31 maio 2012

O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos e a moral nacional


Como se não bastasse o ex-Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, aceitar defender Carlinhos "quibunitinho" Cachoeira pelos módicos honorários de 15 milhões de reais, o modesto advogado "se esqueceu" de checar a origem do dinheiro, já que os "bens" do bicheiro estão bloqueados e, de qualquer forma, a renda por ele declarada é absolutamente incompatível com os honorários pagos.

Todavia, seus colegas da OAB não acham nada demais, pois não caberia ao advogado se preocupar com a origem dos recursos. O advogado não pode ser confundido com o cliente...

Assista a este bloco do Jornal da Cultura de ontem e repare no HILÁRIO depoimento do advogado que entenderia necessário verificar a origem do pagamento, caso fosse efetuado através de  algum bem, MAS NÃO, se for em dinheiro vivo!





Trocando em miúdos (RIA BASTANTE): se Márcio Thomas Bastos tivesse aceitado defender o bicheiro em troca de uma motocicleta, aí sim, seria necessário investigar a origem desse bem, mas se os honorários forem pagos através de uma mala ou de uma cueca  cheia de dinheiro, tudo bem!!! 15 milhões em notas de R$ 100 cabem dentro de uma única cueca?... E quem vai entregar esse "bem" incontestável ao dedicado advogado?...

Parabéns, Dra. Maristela Basso (também advogada), parabéns, Dra. Arlene Clemesha, parabéns Cristina Poli, parabéns a todas nós, mulheres do Brasil que não nos deixamos enrolar por argumentos ridículos que procuram justificar a imoralidade. 

É por essas e outras que continuo repudiando o ensino de "filosofia" e "sociologia" nas escolas públicas de Ensino Médio. A não ser que os tais professores de filosofia e sociologia se dessem ao trabalho de comentar com os alunos a imoralidade de uma atitude como a do ex-ministro e a apatia de uma sociedade que assiste passivamente a tal descalabro. Será???

28 maio 2012

Conselho Estadual da Educação sob investigação


O Observatório da Educação, informativo da Ação Educativa, noticia que o Ministério Público Estadual - Grupo de Atuação Especial da Educação, GEDUC, abriu um inquérito civil para investigar a constituição do Conselho Estadual da Educação, CEE. Não há representantes da sociedade civil na composição do CEE e a maioria dos componentes estaria ligada à rede particular de ensino. 

Leia a notícia clicando aqui
Esta pode ser realmente uma boa nova, pois não dá para acreditar que profissionais ligados ao ensino particular estejam realmente empenhados em melhorar a educação pública...
Vamos monitorar!

27 maio 2012

A educação domiciliar e o lobby da escola particular

Já há alguns anos tento acompanhar o caso da família mineira que escolheu educar seus filhos em casa. Não consigo... Caso nebuloso, que aparentemente não merece melhor investigação por parte da mídia. Não que haja jornalismo investigativo na educação, rs, mas seria bom que, quando o assunto viesse à tona, fossem dadas informações mínimas para entender os fatos. Sabe-se que os pais mineiros foram processados, já que a educação informal é proibida no Brasil, mas não se consegue saber a quantas anda a ação na Justiça. Hoje o Estadão publica uma página inteira sobre o assunto, dá muita informação sobre a vida da família, noticia que os filhos mais velhos têm ganho prêmios de toda sorte e que estão para embarcar para a Califórnia, mas não esclarece a questão legal.

O trecho sobre o processo informa que o casal teria sido condenado em 2010 a uma multa estimada hoje em R$ 9 mil por descumprir o ECA, mas não deu para entender se a condenação é definitiva, se eles vão ter que pagar a multa por "abandono intelectual" ou não. Multa, aliás, por terem tido a coragem de dar uma educação de qualidade aos filhos, rsrs. Rindo para não chorar!

