27 abril 2011

Xô, corvos!


Lembram daquele "famoso" Termo de Compromisso que os pais de alunos são obrigados a assinar em muita escolas da rede estadual de São Paulo, comprometendo-se a zelar pelo bom rendimento escolar e pela disciplina dos filhos, caso contrário perderão a vaga? Leia nosso primeiro post sobre o assunto, datado de 28/08/2006, clicando aqui.

Esse "documento" circula na rede desde a década de 90 e continua sendo usado, como por exemplo na EE Pequeno Cotolengo de Dom Orione, que pertence à DE Carapicuíba. Ele foi "atualizado" e hoje até ameaça encaminhar para o Conselho Tutelar o aluno... defasado nos estudos. Como sempre, os pais são responsabilizado pelo fracasso da escola! Rir para não chorar!!!

Realmente, a escola estadual tem se tornado cada vez mais excludente, principalmente após a distribuição da cartilha Normas Gerais de Conduta Escolar, a "Cartilha dos Corvos", que valida práticas ilegais e inconstitucionais como a suspensão e a transferência compulsória de alunos. Esse documento, que muitos diretores de escola divulgam como se fosse uma lei, "permite" a substituição de qualquer procedimento pedagógico por atos ilegais e autoritários, desde chamar a polícia na escola para prender aluno menor de idade até obrigar os pais a assinar um termo de compromisso sobre o rendimento escolar dos filhos. Escola falida!

Levamos hoje essa discussão para o Comitê Educação da Comissão de Defesa da Cidadania da OAB-SP, pedindo uma avaliação da cartilha e desses pontos críticos. Pretendemos depois levar a mesma discussão para o Secretário Estadual da Educação, Hermann Voorwald, a fim de que a cartilha seja corrigida dentro da lei.

Contamos com a ajuda dos advogados da Comissão de Defesa da Cidadania para fazer uma boa avaliação da cartilha até à próxima reunião do Comitê Educação, dia 11 de maio.


26 abril 2011

Fofoca pedagógica


Vejam abaixo o tipo de mensagem que recebemos dos alunos. Essa é light e deu pra levar na brincadeira. Esse aluno nem imagina do que uma coordenadora "pedagógica" é capaz, rsrs...

Digamos que em uma determinada turma um aluno tem conversas paralelas durantes as aulas. A Coordenadora faz um plantão pedagógico para entregar as notas e conversar com as mães dos alunos individualmente. Essa Coordenadora tem o direito de falar para a mãe dos outros alunos que um determinado aluno dessa turma atrapalha as aulas?
Porque ao meu ponto de vista
isso é uma exposição do aluno e pode ser considerado até mesmo uma difamação. Existe alguma lei ou algo contra isso?

Caro aluno, essa sua coordenadora é uma lady, em comparação com outras que conheci: uma, na primeira escola da minha filha, rasgou o caderno dela na minha frente porque estava "bagunçado"; outra tirou a mochila do braço de um aluno e a jogou no chão. Além do famoso caso do coordenador que chamou um aluno de "bicha" e estimulou os colegas ao bullying...

Isso que a sua coordenadora fez não passa de fofoca. E contra fofoca não existem leis... Mesmo que ela tivesse realmente caluniado você, tenha toda certeza de que NINGUÉM deporia a seu favor. A melhor coisa a fazer é se acostumar com o comportamento cavalar de certos "docentes". Bom seria que ele lessem o livro acima: Tratado geral sobre a fofoca, de José Angelo Gaiarsa!

Comentário da professora Glória Reis:

Giulia, sua resposta fez-me lembrar do A.S. Neill (Summerhill) no livro Liberdade sem excesso:

"As cartas mais tristes que escrevo são em resposta a garotos e garotas que me escrevem dizendo-me o quanto detestam suas escolas. Respondo sempre que, por muito que detestem as lições da forma pela qual são apresentadas, o maldito sistema é esse, e a única coisa a fazer é cerrar os dentes e aceitá-lo, passando por ele o mais rápido possível."

22 abril 2011

A escola que deseduca XI - Cortina de fumaça sobre o bullying docente


Toda a discussão da sociedade brasileira sobre o bullying ainda não chegou nem perto do âmago da questão: é na escola que crianças e adolescentes mais praticam o bullying e para isso eles contam com o exemplo de seus... "docentes".

