31 agosto 2010

Isso não tem preço!


De vez em quando chegam mensagens que nos comovem e dão significado ao nosso trabalho. A Vanderléia é uma mãe que ajudamos no ano passado a obter vaga para sua filha na escola e que aprendeu por sua vez a ajudar outras mães. Essa sempre foi nossa primeira intenção: mostrar os caminhos para que a comunidade possa aprender a resolver seus problemas. Leia clicando aqui a mensagem que recebemos da Vanderléia no ano passado.

Este ano ela nos procurou novamente, solicitando ajuda para uma outra mãe, grávida e com dificuldades para encontrar vaga para dois filhos, após ter mudado de endereço. Hoje ela nos enviou uma nova mensagem que mostra a importância e a eficácia do exemplo na solução de problemas comunitários. Receber mensagens como essa não tem preço!

É com imenso prazer que lhe escrevo essas duas palavras... desculpe-me pela demora, é que somente hoje estou de folga e que posso falar com vc. A mãe das crianças veio em minha casa e pediu para eu lhe agradecer pela ajuda, pois as crianças estão estudando graças a Deus e a senhora que a ajudou. Inclusive ela colocou o nome da bebezinha de Giulia como agradecimento... Muito obrigada por tudo!!!

Um abraço,Vanderléia.

Nós é que agradecemos, Vanderléia! Diga para essa mãe que também aprenda a ajudar outras mães a lutar pelo futuro. Essas flores simbólicas são para você, na esperança de que continue colaborando conosco e com a sua comunidade.

29 agosto 2010

Nova reunião na Secretaria da Educação, quando?


No dia 29 de junho estivemos na COGSP com uma pauta de 29 itens que foram discutidos com o Prof. José Benedito e sua assessoria. Por ser uma pauta muito extensa, tivemos a promessa de que seria agendada nova reunião dentro de 20 dias para obtermos todas as respostas. Fazem hoje 2 meses e não conseguimos agendar a nova reunião. Será que ela só será marcada após as eleições? (brincadeira...)

Releia clicando aqui o documento entregue à COGSP e dirigido ao Secretário Paulo Renato.

27 agosto 2010

Denúncias, só com e-mail e telefone

Mais uma vez esclarecemos que só poderemos ajudar quem se identifica através do e-mail educaforum@hotmail.com, informando um telefone válido.

Obrigada!

19 agosto 2010

Que tipo de monstro? - A Série 3


Desta vez a história é sórdida demais e não é o caso de entrar em detalhes: o assassinato de duas adolescentes, mortas pelo caseiro de um colégio público no Parané e enterradas no terreno da própria escola. O inquérito ainda não está concluído, apesar da confissão do caseiro.

O que mais chama a atenção nesse caso é o longo tempo que se passou entre o primeiro crime e a descoberta dos dois cadáveres: dois anos. Isso reforça a idéia de que escola pública é "terra de ninguém" e que seus alunos não valem nada, aos olhos da sociedade, da mídia e do poder público.

A primeira aluna ficou "foragida" durante dois anos e apenas agora levantou-se a suspeita de que algo mais grave tivesse ocorrido a ela. Numa hora como essa penso que seriado policial americano serve pelo menos para mostrar que a realidade poderia ser diferente, rs. Lá, os processos são anunciados como "The people against..." - O povo contra... (nome do acusado) e os investigadores vão a fundo buscar testemunhas, evidências e provas, mesmo quando as vítimas são gente pobre, imigrantes e até refugiados. Aqui, quando se trata de aluno de escola pública, leva-se tudo em banho maria e certamente o sumiço dessas duas meninas teria ficado em branco, se o próprio suspeito não tivesse confessado e indicado o local onde enterrou os corpos. Encontradas tais provas, não tem mais jeito: o caso vai ter que seguir adiante, a não ser que a mídia o deixe cair no esquecimento, já que não envolve gente famosa: tanto as vítimas quanto o criminoso são "pobres coitados"...

