23 Setembro 2009

Racismo e desempenho escolar



As escolas brasileiras não estão atentas para as práticas sutis de racismo existentes entre alunos e professores, prejudicando, assim, a mobilidade educacional e social de crianças e jovens negros.

Leia completo no Blog da Glória


20 Setembro 2009

Parabéns, pais vitoriosos!


As maiores vitórias deste blog (tivemos, sim, muitas vitórias!) são anônimas e acontecem na surdina. São anônimas porque preferimos não publicar os nomes dos pais corajosos que enfrentam o autoritarismo e a arrogância de um sistema perverso e excludente, gerido por autoridades que têm seus próprios filhos estudando na rede particular e cujo interesse é manter submissa a população de baixa renda.

Na semana passada, recebemos a mensagem de um pai informando que seu filho adolescente havia sido expulso pelo Conselho de Escola, devido a baixo rendimento escolar e "mau comportamento". Ele, sendo um pai presente e esclarecido, fez questão de levar o filho a um psicólogo, que atestou tratar-se de um adolescente normal, não agressivo, mas que revidava verbalmente quando ofendido. Esse pai fez questão também de participar de algumas aulas junto com o filho, durante as quais percebeu a forma inadequada como a escola tratava seus alunos, chegando ao ponto de um coordenador "pedagógico" atirar o material do aluno ao chão. Esse tipo de comportamento de certos "educadores" eu mesma presenciei, quando a coordenadora "pedagógica" de uma filha minha chegou a rasgar o caderno dela, na minha própria presença...

Perguntamos o nome da escola, para que pudéssemos levar a denúncia para a Secretaria da Educação, e hoje tivemos a grata surpresa de receber novo e-mail desse pai: ele se juntou a outros pais de alunos também expulsos, uma comissão foi até à diretoria de ensino e conseguiram reverter a decisão do conselho de escola, aliás absolutamente ilegal, como CANSAMOS de informar neste blog. É exatamente isso que orientamos para todos os pais: unam-se e reivindiquem o direito de seus filhos ao "acesso e permanência na escola", conforme Art. 53 do ECA, que também garante aos alunos "o direito de serem respeitados por seus educadores". Na dúvida, a legislação fundamental da educação está publicada na página principal deste blog.

Parabéns a esses pais que souberam defender os direitos de seus filhos! Não estamos publicando o nome da escola, mas estamos de olho nela e se houver mais algum problema, iremos diretamente à Secretaria da Educação para exigir a reintegração dos alunos e a retratação da direção da escola.

Infelizmente, o sonho dos maus diretores e professores (trata-se dos MAUS profissionais, não estamos generalizando) é uma escola vazia, para onde eles precisem ir apenas para masturbar alguns papéis e mostrar seu "poder" xingando e expulsando alunos. A aula vaga, fenômeno em que o Brasil é campeão mundial, já corrói 30% do ano letivo, mas os maus profissionais querem mais: expulsar todos os alunos que exigem aulas diárias e algo mais que uma lousa borrada e reclamações de "maus salários".

Parabéns, pais, continuem assim!!! Contem sempre com o nosso apoio em toda situação que ameace o direito líquido e certo de seus filhos permanecerem na escola e terem um ensino de qualidade.

19 Setembro 2009

Democradura ou apartheid?



Segue mais um excelente depoimento da Cremilda no Youtube, que dá a exata dimensão do faroeste que virou a rede pública de ensino no Brasil, onde tudo pode acontecer, menos uma educação de boa qualidade. As exceções existem e podem ser contadas nos dedos das mãos, por isso não fazem a regra. Mesmo assim, sempre que temos conhecimento de algum bom exemplo, fazemos questão de relatá-lo, como neste caso.

Fica a dúvida: qual o regime que vigora na escola pública? A democradura, como diz a Cremilda, ou o apartheid?...


Mídia Nota Zero - A Série V


Já publicamos aqui uma série de textos que mostram o total desinteresse da mídia brasileira pelos "bastidores" da educação pública, que vai mal porque os filhos dos formadores de opinião, sejam jornalistas, empresários, profissionais liberais ou políticos estudam... na rede particular. Os únicos fatos que interessam à grande mídia são aqueles que mostram o ranking das escolas. Mas os verdadeiros motivos que mantêm o ensino público na sarjeta - o descaso e o desprezo das autoridades grandes ou pequenas para com o aluno, nunca se revelam claramente em nossa sociedade hipócrita e classista.

