30 julho 2006

Salário não é desculpa

Fui no blog da Rosely Sayão - http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br - pois ela também comentava a reportagem do Estadão sobre as escolas que não ensinam.
O que vi lá como respostas foram muitos professores aborrecidos com os comentários dela e do jornal dizendo as costumeiras frases que ouvimos aqui também para as quais gostaria de dar respostas definitivas do pensamento do Educafórum quanto a essas questões:
1 - Quanto a questão do salário dos professores não permitir uma boa atuação temos a dizer que:
Isso não pode ser usado como desculpa para o mau desempenho de nenhuma profissão muito menos na de um profissional de ensino!!!!!!!!!
Caso isso fosse uma resposta que se aceitasse como verdadeira deveríamos ter prédios caindo por aí aos milhões (olha quanto ganha um pedreiro!), nos restaurantes somente comidas com açúcar no lugar de sal, frias, com pedaços de osso ou até pior com baratas ou com cuspe (da cozinha até o garçon...confiram os salários!), as babás deveriam largar os bebês sozinhos na pracinha, o padeiro... credo... nem imagino como poderia ser a massa do pão que ele acorda todo dia às 5 da manhã pra fazer... (sem três meses de férias! sem sábado e sem domingo!)... Bom e os enfermeiros então?... com a vida sacrificada que levam... Motoristas de ônibus... de táxi... que stress! Quantas linhas, quanto transito, quanta gente pra levar pra lá e pra cá... quanto medo e insegurança... Quanto ganham?... Ah! deveriam só passar no vermelho com esse salário aí!... E o lixo?... os lixeiros deveriam jogar tudo pela rua!... As vendedoras das lojas deveriam se recusar a dobrar as roupas... Os porteiros de prédios deveriam convidar os ladrões pra entrar...E os pequenos agricultores? ... FOME já para todos!

E assim o caos estaria instalado em tudo como está na Educação!
E quando reclamássemos diriam os garis: "Fale com o Prefeito! Ele que temque resolver sobre o lixo! Já viram que o povo não tem educação e suja tudo? E eu que tenho que limpar? Eu não! Mande o povo se educar pra depois mechamar pra ser gari!"...
...E assim todos teriam o seu "culpado" pra apontar, sem perceber que a simples ação deles é que mudaria tudo...
Postura e ação de cada um na sua sala de aula muda a Educação em geral!...

2 - Não adianta vir aqui culpar o sistema. É com o professor mesmo que queremos falar e a ele vai a responsabilidade direta de EDUCAR seus alunos
"Reclamem com o Ministro dos Transportes, com a Saúde Pública, com o Ministro da Economia, com o Presidente"... Isso é falar pro vazio, pro nada...
Aqui falamos pra quem está em contato direto com as crianças: os diretores e professores das escolas!
Portanto, caros professores, que escolheram essa profissão e já sabiam do salário e das condições de trabalho, deixem de usar isso como desculpa para dar aula mal dada ou não dar aula, para não Educar as crianças que têm sob a sua responsabilidade TODOS OS DIAS na sua frente na sala de aula! (ontem eu soube que uma menina que ficou cega não teve assistência especial por mais de um ano numa escola porque ninguém avisou a Secretaria da Educação do caso dela! - E bastava um telefonema! Assim que uma professora de verdade se sensibilizou e avisou as providências foram tomadas! Em outra escola fui informada que a média de faltosos no dia é de 8 ou 9 professores!!!!!!!!!!! Isso é espantoso!!!!!!!!!! - a escola tem 20 professores...)
Que escola é essa? Que educadores são esses? Que salário precisariam ganhar pra ter ao menos CORAÇÃO - já que não têm consciência?
O que paga a conscientização deles? e como eles conseguem apagar a própria consciência depois de tanta irresponsabilidade?
"Escola não é assistência social"...(eu escuto professores dizendo isso...) mas onde senão na escola o poder público tem acesso aos problemas da família tão claramente? Como se pretende formar um cidadão sem ampara-lo? "Carcando"conteúdo vestibularesco em cima dele?
E se as famílias estão em crise como a escola pode se furtar a fazer essa ponte?
Isso não é uma questão de salário não... para mim é ignorância pura, é não saber ou desprezar o tamanho da influência que uma palavra de Mestre pode ter na vida de muitas "pessoinhas" em formação.
Por isso por aqui no Educafórum, professor que tratar mal a qualquer ser humano que tenha sob sua responsabilidade formar (e tratar mal não é ser severo, por favor não confundam isso!) será chamado a responder sim por suas falhas (com educação e dentro do diálogo civilizado mas sem desculpas esfarrapadas pra encobrir seus erros) ganhe quanto ganhar, seja quem for o governador, o prefeito, o secretino ops o secretário da Educação...
O item 3 vai em outro post pra não ficar tão longo... (dizem que alguns professores não gostam de ler e não quero correr o risco que eles abandonem o texto pela metade....)
Os bons professores que não se ofendam porque não é com eles esse papo, os maus que por favor tomem consciência antes de reclamar dessa mensagem!
(e segura que vem mais por aí...)
Há mais de dez anos que repito tudo isso... me animo, desanimo e vejo que nada muda...
Até quando?...
Vera Vaz

