29 abril 2008

Mais quinze anos?!


Eu tenho alguns hábitos bizarros: um deles é guardar as matérias publicadas em jornais, quando são boas e consistentes. Coisa de masoquista, rsrs!

Exatamente há um ano, no dia 29 de abril de 2007, o Estadão publicou o caderno Qualidade da Educação, com boas matérias que apontavam falhas e soluções para a educação brasileira. O ponto chave foi o PDE – Plano de Desenvolvimento da Educação, que pretendia “dar um salto de qualidade” em 15 anos. Em 15 anos, só se for um salto de... tartaruga, rs. Mas nunca vamos esquecer (ô país sem memória!) que a elaboração e a discussão da LDB durou 10 anos! Por isso vou tomar a liberdade de voltar ao assunto todo dia 29 de abril, durante os próximos 15 anos. Aff!

Bem, já se passou um ano e já podia ter melhorado “uma coisinha”, não?...
O ponto mais importante desse caderno do Estadão, a meu ver, foi a constatação de que menos de 10% das cidades brasileiras têm um plano de educação, com objetivos claros. Na falta desse plano, cada profissional trabalha como quer, faltam metas de aprendizagem e nada é cobrado pelos diretores de escola. Guiomar Namo de Mello declarou na entrevista que “o currículo vira samba do crioulo doido. Há ausência de uma política clara sobre qual é o currículo”. E agora, um ano depois, existe mais clareza?... Enquanto cada estado e município não elaborarem seu próprio plano de educação, o PDE vai continuar um paquiderme sem pé nem cabeça.

Outra questão fundamental tratada nesse caderno foi a distribuição de livros para as escolas, sem que os alunos tenham acesso ou proveito desse material. O governo brasileiro é o maior comprador de livros didáticos do mundo!!! No ano passado foram adquiridos 120,7 milhões de exemplares, mais de dois livros para cada aluno matriculado no ensino básico (Gustavo Ioschpe, essa conta bate? rsrs), mas apenas 10% das escolas têm uma biblioteca ativa. E agora, um ano depois, quantas escolas têm sua biblioteca funcionando? Os 120 milhões de livros, onde foram parar?...

Ainda de acordo com as autoridades entrevistadas naquela época, o grande desafio era ensinar as crianças a ler e escrever. O que foi feito concretamente, de lá para cá, para garantir a capacitação dos professores? Aqui em São Paulo, nos últimos 4 anos, 85 mil professores participaram do programa Teia do Saber. Qual foi o custo-benefício desses cursos? Só falta agora dizer que a alfabetização será garantida pelos bônus “extras” que os professores vão ganhar...

Será que eu sou pentelha demais?... Sabe o que é? Já se passaram mais de 15 anos desde que comecei a pentelhar vereador e deputado para cobrarem os planos municipal e estadual da educação, aqui em São Paulo. E agora? Mais quinze?...
Ah! Esse simpático paquiderme com cara de sapo é um hipopótamo, ok?

26 abril 2008

O "buraco" da alfabetização


Mais um excelente artigo de Gustavo Ioschpe na Veja desta semana trata o problema da alfabetização deficiente, o maior da educação em nível nacional.

Ioschpe já havia informado em janeiro que o governo do Rio Grande do Sul estava realizando um novo experimento, que consistia em escolher diversas turmas de alfabetização para testar a eficácia de três métodos diferentes. Cada turma seria alfabetizada por um dos métodos e no final seria feita uma comparação entre os resultados, verificando se e quanto cada método seria mais eficiente do que o grupo “de controle”, ou seja, o “método” utilizado nas escolas públicas de um modo geral.

Finalmente o experimento foi concluído e os resultados foram surpreendentes. Leia o artigo de Gustavo Ioschpe clicando aqui http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_240408.shtml

Para mim, que tive três filhos alfabetizados e estudando na rede pública até o final do Ensino Médio, tudo está muito claro: qualquer método de alfabetização, desde que aplicado com competência, responsabilidade e acompanhamento dos resultados, pode ser bastante eficiente. Ou vamos querer redescobrir “a pólvora”, em pleno terceiro milênio?

Esse é meu medo: em um país onde a elaboração e a aprovação da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) demorou DEZ ANOS, e onde a maioria dos profissionais sofre de preguiça aguda, devido a décadas de falta de fiscalização, em que cada um pôde utilizar "seu próprio" método, o grande perigo é iniciar uma discussão nacional sobre qual seria o "melhor" método de alfabetização. Isso empurraria com a barriga a tomada de medidas efetivas para resolver o problema, que é muito grave.

Eu interpretei os resultados do experimento no RS da seguinte forma: bastou o fato de uma classe adotar um método específico como foco e contar com mecanismos de controle, para produzir melhores resultados. E, de fato, todos os três métodos experimentados tiveram bons resultados, mesmo com os professores resmungando por não poderem continuar dando aula "do seu jeito", aquele "jeito" que tem condenado milhares de alunos ao analfabetismo funcional, durante décadas...

A verdade é que a maioria das escolas públicas do país (grupo "sem controle", rsrs) está "ao deus dará", não possui projeto pedagógico nem coordenação, a direção muda constantemente por indicação política ou apenas por falta de compromisso dos profissionais, as aulas vagas estão em níveis que em média certamente ultrapassam 20% (e aí, INEP(t), vai desmentir?...) etc.

Nenhuma das escolas que tiveram bom desempenho durante os exames nacionais apresentou esse quadro calamitoso. E, nas análises divulgadas, os pontos positivos não incluem o método de ensino, mas a boa direção, a competência do corpo docente e o compromisso com o aluno.