É aqui que eu queria chegar. O "povo", neste país, não dá a mínima para o sumiço de alunos de escola pública, como foi o caso de duas garotas impedidas de acessar a sala de aula por falta de uniforme; elas foram nadar na represa e... se afogaram. Na mesma semana, uma aluna de outra escola, também em São Paulo, foi dispensada após duas horas de aula e encontrada morta em um matagal. O secretário da educação declarou ao repórter Datena que iria apurar se estava certo essa aluna estar matriculada naquela escola, pois tinha debilidade mental. Enfim, tenta-se sempre culpar a vítima... Você assistiu esses casos no Fantástico?rs Eu também não! O que você vê no Fantástico são histórias que demonizam o aluno da escola pública, esse "monstro" que agride o professor "do nada" ou que pratica o bullying durante as aulas vagas, os costumeiros atrasos dos professores e as horas que fica largado na quadra da escola, enquanto a professora de educação física vai tomar cafezinho na secretaria...

Você viu o vídeo da menina de cinco anos estuprada dentro da escola por "alguém" (alô, alô, Fantástico, rs), após a professora tê-la colocado de castigo em um "quarto escuro"?

Outra coisa muito comum é a omissão de socorro, pois a moda atual é "esperar os pais do aluno chegarem", para saber se a família tem plano de saúde... O caso mais famoso foi relatado no artigo de Gustavo Ioschpe A "frescura" do multifraturado, em que ele apelou para todos os advogados do Brasil, pedindo que unzinho topasse representar a família contra o poder público. Não preciso dizer que não apareceu nenhum, né, rs?

Outro caso, ainda mais grave, foi absolutamente ignorado pela mídia: também em São Paulo, um aluno de 11 anos foi acidentado na escola em circunstâncias obscuras, teve traumatismo craniano e ficou vários dias na UTI. Alô, alô, Fantástico, rs?...

Toda vez que levantamos esse tipo de assunto, aparecem as "comadres da escola" (diretoras, professoras, coordenadoras e mães de alunos dominadas pela direção) gritando que essas matérias só servem para "denegrir a imagem da escola". Já estou farta desse tipo de argumento, que permite abafar tantos crimes que ocorrem nas escolas. Basta!

Então hoje vou perguntar:

Que tipo de monstro não se incomoda que crianças e adolescentes sumam "do mapa" e apareçam depois de anos dentro de uma cova ?

Que tipo de monstro não se incomoda com crianças e adolescentes machucadas e não as socorre?

Que tipo de monstro larga no pátio ou na quadra da escola crianças e adolescentes pelas quais é responsável, sem supervisão, e permite que ocorram acidentes, brigas e bullying?

Que tipo de monstro impede o acesso à sala de aula para crianças e adolescentes, por falta de uniforme, por aula vaga ou qualquer outro motivo ILEGAL, já que elas têm o direito de terem todas as aulas, todos os dias?

PS Um voto de louvor à Folha de São Paulo, que finalmente permitiu lincar uma matéria "requentada" para não-assinantes. Seria muita pretensão pensar que essa mudança foi devida à nossa crítica do outro dia, rsrs. Agora sim, a Folha pode-se chamar de "jornal de esquerda", rs.

15 agosto 2010

Aulas de Direito na rede estadual de São Paulo!


Yes!!! Você sabia que as nossas escolas estaduais "dão aula" de direito aos seus alunos? (Sim, você sabia mas esqueceu, pois faz tempo que não batemos nesta tecla e este é um país sem memória!... )

Há pelo menos quinze anos, os Conselhos de Escola da rede estadual vestem a toga de juiz e deliberam pela expulsão de alunos, julgando seus "crimes". Seria um excelente "workshop" para estudantes de direito, mas a questão é que os alunos que recebem essas "aulas" são de Ensino Fundamental e Médio, que não estudam a legislação. Até aí, tudo bem, o exercício seria válido até para uma faixa etária mais jovem, pois nunca é cedo demais para o aprendizado da cidadania.

ENTRETANTO, trata-se de prática ILEGAL e INCONSTITUCIONAL! Doeu?

