28 março 2013

Expulsão: a palavra proibida

Você não vai encontrar a palavra expulsão em nenhum documento oficial da Secretaria Estadual da Educação de São Paulo. Pelo simples motivo que a expulsão da escola é ilegal, ela fere a Constituição Federal e o ECA, que garantem ao aluno "acesso e permanência na escola". Mesmo a palavra sendo proibida, a expulsão é praticada a rodo na rede pública de ensino, não apenas em São Paulo, mas em todo Brasil.

Mesmo que não fosse ilegal, a expulsão da escola é sinal de fracasso da instituição educacional, cujo objetivo é acolher o aluno e motivá-lo para o aprendizado. Esse fracasso é visível e não precisa ser comprovado através de estudos ou estatísticas, bastam aliás os índices IDEB e IDESP, que além do rendimento dos alunos levam em conta a evasão escolar, muitas vezes uma expulsão branca. Se você não sabe o que é uma "expulsão branca", clique aqui.

Bom, pela primeira vez em tantas denúncias de expulsão aqui recebidas, uma mãe de aluno ouviu da diretora da escola de seu filho que ele seria... EXPULSO, com todas as letras. É claro que em seguida a diretora quis morder a língua e logo consertou : seria "TRANSFERIDO COMPULSORIAMENTE". Na verdade, o aluno - não apenas ele, mas alunos de muitas e muitas escolas - ouviram diretores falar a palavra EXPULSÃO a torto e a direito, coisa que esses profissionais sempre negam, já que a palavra é proibida. Acontece que o testemunho de alunos nunca é levado em consideração, na rede pública! O aluno, que deveria ser o sujeito da escola, não é nem mesmo considerado digno de testemunhar a seu favor ou de seus colegas. As perseguições e represálias são ferrenhas! Mas, desta vez, uma mãe corajosa resolveu por a boca no trombone e enfrentar todas as consequências de sua denúncia.

O aluno estuda em uma escola da Diretoria de Ensino Norte 2 e está sendo perseguido desde o ano passado pela diretora. "Bocudo", como se diz na linguagem popular, não leva desaforo para casa. Entretanto é trabalhador, braço direito da mãe em sua agência de viagens e por isso estuda no período noturno, onde muitas vezes não pode entrar na segunda aula por chegar atrasado do trabalho. A mãe não é do tipo que passa a mão na cabeça do filho, entretanto, entende que a suspensão de 5 dias que ele recebeu por responder a uma provocação da diretora é suficiente como punição e que a expulsão é descabida. 

Arrogante, a diretora negou-se a atender mãe e filho para entrar em um acordo e agendou reunião de EXPULSÃO através do Conselho de Escola. Esse foi o termo que ela usou com o aluno e sua mãe. A reunião, porém, foi remarcada duas vezes e essa é uma estratégia que nós do EducaFórum conhecemos muito bem: primeiro, tenta-se ver se a mãe do aluno o transfere espontaneamente, para que ele não seja submetido à humilhação de ser "julgado" pelos seus pares e "mestres" (que mestres são esses, que se prestam a expulsar aqueles que deveriam orientar?...). Essa estratégia é excelente, pois, se o aluno sai da escola sem notificação escrita ou testemunhas, a expulsão não deixa rastros. Caso porém a mãe do aluno não transfira o filho, então agenda-se uma data definitiva para esse tribunal de exceção, versão contemporânea dos julgamentos em praça pública realizados em séculos passados.

Devido à intransigência da diretora, que negou-se a uma reunião de conciliação, a mãe do aluno esteve hoje na Diretoria de Ensino e protocolou um documento pedindo a reintegração do filho à escola. Cópia do mesmo documento foi por nós entregue na Chefia de Gabinete da Secretaria da Educação e contamos agora com a compreensão do Prof. Padula para que seja evitada mais uma ilegalidade na rede paulista de ensino.

E mais uma vez sugerimos à SEE que comunique a todos os diretores de escola que a EXPULSÃO de alunos, camuflada de "transferência compulsória", é uma ferramenta medieval que não se admite numa sociedade dita civilizada. Afinal, o aluno expulso tem três saídas: procurar vaga numa escola do mesmo bairro, onde ele vai ser discriminado como "aluno problema" que veio da unidade vizinha, ser recrutado pela marginalidade, sempre a postos para acolher os alunos expulsos, ou então abandonar de vez os estudos, como fez o pai de criação de outro aluno expulso, uma história que contamos há cerca de 6 meses, leia aqui.