Enfim, minha grande preocupação é que, a partir dessa nova experiência amplamente divulgada pela maior revista do País, inicie uma longa discussão sobre métodos de alfabetização, que poderá atravancar a educação do país por mais alguns anos, quando a solução é apenas definir um método de alfabetização para cada escola ou classe e aplicá-lo com seriedade. Afinal, o que queremos? Que nossos filhos saiam do ensino fundamental sabendo ler e interpretar os grandes clássicos?...

25 abril 2008

"Tropa de elite" dentro da escola


Neste blog quase não se fala de flores. Infelizmente. Aquele arco-íris que eu postei no dia 15 de abril continua sem legenda...

E no dia 17 de abril, em Almirante Tamandaré, Paraná, houve um fato que eu entendo deveria ter chocado todo o Brasil, mas eu mesma só tomei conhecimento dele - e com muito atraso - porque nossa amiga Vera Vaz, de Curitiba, me enviou o link de um vídeo veiculado pela emissora local: mais uma vez a patrulha escolar foi chamada numa escola para “resolver o problema” de uma professora insultada por alunos.

Os policiais chegaram rapidinho – como sempre nesses casos – e começaram a espancar, a socos e pontapés, quatro alunos de 13 a 17 anos que se encontravam no local, sentados em um banco. O assunto teria morrido ali, se os PMs não tivessem errado o alvo, agredindo alunos inocentes. O fato: O ERRO DO ALVO, revoltou a comunidade local, que chamou a mídia na escola. Assista o vídeo no link ao pé da página e preste bem atenção no depoimento da secretária da escola:

A gente pediu para que parassem, que não eram eles (os alunos que haviam insultado a professora), mas eles (os policiais) são autoridade, estavam dentro da função deles, a gente não teve como impedir...

Provavelmente, se o diretor, o supervisor ou o dirigente responsável por essa escola tivessem tido coragem de dar a entrevista, teriam sido bem mais espertos do que a secretária, empurrada nesse fogo cruzado por autoridades covardes e omissas. Com toda espontaneidade e sem um pingo de hipocrisia, a pobrezinha entregou aquilo que todos aqui estamos cansados de saber: se os policiais tivessem acertado o alvo, estaria tudo bem e o fato passaria em brancas nuvens, pois, na rede pública de ensino, insulto de alunos a professor se paga com a violação da integridade física ou moral, com espancamento (entre quatro paredes) ou indiciamento (na delegacia ou na “torturabem” local).

Assistindo o vídeo com mais atenção, você pode formar um quadro da classe social dos quatro alunos espancados “injustamente” - se é que é justo a patrulha escolar espancar alunos, que é exatamente a questão aqui!!! Se você tiver alguma vivência dentro da rede pública de ensino, saberá que os pais desses alunos não têm a menor chance de cobrar a reparação de quaisquer danos físicos ou morais, como teriam facilmente os pais da rede particular numa situação “parecida” (mas nunca igual, pois é claro que nenhum diretor de escola particular mandaria a polícia espancar seus clientes, certo?...). Esses pais não têm condições de pagar advogado para cobrar uma indenização milionária do Estado, o que poderia criar um precedente histórico em todo o país. Além disso, esses pais precisam tomar muito cuidado com o que vão reclamar daqui para frente dentro da escola, pois seus filhos poderão ser perseguidos até à expulsão... Por isso mesmo, esses pais vão ficar bem quietinhos e apenas agradecer a esmola da solidariedade recebida pela agressão sofrida “injustamente” por seus filhos...

Se estivéssemos em outro país (não vou dizer qual, pois já estou pensando em três ou quatro...), o caso teria repercussão nacional e certamente algum advogado de renome se prestaria a atender de graça essas quatro famílias, iniciando um lindo processo de indenização contra um estado omisso e criminoso. É claro que o dinheiro da indenização para esses quatro garotos inocentes sairia dos nossos bolsos, mas eu não me incomodaria com isso. O ressarcimento a essas quatro famílias profundamente violadas em sua dignidade seria mais do que justo. Mas... estamos por acaso em um país justo?...

Tudo o que a sociedade brasileira deseja para garantir a segurança nas escolas é a presença da polícia. Ponto pacífico.

Este blog discute o assunto há anos, rebatendo essa idéia e mostrando alternativas, mas nada muda a posição da sociedade brasileira a esse respeito. Mesmo quando ocorrem as ações mais absurdas e truculentas da polícia dentro de uma escola, como essa do dia 17 de abril, a reação da mídia e da população é tão mínima que os fatos passam batido e caem no esquecimento. Até a próxima ocorrência, que também vai passar em branco, e assim por diante...

Assista aqui http://tvparanaense.rpc.com.br/index.phtml?Video_ID=23678&seq=&autostart=1
Assista também outros vídeos sobre a presença da polícia em escolas, já trazidos aqui este ano http://educaforum.blogspot.com/2008/01/revista-na-escola-abuso.html

24 abril 2008

Banho e tosa?!


Fiquei pasma com a notícia da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo capacitar professores para ensinar aos alunos como cuidar de cachorros, com aulas de banho, tosa e primeiros socorros. Leia aqui http://geral.dgabc.com.br/materia.asp?materia=640454

Isso na maior rede de ensino do país, onde professor, coordenador e diretor podem colocar o aluno no “paredão pedagógico” - EE David Eugênio dos Santos , chamá-lo de “bicha” - EE Octacílio de Carvalho Lopes ou arrastá-lo para um tribunal, induzindo-o a testemunhar em falso contra outro aluno – EE Padre Josué Silveira de Matos. E esses são os poucos exemplos - ainda impunes! até quando? - em que pais corajosos não se calaram diante dos maus tratos sofridos por seus filhos, apesar das perseguições e represálias que os acompanharam!