24 julho 2006

Os crimes "di maior"


Todo o Brasil está fervendo de indignação contra os crimes "di menores". Os crimes "di maiores" costumam despertar muito menos revolta, sejam mensalão, formação de quadrilha, corrupção passiva ou ativa etc., como se não contribuíssem a ceifar vidas. Mas existe um crime "di maior" que é absolutamente ignorado, embora seja uma das maiores causas dos crimes "di menor" que tanto chocam a sociedade. Esse crime se chama CORRUPÇÃO DE MENOR e se aplica a todos que, por negligência ou propositalmente, empurram crianças e jovens da escola para a marginalidade. Esse crime "di maior" é cometido diaria e impunemente por professores e profissionais "da educação", conselheiros tutelares, políticos e até jornalistas que tendem a canalizar essa tendência da sociedade brasileira a punir os mais fracos.

Faço minhas as palavras de Mauro A. da Silva http://www.geocities.com/coepdeolho neste trecho de sua carta aberta à Folha de São Paulo em 23/07:


Toda vez que um "di menor" cometer um crime, a imprensa democrática deveria divulgar o histórico escolar do "di menor": nome da escola da qual ele foi expulso, nome dos seus professores, nome do diretor, nome do secretário de educação, nome do prefeito, nome do governador, nome do presidente... e divulgar também tudo o que o "di menor" aprendeu nas famigeradas escolinhas do crime: as febens brasileiras.Uma justa homenagem às vitimas passa também pela responsabilização e punição das autoridades públicas que fecham os olhos à exclusão escolar e ajudam a formar os delinqüentes juvenis nas febens do Brasil.

23 julho 2006

Homenagem a Gianfrancesco Guarnieri


O Brasil perde o grande dramaturgo e ator Gianfrancesco Guarnieri, bem mais importante mas menos "global" do que Raul Cortez, outra grande perda desta semana. Já que este blog trata de educação, vamos relatar o que o Estadão publica na data de hoje:

Expulso do colégio com primeira peça


Guarneri aprenderia uma lição importante na sua primeira “tentativa” de escrever uma peça teatral, no colégio de padres Santo Antônio Maria Zacharias, no Rio. A peça chamava-se Sombras do Passado e tinha como “alvo” um vice-reitor prepotente. O “problema” foi que Guarnieri interpretou o personagem principal e, embora a peça tratasse de um tema que nada tinha a ver com o colégio, ele representou tão bem que os alunos reconheceram no prepotente protagonista de uma casa o odiado “vice-reitor” e começaram a gritar seu nome durante o espetáculo. A peça foi muito aplaudida e Guarnieri foi expulso do colégio.

Sem comentários, ou?

Expeçiau Seu Creysson


Juxto agórica que estou terminândio minha pratafórmica ministérica da educaçaum, fui xamádio pelo meu partídio Çociau para çê candidátiu a presidêntio. Índia num deçidi, vô tentá convençê o partídio a axá ôtro candidátio. Aleáis, vai çê fáçiu axá ôtro candidátio anaufabético pra presidêntio, difíçiu vai çê conseguí ôtro minístrio anaufabético! Foi mutcho trabáio construí minha pratafórmica DO XAUM NAUM PÁÇIA e só foi puçiveu com a ajúdia de tudo voçêis, principaumêntis do pôvio de Maringália, aquélia çidaude xarmózia e cráquia em educaçaum.