E que se acabe de uma vez por todas com essa hipocrisia que admite a expressão TRANSFERÊNCIA COMPULSÓRIA e proíbe a palavra EXPULSÃO! Aliás, já questionamos aqui: se a expulsão via Conselho de Escola pode ser praticada para o aluno, por que então não é viável também para o profissional da educação?... Por que dois pesos e duas medidas? Leia o questionamento clicando aqui.

Uma última colocação: se o Brasil costuma jogar na marginalidade os seus cidadãos mais críticos e questionadores, aqueles que não se dobram diante de qualquer abuso de que forem vítimas, quando será que este país se tornará uma verdadeira nação?

22 março 2013

A escola que mata a curiosidade

De vez em quando recebemos mensagens tão desesperançadas que não sabemos o que responder! Leiam por exemplo essa:


Sou mãe de um menino de 10 anos, moro no Rio Grande do Norte, ele não sabe ler, mal junta as palavrinhas, estive na escola e pedi se tem como trabalharmos de outra forma p que ele se desenvolvesse, a escola disse que eu teria que pagar um reforço escolar fora da escola! Não tenho condições mesmo o que posso fazer?? No que posso exigir que a escola me ajude? Mesmo sem ele saber ler queriam dar a aprovação dele p o 5°ano, não aceitei, se ele já sofre constrangimento por não SABER LER NO 4° IMAGINE NO 5°.O que posso fazer?

O que sugerir para essa mãe? Leia nossa resposta e dê seus palpites!

Lamentamos muito sua situação! Infelizmente o caso do seu filho não é raro e dificilmente a escola vai resolvê-lo, pois obviamente ela é incompetente. Repetir mais um ano na mesma escola, com os mesmos professores, não vai resolver ou poderá agravar o problema. Sinceramente, procure na sua comunidade alguma ação voluntária ou uma ONG que possa ajudar seu filho. Na verdade, ele não precisa de "aulas de reforço", precisa de alguém que consiga mostrar-lhe a beleza da língua e o prazer de ler e escrever! Toda criança tem curiosidade natural para o aprendizado, que uma escola incompetente consegue "matar". Mas isso pode ser mudado, ainda há tempo! Procure e confie, seu filho NÃO é problema, problema é a escola que ele frequentou até hoje. Boa sorte e mande notícias para o e-mail educaforum@hotmail.com Um abraço!

Para você, que não faz ideia de como pode ser tratada uma criança com dificuldades de aprendizagem dentro de uma escola incompetente, sugiro que leia o livro O estuprador. Não se assuste com o título e leia até o fim. É uma história verídica cujo final foi inventado, pois a escola mostrou-se totalmente inepta para ajudar o aluno, aliás o prejudicou até à evasão. Clique no link para ler o texto: http://www.giuliapierro.xpg.com.br/OEstuprador01.htm


20 março 2013

Hino do Palmeiras e receita de miojo - Pérolas do professor

Surgiu uma oportuna polêmica a respeito de certas redações do ENEM: algumas apresentam coerência com o tema proposto mas contêm erros graves de português; outras fogem totalmente do tema ou mostram infantilidade. O questionamento é bom, mas o assunto periga tornar-se mais um instrumento de ridicularização do aluno, como as famosas "pérolas do ENEM". Vamos tentar aprofundar o tema, sempre na esperança de que apareça alguém mais graduado para comentar o assunto.

Duas redações em especial estão sendo colocadas em destaque na mídia e nas redes sociais: uma delas descreve uma receita de miojo, na outra o candidato enche linguiça escrevendo o hino do time do coração. Detalhe: ambas redações receberam nota azul, o que demonstra a incompetência dos avaliadores, muito mais que dos candidatos.

Provavelmente, essas duas redações são apenas a ponta do iceberg, pois a maioria dos estudantes brasileiros não sabe escrever uma simples carta. Isso podemos afirmar, pois nos descabelamos diariamente para entender as mensagens de pais e alunos que recebemos aqui pelo e-mail educaforum@hotmail.com. Mensagens de pessoas que, durante alguns ou até muitos anos frequentaram a escola, mas quase não tiveram a oportunidade de ESCREVER e ter seus textos corrigidos por quem ESCREVE. 