Se fosse feita uma pesquisa honesta na sociedade, ficaria patente que os alunos estão à vontade para praticar o bullying na escola, seguindo o exemplo desses "docentes". Bastaria perguntar-lhes se já sofreram bullying por parte de algum profissional: o resultado seria surpreendente!

Em toda escola existem pelo menos uma ou várias dessas "laranjas podres" que contaminam o ambiente escolar. Na rede particular, esses profissionais ficam menos à vontade, mas na pública deitam e rolam. O caso que sempre "comemoramos" aqui é do professor que xingou aluno de "bicha" na EE Octacílio de Carvalho Lopes e foi promovido a coordenador "pedagógico" em outra escola. Leia clicando aqui o texto Homofobia premiada, onde reproduzimos documento oficial da SEE alegando que não se trata de xingação, mas de expressão carinhosa, rsrs. Diante de tamanho cinismo da Secretaria, que até hoje não se dispôs a mudar seu pronunciamento, esse continua para nós o símbolo do bullying docente, embora ocorram comportamentos muito mais graves por parte de profissionais da "educação". Leia mais alguns textos, clicando no título de cada um: O aprendizado do bullying, Apagador na cabeça do aluno e Livradas e reguadas em alunos.

Por enquanto, nas escolas brasileiras, o "tratamento" do bullying se resume à expulsão dos alunos que apresentam esse comportamento, sem se questionar o exemplo "docente".

Nos EUA, onde o assunto é levado a sério, percebem que o buraco é mais embaixo. Leiam esse trecho de entrevista concedida à VEJA pela especialista Marlene Snyder:

Em nosso programa de combate ao bullying não rotulamos ninguém. Isso porque existem oito diferentes papéis que uma pessoa pode desempenhar durante uma situação de bullying. Existe quem pratica, quem se mantém passivo, quem incentiva ações negativas mas não participa delas, e assim por diante. Por isso, em cada contexto, uma pessoa pode assumir um papel distinto. A solução é trabalhar com cada situação particular e analisar se existe um padrão de conduta que se repete. A partir daí, desenvolvemos atividades que possam reverter esse comportamento. Mas trabalhamos com esse aluno dentro da escola. Ao contrário do que muitos pensam, expulsá-lo é contra-producente. Se o expulsamos, para onde ele vai? Ele vai para a rua e aprende coisas ainda piores. Então, trabalhamos muito próximos a ele, oferecendo subsídios e possibilitando mudanças.

Aqui no Brasil, principalmente no Estado de São Paulo, a expulsão é "legitimada" por qualquer motivo fútil e mais ainda por questão de bullying, agora tão em voga. Fique claro que não defendemos o bullying praticado por parte de aluno algum, nem justificamos esse comportamento sob o pretexto do exemplo "docente". Estamos porém cansados de receber mensagens diárias de abuso moral, maus tratos, perseguições, represálias e outros atos covardes praticados por profissionais da "educação" contra alunos que eles deveriam proteger. A sociedade precisa se conscientizar do bullying docente e perceber as manobras dos sindicatos da classe: toda vez que um aluno se atreve a torcer um cabelo de algum profissional, a mídia complacente divulga esse fato como monstruosidade, jogando uma cortina de fumaça sobre o grave fenômeno do bullying docente nas escolas públicas brasileiras.

Educa-se... ou deseduca-se pelo exemplo e, na escola, tudo é questão pedagógica! Ou ainda vão continuar papagueando o "mantra" dos sindicatos da classe: "A educação vem de casa"?

17 abril 2011

Peitar os sindicatos? Hein?... rsrs


Estou achando que o Gustavo Ioschpe acompanha este blog, rsrs. Não é de hoje que ele tenta alertar a sociedade sobre os sindicatos da educação, iguais aos sindicatos de qualquer categoria, mas que no Brasil conseguem a façanha de transformar os trabalhadores em "salvadores da pátria".

Então vamos lá: vocês acham, por exemplo, que o sindicato que defende os trabalhadores da Volkswagen luta pela melhoria da qualidade dos carros que a empresa fabrica?

Vocês acham que o sindicato dos trabalhadores da Colgate se preocupa com a saúde bucal dos clientes?

Vocês acham que o sindicato dos trabalhadores da Wickbold tem o objetivo de zelar pela qualidade dos pães da empresa ou de qualquer outra do mesmo ramo?