Vô tomá minha deçisaum dia 25 e comuníquio pra tudo Brasiu no pograma grobálico. Côntio contíguio de quarqué fórmica!

Mutcho, mutcho obrigádiu por túdio!

PÓDIS CRÊ:
É CRÊ, É CRÊ, É CREYSSON NA CABÊÇIA!

Seu Creysson:

O MINÍSTRIO QUE SE ADAPITA A QUARQUÉ PRESIDÊNTIO

ou

O PRESIDÊNTIO ANAUFABÉTICO PRA NINGUÉM BOTÁ DEFEITCHO

Ponto para os garotinhos!


Pode-se falar o que quiser do casal de "garotinhos", mas desta vez eles deram uma dentro! O Estado do Rio de Janeiro acaba de colocar na lei que todo estudante tem direito à meia entrada em cinemas, teatros etc., possuindo ou não a carteirinha da UNE ou UBES. Essa carteirinha safada vem sustentando a politicalha juvenil, ao invés de ajudar a melhorar a cultura dos estudantes, pois ela é altamente seletiva. No Rio custa R$ 20,00, em Sampa R$ 26,00 e vai lá saber nos outros Estados.
Ponto para os garotinhos cariocas: finalmente eles vão ter mais acesso à cultura e ao entretenimento!

Aqui existe porém um paradoxo: não haveria necessidade de uma lei estadual para permitir aos alunos esse benefício, pois já existe a medida provisória federal 2.208, de 2001, pela qual todo estudante tem direito à meia entrada, apresentando qualquer carteira de identificação escolar, e sendo vetada a exclusividade. Portanto, não apenas os carioquinhas, TODO ESTUDANTE BRASILEIRO TEM DIREITO à meia entrada. Mas vamos e convenhamos: em um país onde a própria constituição é tratada como papel de embrulho, quem vai respeitar uma medida PROVISÓRIA? Aliás, essa medida é anterior ao atual governo, pra que o Lula se preocuparia com ela? Além de que a UNE, UBES e as outras "uniões" estudantis são da mesma panela. Por isso o casal de "garotinhos" merece palmas! Aqui em Sampa, os poucos estudantes que tentaram adquirir a meia entrada sem a carteirinha "oficial", foram ridicularizados nas bilheterias de cinemas e teatros. Alguns bateram boca e foram humilhados. Tomara que o exemplo do Rio repercuta por todo o Brasil.
Senão, pode deixar que Seu Creysson resolve o problema! Ókeyo?

20 julho 2006

Panela que dois mexem azeda o angu


Com esta tirada sensacional, Cremilda comenta a proposta do candidato José Serra para melhorar a educação em São Paulo. Leia trechos:

Vai contratar duas professoras para cada classe. Para mim isso não é uma proposta, é uma ameaça. Daí serão duas a não fazer nada. A qualidade do ensino só melhora quando houver investimento de ordem moral, quando o salário das professoras for compatível com o rendimento do aluno.Quando tiver instância onde os pais possam denunciar os abusos e as aulas medíocres. Onde possam fiscalizar a qualidade e quando as faltas forem descontadas. Pode colocar até meia duzia de professoras em cada sala que não vai adiantar nada. Já diz o velho ditado caboclo: "Panela que dois mexem azeda o angu". Escola pública já é um angu de caroço faz tempo e promete piorar. Vai ser um tal de uma responsabilizar a outra na sala de aula. Pagar duas para fazer o serviço de uma. Aliás, ensinar é uma profissão. Em qualquer função, o trabalhador não executou o serviço, ele é demitido. Na escola pública um professor não ensina, vai ter outro para ajudá-lo a não fazer nada! Isso tudo com o contribuinte pagando a conta. Para os professores vai ser ótimo, vai aumentar a oferta de trabalho. Bem, trabalho não propriamente, emprego num cabidão para ninguém botar defeito. Vai ser um tal de uma faltar e a outra não fazer nada até que aquela volte. Se não fiscalizamos uma, não fiscalizaremos duas. Quem pensou que a escola pública de São Paulo está tão ruim que não pode piorar, se enganou. Pode, pode sim. http://cremilda.blig.ig.com.br