A verdade é que não se faz redação nas escolas! E seria piada dizer que é feita uma redação mensal ou bimestral, com o único intuito de valer nota... 

Vamos tomar como exemplo as duas redações do ENEM destacadas na mídia: escrever o hino do time do coração caberia perfeitamente no 2º ou 3º ano do Ensino Fundamental, pois estaria de acordo com o princípio de que os temas apresentados ao aluno para redação devem ser do seu interesse pessoal, a fim de despertar a vontade de escrever. Escrever receitas também seria ideal nos primeiros anos escolares, pois, como dizem os educadores de renome, comida é assunto diário na vida da criança e desperta seu interesse. Seria muito fácil para o aluno assistir a mãe fazendo miojo, pipoca ou bife e descrever a receita de sua comida preferida. Mas não é isso que acontece na maioria das escolas públicas brasileiras, onde o professor tem preguiça de corrigir as redações, o que dá muito mais trabalho do que rabiscar certo ou errado... Além disso, o próprio professor não tem o hábito de escrever, como demonstram certas mensagens de professores que recebemos, com erros graves de português, principalmente de concordância. 

Após os primeiros anos escolares, os temas das redações deveriam ser cada vez mais complexos, a fim de estimular o hábito de PENSAR nos assuntos sugeridos. Ou seja, após dominar a língua assim chamada "culta" (digamos, escrever com um mínimo de gíria e sem erros graves), o aluno teria que aprender a desenvolver o tema apresentado de forma cada vez mais profunda, sem repetir chavões ou frases de livro, mas escrevendo o que ele sabe ou pensa a respeito. Pergunto: isso se faz nas escolas públicas brasileiras?  E nas escolas particulares mais "baratinhas"? Com que frequência? Qual o feedback que o professor dá ao aluno sobre as redações feitas?... 

Uma sugestão utópica, mas não custa sonhar (rsrs): que os professores "corretores de redações do ENEM" só sejam aprovados após terem, eles próprios, recebido nota azul em uma redação corrigida por doutores em letras. Que tal? Desopilou o fígado?...

EM TEMPO: veja aqui como os alunos serão punidos por suas "gracinhas" :
http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/inep-estuda-punir-gracinhas-em-redacoes-do-enem e leia a mensagem recebida do escritor Haroldo Barbosa Filho, que nos informou sobre essa matéria:

Giulia, soube (através do IG e do UOL, hoje) que as provas "com gracinhas" (termos usados na matéria) serão anuladas e os alunos as fizeram assim, "punidos" (termo também usado na matéria). Ora: "gracinha" maior não teria sido a correção duvidosa da prova? E a "punição" não deveria ser dada, em primeiro lugar, a estes "analistas" que fizeram a correção?

19 março 2013

Mídia nota zero - A série XXVII - A demonização do aluno

EM TEMPO: LEIA, NA CAIXA DE COMENTÁRIOS, A EXPRESSÃO DE UM "ANÔNIMO" QUE  DEMONSTRA EXATAMENTE O QUE COLOCAMOS AQUI. AH, MAS O ANÔNIMO ESTÁ CERTO NUMA COISA: SÓ NÓS MESMOS TEMOS A CORAGEM DE NOS COLOCARMOS A FAVOR DO ALUNO, O QUE REFORÇA AINDA MAIS NOSSOS ARGUMENTOS!

Como já colocamos várias vezes, a cortina de fumaça para disfarçar as falhas do diretor de escola, do professor ou do profissional da educação é a demonização do aluno. Os sindicatos da categoria, com suas poderosas assessorias de imprensa, investem pesadamente nisso e a mídia compactua. O vídeo abaixo, da Rede Record, é "tudo de bom" nesse sentido. Basta assistir à reportagem com algum senso crítico para perceber a manipulação do assunto.