Nenhum sindicato se preocupa com a qualidade do que as empresas oferecem! Seu objetivo é atender às reivindicações da categoria: melhores salários, mais benefícios, menos trabalho, mais mordomias...

Mas alguns sindicatos são mais espertos do que outros! Aqueles da educação - principalmente os ricos sindicatos do ensino básico - encontraram uma fórmula infalível de ter suas reivindicações atendidas: através de suas assessorias de imprensa, foram convencendo a sociedade de que a melhoria da educação passa pela satisfação dos profissionais. E a mídia papagueia inevitavelmente o conteúdo dos press-releases panfletados por eles...

Leia o artigo de Gustavo Ioschpe clicando aqui.

De alguns anos para cá, os governos começaram a ameaçar os profissionais da educação com a perspectiva de avaliação do seu trabalho - ameaça aliás bem pífia - o que provocou uma ação ainda mais forte dos sindicatos na "defesa" dos trabalhadores. A última cria dos assessores de imprensa desses sindicatos é a figura do professor "vítima do aluno". Basta um aluno torcer o cabelo de um professor - até aluno de 7 anos de idade!!! - a polícia e a mídia são imediatamente chamadas para registrar a ocorrência. A classe "docente" está tentando de tudo para se eximir da responsabilidade pelo fracasso escolar, se fazendo de vítima em todos os sentidos.

Há vinte anos estamos tentando desmascarar essas manobras, desde que os sindicatos tentaram nos manipular, convidando-nos a subir em seus carros de som e a lutar com eles por melhores salários, pela redução de alunos nas salas, pela volta à repetência etc. etc.

Nesse seu último artigo, Gustavo Ioschpe fala em "peitar os sindicatos". É o que fazemos há duas décadas, o que nos rendeu uma imensa coleção de palavras de baixo calão e impropérios enviados por esses "educadores" em forma de comentários. Resta saber se mais alguém - além do Gustavo Ioschpe e de nós mesmos - vai ter a coragem de enfrentar esse desafio.

Já que o papo é sobre sindicatos, leia clicando aqui a respeito do comportamento vergonhoso da APEOESP durante a "greve" do ano passado.

12 abril 2011

A escola que deseduca X - Mais uma do bullying "docente"


Na mensagem que recebemos hoje de uma mãe de alunos fica bem claro o bullying docente de que a filha dela foi vítima logo no início de sua vida escolar. Hoje, aos 15 anos, ela não se recuperou do trauma e corre o risco de ser expulsa por sua "apatia" durante as aulas. E ainda dizem que a escola não deseduca! (Tenho certeza de que vamos receber mais comentários do tipo: essa história não deve ser verídica, rsrs...)

Minha filha tem DDA e sofreu bullying liderado pela professora quando estava no segundo ano primário. Ela colocou apelido de "XXX (nome dela) que não faz nada", "XXX preguiçosa" e agredia ela diariamente. Pegava o caderno dela, andava pela sala inteira mostrando para todos, para humilhá-la. Ela era uma criança hiperativa, alegre, mas naquele semestre passou a ser uma criança totalmente apática. Passava todo periodo da aula debruçada sobre a mesa sem levantar a cabeça. Quando percebemos o que havia de errado, transferimos ela para uma outra escola, mas o trauma já estava instalado. Hoje ela tem 15 anos, até hoje ela sofre de apatia na sala de aula e não conseguimos resolver o problema apesar de nosso empenho, tratamento psicologico e remédios. Hoje, na reunião com a orientadora pedagógica, ela disse que se ela continuar assim, a escola terá que tomar providências pois para os professores é extremamente difícil e não pode ficar nessa situação. Ela não tem NENHUM comportamento delinquente, apenas é apática e não participa nas atividades de aula. A escola pode expulsar um aluno por causa disso?


Leia também o post anterior sobre bullying "docente" clicando aqui.

10 abril 2011

A escola em raio X - A série nº 5 - Perseguição de alunos



Esta nova série, A escola em raio X, é dedicada àqueles que questionam o nosso trabalho e nos acusam de fazer denúncias sem fundamento. Hoje mesmo deletei um comentário de "anônimo" que dizia exatamente isso. O Brasil é um país que despreza profundamente suas crianças e adolescentes que provêm das classes menos favorecidas. Para sensibilizar a sociedade, apostamos na divulgação de depoimentos autênticos que recebemos de todas as partes do país, mesmo percebendo que a elite e principalmente a classe docente continuam fazendo pouco caso do sofrimento dessas crianças e de suas famílias. Não desistimos, pois acreditamos que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura".