A outra tirada sensacional é da Glória, dizendo que a classe docente é a "Vaca Sagrada" no Brasil, com ela não se mexe, a não ser para idolatrá-la. Já que não está mais pegando tão bem falar de aumento de salário para os professores, a idéia agora é ampliar o mercado de trabalho... Com essa proposta eleitoreira, o Serra mereceria o troféu Anta na Educação! Acho que vou mesmo seguir o conselho do nosso amigo Serjão e pegar mais leve, levar na brincadeira. Já criamos aqui um belo zoológico na educação: a Anta, a Hiena, a Vaca... Que mais?

16 julho 2006

O Minístrio que se adapita a quarqué presidêntio


PRATAFÓRMICA DO SEU CREYSSON: DO XAUM NAUM PÁÇIA

Eça sujestaum veio dos Isteites, nóis merece:

Proméçia 8

Promêtcho que vô fazê um acôrdio com o Biu Guêitio e o Méque Dônaldio pra todo alúnio ficá infromatizádio. O Biu Guêitio vai doá um lepi-tópio pra cada alúnio e o Méque Dônaldio vai deixá os alúnio usá o internétio em suas loja de todo Brasiu. Cada escólia vai tê o “Bróguio do Alúnio”, ôndio os alúnio vai dá nótia pra cada professôrio. O professôrio que fô reprovádio no fim do âniu naum vai sê demitídio, vai ganhá paçagem de grátis pra quarqué lugário do múndio e tê seu imprêguio garantídio em arguma loja do Méque Dônaldio.

Isso é o pograma de Interescambo Grobalizádio do Seu Creysson.

DISPOIS DO PRESIDÊNTIO OPERÁRICO, XEGÔ A VEIZ DO MINÍSTRIO ANAUFABÉTICO!

15 julho 2006

Sobre o post Hienas no escuro


Mauro Alves da Silva, do Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública http://www.geocities.com/coepdeolho, comenta a questão das perseguições e represálias contra os pais e alunos da rede pública que dão entrevistas à imprensa:

Essa preocupação é legítima. Lembramos que alguns casos denunciados da Escola Municipal Theodomiro Dias são exemplares: os alunos e os pais foram perseguidos e punidos. (Sobre este caso, voltaremos em breve).

Em vista disso, cabe a toda a imprensa acompanhar o desenrolar do caso, denunciando as eventuais perseguições que estes alunos venham sofrer. O Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública apóia totalmente os termos da reportagem. No Estado Democrático de Direito é inadmissível que tenhamos de esconder uma realidade e sonegar uma informação sob pretexto de que "agentes públicos possam punir ilegamente nossas crianças por terem feito declarações verdadeiras contra as escolas públicas". As autoridades educacionais e o Ministério Público devem ficar atentos à questão e punir os abusos das escolas.

Grande Mauro! Você usou as palavras certas: numa democracia é inadmissível esconder uma realidade por medo da punição. Isto mostra que o processo democrático ainda não está consolidado neste País, onde se permite que as Hienas ataquem os mais fracos.

Reforço meu apelo ao Estadão e aos outros meios de comunicação para proteger essas crianças. Como? Ficando por perto, prevenindo e denunciando os ataques das Hienas.

14 julho 2006

Hienas no escuro


Com muito espanto, misto de surpresa e preocupação, li os depoimentos de alunos das redes estadual e municipal de São Paulo, publicados no Estadão de 09/07. Os depoimentos, chamados de "histórias", completam a reportagem As crianças já estão na escola; agora só falta elas aprenderem, de Lourival Sant´Anna.