Se você tiver assistido com atenção, me responda: professor está aí para dar aulas ou conselhos? Por que será que essa professora insistiu tanto para dar uma "sugestão" ao aluno, a ponto de empurrá-lo?... Seria para redimi-lo de seus "pecados"? A colega do aluno foi muito clara: "Quando a pessoa respeita ele, ele respeita, mas quando não respeita..." Por que aluno tem que aceitar qualquer comportamento do professor? Porque esse "ganha pouco"?...




Essa reportagem é uma vergonha, mais uma manobra de demonização do aluno, com total falta de ética, repetindo  as cenas até à exaustão, criando sonoplastia sensacionalista e misturando matérias sem informar a fonte. Nada de novo, em se tratando da Record.

17 março 2013

A escola que deseduca XV - Mais uma vez, a questão do celular

Quando os profissionais da educação falam que "a educação vem de casa" - certamente a expressão mais frequente na rede pública de ensino - rebatemos que muitas vezes é a escola que deseduca. O caso a seguir é de um aluno do 3º ano do Ensino Médio. A essas alturas, o estrago certamente já iniciou muito lá atrás, mas não custa mostrar, mais uma vez, como se comportam certos "educadores" e como o aluno é desprezado, sem receber qualquer resposta convincente para seus questionamentos inteligentes e lógicos. Detalhe: esse aluno está certamente marcado para a expulsão: alguém duvida?? Outra coisa que nos entristece é que o texto da mensagem estava absurdamente repleto de erros de português e com algumas frases desconexas. Como esse aluno se sairá no Enem ou no vestibular?... Costumamos dar uma melhorada no texto das  mensagens que recebemos, para não estimular as gracinhas de desocupados que passam seu tempo nos respondendo sobre a "ignorância" desses alunos. Ignorância é mesmo da escola, em todos os sentidos! Mais uma vez esclarecemos que não é proibido levar o celular para a escola, mas não se deve usá-lo durante a aula para não atrapalhar o professor e os colegas. Nesse sentido o aluno em questão estava errado, mas nada justifica a forma como ele foi tratado. Além disso, hipocritamente, a escola proíbe o uso de celular em sala de aula não para manter a concentração da classe, mas para evitar que os alunos fotografem, filmem ou gravem irregularidades... Segue a mensagem do aluno: 

Venho falar um acontecido na Escola Estadual onde estudo. Eu vou fazer 17 anos em julho, estou no 3º colegial. Então, venho buscar ajuda nesse assunto: o horário de saída da escola é 17 horas, mas eu faço um curso e saio às 16:30... A professora tinha passado matéria na lousa, eu já tinha acabado de copiar e eram umas 16:28, daí um colega meu perguntou se era bom o curso que eu faço, daí retirei meu celular do bolso para mostrar algumas fotos para ele, já que nós já tínhamos copiado a matéria e a professora não estava fazendo nada.... Assim que eu tirei o celular do bolso e fui mostrar as imagens para meu colega a professora se levantou da sua mesa e veio na minha direção pedindo o celular, dizendo q eu estava atrapalhando a aula dela... Eu não quis entregar o celular por 2 motivos, um que eu não estava atrapalhando a aula e outro porque já estava na hora de eu ir embora... Daí ela mandou eu sair da sala e ir embora, eu me levantei e saí da sala, fui tomar água no bebedouro que fica em frente, após isso ela saiu lá fora e ficou gritando de longe pra diretora q eu estava com o celular atrapalhando a aula dela e que era pra fazer uma advertência. Ao escutar isso fiquei magoado e com raiva, pois umas alunas tbm ficavam com o celular na aula dela, com fone de ouvido e tal, e ela nunca reclamou, por serem as queridinhas dela... Após ela gritar o que tinha acontecido, eu fiquei nervoso e falei assim pra ela: que a próxima vez q um aluno tivesse com celular na aula dela e ela n tomasse uma providência, eu iria pegar o celular da pessoa e jogar na cara dela... Depois disso a vice diretora veio falar comigo, e eu falei pra ela q já q celular era proibido, ninguém tinha q levar celular pra escola, nem professor, nem diretor, nem supervisor. Daí ela já começou a me humilhar falando q eu era um simples aluno e q eu não chegava nem aos pés dela, q eu era um simples coitado... Depois disso saí correndo e fui embora, porque me senti humilhado e tbm pq eu tinha q ir pro curso e já tava atrasado.... Acho que hoje eles vão me dar uma suspensão de 3 dias, eles estão certos em dar essa suspensão pra mim??? Tbm queria saber uma coisa, essa professora não deixa a gente ir no banheiro e nem beber água na aula dela, e pior q as aulas dela são sempre nos últimos horários ou no 3° horário, na maioria das vezes ficamos com muita sede ou apertados pra ir no banheiro e ela não deixa, ela pode fazer isso? Em quais horas o aluno tem direito de ir ao banheiro ???