Isso, numa rede onde aluno machucado e até desmaiado não costuma ser socorrido na escola. Isso, na rede que mais expulsa alunos em todo o Brasil, através de tribunais de exceção armados nos próprios Conselhos de Escola. Isso, na rede onde se chama a polícia para levar aluno “bagunceiro” ou até para dispersar os alunos não uniformizados, ameaçando-os com gás lacrimogêneo, como ocorreu na EE Brasílio Machado. Na rede onde diretor de escola bate no peito dizendo: “Na minha escola não me interessa o que a lei diz, na minha escola...” http://br.youtube.com/watch?v=awyT3o876Gg

Senhora Secretária, que tal capacitar os professores, coordenadores e diretores da sua rede para aprender a lidar com os alunos, agora que eles sabem até tosar cachorro?...
Que tal um curso de primeiros socorros para os alunos largados na quadra durante “aulas" de educação física ou abandonados no pátio durante as aulas vagas?
Que tal um curso para os professores aprenderem a chamar a atenção do colega que se refere ao aluno como “jumento”, “laranja podre”, “ameba”?
Que tal um curso para os diretores repreenderem e punirem o professor que deixa o aluno dependurado no “elástico”?
Que tal um curso para as Diretorias de Ensino que acham carinhosa a atitude de um professor chamar o aluno de "bicha"?

Perguntar não ofende!...

21 abril 2008

E o resultado da apuração?...


Você, que acompanhou aqui as denúncias informadas à SME desde o dia 08 de outubro passado, quando fomos à Secretaria junto com pais e alunos da EMEF Imperatriz Dona Amélia, também deve estar preocupado de que tudo acabe "em pizza", já que durante a reunião do dia 09 de abril as denúncias não foram mencionadas e sim sumariamente desqualificadas. Segue o 7º documento enviado ao Secretário Alexandre Schneider, com o pedido de esclarecimentos.


E d u c a F ó r u m

Sr. Alexandre Alves Schneider
Secretário da Educação do Município de São Paulo claudiaoliveira@prefeitura.sp.gov.br

Cópia Sr. Waldecir Navarrete Pelissoni
Cópia para Sra. Hatsue Ito
Coordenadora de Ensino de S. Mateus smecesaomateusadm@prefeitura.sp.gov.br

Ref.: Reunião de Conselho de Escola na EMEF Imperatriz Dona Amélia - São Mateus, no dia 09/04/08/
Graves denúncias sobre a EMEF - 7º documento (os anteriores estão anexos)


Sr. Secretário,

Conforme informação recebida da funcionária da SME, Sra. Lídia, e mencionada em nosso 6º documento, aqui anexo, a documentação referente à Apuração Preliminar das denúncias sobre a EMEF acima citada se encontraria em sua mesa desde o dia 13 de março passado, para despacho.

Após essa informação, ficamos no aguardo do resultado da apuração ou de uma resposta da SME, mas o que houve foi o agendamento de uma Reunião Extraordinária de Conselho de Escola na própria EMEF, que foi realizada no dia 09 de abril. Para essa reunião foi convidada toda a comunidade, através de faixa afixada no portão da escola, além de bilhete recebido pelos pais de alunos por intermédio dos próprios filhos.

Fizemos questão de participar da reunião, na esperança de que, finalmente, o resultado da apuração seria divulgado e que as mães denunciantes deixariam de ser discriminadas dentro da escola, bem como seus filhos deixariam de ser perseguidos. Infelizmente a reunião, que contou com uma farta mesa de autoridades, entre elas duas representantes da SME, dois representantes de sindicatos, um representante de vereador, supervisora de ensino e toda a direção da escola, não mencionou nem esclareceu as denúncias, o que entendemos deveria ter sido feito pelas representantes da SME. A fala das autoridades presentes limitou-se a informar que as denúncias "já haviam sido apuradas"; no entanto, ao perguntarmos sobre o resultado da investigação, a funcionária da SME, Sra. Marisa Sanches, informou que "oportunamente" esse resultado seria informado às mães que depuseram na apuração.

Até hoje as mães continuam sem resposta e esperamos que, finalmente, esse resultado seja dado de forma clara e objetiva, evitando novas reuniões como a do dia 09 de abril, durante a qual a direção da escola e os sindicatos presentes tentaram desqualificar as denúncias (não mencionadas pelas autoridades) e assim calar as mães que tiveram a coragem de levá-las ao conhecimento da SME.

Ficamos no aguardo de notícias.
Leia os arquivos anteriores sobre o assunto aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/04/armao-ilimitada.html

Raio X da rede estadual de São Paulo


Temos denunciado aqui o autoritarismo da rede estadual de ensino de São Paulo, a que mais expulsa alunos no Brasil, através de tribunais de exceção armados nos Conselhos de Escola.

Mas esse é apenas um dos dois lados da paupérrima moeda, eu diria, da esmola que o aluno paulista recebe de sua escola. O outro lado é a péssima qualidade do ensino, sobre a qual a Secretaria Estadual da Educação procura colocar panos quentes concedendo bônus milionários aos profissionais, a fim de apaziguar essa classe “faminta”, conforme descreve o delirante artigo de Eliane Cantanhêde, publicado no post O discurso vazio.