O assunto poderia ser de enorme interesse para muitos pais que pretendem educar seus filhos em casa - por N razões. Aqui no EducaFórum, por exemplo, já recebemos dezenas de mensagens de pais  de crianças autistas, dislexas, TDA, superdotadas e - PASME! - traumatizadas pela própria escola, perguntando a respeito da legalidade de se manter os filhos em casa com professor particular, já que a esmagadora maioria das escolas brasileiras não possui programas adequados para proporcionar uma educação de qualidade para esses alunos. Nossa resposta tem sido sempre a mesma: não façam isso, pais que se atreveram a essa façanha estão sendo processados e não se sabe de vitórias a respeito.

Se o Brasil é um país caolho na questão educacional, pode-se dizer que é cego a respeito da obrigatoriedade da educação formal. Atreva-se a pensar em manter seus filhos em casa, para que fujam da burra pedagogia da cópia/decoreba! Você vai ter um conselheiro tutelar semi-alfabetizado no seu encalço, numa perseguição implacável até pedir arrego!

As raras matérias que saem na mídia sobre educação domiciliar nunca passam da mesmice. Além de  trazer sempre um único caso, não informam sobre os reais perigos que o cidadão corre ao não mandar os filhos para a escola: afinal, quantos anos dura um processo contra os pais? O que acontece se perder? Vai ter ou não vai ter multa?

As entrevistas aos especialistas também são pobres, dá a impressão de que só existem duas opiniões:  o educador que é contra, porque a educação informal inibiria o desenvolvimento integral das crianças, e aquele que é a favor, porque acha que elas poderiam ter um rendimento melhor, inclusive na parte social. E agora, José... e Maria?

Eu sinto muita falta de uma investigação maior e gostaria de lançar uma questão: a quem interessa a obrigatoriedade do ensino oficial no Brasil? Eu diria que, salvo algumas exceções, interessa aos usuários da rede pública, que mesmo assim MUITAS VEZES não conseguem vaga para os filhos e MUITAS OUTRAS VEZES os têm expulsos da própria escola...

A quem, então, incomoda a possível "debandada" de alunos da educação formal? Quem dá uma pista interessante, mesmo sem querer, é um dos pedagogos entrevistados na matéria de hoje no Estadão, Fábio Stopa Schebella. Ele informa que presta consultoria pedagógica para algumas famílias que ensinam os filhos em casa. O que isso sugere?... Que só pais de nível cultural e social elevado pensam e podem colocar em prática o projeto de educação domiciliar para os filhos. Logo... é a rede particular de ensino que tem medo de perder alunos mediante a revogação das leis que obrigam os pais a matricular os filhos na escola. Elementar, meu caro Watson, rs... Pode portanto esperar que o projeto de lei citado na matéria de hoje vai ficar engavetado por um bom tempo - aliás, imagine o ensino domiciliar sendo supervisionado e avaliado periodicamente pelo poder público, rsrs! Além disso, queria muito saber quantos educadores realmente acreditam que a escola brasileira dá aos alunos "a oportunidade de desenvolvimento integral"... Esse lero-lero já não cansou?


PS - Alguém pediu para explicar melhor porque achei que o projeto de lei  regulamentando a educação domiciliar ficaria engavetado. Explico: o lobby da escola particular é que manda na educação brasileira! Secretários da Educação, Dirigentes e Supervisores de Ensino, Conselheiros da educação em todos os níveis, costumam ter um pé, às vezes os dois, na rede privada. Quando não, seus próprios filhos estudam na escola particular. Então, um projeto de lei que possa enfraquecer o "negócio" educação terá poucas chances de passar. Entendeu, meu caro Watson? rs É o que eu chamo de "apartheid educacional". Em nenhum outro país dito democrático existe uma clara separação entre rede privada e pública: a primeira, para os filhos dos formadores de opinião e a segunda, para os filhos "dos outros". Essa situação só vai mudar quando a sociedade brasileira deixar de querer privilégios para os próprios filhos e aceitar - de coração - a igualdade de condições para todos. 

