Renato que acrescentasse um teste: filmar o professor, como no Chile. Professores de outra escola avaliam os videoteipes. Professores podem ser bons nos testes, mas péssimos para ensinar.

Os diretores devem se preocupar com os direitos das crianças. Aqui, os sindicatos de professores preocupam-se com os direitos dos associados - e estão certos em fazê-lo. Mas e as pobres crianças que não têm sindicatos para defender seus direitos à educação?

Pais de escolas de elite pensam que estão dando ótima instrução aos filhos, mas fariam melhor se os colocassem em uma escola pública de classe média do Canadá.

Mesmo os melhores docentes brasileiros são menos capacitados do que os docentes de Taiwan.

Um dos problemas mais graves no Brasil é o absenteísmo do docente. E pior, o absenteísmo autorizado.

Professoras contratadas por indicação do secretário de Educação do município dirigem a escola e vão lá de vez em quando.

08 agosto 2009

A escola e o desgosto de ler


Deparei com o artigo Formando Não-Leitores de Luis Eduardo Matta, no site Digestivo Cultural, no qual o autor fala com maestria o que já postei aqui no blog e sempre repito: o quanto a escola é responsável pelo desgosto de ler e até mesmo pela ojeriza à leitura que desenvolve nos pobres alunos. Leiam o trecho do artigo e abram o site para ler completo. Aliás, o site é excelente.

Esta é mais uma dica da professora Glória Reis, uma das poucas pessoas que discutem educação no país. Leiam completo no seu blog.

04 agosto 2009

Deseducação



Sobre mais uma menina fora da escola: tem 15 anos, negra, bonita, olhar vivo e a fala solta, ao contrário de outras crianças massacradas.
Sempre pergunto por que não estão estudando.
- Quando cheguei na 6ª série, minha mãe tinha até comprado caderno pra mim, cheguei na escola, me voltaram pra 5ª série, fiquei com muita raiva, meus colegas zombaram de mim, entornei corretivo na carteira, o diretor me mandou embora.
- E aí?
- Fui para outra escola, fiquei um mês...Também não gostavam de mim.
- E agora?
- Ando por aí...

02 agosto 2009

Nós fizemos história - e daí?...


Muitas vezes me pergunto como é possível a gente ter começado este trabalho há vinte anos e a educação brasileira continuar no marasmo... Ô luta inglória!

Hoje assisti uma entrevista com Paulo Lins, autor do livro Cidade de Deus, que me deixou perplexa. Por um lado, ele foi esclarecedor, ao dizer o que todos sabem, mas ninguém comenta: não existe biblioteca nas escolas públicas brasileiras. No máximo, trata-se de um amontoado de livros abandonados, sem ninguém para catalogar e administrar o trabalho. Esta é uma informação que o EducaFórum repete há anos, sem qualquer repercussão. Após essa colocação, imaginei que Paulo Lins falaria de outros aspectos da educação brasileira, como escritor e também ex-morador da Cidade de Deus. Fiquei decepcionada quando ele disse que, apesar das deficiências, é um grande avanço que a maioria das crianças brasileiras esteja matriculada na escola. E foi mais um a dizer que a solução para a educação está no aumento das verbas, na valorização do professor e essas banalidades que ouvimos há vinte anos, ditas por todos os políticos em campanha e fora dela...

O Brasil é um dos países que mais “investem” em educação, ou seja, um dos que mais arrecadam impostos e destinam verbas ao ensino, mas muito desse dinheiro vai para o ralo. E as políticas públicas são confusas, o que permite a manipulação das verbas. Quem fez as primeiras denúncias sobre desvio e manipulação das verbas da educação, no Brasil, fomos nós mesmos, durante a gestão Paulo Maluf na prefeitura de São Paulo (1993 – 1996). A mídia não se interessou pelo assunto, até que resolvemos provocar o próprio prefeito, através da seção de cartas do Jornal da Tarde. Diversos membros do EducaFórum, pais de alunos da rede pública, escreveram cartas ao jornal, desafiando Paulo Maluf a declarar os valores aplicados na educação municipal, até que seu assessor de imprensa, Adilson Laranjeira, começou a responder as cartas desqualificando as pessoas, que seriam “políticos da oposição disfarçados de pais de alunos” e – claro! – não deu nenhuma informação sobre números... Insistimos enviando mais cartas, até que recebi um telefonema do editor do JT, dizendo que essa nossa “polêmica” com o Adilson Laranjeira estava ficando desagradável. Respondi então que, na verdade, queríamos apenas que o jornal fizesse uma investigação sobre o assunto. O JT se comprometeu a fazê-lo e assim saiu uma série de reportagens mostrando que as verbas destinadas ao ensino eram desviadas a bel prazer. Com base nos dados apurados, fomos ao Ministério Público, que acatou nossa representação, mas... nada mudou para melhor na educação municipal, que, aliás, tornou-se ainda pior na gestão Pitta, com a criação das famosas escolas de lata.