Um fato ocorrido em Minas, mas que já aconteceu em toda parte do Brasil, até de formas bem mais violentas, ilustra claramente a idéia. O caso foi registrado em 27 de agosto apenas em jornais locais e não teve repercussão, o que mostra o total desinteresse da grande mídia pelo que ocorre dentro da rede pública de ensino, esse faroeste onde tudo pode acontecer, sem despertar indignação ou comoção nacional. Se alguma atriz de novela ou socialite cuspir no namorado, toda a mídia corre atrás da notícia, mas o que ocorre dentro da rede pública de ensino é assunto tabu, principalmente quando mostra o abismo moral em que se encontram nossas "sagradas" instituições.

Leiam vocês mesmos e respondam a pergunta: se um fato como esse ocorresse numa escola particular, a repercussão seria tão pequena?

O Globo - Cidades

BELO HORIZONTE - Alunos de um colégio público de Cássia, no Sul de Minas, tiveram de ficar nus em revista feita por policiais militares na escola. Depois do sumiço de R$ 19 na sala do 9 ano do ensino fundamental, três PMs foram chamados pela direção da Escola Estadual São Gabriel e, segundo denúncia encaminhada ao Ministério Público, obrigaram adolescentes de 15 e 16 anos a se despir, em salas separadas. O MP pediu à Polícia Civil a abertura de inquérito para apurar o caso.
A busca ocorreu em 27 de agosto. Cada aluno havia contribuído com R$ 0,55 para tirar cópias de textos. O dinheiro foi guardado no caderno da líder de classe, que, logo após o recreio, percebeu o furto. Acionados, os PMs exigiram que os 38 estudantes fossem para salas vizinhas e tirassem a roupa. Segundo um dos jovens, um PM disse que quem se recusasse a participar da revista seria levado para a delegacia. As meninas foram acompanhadas por uma policial feminina, em ambiente separado do dos rapazes. O dinheiro não foi encontrado.

Seguem os demais textos da série Mídia Nota Zero:

17 Setembro 2009

O bode expiatório de uma sociedade hipócrita


Segue abaixo mensagem recebida de uma mãe de aluno. Mais uma vez, um adolescente normal é tratado como criminoso numa escola pública. Isso é muito comum e não vai acabar tão cedo neste país onde a hipocrisia da sociedade chega ao ponto de usar a infância e a juventude como bode expiatório da crise moral que vem de nós adultos, seja por perversidade, covardia ou omissão. A essa mãe só podemos aconselhar que converse bastante com seu filho e espere passar essa fase turbulenta: uma hora a adolescência termina e a maturidade vai mostrar que a prática "olho por olho, dente por dente" só traz desvantagens para a vida. Mas que ela não espere qualquer atitude positiva da escola: melhor deixar de bater de frente com a diretora, pois ela não tem nenhum compromisso com a educação e apenas aumentará a perseguição contra seu filho!

Boa noite, parabens pelo blog. Em primeiro lugar agradeço o interesse pelas histórias dos pais vivenciadas no dia a dia. Infelizmente estou passando algumas dificuldades com meu filho, sou viúva, tenho um adolescente de 16 anos e todos sabem como é esta fase... difícil, né? Atualmente ele cursa o Segundo Grau no período noturno, estuda no Senai no período diurno e faz estágio de meio período. Ele realmente tem um dia bem agitado, é um adolescente hiperativo, mas nunca reprovou de ano. Em todas as escolas tive trabalho com o comportamento do meu filho, mas esse trabalho foi leve, pois sempre estive presente para ajudar os educadores.

Infelizmente agora estou passando apertado com a diretora dessa escola, pois ela mantém abuso de autoridade e dificulta o diálogo. Um dia desses uma aluna bateu na cara de meu filho e ele regiu mal, graças a deus um amigo dele separou a briga. Segundo meu filho a briga começou porque a garota disse que meu filho estava fazendo fofoca com o namorado dela, que ele só conhece de vista e nem estuda na escola. A diretora suspendeu meu filho e o menino que separou a briga, deixando a garota sem suspensão. E ainda chamou a ronda escolar para meu filho, como se ele fosse um criminoso. E agora o namorado da garota tá ameçando meu filho... Temo que o pior aconteça. Depois do fato ocorrido eu fui até à escola para conversar com a diretora e perguntei para ela: qual seria sua atitude se alguém batesse em sua cara? Ela respondeu que ficaria quieta... Só que ela é adulta e não está na fase adolescente com um monte de hormônios mudando todo tempo no corpo. Ela nem quis chamar a garota ou os pais dela para conversarmos. Achei uma falta de educação e ainda virou as costa e me deixou falando sozinha. Agora, em caso de coisas pequenas ela me liga direto e também tira o direito do meu filho chegar atrasado 10 minutos, sabendo que ele estuda em outra escola e ainda faz estágio. Gostaria de saber qual a melhor conduta a ser tomada.