Seguem números do último Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), divulgados pela Secretaria de Educação do Estado, há 12 anos controlada pelo PSDB... Esses dados atestam a enorme defasagem dos estudantes paulistas em relação à série escolar que cursam. E, por enquanto, não vemos nenhum sinal concreto de que a SEE pretenda reverter a situação.

“O Saresp avaliou, em novembro do ano passado, 1,858 milhão de alunos das 1ª, 2ª, 4ª, 6ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e do 3º ano do Ensino Médio em 6.965 escolas de todo o Estado. Foram aplicadas provas de Matemática e Língua Portuguesa. A partir da 4ª série, exigiu-se ainda uma redação. Alunos do Ensino Fundamental também tiveram dificuldades em Matemática. Na 4ª série, o índice de estudantes com desempenho abaixo do adequado na disciplina foi de 80,9%. Na 6ª série, o conhecimento inferior ao esperado foi de 78,1% e, na 8ª, de 94,6%.Entre os alunos do 3º ano do ensino médio, 95,7% tiveram desempenho abaixo do básico em matemática.

Leia agora o “Você Sabia?” dos nossos amigos PaisOnline http://paisonline.homestead.com/index.html referente aos bônus concedidos pela SEE aos profissionais da educação, como “remédio” para a solução da péssima qualidade de ensino ministrada na rede. Chama a atenção o critério estipulado para a concessão do bônus aos professores: "o número de faltas durante o ano", pois já foram abundantemente divulgados os meios de falsificação desses dados...

VOCÊ SABIA que a Secretaria de Estado da Educação de SP realizou o pagamento do bônus anual para seus cerca de 300 mil funcionários? O valor para os professores da rede estadual chega a R$ 6.500,00. Foram destinados R$ 230 milhões pelo Governo do Estado para o bônus, pago em março. Os dirigentes regionais de ensino recebem R$ 7.500,00, os diretores e supervisores de ensino recebem R$ 7.000,00 e os coordenadores pedagógicos, vice-diretores, professores-coordenadores e assistentes de direção recebem R$ 6.500. Os professores estaduais recebem este bônus desde 2000, baseado em critérios que incluem o número de suas faltas durante o ano e a média de carga horária. O pagamento deste ano ainda segue as regras estabelecidas em 2000, que serão alteradas a partir do próximo bônus, e o critério será baseado no desempenho dos alunos. O Pais Online espera que isso não provoque ainda mais falsificação de resultados! Nós do EducaFórum também esperamos!!!
Quem viver, verá! Aliás, a partir do próximo ano, instituiremos a seção Eu sabia! Eu sabia!...
Ah! Eu sempre esqueço que este blog costuma ser acusado de criticar sem apontar soluções. A solução para o problema da má qualidade do ensino começa por um ato muito simples, mas que contraria a corporação: demitir os maus profissionais da educação. Seria apenas o começo, mas toda solução definitiva inicia com um bom começo...

19 abril 2008

O discurso vazio


Nossa amiga professora Glória nos encaminhou o texto abaixo, da colunista Eliane Cantanhêde, que impressiona pela tendenciosidade e leviandade. Mais uma vez o assunto é o professor e a eterna lenga-lenga de seu salário “de fome”, que a nossa sociedade responsabiliza pelo fracasso da educação no país.

No apogeu da imbecilidade, o texto reza: “Pensando bem, há algo errado com o professor. É tonto? É incompetente? Será burro? Quem paga esse pato é a criança brasileira. Ou seja, o futuro do Brasil.” Mais uma vez tenta-se insinuar que a qualidade do ensino é diretamente proporcional ao salário do professor. Mas em um ponto a colunista está certa: há algo de profundamente errado com o professor que não consegue alfabetizar uma criança. E, nesse caso, ele provavelmente merece os adjetivos que esse texto lhe atribui.

Para arejar um pouco, trago novamente aqui o link para o artigo de Gustavo Ioschpe Professor não é coitado
http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_071207.shtml. Quem sabe, um dia “a ficha cai”...

Na Folha de São Paulo, 18/4/08:

ELIANE CANTANHÊDE

O professor

BRASÍLIA - Pego carona na mensagem que recebi ontem do leitor e educador paraense Kleber Duarte, em que ele reclama dos salários de fome dos professores, para fazer algumas comparações. Um professor não tem cartão corporativo nem para comprar tapioca de R$ 8, quanto mais para se hospedar em hotéis cinco estrelas no Rio de Janeiro, freqüentar restaurantes caros e alugar carros com ar condicionado para passear por aí nos fins de semana, alegando "compromissos funcionais".
Um professor não tem cartão -aliás, nem cheque- para pagar R$ 1.000 em abridores de garrafa, R$ 2.738 em três lixeiras, R$ 36.603 em TV e som e R$ 21.600 em "telas artísticas", como fez o reitor da UnB -e com dinheiro público.
Um professor não viaja para EUA, Alemanha, Portugal, Espanha e China fazendo comprinhas de R$ 2.217,27 na loja Nike, de material esportivo, ou de R$ 2.988,21 na Best Buy, de eletrônicos, e trazendo a conta depois para a universidade. Como o reitor da Unifesp (federal de São Paulo), dizendo agora que "botava no bolso sem explicar".
Um professor não ganha DAS (aquela remuneração especial da nata do funcionalismo), muito menos para fazer dossiê com arquivo morto para usar contra antecessor e adversário político do chefe. Um professor também não ganha aumento acima da inflação, como acabam de ter os funcionários não-concursados da Câmara, que já estão entre mais bem remunerados do serviço público.
E um professor está a anos-luz de ter o salário de R$ 13 mil a R$ 18 mil dos auditores fiscais, que conseguem mobilizar uma greve tão bem-sucedida a ponto de paralisar a entrada de caminhões nas fronteiras com a Argentina e o Uruguai e afetar o comércio do Mercosul.
Pensando bem, há algo errado com o professor. É tonto? É incompetente? Será burro? Quem paga esse pato é a criança brasileira. Ou seja, o futuro do Brasil.