O espanto não diz respeito às histórias - dessas eu conheço milhares - mas à ousadia da reportagem, que conseguiu burlar as sentinelas das escolas e obter depoimentos autênticos de crianças e adolescentes. Um feito! Agora o rei, ou melhor, a Anta, está nua! Quem tem filho em escola pública sabe a dificuldade de se chamar a imprensa na porta da escola e conseguir que a reportagem seja publicada. Em primeiro lugar, tem de haver silêncio absoluto sobre data e horário, senão as sentinelas mexem seus pauzinhos para abortar a própria vinda dos repórteres à escola. Mesmo que eles consigam chegar, qualquer movimento suspeito na porta ou na calçada é imediatamente detectado pelas sentinelas, que saem para recolher os alunos e já vão declarando aos jornalistas que qualquer reportagem é "proibida" (sic) , por ordem da Secretaria. Lembro uma vez, quando chamamos a uma escola a saudosa Rosa Baptistella, apelidada carinhosamente pelas mães de "Dona Rosa do Estadão" e a direção chamou a Rota, que veio correndo "ajudar"...
Como foi que esses repórteres conseguiram fazer tantas perguntas e receber tantas respostas reveladoras sem as sentinelas soltarem seus cães de guardia? Este foi portanto um ponto positivo: mostrar a nudez da Anta. A verdade pode doer, mas sem ela o mundo só anda para trás.

Mas a minha preocupação é muito maior do que a grata surpresa. Os competentes repórteres dessa matéria, como todo jornalista, não têm filho na rede pública. Se tivessem, saberiam que as escolas onde foram entrevistados esses alunos vão ferver durante um bom tempo. Em cada uma delas vai ser instituído um implacável Tribunal de Inquisição, que vai ser mantido até que sejam descobertos os nomes de todas as crianças entrevistadas. Elas, que não têm culpa de nada, serão perseguidas até o final de sua vida escolar, se é que conseguirão continuar seus estudos. Nestas horas, as Antas e suas sentinelas tornam-se Hienas, atacam da forma mais sórdida e covarde. Porque o tipo de histórias contadas por essas crianças são uma possível ameaça de processo administrativo, a única coisa temida por Antas, Hienas, suas sentinelas e cães de guárdia.

Não quero agora comentar as interessantíssimas histórias dos alunos, copiadas em nossa Seção de Textos. O mais urgente, no momento, é proteger essas crianças, que estão realmente correndo perigo. O estrago já está feito, mas teve o lado positivo de mostrar a nudez da Anta. Para amenizar as conseqüências negativas, só existe uma forma: que o jornal assuma o acompanhamento do assunto e continue jogando holofotes sobre aquelas escolas e aquelas crianças. Estou apelando para O Estado de São Paulo no sentido de perceber a gravidade do assunto e pouco me importam as gargalhadas de todas as hienas com esta minha atitude. Só quem tem ou teve filho estudando na rede pública consegue imaginar o tamanho do estrago de uma perseguição ao aluno que deu entrevista à imprensa, principalmente o "anônimo".

O grande perigo agora, é deixar as Antas e as Hienas no escuro.

11 julho 2006

Transporte escolar

Do site dos nossos amigos PaisOnline www.homestead.com/paisonline:

A prefeitura diz que transporta mais de 100 mil crianças às EMEIs e EMEFs de São Paulo. Se você não conseguiu vaga perto da sua casa e gasta tempo e dinheiro levando seu filho para a escola, procure seus direitos! "O Estado e a Prefeitura são obrigados a colocar as crianças em escolas próximas ou pagar pelo transporte, caso a distância entre a casa e a escola seja maior do que dois quilômetros". Segundo o promotor Motauri Sciocchetti de Souza, os pais que não conseguiram inscrever seus filhos nesses programa VaieVolta devem procurar a Promotoria da Infância para entrarem com um mandato de segurança. Entre em contato imediatamente com a Vara de Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo pelo telefone 3119-9076 (ou finais 7/8/9), ou pessoalmente na R. Riachuelo 115, São Paulo - SP 01007 -000, no horário comercial.

Em todas as outras cidades do Brasil também existe uma Promotoria da Infância e Juventude. Coragem, Senhores Pais!

Provar o quê?


Pouco se falou da Prova Brasil, realizada em novembro de 2005 para testar os conhecimentos de português e matemática de alunos de 4ª e 8ª Séries em cerca de 640 municípios brasileiros. Participaram ao todo 3,3 milhões de alunos. O pouco que se falou, como sempre, foi de forma genérica, falando em vergonha, vexame, horror... Sim, vergonha, vexame, horror, mas vamos aos fatos, sempre muito nebulosos, pois um jornal fala em percentagens, outro fala em pontos, outro ainda em posição, e assim fica difícil para os poucos interessados ter uma visão clara.