Mãe de aluno da rede pública (todos os nomes foram preservados, inclusive o da escola)

13 Setembro 2009

A hora é agora!


O diretor de escola Amarildo Reino de Lima, do Distrito Federal, desenvolveu um lindo trabalho de recuperação da defasagem de seus alunos com relação à idade, um problema que aflige cerca de 50% dos alunos brasileiros.

Quando assumiu a direção da escola, em janeiro de 2008, Amarildo deixou para lá a cômoda "aprovação automática" e criou o projeto de aceleração A hora é essa, que permitiu aos alunos recuperarem dois ou até três anos de defasagem em apenas um ano. Para realizar esse projeto, ele promoveu a união da equipe gestora e teve que convencer professores, pais e os próprios alunos de que sua meta era possível. Com gestão participativa, focada em resultados, e um intenso acompanhamento de cada caso, conseguiu que o Centro de Ensino Fundamental 427, de Samambaia, fosse a escola melhor avaliada do DF. Ele foi também escolhido Gestor Nota 10 no prêmio Victor Civita 2009. Parabéns, Professor Amarildo!

Experiências como esta mostram como é absurda e cruel a postura geralmente adotada nas escolas públicas com relação aos alunos defasados ou repetentes, chamados de "casos perdidos", "laranjas podres" e outros apelidos ofensivos ou depreciativos.

Leia aqui a reportagem da Revista Nova Escola, que traz inclusive um vídeo com depoimentos de pais, alunos, professores e do próprio diretor.

Mensagens anônimas


Mais uma vez gostaríamos que os leitores entendessem a nossa posição com respeito às mensagens anônimas ou com nome "fake", sem informação de e-mail válido:
  • Mensagens ofensivas (com palavras de baixo calão) não são publicadas em nenhuma circunstância. Já perdemos muito da nossa credibilidade por acreditar que toda opinião é válida e já fomos joguetes de pessoas malintencionadas, principalmente de assessores de políticos e sindcalistas da área educacional.

  • Entendemos a posição de alguns pais ou alunos que não se identificam por medo de perseguições e represálias e pedimos que encaminhem suas denúncias para o e-mail educaforum@hotmail.com.

  • Alguns comentários de denúncia vêm anônimos, mas contêm o nome de escolas e de profissionais, como diretores, professores etc. Nesse caso os comentários também não são publicados, pois citamos o nome de escolas somente após checarmos as denúncias e contatarmos a Secretaria da Educação.

Segue um exemplo de comentário que estamos publicando parcialmente, apenas como exemplo. O autor pode, se quiser, enviar a denúncia pelo e-mail:

Encontrei este site por acaso e gostaria de questionar algumas atitudes de uma diretora, não sei se é permitido o que ela faz. Na EE .................. a diretora, quando ouve algum comentário sobre as pessoas, ela faz acareação, inclusive entre alunos e professores. Durante um HTPC ela chamou uma aluna e pediu para que repetisse na presença de todos que achava o coordenador "uma bosta, uma merda, que ele não resolvia nada", exatamente estas palavras que a diretora não cansou de pronunciar. O mesmo acontece em relação aos professores. Ela fala o tempo todo que o supervisor Sr.......................considera os professores vagabundos. A mesma explicou que não é permitido aos professores e funcionários comerem na escola, mas para ela é preparada comida todas as vezes que ela se encontra no local.

Quando a escola recebe uma verba não deve-se discutir com o conselho onde gastar? Ou é permitido à diretora gastar em plantas, tapetes, enfeites, enquanto salas de aulas estão com infiltrações, caindo agua nas lâmpadas e tendo risco de um curto? Quando ela falta, é justo receber presença? Por que os professores não têm agua pra beber na sala deles? Por que ela nunca foi nas salas falar com os alunos? A diretora tem que ser ditadora, tudo tem que ser como ela quer, a hora que ela quer, e pronto? Pode uma direção humilhar os profissionais da escola? Se não tem agua na escola , as crianças são obrigadas a ficar? Gostaria que vocês verificassem estes ítens e respondessem.