15 abril 2008

Quem sabe amanhã?


Fiquei tão encantada com a imagem desse arco íris duplo, que o roubei do lindo blog da Juju http://jugehrke.blogspot.com/ e vou colocá-lo aqui sempre que aparecer alguma boa notícia.
Ninguém se habilita?

14 abril 2008

É assim que o sistema funciona!

Já tentamos inúmeras vezes mostrar como a corporação costuma afastar da escola os pais de alunos que ousam reivindicar os direitos dos seus filhos. Infelizmente muitas pessoas ainda não acreditam até que ponto o "sistema" pode ser perverso, por isso copiamos aqui o comentário muito revelador de uma mãe, publicado no post Mais um Troféu Coragem. Esse comentário responde a uma outra mãe que insinua que os filhos das mães denunciantes da EMEF Imperatriz Dona Amélia teriam vergonha delas. O "sistema" se vale de professorinhas "sofredoras" para constranger e envergonhar os alunos filhos daqueles que criticam a escola. Meus próprios filhos já passaram por isso, eu era chamada de "desocupada" nos bastidores das escolas onde eles estudaram. Para essas professoras, que muitas vezes freqüentam a missa ou o culto, trouxe a imagem acima, de Pilatos lavando as mãos, na esperança de que possam refletir a respeito. (Já disse e repito que sou uma pessoa de muita fé: acredite, se quiser!)

Não é que os fihos ficam com vergonha dos pais que denunciam, é que as professoras falam mal das mães na sala e colocam a sala contra aquele aluno cuja mãe criticou a escola. Chegam a ponto de apontar e dizer "A mãe do fulano não tem o que fazer”. O filho fica envergonhado, é claro, mas não é que fica com vergonha da mãe, é que essas professoras não têm um pingo de vergonha..., de escrúpulos. Claro que não são todas que chegam a esse ponto, mas cada uma tira uma lasquinha do filho cuja mãe denunciou, cada uma a seu modo. Tem poucas que não entram nessa, mas se omitem completamente, LAVAM AS MÃOS.

Comentário anônimo

13 abril 2008

Sindicalista é imexível???


Eu ia comentar a notícia dada pela Veja sobre a queima de livros em praça pública, mas a Cremilda já o fez de forma brilhante. Essa fogueira ideológica da Apeoesp envergonha mais uma vez a classe docente com uma prática medieval e criminosa. E ainda por cima os sindicalistas argumentaram que os livros foram queimados porque não ajudam a "formar cidadãos"...

Do blog da Cremilda

Os sindicalistas são corporativistas. Eles rejeitam qualquer instrumento que permita a prestação de contas da escola à sociedade.
Maria Helena Guimarães de Castro, Secretária da Educação do Estado de São Paulo

Um grupo de professores levou milhares de livros e apostilas e os queimou em praça pública. Eram apostilas para orientar professores. Tinha também livros didáticos, contendo informações que deveriam ser repassadas aos alunos da escola estadual de forma didática. Custaram milhares de reais aos cofres públicos. Custaram verbas do imposto suado do trabalhador. Os professores queimaram o que não era deles. Não queriam usar esse material didático, acham fraco. Então que usassem o que precisassem e reforçassem do jeito que quisessem, nunca foi proibido ensinar a mais.O que se reclama é que o professor não ensina nada...

Só a revista VEJA teve coragem de divulgar, mas não teve coragem de fotografar as caras enfurecidas dos professores gritando palavras de ordem. Nem eram muitos, representavam a APEOESP, segundo a revista, que classificou o ato como prática nazista. Sem dúvida é, mas destruir patrimônio público também é crime. Vemos alunos superlotando as cadeias com nome de CASA, ex FEBEM, por muito menos. O rigor das rondas escolares, as autoridades judiciárias e policiais não se fazem presentes quando o crime é cometido por professores, mesmo quando é cometido em praça pública. Se um aluno queimasse um livro desse, um só, dentro da escola, seria preso como incendiário e criminoso. Seria responsabilizado por danificar patrimônio público. Seria cana dura, na certa.

Os professores queimaram uma montanha de livros e nenhum policial para dar voz de prisão? A Secretária de Educação alegou que a APEOESP é corporativista. Está certo, senhora Secretária, a gente sabe que o presidente da Apeoesp é do PT e suplente do Senador Suplicy. Sabemos também que é o sindicato mais rico do Brasil. Por isso a senhora não vai punir esses professores? Falta coragem? Deve faltar coragem, vontade política, boa vontade, capacidade....

Um poeta disse que é bendito quem semeia livros a mancheias. Como a gente pode chamar quem queima livros em praça pública, com motivo torpe? Será maldito?

Cremilda Estella Teixeira

Leia a matéria da Veja aqui http://veja.abril.com.br/160408/p_092.shtml

12 abril 2008

Mais um Troféu Coragem


Desta vez, o Troféu Coragem vai para as duas mães da EMEF Imperatriz Dona Amélia, que enfrentaram corajosamente a reunião relatada no último post. Para os ingênuos que ainda acreditam na boa fé da SME, segue o argumento que derruba essa hipótese. Aliás, o post teve mais de 40 comentários e até agora nenhum dos sindicalistas que defenderam a escola com tanta ênfase durante a reunião veio se colocar. Não é estranho?...