Tentei fazer um resumão, aplicando a velha regra da nota de um a dez, que aliás detesto, mas em falta de outra, vai essa mesmo:

O "Brasil" deve ter tirado em média algo como nota 4,8, ou seja, a nota média de todos os alunos que fizeram a prova deve estar por volta disso, mas não consegui uma base exata para fazer o cálculo. Alguém se habilita?

Mas é em São Paulo que a porca torce o rabo, ou melhor, é aqui o paraíso da anta. Sampa tirou em média 4,5 na 4ª Série e 4,7 na 8ª Série. Pensando bem, não é grande diferença, ao contrário do que a mídia parece querer mostrar, como se a média Brasil fosse uma maravilha. O vexame é o fato de Sampa ser a "locomotiva" do Brasil, em todos os sentidos. Mas a pior nota, provavelmente, seria dos alunos das escolas estaduais de São Paulo, pois a Secretaria negou-se a participar da Prova Brasil, alegando que a rede era grande demais para organizar o exame. As notas, portanto, se referem aos alunos da rede municipal de São Paulo, que pôs sua cara para bater, ou melhor, foi obrigada a participar da prova, enquanto as redes estaduais podiam ou não participar. O fato é que a rede estadual de São Paulo foi a única que optou por ficar de fora...

Mais fatos: Sampa ficou entre o 20º e o 21º lugar entre 26 Capitais brasileiras, atrás de cidades muito mais pobres do Norte e Nordeste, como Teresina, Aracajú e Rio Branco.

Aqui no Estado de São Paulo, a cidade de Barra do Chapéu, com menos de 5 mil habitantes e alto índice de analfabetismo, foi a primeira no ranking da 4ª Série, com em média nota 6. Em quase todos os países do mundo, nota 6 é o mínimo indispensável para passar de ano "raspando". Portanto, coloco minhas barbas de molho ao ler a reportagem do Estadão de 07/07, segundo a qual essa nota indica que os alunos são capazes de perceber o sentido de uma metáfora, ler gráficos e resolver problemas com quilogramas e moedas. Adoraria que fosse verdade, mas dá pra confiar?...

Não acredito em notas, conceitos e avaliações que não são feitas olho-no-olho por professores competentes e compromissados. Detesto pensar que a escola, ainda hoje como nos meus tempos de criança, serve para tirar nota e passar de ano. Uma escola burra, que não sabe aproveitar a riqueza da vida para cultivar a inteligência e a sensibilidade da criança. Uma escola "castradora das vocações", como dizia o saudoso Plínio Marcos. E, principalmente, uma escola que faz questão de excluir os diferentes, os mais necessitados e os mais inteligentes.

A Prova Brasil, portanto, serviu somente para avaliar a incompetência do sistema educacional brasileiro e da sua classe docente. Menos a da rede estadual de São Paulo, que espertamente tirou o seu da reta...

08 julho 2006

A "Anta do Ano"




Inspirados em nosso amigo Serjão, que instituiu o impagável Bundão da Semana http://serjaocomentadoceu.blogspot.com, resolvemos criar a Anta do Ano, na educação, é claro. Do ano, porque infelizmente educação é assunto de menos importância na imprensa brasileira. Mesmo assim, nas poucas entrevistas concedidas, as autoridades “competentes” se saem com cada uma!!!...

A Anta do Ano (mesmo estando apenas no meio!) é certamente Carmem Vitória Annunziato, Secretária Adjunta da Educação do Estado de São Paulo, que declarou ao SPTV, em 28 de junho, o seguinte: para resolver o problema da falta de vagas em São Paulo, o ideal era que as escolas tivessem rodinhas, porque em algumas regiões existem escolas praticamente vazias, ociosas, e nós não podemos pegar estas crianças e transportar para lá.

Deu pra entender por que apoiamos a nomeação do Seu Creysson a Ministro da Educação?...