Da caixa de comentário, algumas colocações que vale a pena ressaltar:

João Saverio disse...
Vocês sempre falam que o aluno é inteligente, eu não acho que ele falou nada inteligente, só se defendeu. Vocês acham que qualquer aluno bagunceiro é vítima.
Giulia disse...
João Saverio, somos apenas pais de alunos, não estamos aqui para entrar em discussões filosóficas ou para medir a inteligência de alguém. Na minha opinião, inteligente é quem pensa com a própria cabeça, simples assim. Dizia Millôr Fernandes: "Livre pensar é só pensar". Esse aluno percebeu que a professora tinha dois pesos e duas medidas, ou seja, ela deixava as alunas preferidas usarem celular e de outros alunos ela chamava a atenção. Cabe a ela mudar sua atitude ou dar uma explicação decente ao aluno, não ficar berrando e pedindo a ajuda de uma diretora tão incompetente e mal educada quanto ela. Infelizmente o povo brasileiro é muito "cordeirinho" ou está tão acostumado a ser reprimido que até inibe o pensamento! A liberdade de pensamento anda junto com a coragem de se expressar. Quem não tem coragem de colocar suas ideias acaba... não tendo ideias, porque só o fato de ter que enfrentar a reprovação, a perseguição ou o castigo de alguém, já inibe o pensamento. Por isso estudiosos dizem que a inteligência humana começa a regredir já na infância, através de reprimendas, castigos, lavagem cerebral etc.

13 março 2013

DE SUL 1 inicia processo de transparência!



Pela primeira vez em anos, uma Diretoria de Ensino nos responde oficialmente, eliminando a necessidade de outros procedimentos burocráticos, principalmente visitas à Secretaria da Educação, que fica sempre muito fora de mão para os pais de alunos da rede pública, que costumam morar na periferia e têm dificuldades para pedir o dia livre às empresas onde trabalham. Quem deu o start para este novo processo de transparência foi o Prof. Sandoval Cavalcante, Dirigente da SUL 1, diretoria da qual até hoje recebemos pouquíssimas reclamações, nenhuma séria como a que nos levou a enviar o e-mail abaixo:

Prezado Prof. Sandoval,

Como já relatamos, até hoje nunca tivemos denúncias graves da sua DE e queremos dar-lhe os parabéns!

No ínterim, surgiu um caso que demonstra as dificuldades de uma das suas escolas em manter a disciplina e entendemos que essa unidade precisa de esclarecimento nesse sentido. No início de fevereiro, uma mãe nos procurou dizendo que a rematrícula do filho estava "condicionada à assinatura de um termo de compromisso" devido a indisciplina e perguntando o que deveria fazer. Respondemos que não assinasse nada e tentasse conversar com a direção da escola para entrar num acordo. Ela o fez e nos respondeu agradecendo que finalmente o filho estava rematriculado. Esta semana ela voltou a nos contatar dizendo que o filho havia sido suspenso por 3 dias e que a diretora pediu que ela fosse amanhã assinar a transferência compulsória dele para outra escola, devido a uso do celular em sala de aula. Diz a mãe que deixa o filho levar o celular pois ela é doente e pode precisar falar com ele.

Expulsão de alunos é uma constante na rede estadual e já tivemos muitos casos, que o prof. José Benedito foi resolvendo. O caso desse aluno não nos parece tão sério a ponto de termos que incomodar o Padula ou o Secretário, então pedimos a sua ajuda no sentido de orientar a direção da escola. O termo que essa mãe precisa assinar é de não deixar o filho levar o celular para a escola, pois ele já causou problemas por esse motivo. Caso ela tenha algum recado urgente para dar, poderia ligar para a própria escola e pedir para transmitir ao filho. Assinar termo de compromisso ou transferência compulsória é ilegal, não é?