Atenção!

A faixa que foi colocada em frente à escola é bem clara:

“Reunião 09/04/08 às 18h30 - Assunto: Denúncias sofridas pela Unidade Escolar desde 2006
- Sua presença é indispensável

Se o assunto da reunião era as denúncias, elas deveriam ter sido mencionadas e esclarecidas. Mas, se a Apuração Preliminar efetuada pela SME – cujos documentos ainda estariam na mesa do Secretário Alexandre Schneider – é “assunto confidencial”, como deram a entender as funcionárias da SME presentes à reunião, então essa convocação maciça da comunidade só podia ter um objetivo: calar a boca das mães denunciantes e arquivar o assunto de uma vez por todas. Tentaram, mas não conseguiram!...

Mães Regina e Fabiana, é com muita honra que oferecemos a vocês esse pequeno troféu,
na esperança de que possam ser reconhecidas e admiradas por toda a comunidade do seu bairro, como realmente merecem. Vocês são excelentes mães, preocupadas com a educação de seus filhos e por tabela de todas as crianças da escola. Conhecemos pessoalmente seus filhos: são crianças iluminadas e extremamente bem educadas, que merecem a melhor escola do mundo!

10 abril 2008

Armação ilimitada


Imagine uma reunião numa escola, convocada pela Secretaria Municipal da Educação, à qual foi convidada – com faixa e tudo – toda a comunidade escolar, além de dois sindicatos e até um vereador.

Pelo número de autoridades presentes: duas representantes da SME, a supervisora da escola (a dirigente de ensino “justificou”), direção e corpo docente em peso, imagina-se que o motivo seja muito sério. E é sério mesmo: trata-se de denúncias encaminhadas desde o ano passado e ainda não esclarecidas. A expectativa era de que o objetivo da reunião fosse justamente esclarecer definitivamente as tais denúncias. Mas, para variar – e pela terceira vez – essa nova reunião foi marcada com a finalidade de desqualificar as duas mães denunciantes. Originariamente eram três mães, mas uma delas foi misteriosamente “calada” e a reunião de ontem pretendia calar as outras duas.

Já imagino as autoridades plugadas neste blog, que aliás foi também desqualificado em um documento redigido pelo corpo docente da escola, bradando que o objetivo não foi esse não, foi o de “aproximar direção e comunidade”. Me engana que eu gosto...

Pois a reunião começou com intermináveis discursos das autoridades sobre o teor infundado das denúncias, que já teriam sido esclarecidas durante apuração preliminar e que seriam portanto águas passadas; que aliás o importante eram os fatos e não as opiniões de quem não tinha o cuidado de preservar o nome da escola, ao ponto de essas denúncias terem chegado à SME. Diga-se de passagem que essas mães procuraram a SME justamente por sugestão da própria diretora da escola, da supervisora e da dirigente de ensino, que a cada reclamação respondiam: “Então vão se queixar à Secretaria”...

No meio da verborragia das autoridades, me dirigi a uma das funcionárias da SME e perguntei baixinho se as denúncias não seriam especificadas, pois a comunidade presente não tinha idéia do que estava fazendo ali e eu já havia escutado várias mães reclamando que aquela era a hora em que estariam preparando o jantar. Aliás, a reunião não era para tratar dos fatos??? Ela me respondeu que eu poderia me inscrever para falar e assim colocar os problemas. Perguntei então qual o objetivo daquela reunião, se as denúncias não seriam mencionadas e muito menos esclarecidas, mas não obtive resposta. Pacientemente aguardei minha vez de falar, enquanto ouvia elogios à direção da escola...

Quando chegou a minha vez, tive direito a falar dois minutos (contados no relógio) e consegui relacionar apenas três dos quatorze problemas sem solução.

Depois de mim, as mães denunciantes tentaram falar, mas foram vaiadas e convidadas por outras mães a retirarem seus filhos daquela escola “tão boa”, já que não tinham roupas e louças suficientes para lavar e ficavam infernizando a direção da escola e os professores, que não conseguiam trabalhar. Tudo igualzinho ao que essas mães já tinham ouvido da própria direção da escola em reuniões anteriores...

No final da assembléia tive o direito de resposta devido aos “elogios” tecidos a este humilde bloguinho, mas decidi não defendê-lo, inclusive porque amanhã ele poderá chegar aos cem mil acessos, devido às frenéticas consultas da classe docente, agitada pelos dois sindicatos presentes à reunião, rsrs. Preferi utilizar meus dois minutos de tempo para elogiar – sinceramente – a comunidade presente pois, mesmo tendo recebido uma boa lavagem cerebral por parte da direção da escola, compareceu em massa à reunião. Espero também que os muitos professores presentes não tenham aparecido somente para pichar o EducaFórum ou receber alguma regalia. Enfim, eu sou uma pessoa de muita fé...

Fiquei feliz de ter atravessado a cidade para participar dessa reunião, pois tenho certeza de que, se eu não tivesse ido, essas mães e seus filhos estariam hoje profundamente deprimidos devido ao “convite” de se retirarem da escola, que aliás já havia sido feito anteriormente pela direção e pela própria dirigente de ensino: “Os incomodados que se mudem...”.

Ficou bem claro, pela fala das autoridades da SME, que essas mães devem manter seus filhos na escola e continuar lutando por melhorias, como têm feito nos últimos anos, em que limparam banheiros, lavaram cortinas e, principalmente, participaram ativamente do Conselho de Escola.