Segue o depoimento de uma mãe que descreve direitinho como funciona a famigerada perseguição de alunos na rede pública, assunto tabu em toda a mídia. Todos na escola percebem a manobra, mas se calam, temendo as inevitáveis represálias. PERSEGUIÇÃO & REPRESÁLIA: essa é a praga que infesta nossa escola pública, além da já tão medíocre qualidade do ensino.

Essa é escola que, além de não ensinar, deseduca!

Segue o relato da mãe que nos relatou com detalhes a forma como seu filho foi perseguido. Uma verdadeira raridade, pois os pais da rede pública têm muita dificuldade para se expressar por escrito:
Vou narrar o que aconteceu com meu filho na escola onde estuda. Meu filho e um amigo se comportaram mal durante uma aula (mal que digo é que fizeram uma brincadeira que a professora não gostou. Já esclareço que não sou a favor de nenhum tipo de falta de educação ou desrespeito de alunos para com seus educadores, deixo isso bem claro em minha casa) e foram convidados a se retirarem da sala de aula. Assim o fizeram, mas pouco tempo depois a professora os procurou onde estavam, os ofendeu e ameaçou. Quando meu filho chegou em casa, me contou o que havia acontecido, então fui até a escola onde conversei com outra professora e um coordenador, que prontamente se puseram a defender a professora dizendo que ela era incapaz de uma atitude daquelas. Enfim, deixei a minha reclamação, pois no momento não havia ninguém da direção na escola (ou melhor, havia a subdiretora que disse estar em reunião e que não podia me atender). Marcamos de nos reunir dias depois para esclarecer o assunto.

No dia seguinte, quando meu filho chegou à escola, ficou o tempo todo sendo vigiado, ficaram observando se ele e o colega conversavam para combinarem algo. Depois de algumas horas ele e o colega foram levados a salas diferentes, para que relatassem e escrevessem o que tinha acontecido, sendo também pressionados para que voltassem atrás no que tinham falado. Enfim...relataram, escreveram e não voltaram atrás no que disseram. Sem que a reunião comigo fosse marcada, o meu filho começou a ser hostilizado e maltratado por professores e funcionários, com palavras, frases soltas e olhares de deboche.

Quando finamente a bendita reunião comigo foi marcada, eu gostaria de ter sumido daquele lugar! Fui recebida pela professora em questão junto com a diretora, a sub-diretota e um inspetor. Primeiro, a professora falou 30 minutos incessantemente em sua defesa, depois a diretora fez questão de mostrar o seu poder, dizendo que achava desnecessário ela se explicar por ser uma professora exemplar e meu filho um aluno repetente e imprestável. Depois os outros fizeram questaõ de acrescentar tudo o que podiam. No final apareceram relatórios que antes não existiam a respeito de meu filho, não soube de nenhum relatório com queixa do meu filho antes que eu comparecesse à escola para reclamar. De repente, quando me chamaram para a reunião, esses relatórios apareceram....
Bem, nem preciso dizer que saí da escola chocada, sem saber o que fazer. Na verdade estava resolvida a engolir isso tudo, só que, para minha surpresa, no dia seguinte meu filho foi procurado por um professor que gosta dele e disse que o coordenador estava chamando todos os professores para fazerem um mau relatório sobre ele. Ele disse que alguns colaboraram, mas esse professor não participou por não concordar com essa atitude, pois achava que o aluno não se comportava daquele jeito, que aquilo tudo era um exagero. Uma outra aluna também já fez uma queixa à direção contra esta mesma professora, mas foi ignorada porque ficou com medo e não contou para os pais. A situação do meu filho está muito dificil na escola e eu naõ sei nem por onde começar a pedir ajuda! Percebo que existem pessoas que não concordam com o que aconteceu ou tem alguma queixa contra a professora, só que todos têm medo de serem retaliados depois.Com certeza estão montando um dossiê para que meu filho seja expulso da escola. Por favor, me judem a denúciar este abuso moral.

Leia aqui mais posts da série A escola em raio X:



Reunião com o "novo" Secretário Estadual da Educação



Em janeiro publicamos um post onde transcrevemos um pedido de reunião ao então novo Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Hermann Voorwald. Leia o post clicando aqui. Por via das dúvidas, protocolamos o documento na Secretaria e também o enviamos por e-mail, mas até o momento não fomos atendidos. Sempre que ligamos para pedirmos informação, a resposta é que "o secretário é muito ocupado". Nós também somos!