Um blog que vale a pena você conhecer!

Já mencionamos aqui o blog Desmascarando a escola pública, do amigo Edson Ribeiro. Ele traz reflexões profundas sobre a educação, que fogem ao interesse da sociedade e da mídia brasileira, muito imediatistas. Vamos continuar a trazer aqui os textos desse blog. Como diz o antigo provérbio, água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

Segue o link de um texto que liga novela com literatura:

http://desmascarandoaescolapublica.blogspot.com.br/2012/05/quem-diria-um-retrato-da-classe-que-usa.html

Se você tiver interesse em literatura e em educação, o blog do Edson é uma fonte excelente, vá navegando nele para ler mais textos. Boa leitura!

26 maio 2012

Superdotação - a mão direita sabe o que a esquerda faz?


Para entender o assunto de hoje você precisa acompanhar a saga da menina Valéria, plenamente alfabetizada aos 6 anos e obrigada a "aprender" o beabá numa classe de 1º ano. Leia os posts anteriores clicando aqui, aqui e aqui.

Uma informação que não havíamos dado é que as duas irmãs mais velhas da Valéria também estão adiantadas nos estudos. Bom, se a superdotação fosse uma questão genética, este caso seria exemplar. A família mora no Capão Redondo e as três meninas estudam na rede pública, mas, se este fosse um país sério, uma escola particular de renome daria com prazer bolsa integral às três alunas, não para posar de boazinha, mas por interesse comercial. Nem isso! Neste país, aBUNDAm a indiferença para os talentos humanos e a incompetência empresarial...

Mas parece que a superdotação das meninas é mesmo herança dos pais! Leia a mensagem que acabamos de receber de Cristina e Claudemir, que encontraram sozinhos, na Internet, a solução para conseguir a reclassificação da Valéria e, talvez, para oferecer a todas as suas filhas uma educação de qualidade. Uma família que mereceria toda a atenção do estado e da sociedade brasileira, se o interesse geral da nação não fossem as novelas das seis, das sete e das oito:

Bom dia, Giulia e Cremilda,

Desculpem, estamos sem telefone, tanto em casa como no celular, por isso estamos enviando este e-mail.
Queremos relatar que fomos ao CAPE, Centro De Apoio Pedagógico Especializado e fomos  muito bem atendidos pelas senhoras
- Tânia - Coordenadora do Ensino Hospitalar,
- Marta - Coordenadora de Crianças com Dificuldades de Aprendizado.

Contando o caso da Valeria , elas demonstraram indignação pela postura tanto da escola como da DE SUL 2 e explicaram que o CAPE funciona como um órgão instrutor (assessoria e consultoria) para profissionais da educação das Escolas Publicas do Estado, possui vários departamentos responsáveis por diversos   tipos de situações, entre elas alunos com Altas Habilidades, cuja responsável é a Sra. Denise, que está em contato bem próximo com a Sra. Christina Menna Barreto Cupertino (Assessora, Consultora, Coordenadora Do CAPE, Organizadora do Projeto Para Crianças com Altas Habilidades e autora do livro Um Olhar Para As Altas Habilidades - Construindo Caminhos).

A Sra. Marta adiantou que ouviram falar do nosso caso e que tomarão providências, dando a resposta mais tardar na terça-feira em dois aspectos:

1º - Garantia do laudo, onde entrarão em contato com psicólogos e psicopedagogos do projeto, a priori sem custos. Isso por uma questão de investimento na criança, existindo a possibilidade  de que ela seja encaminhada para uma bolsa de estudos no colégio Objetivo (para não desperdiçar um provável talento).
2º- Intermediação e soma de esforços com todos nós junto à Secretaria da Educação e Conselho Estadual da Educação,  para reclassificação imediata e sem obstáculos, lembrando mais uma vez que a priori as mesmas se indignaram com a falta de postura e atenção quanto ao diferencial da criança em todos os sentidos. Elas se interessaram também, pelo desenvolvimento das nossas outras  duas filhas.