Em nome do EducaFórum, fiz as seguintes solicitações às autoridades presentes:

  • Que a próxima eleição do Conselho de Escola seja tão bem divulgada quanto a reunião de ontem, com faixa convocando a comunidade e permitindo que todos os pais possam participar.
  • Que o balanço da APM seja afixado em lugar visível no saguão da escola e que a comunidade escolar possa receber esclarecimentos sobre o uso das verbas.
  • Que as mães denunciantes possam voltar a ter livre acesso ao interior da escola e ao livro de atas do Conselho, o que lhes foi vetado.

No final da reunião, conversei com alguns professores, que se disseram desanimados e magoados pelas denúncias. Mais um sinal de que a escola pública continua propriedade da classe docente e não do aluno. Esse parece ser apenas um detalhe...

Quanto ao teor das denúncias, veja os arquivos anteriores do blog
http://educaforum.blogspot.com/2008/03/apurao-preliminar-referente-emef.html

06 abril 2008

O buraco é bem mais embaixo


Os resultados do ENEM não podem servir como base para nenhuma avaliação séria do nível das escolas brasileiras, justamente porque o exame é facultativo, ou seja, os resultados retratam apenas uma pequena parte do universo dos alunos terceiro-anistas. Os professores desencorajam ativamente a participação dos alunos mais fracos da escola, alegando que eles não precisam fazer o ENEM porque entre outras razões eles não têm nem como tentar entrar em uma faculdade. Os resultados, já péssimos, das escolas públicas, seriam muito piores se o exame fosse obrigatório.

Caroline Miles, do site PaisOnline
http://paisonline.homestead.com/index.html

Está havendo um tremendo blá-blá-blá sobre os resultados do ENEM, sem que a discussão atinja alguns pontos cruciais. O pronunciamento da Caroline pode dar a impressão de que a rede particular de ensino é uma “panacéia” e a rede pública uma “roubada”. Na verdade, a Caroline fez colocações de teor muito superior ao que se tem discutido por aí a respeito do ENEM, mas a análise feita na mídia é muito pobre e muitas vezes tendenciosa. Ou vai dizer que todo esse blá-blá-blá não favorece a rede particular de ensino?...

Vamos ver, por exemplo, a matéria da Folha de São Paulo “Pior escola particular supera 75% das estaduais”. http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u388749.shtml. A “Pior escola particular” de São Paulo teve nota 50,8 e a “Melhor escola estadual” teve nota 59, 27 sendo que 157 escolas estaduais tiveram nota melhor do que a “pior das particulares”.
A forma como esses dados são apresentados mostra a pobreza da mídia brasileira na análise dos dados que, aliás, não são significativos, pois, como diz a Caroline, o exame é facultativo.

Muito mais interessante do que uma pesquisa sobre o ENEM seria uma pesquisa sobre a percentagem dos professores que dão aula tanto na rede pública quanto na particular, pois a grande massa de escolas públicas e a grande maioria das escolas particulares, salvo as de elite, se equivalem em termos de qualidade do ensino. A grande diferença é que o mesmo professor que dá aula nas duas redes efetivamente TRABALHA na escola particular – para não perder a bolsa dos filhos – e ENROLA na pública, provocando o fenômeno da AULA VAGA, que chega a proporções absurdas e nunca foi pesquisado seriamente. Essa, aliás, é uma empreitada impossível, pois as escolas possuem N truques para camuflar as aulas vagas, desde festinhas até excursões ao playcenter... A propósito do depoimento da Caroline, esse professor que têm seus filhos na rede particular é o mesmo que desestimula seus alunos da rede pública a participar do ENEM. Isso, em si, não é ruim, pois lhes evita frustrações e aborrecimentos, além de perda de tempo, mas costuma fazer parte de um longo “trabalho” de lavagem cerebral, durante o qual o professor vai colocando na cabeça do aluno a idéia de que ele não tem chance de prosseguir nos estudos após o Ensino Médio, porque escola pública é mesmo uma “roubada”, porque “infelizmente” seus pais não tiveram recursos para investir na sua educação, porque com aluno da rede particular ele não pode, etc. etc. etc. Não é balela: meus filhos passaram por isso, os filhos da Caroline também e aqueles da maioria dos pais que nos procuram.

Na falta de pesquisas que – infelizmente - possam comprovar o que vou dizer agora, é possível que, em média, os alunos da rede particular de São Paulo sejam piores do que a média dos alunos das escolas públicas, se levarmos em conta que os últimos não possuem biblioteca nem computadores na escola (cadê a pesquisa???), costumam ter um mínimo de 15% de aula vaga, sendo que o máximo é incalculável – o céu é o limite! – e não recebem aulas de recuperação.

Este buraco é muito fundo e se perde em alguns tabus, como por exemplo o envolvimento das diretorias de ensino com a rede particular, o trabalho de divulgação dos cursos pré-vestibulares junto aos diretores de escola e o interesse de muitos professores em privilegiarem seus próprios filhos na corrida por uma vaga em universidades públicas. É pouco? Eta buraco negro!...

04 abril 2008

Mas será o Benedito?!...