Contamos com a sua ajuda para que mais um aluno fique livre da expulsão, que só leva a estimular a evasão.

Leia agora a resposta que acabamos de receber da DE Sul 1, esperando que ela represente, para os pais de alunos, o início de uma nova era de transparência na Secretaria Estadual da Educação, depois da lamentável perda do Prof. José Benedito (ex-coordenador da COGSP e hoje prefeito eleito de Espírito Santo do Pinhal, SP), que foi até hoje nosso melhor contato na SEE. A partir de agora, iremos encaminhar as denúncias diretamente para cada Dirigente de Ensino e esperamos que todos tenham conosco a mesma nobre atitude de respeito e transparência demonstrada pelo Prof. Sandoval. Mais uma vez nosso MUITO OBRIGADO, professor!

DESPACHO DO DIRIGENTE REGIONAL DE ENSINO 
                                       O Dirigente Regional de Ensino no uso de suas atribuições legais após ofício da Direção da Escola e manifestação do Supervisor tem a informar o que segue:
1.    O aluno ..... portava celular na sala de aula, ouvindo música e balançando a cabeça como se estivesse dançando.
2.    A Vice Diretora ... solicitou ao aluno ... que desligasse o celular, pois não era permitido seu uso em sala de aula e a mesma estava repassando orientações quanto aos procedimentos da escola.
3.    Como o mesmo não atendeu sua solicitação pediu que o mesmo a aguardasse próximo da sala da Direção para que pudessem conversar sobre suas atitudes.
4.    O mesmo saiu da sala rebolando, debochando o que fez com que houvesse um tumulto na sala de aula.
5.    No ano de 2012 o responsável foi convidado a comparecer na escola e não o fez alegando não ter tempo e querendo resolver os problemas por telefone.
6.    O aluno não foi suspenso e não teve seu celular apreendido pela escola.
7.    O aluno está matriculado regularmente na escola.
                                       A Direção da Escola coloca-se a disposição mais outros esclarecimentos que se fizerem necessário.
                                       Aproveitamos a oportunidade para convidar a Sra. ... a participar do CE – Conselho de Escola e APM - Associação de Pais e Mestres da escola onde seu filho está matriculado e assim contribuir para a melhoria da educação, desejo de todos nós.
                              São Paulo, 12 de março de 2013 
                             Sandoval Cavalcante
                             Dirigente Regional de Ensino Sul 1

10 março 2013

A escola pública como mercado persa!


 
Recebemos hoje de uma aluna a seguinte mensagem:

Na minha escola, este ano, a diretora decretou que o uso do uniforme é obrigatório. Até aí tudo bem, porém, nesta ultima sexta feira, os inspetores da escola passaram de sala em sala avisando que quem chegasse sem o uniforme não entraria.
O problema é que estou no terceiro ano e será meu ultimo ano na escola, além do fato de eu não achar um uniforme que me sirva.
O que me irrita é que realmente não me deixaram entrar e eu não posso perder as aulas, pois pretendo prestar vestibular e quero estar preparada para tal. Fora que a diretora esta pegando celulares e fones de ouvido nas dependências da escola, quando é proibido o uso deles somente nas salas de aula.
O que eu gostaria de saber é se através da denúncia eu conseguiria mudar algo, porque eu acho isso um absurdo, uma vez que a escola não fornece os uniformes e o uniforme completo custa mais ou menos R$ 150,00 (calça e camisa, somente).
Onde eu posso fazer essa denúncia, pois ouvi falar que a escola não pode proibir a entrada do aluno na escola, ao fazer isso está infringindo a lei.

Mais uma vez, autoritarismo na escola. A aluna está errada: "até aí" não está tudo bem, pois diretor de escola não pode "decretar" algo ilegal!

Está na cara que alguém está ganhando com a venda do uniforme na escola, mas, se forem perguntar para a tal diretora ela vai dizer que "toda a renda vai para a APM"... A escola é uma instituição pública e em instituições públicas é proibida a venda de qualquer coisa! Além disso, a entrada do aluno na escola não pode ser condicionada por nada, conforme Artigo 53º do ECA. Quanto à obrigatoriedade do uniforme, ela é proibida aqui em São Paulo pela Lei Estadual 3.913/83.