Abraços,
Claudemir e Cristina

Como já mencionamos no último post, ou a dirigente da DE SUL 2 não sabe da existência do CAPE, órgão da SEE instalado dentro da DE SUL 1, ou ela não quis encaminhar os pais da Valéria para lá. Essa é a dúvida: a mão direita sabe o que a esquerda faz?...

Parece que nem o CAPE acredita na competência da rede pública em trabalhar o talento da aluna, já que aventou a possibilidade de encaminhar Valéria para uma bolsa de estudos na rede particular. Uma pena! Em lugar de se empenhar na capacitação da escola pública, a ideia é sempre encaminhar os alunos superdotados para a rede particular...

Fazemos muitos votos de que o CAPE realmente RESOLVA, no mínimo, a  simples questão da reclassificação da Valéria, assunto que está em banho-maria desde o início do ano e que exigiu dos pais a perda de inúmeros dias de trabalho e rendeu para a aluna desgostos e humilhações. 

Parabéns, Cristina e Claudemir! Vocês são pais SUPERDOTADOS EM CONSCIÊNCIA DE CIDADANIA, um exemplo para todo o Brasil. Torcemos muito por vocês e por todas as suas três filhas! Continuem contando com a nossa solidariedade e apoio. Um abraço!

Giulia e Cremilda 

25 maio 2012

Laudo de superdotação? Pra quê???


Criamos o Troféu Anta da Educação em 2006, mas ele foi até hoje conferido apenas duas vezes, veja aqui e aqui, por ser um prêmio DE PESO, que só cabe a quem demonstrar profunda "expertise". Não que haja falta de candidatos na educação brasileira: esses abundam, mas nosso objetivo aqui é resolver os problemas, não criar caso... Quando porém a buRRocracia oficial passa de todos os limites, tiramos o troféu do baú, lustramos e o entregamos a quem de direito.

Desta vez o Troféu Anta da Educação vai, com toda pompa, para a Dirigente de Ensino da SUL 2, que mandou os pais da menina Valéria, de 6 anos, buscar um "laudo de superdotação" para a filha, pois "a legislação impediria" que ela passasse para o 2º ano do Ensino Fundamental, sendo que a menina já é plenamente alfabetizada e realizou o teste de prontidão para o 2º ano com 100% de acertos.  O passo-a-passo deste "causo" que se arrasta desde o começo do ano você lê clicando aqui.

Para que serviria um "laudo de superdotação"? Para medir se a aluna estaria apta a entrar na faculdade? rsrs Serviria para saber se ela poderá tornar-se um novo "Einstein"? Para que, Sra. Dirigente?... Aliás, se a Sra. realmente achava que esse laudo tivesse alguma utilidade, por que então não encaminhou os pais da aluna para um serviço público que pudesse emiti-lo? Não, a dirigente laconicamente sugeriu que  a família fosse buscar o tal laudo e só.

Os pais da menina contataram alguns psicólogos: um disse que precisaria de 6 sessões para atestar a superdotação da menina, ou seja, mais tempo perdido e R$ 1.000 de gasto! Pechinchando, pode-se chegar a R$ 500... Amanhã os pais vão visitar uma ONG que eventualmente poderia prestar tal serviço sem custo. A surpresa veio da Internet: buscando ajuda, os pais da Valéria encontraram um estudo da própria Secretaria da Educação, da época em que a secretária era Maria Helena de Castro, chamado Um olhar para as altas habilidades - construindo caminhos, leia clicando aqui. O estudo seria destinado à formação continuada de educadores, dentro de um programa do Centro de Apoio Pedagógico Especializado - Cape. O pai da menina foi até ao endereço que consta do documento e teve a surpresa de verificar que a instituição se encontra no interior da Diretoria de Ensino SUL 1, é portanto um órgão da Secretaria da Educação! Infelizmente o centro estava fechado à hora que o pai chegou lá, mas ele pretende voltar amanhã e pedir orientação. 