Não, para a maioria não dói! No faroeste que é a rede pública de ensino vale tudo, até mesmo a instalação de tribunais de exceção para expulsar aqueles que a escola deveria incluir e preparar para o futuro.

Voltamos a este assunto TRÁGICO porque percebemos que, apesar de fazermos essa denúncia há mais de uma década, a PRÁTICA DA EXPULSÃO ILEGAL E INCONSTITUCIONAL de alunos continua, com a bênção da própria Secretaria Estadual da Educação, que não dá mostras de entender a gravidade da situação, nem toma providências para orientar as escolas a respeito dessa aberração.

Compactuam com essa prática criminosa, por omissão, as instituições que "defendem" os direitos dos alunos, sejam os Conselhos Tutelares, Conselhos de Direito da Criança e do Adolescente, Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, Comissão de Direitos Humanos da OAB etc. etc.

Já falamos muitas vezes que esses TRIBUNAIS DE EXCEÇÃO são armados nos mesmos moldes dos tribunais reais e que as expulsões são baseadas em julgamentos sumários realizados por professores, profissionais do ensino, pais de alunos e - pasmem! - alunos menores de idade. Os alunos membros dos Conselhos de Escola, além de assistirem as tais "aulas de direito", tornam-se sujeitos do crime, pois têm "poder de voto" na expulsão dos colegas marcados pela direção da escola, que preside as reuniões de Conselho.
Para refrescar a memória, clique neste link para ler um post antigo que explica em detalhes como funciona um tribunal de expulsão dentro dos Conselhos de Escola. Essa prática pode ser comparada ao ato de fazer justiça com as próprias mãos e aos linchamentos em praça pública. A diferença é que ela é praticada entre quatro paredes, dentro de um AMBIENTE PEDAGÓGICO, o que a torna ainda pior. Até quando a sociedade brasileira vai compactuar com isso? Até quando a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo vai continuar permitindo essas "aulas de Direito" em suas escolas? Pensando melhor, não se trata de aulas, mas de "workshops", uma palavra mais moderna e adequada a essa prática...

É uma pena termos que usar a ironia para tentar explicar a gravidade desta situação para uma sociedade adormecida e desligada do maior problema da educação pública: a expulsão, exclusão e evasão de alunos.

Relembramos também o post Expulsão de Alunos: mais um recorde internacional, que foi escrito em maio para alguns leitores que não acreditavam na existência da PRÁTICA ILEGAL E INCONSTITUCIONAL da expulsão de alunos na rede pública. Não acreditavam com razão, pois a grande mídia nunca se interessou pelo assunto,que continua TABU e é tratado apenas em alguns blogs, como o nosso, o Movimento COEP, o Blog da Cremilda, o PaisOnline e o Blog da Glória.

Que tipo de monstro? - A Série 2

Dando continuidade a esta série assustadora, segue link para matéria sobre aluno de 11 anos:

Garoto diz que foi torturado por diretora de colégio no Rio

Como sempre comentamos aqui, o caso não é raro. Lembrem o caso da EE Lucas Roschel Rasquinho, que acabou de se tornar uma escola modelo graças à nova direção e cuja antiga diretora torceu o dedo de uma aluna. Maus tratos, torturas físicas e psicológicas de alunos por parte de quem deveria cuidar deles são muito comuns na escola e só ocorrem pela certeza da impunidade. Tomara que os pais desse garoto resolvam não apenas processar a diretora, mas também a prefeitura do Rio de Janeiro por esse crime ocorrido numa escola da sua rede.

Clique para ver a primeira matéria da série Que tipo de monstro?
Mais uma vez coloca-se a questão: quando é que a qualidade do ensino se tornará o maior problema da educaçaõ pública no país?...

08 agosto 2010

Seu argumento é a força?


Excelente, a sugestão da amiga professora Glória para ler o artigo do psicanalista Contardo Calligaris sobre castigos físicos (clique neste link), que vai na contracorrente da opinião pública brasileira.
A sociedade brasileira parece estar de acordo de que "um tapinha não dói", nem um murro, uma surra ou outra medida "pedagógica" que envolva a agressão física. Eu disse medida PEDAGÓGICA, é assim que a sociedade brasileira parece encarar os maus tratos impingidos a crianças e adolescentes. Curiosamente, fala-se dessas medidas "pedagógicas" somente no que diz respeito ao ambiente doméstico, como se elas não existissem na escola.