O secretário já dialogou com todos os sindicatos da classe, mas não demonstrou interesse em atender os pais de aunos e, no ínterim, os problemas estão se avolumando, problemas muito sérios, como vocês têm acompanhado aqui no blog. Por esse motivo pedimos ajuda à Comissão de Defesa da Cidadania da OAB-SP, da qual voltamos a participar este ano, dentro do comitê Educação. Estão conosco a Cremilda, o Mauro, o Tertuliano, o João (professor de Sociologia) e a Miriam (Assistente Social). Esperamos que o Secretário não nos negue um novo pedido de reunião, desta vez feito através da Comissão.


A Comissão de Defesa da Cidadania da OAB-SP iniciou seus trabalhos na semana passada e estamos confiantes de que poderemos contar com seu apoio. Também esperamos contribuir com seus lindos projetos, que visam atender e esclarecer principalmente a população de baixa renda, orientando-a sobre seus direitos e deveres.

08 abril 2011

Imensa tragédia




A tragédia de hoje numa escola de Realengo merece muito mais do que um minuto de silêncio. A dor dessas crianças e de suas famílias não pode ser banalizada como está sendo por toda a mídia. Até a TV Cultura terminou o jornal da noite exibindo exaustivamente imagens que apenas chocam e nada esclarecem.


Acontecimentos como esse merecem uma profunda reflexão e muita, muita cautela para não tirar conclusões precipitadas, que levam ao pânico geral, à insegurança ou à depressão. Uma tragédia dessas proporções exige uma busca cuidadosa das causas e não uma caça às bruxas. E tomara que o assunto leve a sociedade a discutir assuntos como a facilidade de se obter uma arma de fogo, a prevenção de doenças mentais e principalmente a irresponsabilidade da grande mídia em sua corrida para o ibope.


Às crianças traumatizadas e às famílias em luto desejamos muita paz e capacidade de superação.


Leia também o sensível depoimento da amiga Regina Milone clicando aqui.

03 abril 2011

A escola tabu nº 25 - A sociedade veste a carapuça

Já falamos bastante aqui da revista Nova Escola, essa publicação asséptica mas, ainda assim, a melhor em seu gênero, considerando que não existe no país jornalismo crítico e interessado em abrir a caixa preta que é a educação brasileira, principalmente a pública. Este mês, 'sem querer-querendo', a Nova Escola mostra a visão da educação por parte da sociedade brasileira, através de alguns mitos. Vamos aqui comentar aqueles que sempre criticamos, por serem causadores de imensos prejuízos para os alunos e do atraso que mantém o país na ignorância.

Para evitar dúvidas, esclarecemos que apenas os títulos dos tópicos abaixo são mencionados pela revista Nova escola como mitos da educação. OS COMENTÁRIOS SÃO DO EDUCAFÓRUM. Para ler a matéria da Nova Escola sobre os mitos da educação,
CLIQUE AQUI.

  • Criança pobre não aprende - É muito cômodo, para as classes A e B, difundir esse mito, pois quem gere a educação pública são pessoas dessas classes, enquanto seus próprios filhos estudam na rede particular. Assim, esses gestores se eximem da própria responsabilidade e podem deixar o barco afundar. Ao mesmo tempo, com o sucatamento da rede pública, seus filhos terão menos concorrência na hora de disputar uma vaga na universidade.

  • Muitas crianças não aprendem porque vêm de famílias desestruturadas - Esse mito é um dos grandes causadores de expulsão e evasão de alunos, alvo de intermináveis fofocas nas salas dos professores e principalmente nas reuniões de Conselho de Escola, onde se expõem abertamente as "falhas" das famílias dos alunos e se define o futuro de crianças e adolescentes, empurrando-os para a marginalidade. Como se as famílias dos gestores e demais profissionais da educação fossem um mar de rosas...

  • Educação se aprende em casa e cabe à escola apenas ensinar conteúdos - Este mito, repetido exaustivamente por "educadores" e gestores, além de papagueado por toda a mídia, mostra a estreiteza da mente desses profissionais, inclusive dos jornalistas que o divulgam. Com essa desculpa, a escola se permite deseducar os filhos "dos outros", dando-lhes, através de seus profissionais, os péssimos exemplos do descaso, do absenteísmo, da falta de pontualidade, do desprezo pelo trabalho e pela profissão, do uso de um vocabulário chulo e muitas vezes ofensivo.