Amanhã, portanto, teremos mais notícias. Saberemos então como funciona esse programa de formação continuada de educadores, já que aparentemente nem a Dirigente de Ensino da SUL 2 sabe de sua existência... Ou será que ela não quis orientar os pais da Valéria?...

Quantas dúvidas! E quantas dificuldades para se resolver o problema de uma aluna que só precisa pular um ano para se sentir integrada à escola. Ou será que o projeto de inclusão só vale para os alunos com dificuldades especiais? Esta pergunta é para o Secretário Herman Voorwald. Ops! Fernando Padula...

24 maio 2012

Superdotados. O que fazer?


Helena Antipoff (1892 - 1974) foi uma das especialistas que se destacaram pelos seus trabalhos relacionados à inteligência, realizados na França e Suíça, e no Brasil chamou atenção para as necessidades de uma identificação precoce do superdotado e de serviços educacionais para os alunos que se destacavam por habilidades e talentos especiais. Alguns trabalhos realizados pela especialista merecem destaque, pois incentivou melhorias na educação, assim como programas de atendimento ao aluno com habilidades especiais tanto da zona rural quanto da periferia urbana. 
Trecho de Educação e superdotados: uma análise do sistema educacional

A educadora Helena Antipoff já falava em superdotação na década de 20! Ainda hoje, no Brasil, não existe programa pedagógico para permitir o desenvolvimento harmonioso de alunos que se destacam por habilidades e talentos especiais. O mínimo que o país poderia fazer, para não prejudicar tanto esses cérebros privilegiados, é permitir que ao menos pudessem frequentar o ano escolar adequado ao seu desenvolvimento. Mas não!

Este blog chato registra os dias e até as horas que os pais e alunos perdem em intermináveis idas e vindas na busca de seus direitos. Vamos contar as novidades do caso da menina Valéria, cuja história narramos no post O Brasil jogando cérebros no lixo.

Bom, a história havia parado na quarta-feira dia 16, com a visita à Subsecretaria da SEE, no gabinete do Prof. José Benedito. Na sexta-feira dia 18 os pais da Valéria foram ao Conselho Estadual da Educação, para reunião agendada às 10:00, que deveria ser com a conselheira Neide, mas foram atendidos por uma (?) chamada Ivana, que os recebeu no saguão e já foi declarando que nada poderia fazer.

Voltamos a cobrar uma atitude do Prof. José Benedito, que pediu aos pais irem à Diretoria de Ensino, para "resolver" junto à dirigente Maria Lígia.

Na segunda-feira dia 21 os pais foram à DE Sul 2 e ouviram da dirigente que a única coisa que poderia "resolver" seria um laudo de superdotação da menina, emitido por um profissional da psicologia. Cabe agora a seguinte pergunta: que tipo de avaliação poderia ser mais confiável do que o teste de prontidão para o 2º ano, que a aluna fez sob pressão psicológica na própria escola, e no qual teve 100% de acertos??? Como se a aluna quisesse ir para a faculdade e não para o 2º ano do Ensino Fundamental!!!

Cabe mais uma pergunta superimportante: por que a escola mandou a aluna fazer o teste, de pelo menos 10 páginas, SE SUA RECLASSIFICAÇÃO NÃO SERIA ACEITA? Seria talvez para dar uma "lição de moral" aos pais, mostrando-lhes que sua filha não teria condições de passar para o 2º ano? Seria por isso que, durante o teste, a menina foi acompanhada pela mesma "leoa de chácara" que a arrastou escada acima e a traumatizou chamando-a de "adiantada"? Suspeitamos que essa figura tenebrosa da EE Rev. Prof. Manoel da Silveira Porto Filho, de nome Sonia e cujo cargo até agora não foi esclarecido, pretendeu assim intimidar a aluna, na esperança de que ela não passasse no teste e a família ficasse desmoralizada, quem sabe até tirando a menina da escola... Assim o problema seria resolvido!!! Mas, infelizmente para a tal figura, Valéria acertou 100% das perguntas, mesmo sob pressão.