Para bom entendedor, meia palavra basta. Se a agressão física é amplamente aceita no ambiente doméstico, muito mais o será na escola, esse ambiente "pedagógico" por excelência...

Para deleite daqueles cujo argumento é a força, segue um link que apresenta algumas medidas "pedagógicas" praticadas em escolas nos dias de hoje. A palmatória? Que coisa mais antiquada, rs.

Lucas Roschel Rasquinho, quem te viu, quem te vê!


Em maio de 2008 iniciou uma linda história, no início bastante dramática, que pôs fim ao "reinado" de uma direção incompetente e autoritária na EE Lucas Roschel Rasquinho, Parelheiros, São Paulo Capital. Leiam aqui o primeiro post que relata a luta dos pais do aluno Paulo, a princípio preocupados com a integridade do filho, perseguido na escola. Percebendo que a perseguição se intensificava cada vez que reclamavam, esses pais nos procuraram e fomos visitar a comunidade ao redor da escola. Convencidos da péssima direção e da omissão da diretoria de ensino, levamos esses pais para a Secretaria da Educação. O Paulo, aluno adolescente do Ensino Médio, também foi à reunião, onde convenceu as autoridades do seu bom caráter e inteligência. Nada justificava a perseguição de que era vítima!

Não fizemos isso apenas para combater uma injustiça contra um único aluno: estava claro que a perseguição ao garoto visava atingir os pais, que percebiam e apontavam as falhas da escola, onde ocorriam os maiores absurdos, que você pode ler clicando aqui. Essa reunião na SEE foi seguida por diversas outras, inclusive na própria escola, o que criou um "alvoroço" em toda a comunidade. Temendo a repercussão das denúncias, a direção da escola soltou o tradicional boato de que a escola estava correndo o risco de ser fechada, leia neste outro post.

Após uma longa investigação, toda a direção da EE Lucas foi finalmente afastada e a nova diretora, Matilde, herdou uma escola esfacelada. Com muita competência e boa vontade, ela conseguiu aos poucos sanar os problemas e temos recebido dos pais de alunos mensagens de apoio e louvor à nova direção. Vejam a última:

Boa noite!
A escola Lucas Roschel Rasquinho melhorou muito, nem parece mais aquele lixão.
A limpeza na escola é total.
A prioridade da diretora é o aluno.
Pintou a escola.
Arrumou um caseiro.
Montou uma sala de vídeo para os alunos que parece um cinema.
Fundou a Radio Lucas junto com os alunos.
Iluminou o pátio da escola.
Não cobra uniforme.
Fez a festa de formatura sem cobrar nada do aluno.
Exige que o professor trabalhe em sala de aula.
Exige dos professores aula de qualidade.
Exige que os professores não faltem.
Não admite que o professor fale mal dos alunos.
Exige que os funcionários da escola trabalhem.
Fornece material para os alunos durante o ano.
Polícia dentro da escola nem pensar, só a ronda ao redor da escola.
As contas da APM estão em quadro de aviso para qualquer um ver.
É presente na escola.
Quem conhece Parelheiros sabe que é uma região carente, longe de empresas que possam apoiar a escola, por isso todo o mérito das melhorias é certamente da nova direção. Aliás, o IDESP da escola melhorou em 125%.
Parabéns à diretora Matilde e à sua nova equipe, recebam nossas flores!

E agora a nossa preocupação, leiam o último parágrafo da mensagem dos pais de alunos:

Por esses motivos os professores e a paneloca da Sul 3 estão querendo expulsar a diretora da escola.

Moral da história: o grande problema da rede pública de ensino é a ameaça à continuidade dos bons profissionais e projetos. Mas vamos ficar de olho e não vamos deixar que a EE Lucas volte a ser o antro que conhecemos!