Vamos lá, Dona Carmem: a senhora caiu de paraquedas na Secretaria, portanto não sabe e provavelmente não quer saber tudo o que já foi proposto pela comunidade para resolver o problema de falta de vagas em São Paulo, extremamente grave, porque até hoje os pais de alunos não recebem sequer um comprovante ao solicitarem matrícula para seus filhos. O que mais eles ouvem é: “Não tem vaga. Talvez mês que vem, se houver alguma desistência”. Transparência zero! É muito fácil para os diretores de escola manipular os dados: tem vaga, sim, para quem eles querem! Aliás, todos sabemos que vereadores e políticos em geral têm prioridade na matrícula dos filhos de seus cabos eleitorais...

Quanto às escolas “terem rodinhas”, a Secretária nunca ouviu falar em transporte escolar? Um método barato e muito civilizado.

A Secretária também coloca que as Secretarias de Educação Estadual e Municipal de São Paulo estão sentadas em conjunto para estudar o problema da falta de vagas, numa “parceria inédita”. Demorou!! Já no ano de 1999 (século passado, hein?), nós sentamos em reunião aberta e gravada da Comissão de Educação da Câmara Municipal com representantes das duas Secretarias e com diretores da PRODAM e da PRODESP para discutir a matrícula unificada das escolas municipais e estaduais, a fim de garantir que os pais pudessem finalmente comprovar sua procura de vagas e obter a matrícula para seus filhos. Sentindo que havíamos sentado em vão com aqueles “parceiros”, no dia 03/02/2000 o Fórum Municipal de Educação encaminhou a todos os Deputados e Vereadores das Comissões de Educação da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal o documento postado hoje em nossa seção de “Textos”, alertando para o caos futuro e pedindo providências imediatas para amenizar a situação. Também foi em vão!

Hoje, as Secretarias de Educação do Estado e do Município de SP têm a ousadia de gabar-se de ter conseguido maior inclusão escolar! Mentira deslavada e perversa, já que não há transparência nos dados. A Secretaria Estadual da Educação não merece qualquer desculpa, pois está “no poder” há doze anos!! Tivemos que amargar a Dona Rose e seu fiel escudeiro Hubert Alquères, depois o “Bonitinho mas Ordinário” e agora, em fim de feira, a Dona Carmem, que resolveu "sentar" com a Secretaria Municipal da Educação para...construir novas escolas com rodinhas!

Quanto às escolas ociosas, saiba o paulista que, nesses doze anos de “governo”, a Secretaria Estadual da Educação fechou mais de 200 escolas por “falta de rodinhas”, entre outras, aquela onde meus filhos estudaram...

Pais da anta:
Os Governadores do Estado de São Paulo, todos os Secretários e Secretários Adjuntos da SEE, inclusive os Deputados da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, que deixaram São Paulo se tornar o campeão da exclusão escolar no Brasil e lotaram as Febens de garotos sem futuro.

Filhotes da anta: (e da ditadura!)
Todos os Supervisores de Ensino e Diretores das escolas do Estado de São Paulo, que não dão entrevista para a imprensa, por ordem expressa da Secretaria, desde que nós iniciamos este trabalho, em 1990.

02 julho 2006

O minístrio que se adapita a quarqué presidêntio!


Mais uma vez, apoiamos a nomeação do Seu Creysson a Ministro da Educação. Certamente, com ele, do chão não passa...

O Decalógico Pedofilógico do Seu Creysson já está quase prôntio! Eça sujestaum veio de Portugálio, agora agorínia. Falta çó mais trêiz sugestaum pra acabá minha pratafórmica. Aguárdio a sua!

Proméçia 7

O conteúdio das áulias nas escólias do Brasiu vai çê fórtiu, principaumentis as áulias de portuguêzio e matemático. Nas áulias de portuguêzio os alúnios vai aprendê a respeitá o Felipaum, que çe mandouçe pra Portugálio quando viu que a çeleçaum tava sem chanche. Áulias pezadas, aja umilhaçaum! Nas áulias de matemático os alúnios vai aprendê o quanto o Brasiu já pagô de juros pros Isteites nos últimos ânius. Essas áulias vai sê mais pezadas aíndia, sô!
Eçe é o pograma de Ensínio Fórtiu do Seu Creysson.