Nosso amigo Ricardo achou “bizarra” a história de São João da Boa Vista. Realmente, até nós aqui, se não tivéssemos nos enfronhado nela até o pescoço, teríamos dificuldade em acreditar. Expulsão de alunos da rede pública é o que mais há, veja o aumento das “matrículas” nas Febens da vida - hoje Casas “de tortura”, ficou melhor, mais especificado...
Mas, para uma diretora de escola arrastar cinco alunos para um tribunal, como vingança por ter sido obrigada a reintegrar uma garota expulsa injustamente, só tendo dois fortes motivos:

  • A certeza do ganho de causa
  • A certeza da impunidade

Ela teve um tremendo “azar”: encontrou um juiz que (ó milagre!!!...) não quis se sujar enviando para a Febem uma menina inocente, portanto perdeu um ponto. No outro aspecto da questão, bingo! a diretora ficou impune - aliás, como a maioria das autoridades deste país devastado pela deterioração moral.

Ah! O nome do juiz é Misael dos Reis Fagundes, bem lembrado pelos nossos leitores!

A única coisa positiva dessa história foi que o juiz inocentou definitivamente a aluna, permitindo que ela voltasse à escola de cabeça erguida, sem a pecha de “incendiária”, que ela carregaria até hoje, caso o juiz não tivesse colocado uma pedra em cima do assunto. Os quatro meninos que testemunharam em falso contra ela que se cuidem! Mesmo que tenham sido obrigados pela diretora da escola a armar essa farsa, serão as próximas vítimas desse crime perverso, pois, se não houver uma intervenção nessa escola, a situação por lá vai piorar e muito...

Nós também temos fortes motivos para insistir em comentar este caso:

  • A certeza de que a maioria das pessoas que têm filhos na rede particular não acredita na veracidade de fatos como este, pois em cada família de classe média existe um profissional da rede pública que vira o discurso contra o aluno, esse ser mal-educado “de berço”.
  • A esperança de que outros pais permitam divulgar esses fatos, mostrando que se trata de situações corriqueiras. A resistência deles é devida à intensificação das perseguições e represálias contra seus filhos, no que esse caso é um exemplo óbvio ululante, por isso nunca o esqueceremos.
  • A esperança de que, governo vai-governo vem, algum dos “burocratas” de plantão tenha um “r” só e resolva iniciar uma limpeza nesse poço de descaso, perversidade e impunidade que se tornou a rede pública de ensino, em quase todo o Brasil.

A moral amarga dessa história é que, neste país, o menor, o mais fraco, o pequeno, é sempre o culpado e as autoridades “competentes” saem pela tangente.

Lembra do caso da menina presa numa cela com 20 homens na cadeia de Abaetetuba, no Pará? Também nesse caso, ela foi a culpada! Leia, no blog da nossa amiga professora Glória (sim, aquela que foi acusada e condenada por ter criticado as prisões brasileiras http://educaforum.blogspot.com/2008/03/glria.html), como a juíza Clarice Maria de Andrade, que deixou a menina “mofando” naquela cadeia durante um mês, teve arquivado o processo administrativo que a responsabilizava http://gloria.reis.blog.uol.com.br/

Isto é Brasil, sil, sil, o país onde a lembrança de Ruy Barbosa vale tanto quanto a nota de 10.000 cruzeiros que mostrava sua imagem...
Ah! Quem é mesmo Ruy Barbosa? Ora, ora, mas será o Benedito?...

01 abril 2008

Troféu Coragem


Na caixa de comentários do último post está uma mensagem muito significativa que nos fez “cair a ficha”: já criamos o Troféu OH para homenagear os bons profissionais da educação, criamos o Troféu Anta para “premiar” autoridades incompetentes ou omissas, mas nunca oferecemos uma homenagem para aqueles que são a razão da existência deste blog: os pais, alunos e membros da comunidade que enfrentam corajosamente perseguições e represálias para mostrar a realidade em que vivem. Este primeiro Troféu Coragem vai para você, Fabiana, irmã da aluna de São João da Boa Vista que foi vítima de uma sórdida conspiração armada pela diretora da escola. Mesmo morando em outra cidade, você teve a coragem de nos encaminhar a denúncia e, mesmo após um ano de sofrimento, isso permitiu que sua irmã possa hoje freqüentar a escola de cabeça erguida. Este troféu é também merecido por ela, Francieli, que passou por depressão profunda após ter sido expulsa injustamente da escola, mas resistiu e enfrentou corajosamente as calúnias, a discriminação de toda a comunidade e um juiz no tribunal, que finalmente a inocentou. Mas não poderíamos esquecer de sua mãe, Dirce, pois na verdade foi ela quem decidiu levar em frente toda essa luta, mesmo sofrendo de grave cardiopatia.
Fabiana, Francieli, Dirce, recebam este primeiro Troféu Coragem, na forma de um pequeno pássaro que não se furta de cantar a verdade.

Segue a mensagem da Fabiana, da caixa de comentários:

Se a diretora foi capaz de levar a aluna para um tribunal (de verdade) não é brincadeirinha de criança, por causa sim de uma lixeira de um real. Com quatro pessoas para testemunhar em falso... Se não encontrássemos um juiz sensato capaz de notar de cara a armação, ela bem poderia ir sim para a FEBEM, e esse era o maior medo de minha mãe. E as coisas que a Giulia colocou aqui são verídicas, eu a procurei e contei toda a história que estava acontecendo.

Difícil acreditar? Pode ser. Tem pessoas que vivem a ilusão de um mundo perfeito e de que professores e diretores são o bem maior da humanidade. Que pena, anônimo, que seu mundinho não seja real, mas é de ficarmos abismados mesmo com o que acontece dentro de uma escola publica sem ter ninguém para fiscalizar.

Fabiana, irmã da aluna que denunciou aqui no EducaFórum em abril de 2007 e teve o caso resolvido com apoio e auxilio da Giulia e demais que se esforçam por uma escola publica de qualidade.

Santos-SP