Com essa primeira experiência em busca de dados sobre as verbas municipais, aprendemos a lidar com os números do orçamento e fomos checar os investimentos do Estado em educação, onde havia também rombos gigantescos. Não fizemos isso apenas por questão de princípio, mas porque tínhamos filhos na rede estadual e percebemos o sucatamento, que culminou no fechamento de mais de 300 escolas durante a gestão de Rose Neubauer. Comecei a escrever artigos para o “finado” Diário Popular denunciando o desvio das verbas do ensino estadual, quando, um belo domingo de manhã, recebi em minha casa a ligação de... Mário Covas, na época governador do Estado. Antes disso, o editor do jornal me ligou perguntando se podia passar meu telefone para o governador, rsrs. Pensei que fosse piada, mas em seguida ouvi a voz de Covas, se queixando de que a gente estava acusando o governo sem fundamentos. Pedi então uma reunião no Palácio dos Bandeirantes, para que pudéssemos esclarecer os fatos. A reunião foi marcada, mas o governador não compareceu, quem nos atendeu foi Montoro Filho, o chamado “Montorinho”. Fomos em seis membros do EducaFórum e, além do Montorinho, havia na sala UM BATALHÃO de economistas com cara de japonês. Eles tentaram nos convencer de que a gestão estava correta. No final da reunião, já que não estávamos convencidos, o Montorinho se saiu com essa: “Vão reclamar na Assembléia Legislativa, pois nós seguimos estritamente a legislação e, se vocês ainda acham que há irregularidades, sugiram mudanças na legislação”.
Após essa reunião no Palácio dos Bandeirantes, fomos ao Ministério Público denunciar o desvio das verbas do ensino estadual e não preciso dizer que também essa nova atitude não trouxe melhoras na rede estadual de ensino, que teve seu pico de sucatamento na gestão de Gabriel Chalita, o “bonitinho, mas ordinário”. Essa figura é hoje vereador em São Paulo e já se saiu com projetos de lei que prejudicam o aluno...

Mas, se você leu até aqui pensando que acusamos apenas os políticos pelo marasmo em que se encontra a educação, está enganado: se houvesse uma real preocupação da sociedade com o ensino público, se houvesse uma inquietação geral, os problemas viriam à tona e seria possível buscar soluções efetivas. Não é o que acontece. Falta INQUIETAÇÃO à sociedade brasileira, aos formadores de opinião!

Então vejamos: a declaração de Paulo Lins, de que “faltam verbas” à educação é muito pobre. As verbas existem, são desviadas e manipuladas a bel prazer, mas ninguém se indigna por isso! E existe um fator muito mais grave do que a falta de verbas. É o fator boa vontade, é o fator interesse, compromisso e responsabilidade no trabalho, que falta em toda a rede pública de ensino, de norte a sul do país. Isso é comprovado por dados oficiais que mostram exceções à regra, onde a boa vontade e a responsabilidade fazem milagres em escolas localizadas em bolsões de miséria.

A realidade, na maioria das escolas públicas brasileiras, é de prédios que mais parecem presídios, onde crianças e adolescentes são tratados aos berros, onde tem aula dia sim-dia não, entendendo-se por aulas a escrevinhação de hieróglifos na lousa. A maioria dos Conselhos de Escola, que deveriam servir para melhorar a gestão, são manipulados por diretores descompromissados ou até corruptos, como é o caso do “escândalo” de Araraquara, que dura dez anos – desde a gestão Neubauer – em que A QUASE TOTALIDADE DAS ESCOLAS DA REGIÃO está envolvida no desvio de verbas públicas e das APMs. Coloquei escândalo entre aspas, pois, apesar de provas e mais provas de corrupção em mais de 50 escolas públicas de uma das regiões mais ricas do país, nem a mídia nem a população se incomodam com o assunto...

Enquanto a sociedade brasileira não sentir INQUIETAÇÃO ao ver suas crianças e adolescentes POBRES em situação de abandono e de risco nas escolas (como no caso do garoto que sofreu traumatismo craniano e não foi socorrido...), nada vai melhorar neste país onde os formadores de opinião só se preocupam com seus próprios filhos.

Existe no Brasil um apartheid disfarçado formado pela divisão da rede de ensino em pública e particular. Quando o cidadão brasileiro atinge o “status” de poder pagar uma escola particular para o próprio filho, ele passa a ignorar o lugar de onde veio. E a indústria do ensino agradece...

Quem manda, na educação pública brasileira, são os sindicatos da categoria, sindicatos riquíssimos que só se preocupam com campanhas salariais, que dominam a mídia com seus assessores de imprensa e oferecem seus milhares de advogados para os diretores e professores processarem os pais de alunos “pentelhos” e “barraqueiros”, aqueles que ousam reclamar dos maus tratos ou do assédio moral sofrido por seus filhos na escola.

Existe mais um responsável pela situação em que se encontra a educação brasileira: é a mídia, envolvida em contratos milionários com o poder público e pouco se importando com a situação dos filhos... dos outros. Mas, para diminuir a ira dos profissionais da mídia que porventura leiam estas linhas, lembro um artigo do jornalista Luiz Weis, publicado pelo Estadão em 94 ou 96, chamado “Imprensa Gazeteira”. Ele dizia mais ou menos assim: "O assunto educação foi se esvaziando na imprensa, à medida em que o filho da empregada foi passando para a escola pública e o filho da patroa para a rede particular". Algo mudou de lá para cá?...

Repito: falta INQUIETAÇÃO à sociedade brasileira, para que a política educacional tome rumos acertados, diminuindo a corrupção, o autoritarismo e a incompetência na rede pública, que se manifestam desde o desvio de verbas, a venda de uniformes, “ingressos” para o cinema e outros quetais dentro das escolas, até a expulsão e exclusão dos alunos inteligentes e questionadores, odiados pelos buRROcratas que empurram a nossa educação com a barriga. Os resultados não mentem!