DISPOIS DO PRESIDÊNTIO OPERÁRICO, XEGOU A VEIZ DO MINÍSTRIO ANAUFABÉTICO!



Entre o justo e o legal


Ainda que amparado por lei, o direito de se ausentar não pode contrapor-se ao dever maior de construir uma escola de qualidade.

Com esta frase do Prof. Júlio Groppa Aquino, da USP, quero terminar com chave de ouro o assunto "greve", que nos tem ocupado durante meses, ao acompanhar o sofrimento dos pais do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Alguns trechos de seu artigo publicado na revista Nova Escola:

No esporte, diz-se que a maior desonra é perder por W.O. (abreviatura de walk over, lê-se dáblio ó). O termo é usado quando a vitória é dada a um dos competidores graças à desistência do outro. Desonra para quem perde — porque fugiu da disputa — e também para quem ganha — pois não houve empenho na conquista.
No jogo escolar, tudo é possível — menos a ausência dos jogadores. Infelizmente, não é o que ocorre. Nas escolas brasileiras, principalmente as públicas, o W.O. é freqüente. Absenteísmo é o termo apropriado para esse fantasma silencioso, contra o qual deveríamos lutar com toda a coragem.
Faça as contas: se 25% é o limite de faltas permitido por lei aos estudantes, ao final de 200 dias letivos são 50 de ausência — mais de dois meses de aulas. Nos oito anos do Ensino Fundamental, o jovem pode permanecer dois anos fora da escola e, ainda assim, ser aprovado. Um descalabro!
Situação igualmente danosa ocorre entre os colegas professores, sobretudo nos grandes centros urbanos. É quase impossível encontrar uma escola pública em que estejam presentes, num mesmo dia, todos os docentes que lá deveriam estar. Na maioria das vezes, as faltas garantidas por lei são usufruídas no limite máximo. Isso sem falar nos abonos, afastamentos, licenças etc.
Pouquíssimas profissões carregam o hábito das faltas ao trabalho de forma tão nítida quanto a nossa. O resultado são aulas vagas à profusão, calendários fictícios, conteúdos aligeirados. Enfim, a praga do W.O. pedagógico!
De um modo ou de outro, a cultura do absenteísmo aponta para uma mentalidade pedagógica que se norteia mais pelo descanso do que pela labuta. Mais, ela se opõe aos princípios da ética profissional docente. Isso porque os ociosos não conhecem o sono dos justos...

O sono dos justos... Como terá sido o sono dos professores do Colégio Pedro II durante sua greve "legal", recebendo seus salários normalmente, chopinho na mão, assistindo à Copa do Mundo?...
Os professores da rede federal são os que ganham mais neste País tão dado às desigualdades. Mesmo assim, eles aproveitaram a onda de seu sindicato e optaram pelo ócio, que ninguém é de ferro. Aliás, o "ócio criativo" está muito na moda. Pódis crê que esses professores vão voltar para a sala de aula revigorados e com muitas novas boas idéias para melhorar a qualidade do seu ensino!...

A verdade é uma só: não são seus filhos que estudam naquela escola. E, se estudarem, nota zero para eles como pais. Aliás, em qualquer situação, nota ZERO para eles como pais! Nota zero por não ensinarem a seus filhos o que é igualdade social, o que é democracia, o que é solidariedade. Quando os professores falam sua frase preferida, "A educação vem de casa", não pensam no exemplo que estão dando a seus próprios filhos: "Filhão, já tá indo pra escola? Muito bem! Papai não vai, porque pra você eu pago escola com o dinheiro que ganho sem precisar dar aula. Boa aula, viu filhão?".

Quanto ao limite de faltas permitidas "para o aluno", fique claro para todo o Brasil que a percentagem de 25% foi estipulada exatamente para JUSTIFICAR o DIREITO A FALTA do professor, em nível nacional. Um direito legal, mas injusto.

Enfim, entre o justo e o legal, neste País, as distâncias são tão enormes quanto as desigualdades sociais. Ainda bem que alguns professores renomados põem a cara para bater e nos lavam a alma com sua coragem.

Leia toda a série de artigos de Júlio Groppa "A escola como ela é" em www.novaescola.com.br, link Opinião.