  • A função mais importante da escola é formar cidadãos - O aprendizado da cidadania se dá pelo exemplo e não através de "lições". O aluno que se vê privado do direito de ter uma vaga na escola próxima, de ter aulas todos os dias (e aulas de qualidade!), de ser respeitado por seus professores e demais profissionais da escola, já aprendeu que, no Brasil, cidadania é para poucos. Além disso, enquanto a escola finge "formar cidadãos", ela deixa de se responsabilizar pelo ensino.

  • O papel da escola é elevar a autoestima dos alunos - Nossos "educadores" costumam utilizar o antigo hábito de elogiar os "bons alunos" e depreciar as "laranjas podres", acreditando (acreditando?...) que assim incentivam os primeiros a se superarem e os segundos a imitarem os primeiros. Esse é talvez o mito mais jurássico e cretino da nossa escola. Irmão desse mito é o da "Pedagogia do amor", lançado pelo ex-secretário, hoje deputado, Gabriel Chalita. Enganando a sociedade, na suposição de que os alunos de sua rede de ensino estavam sendo tratados com um mínimo de respeito (ou seria "amor"?...), sua gestão foi a campeã da expulsão de alunos e do fechamento de escolas.

  • A cópia e a repetição são boas estratégias de ensino - A escola brasileira (não somente a pública!) é tão, mas tão atrasada, que quase não se fala em compreensão, discussão, reflexão. Cabe ao aluno calar a boca, copiar da lousa e decorar. O pior é quando o professor se nega a explicar e a repetir, muitas vezes apagando a lousa antes que o aluno tenha tido tempo de copiar.

  • A repetência melhora o desempenho escolar - Estudos já provaram exaustivamente que o aluno não aprende mais, se repetir o mesmo ano com as mesmas aulas de péssima qualidade, baseadas na cópia e na decoreba. No entanto, a repetência é cômoda para os maus profissionais, que largam o aluno para outro colega no ano seguinte, eximindo-se de sua responsabilidade. Esse mito, muito bem divulgado pelas assessorias de imprensa dos ricos sindicatos da "educação" e papagueado pela mídia, continua assim emplacando na sociedade brasileira.

  • Sem reprovação, os alunos perdem o respeito pelo professor - Respeito se conquista, não se impõe. Os alunos tendem a não respeitar o professor que também não os respeita, tratando-os como números. Se o professor não faz a avaliação contínua do aluno e não cuida de sua recuperação, espera o quê? "Conquistá-lo" com a ameaça da reprovação?

  • Conteúdo dado é conteúdo aprendido - Esse mito é o que mais justifica a omissão e o quessedanismo do mau profissional, que só se dispõe a "dar a matéria", sem se preocupar com o aprendizado dos alunos.
Resumindo: com essa matéria, a Nova Escola dá um "belo" panorama da visão que a sociedade brasileira tem da escola e, principalmente, do profundo atraso em que essa se encontra. Como sempre, o faz com luvas de pelica, da forma mais politicamente correta possível, ou seja, sem incomodar e possivelmente sem produzir mudanças a curto prazo... Leia aqui mais posts da série A Escola Tabu:

BuRRocracia em todo o país

Sadismo em todos os níveis

Isso é apuração preliminar???

Na "minha" escola, tomou levou!

Só mesmo em 1º de abril!

01 abril 2011

Finalmente, o Observatório da Violência Escolar!




Escola Oswaldo Aranha, ontem e hoje...



A EE Oswaldo Aranha é nossa velha conhecida: uma escola como a maioria das públicas, sem o mínimo respeito pelo aluno. Já brigamos por causa de negação de matrícula, por aulas vagas, por professores mal-formados e mal-educados... O que muitos não sabem é que essa escola já abrigou um dos mais interessantes e avançados projetos educacionais do país: o dos ginásios educacionais, fechados pela ditadura militar.

40 anos após essa aventura, o projeto Vocacional poderia ainda ser chamado de "subversivo", pois nossa escola não admite "botar alunos para pensar, para fazer uma reflexão sobre a realidade": expulsão neles!

É o Brasil na marcha do caranguejo...