A grande verdade é que as escolas públicas tornaram-se verdadeiros mercados persa, com a venda de unformes, carteirinhas, xerox, cursos e outros serviços, além das infalíveis professorinhas e funcionárias que levam para a escola seus tricôs e artesanatos para oferecer... CHEGA DISSO! Escola é para o aluno aprender!!!

Independentemente de sua atitude ilegal e autoritária, a diretora da escola dessa aluna deveria se preocupar, em primeiro lugar, com a qualidade do ensino, pois a mensagem ESTAVA REPLETA DE ERROS DE PORTUGUÊS, que corrigimos apenas para que, mais uma vez, não surgissem comentários maldosos para falar das "pérolas" dos alunos, como se eles tivessem alguma culpa da péssima qualidade do ensino. Será muito difícil essa menina passar no Enem ou no vestibular, o que é uma pena, pois o Brasil precisa de pessoas questionadoras e corajosas como ela, que percebeu a manipulação da escola e veio a público para buscar uma solução. É muito fácil fazer graça com a desgraça dos outros, não é, Sr. Jô Soares?!

O único uniforme que aprovamos é o das imagens acima, "marca EducaFórum", que pode ser copiado à vontade por qualquer escola, rsrs...

07 março 2013

Ameaça resolve???...

É frustrante quando o respeito às leis é condicionado a ameaças e não compreendido como forma de prevenir problemas e dores de cabeça para a coletividade.

Uma mãe nos relatou que a filha havia perdido um livro dentro da escola em 2011 (!) e em 2012 ficou  o ano inteirinho sem o mesmo, pois a escola exigia uma taxa absurda a título de "multa" para fornecer-lhe outro. Respondemos dando uma orientação e recebemos a seguinte resposta:

Hoje eu quero agradecer pela ajuda, minha filha havia esquecido o livro didático na escola no ano de 2011, e por isso ela ficou o ano inteiro de 2012 sem o livro dessa matéria, eu até tentei entrar em acordo com a escola, mas eles queriam que eu pagasse 100 reais pelo livro que é distribuído gratuitamente, então esse ano (2013), pedi socorro a vocês...e...resolveu! Apenas pronunciei com toda educação as palavras CRIME e Ministério Publico, deu tudo certo. Obrigada...

Alguém acha que "deu tudo certo"?...Aguarmos as opiniões de vocês.

02 março 2013

A escola em raio X - A série nº 8


Muita gente nos pergunta o que mais fazemos, além de encher este blog de posts queixosos e às vezes contundentes. (Tão contundentes, que no dia seguinte a visitação do blog dobra, rsrs.)

A atualização do blog é apenas a "ponta do iceberg" e muitas vezes os posts não contêm o nome das escolas, muito menos dos pais e alunos que nos procuram, nem dos profissionais envolvidos nas questões citadas. Isso, para evitarmos constrangimentos, ameaças e outras grosserias que podem tardar, mas não falham... A maior parte do trabalho, que é totalmente voluntário e desvinculado de ongs, partidos ou qualquer outra "teta", é o atendimento aos que nos procuram através de e-mails, que chovem diariamente e são respondidos um a um. Às vezes, bastam a orientação sobre procedimentos e informações sobre a legislação para que os pais e alunos aprendam a reivindicar seus direitos, mas isso é raro. A maioria das mensagens chega com muitos erros de português e às vezes o texto fica tão difícil de entender que temos que trocar diversos e-mails para podermos começar a ajudar. Quando os problemas são mais sérios e ocorrem em São Paulo, nos dispomos a acompanhar os pais e alunos até à Secretaria da Educação, à Diretoria de Ensino ou ao Ministério Público. Mas preferimos sempre "ensinar a pescar", pois o que falta à nossa população é esclarecimento e coragem de enfrentar as autoridades, até por conta do AUTORITARISMO e da ARROGÂNCIA vigentes em todos os níveis de governo. Muitas vezes a coragem dos pais some frente à simples - e extremamente frequente - possibilidade de perseguições e represálias contra os filhos, sempre o elo mais fraco da corrente... Essa é talvez a maior prova do autoritarismo e da covardia daqueles que deveriam zelar por nossas crianças e jovens.