Nossa resposta: Anônimo, a diretora dessa escola está errada em todos os itens. Talvez não sirva de consolo para você, mas existem MUITAS diretoras assim, justamente porque as denúncias são anônimas... Prezados anônimos, tenham coragem e enviem suas denúncia por e-mail, deixem seu telefone e e-mail válido. Só assim poderemos ajudar, acompanhando vocês à Secretaria da Educação. Um abraço!

03 Setembro 2009

Os pais da EE Eugênio David dos Santos e a caixa preta.


Lembro-me perfeitamente os longos meses em que meu filho de apenas 7 anos foi fisicamente e psicogicamente maltratado, por pessoas inescrupulosas, verdadeiros monstros que se mostravam anjos na minha frente e completamente vitimas de meu filho! Inconcebível, inadmissível, inimaginável que a lei fique tanto tempo sem respostas a dar ao contribuinte, cidadão que paga seus impostos, ficar a mercê de tanta injustiça acerca de acontecimentos verdadeiros e com documentos comprobatórios. São coisas desse "naipe" que levam o Brasil a atos imundos e completamente sem razão, levando o social à desordem, sendo que o exemplo vem de cima. No momento o inconformismo arrebate sobre mim, ate quando? ainda não sei... Parece-me que será meu filho (como advogado) que fará justiça, pois ainda sonho com esse mérito.

Percival Nunes



É triste saber que muito pouca justiça foi feita no decorrer desses 5 anos. Até quando teremos que conviver com situaçoes como essa? Eu e minhas filhas fomos vítimas dessa diretora ditadora. A situação na escola continua a mesma, a unica mudança feita é que os acorridos são acobertados para que a comunidade não tenha conhecimento. No meu depoimento , na frente da procuradora do estado, mostrei toda minha indignação, houve muita demora nas apurações e depoimentos, parece que fazem de propósito para que caia no esquecimento. Minhas filhas carregam consigo marcas do que sofreram nessa escola: perseguições, omissão de socorro, muitoooo medo. Com isso não aprenderam quase nada, pois tive que transferi-las de escola com medo que algo pior fizessem a elas. Isso as autoridades não vêem. Meu medo é que acabe tudo em pizza como ocorre com os politicos.

Renata Affonso


Eu, como mãe de alunos que estudaram nessa escola, me lembro bem de como essa diretora recebia a gente... Sempre de cara feia ou então nem atendia, mandava dizer que não tava. Hoje ela sabe que tem que andar na linha por causa do processo, então quando ela me vê logo faz questão de comprimentar. Passamos por um grande aperto quando ela pôs as mães para fora da escola só pra nao saber o que acontecia lá dentro. Hoje nós esperamos por justiça. Ainda luto por uma escola melhor.

Maria Célia

A velha história da EE David Eugenio dos Santos...


A mensagem que recebemos ontem da Suely Valente mostra como é inútil acreditar na justiça, quando se trata de educação no Brasil. As denúncias contra a EE acima foram amplamente veiculadas em 2005 (reveja abaixo os vídeos que já postamos diversas vezes). No entanto, o processo administrativo ainda está "rolando", empurrado com a barriga, para que tudo fique como está... Sr. Governador, que vergonha! Que tal acionar sua nova Corregedoria?

Às vezes me pergunto: e se as crianças torturadas fossem filhas dos jornalistas que divulgaram essas notícias? Será que eles deixariam o assunto morrer na mídia? A se pensar, não?...


Nós, testemunhas do processo administrativo da EE David Eugenio dos Santos, sabemos muito bem o que é ser torturado. Agora, com a mudança das processantes para a Rua Pamplona, veio mais uma desculpa para se retomar os depoimentos somente em janeiro de 2010. Enquanto isso, a festa junina dessa escola rendeu $ 9.000,00 limpinhos e até agora não se sabe o que será feito com eles, já que a escola não necessita de mais nada material e sim de profissionais competentes e com vontade de melhorar a qualidade do ensino. Vamos aguardar mais uns bons tempos para ver o resultado final.
Suely Valente

Relembre a história triste e sórdida dessa EE aqui e veja os três vídeos, caso ainda haja alguma dúvida quanto à corrupção do poder público e à ineficiência da mídia.