Ontem chegou uma enxurrada de mensagens que, no conjunto, formam uma espécie de imagem em raio X do que costuma acontecer nas escolas do país e que sugerem uma ampla reflexão sobre as causas, consequências e possíveis soluções dos problemas. Geralmente, as pessoas escolhem apenas um "bicho papão", seja o governo, o diretor da escola, o professor ou até o inspetor de alunos. Mas o sistema é muito complexo e exige um debate mais profundo. Seguem então, para reflexão, as mensagens recebidas ontem e já respondidas. Em seu conjunto, elas mostram um quadro que revela a falta de informação e o descaso com que são tratados os que participam da escola, inclusive os profissionais. Vamos agora aguardar as opiniões dos frequentadores do blog.

Oi, estudo em uma escola publica na cidade de Marilândia-Go, estou no 3º do ensino médio, cheguei hoje atrasado por 5 minutos, ficaram sem entrar 7 alunos, ficamos esperando, chamamos, mas nada, até que uma funcionária chegou, outra funcionária abriu o portão e falou que a diretora mandou não deixar entrar. Sei que erramos em chegar atrasados mas acho que não justifica perdermos aula.

Sou mãe de uma menina de 9 anos, estudante de escola municipal de São Pedro da Aldeia, RJ. Gostaria de saber se quando o professor falta o aluno pode ser mandado de volta para casa, e se Ed. Fisica e Ed. Artística incluindo música são matérias obrigatórias para o ensino básico. Como faço para saber todos os direitos e deveres tanto da escola quanto do aluno? Outra coisa: posso exigir uma cópia da grade curricular e das diretrizes que regem a escola? E se tiver algo realmente errado a quem e onde devo recorrer?

Gostaria de saber qual a quantia de verba destinada para a educação por aluno no município de Araçoiaba da Serra, porque mal começaram as aulas e a escola já me pediu e cobrou a participação da A.P.M. Segundo eu sei a verba da educação é suficiente para manter a escola em funcionamento.

Queria saber se a diretora pode proibir os pais de entrar na escola e se a escola pode proibir alunos com dor de cabeça de comunicar os pais.

Por uma postagem no Facebook, aonde minha esposa disse não estar contente com a falta de atitude da escola de minha filha em relação a um aluno, cujas agressões e comportamento atrapalhavam a aula, a diretora entendeu por bem expulsá-lá. Ainda, por ser esta diretora, proprietária de outra escola onde meu outro filho estuda, resolveu expulsá-lo também. Sou advogado e estou estudando possibilidades processuais para reparar esta atitude das escolas. Pesquisando na internet, descobri este site. Vocês conhecem casos parecidos, que tiveram julgamento favorável aos pais, indenizando os danos sofridos?

Sou docente da rede pública e privada. Estou assustada com a quantidade de escolas particulares abrindo por aí. Querendo, visando apenas lucro. Contratando professores despreparados, nem sequer formados. Que formam 90% do quadro docente. Como ter ensino de qualidade assim? Inocentes (ou não) os pais são ludibriados por instituições de ensino assim.

Eu e outros colegas professores da rede pública do Estado de SP não vamos receber salário no mês de março de 2013, mesmo tendo aulas atribuídas desde o  dia 28 de janeiro e trabalhado e cumprido a jornada do  mês de fevereiro inteirinho.....de sol a sol, praticamente. Fomos até a Delegacia de Ensino falar com o setor de pagamento e eles nos disseram que o “sistema” é novo e por algum motivo não aceita os “novos códigos” ou as “novas funções”. E eu com isso?!? Cumpri com dedicação e perseverança o meu trabalho. Vou querer deles o seguinte: que escrevam e protocolem uma carta para o gerente da minha conta dizendo que não poderei pagar a parcela de meu empréstimo, que não vou ter saldo suficiente em minha conta para pagar meus cheques pré-datados de supermercados e posto de gasolina, e que não conseguirei também pagar as contas básicas de água, luz e telefone, porque, por “incompetência e falha do sistema”, meu salário não está digitado na folha de pagamento dos funcionários públicos do Estado de São Paulo... Como vocês acham que estou me sentindo?!? Queria muito que fosse o salário dos que estão lá na Delegacia de Ensino ou em outros gabinetes da secretaria da educação. Não aguento mais tanto descaso e humilhação...