Bem, inconformados, na terça-feira dia 22 os pais foram junto com a Cremilda procurar o Defensor de Direitos da Criança e do Adolescente, Dr. Flávio Frasseto. Muito gentilmente, ele esclareceu que a Diretoria de Ensino teria solicitado o laudo de superdotação como uma forma de "se calçar juridicamente", caso "alguém" viesse a contestar a reclassificação da menina. Quem seria esse alguém? A Presidenta Dilma?... Quem contestaria um teste de mais de 10 páginas com 100% de acertos e letra perfeitamente harmoniosa, feito por uma menina de 6 anos sob a pressão de uma "leoa de chácara" que torcia pelo fracasso dela?

Não sabemos quantos dias de trabalho e de sufoco os pais dessa aluna ainda vão perder atrás de um laudo de "superdotação", dado por um profissional que dificilmente vai fazê-lo de graça e provavelmente vai exigir uma série de exames... Esperamos que, ao término dessa "novela", o Dr. Flávio Frasseto seja mais objetivo e resolva cobrar, para essa criança e seus pais, danos morais por todo o constrangimento, tempo e dinheiro perdidos em busca de algo óbvio e devido. Esse dinheiro não vai recuperar nada do que a menina perdeu, mas talvez abra um precedente para que outras crianças com habilidades e talentos especiais não tenham que passar pela mesma via crucis.

20 maio 2012

A ponte da vergonha





Leia aqui: Professores e a ponte da vergonha

A escola tabu nº 53 - EE Afiz Gebara, uma escola-faroeste

Esta é a terceira postagem sobre a EE Afiz Gebara, leia as anteriores para entender o assunto:
Apuração vai acabar em pizza?
Mais crimes na EE Afiz Gebara

Eu sei, eu sei, este é um blog chato, tem que entrar em links, ler um monte de textos!... Então vamos combinar: se você não está interessado no assunto, daqui a pouco tem Tela Quente, rsrs. Ou então você pode assistir a uma maratona de seriados na Net, enfim, não faltam programas para os embalos do sábado à noite.

Bom, iniciando o terceiro capítulo desta novela, na quarta-feira passada fomos na Subsecretaria de Articulação Regional da SEE falar com o Prof. José Benedito, finalmente restabelecido de uma cirurgia. Os assuntos se acumularam nesse meio tempo, então fomos tratar especificamente de 6 escolas da DE Sul 2. A mais problemática delas é a Afiz Gebara, que agora podemos chamar de "escola-faroeste", pois em vinte anos nunca soubemos de outra onde, durante uma investigação, se cometessem ainda mais crimes. Às vezes, a direção é afastada; quando não, ela se comporta direitinho, para fingir que as denúncias não procedem. 

Você leu, no segundo link acima, como a diretora e sua turma tentaram se vingar dos depoentes que tiveram a coragem de enfrentá-las, na tentativa de coibir outras testemunhas. Durante a reunião da quarta-feira, a dirigente Maria Ligia disse que soube das represálias em andamento, mas que a investigação já estava concluída e que na próxima semana tomaria uma decisão a respeito da apuração, ou seja, se iria ou não afastar a direção da escola. 

Na quinta e sexta-feira recebemos mais mensagens da comunidade contando novidades da EE Afiz Gebara. Realmente, o que ocorre nessa escola é um show de horrores! Vamos tentar resumir os fatos:

Terça-feira passada houve uma discussão entre alunos no intervalo, que culminou numa "guerra de cascas de mexericas". Naquela hora, as duas inspetoras, que deveriam estar nos corredores supervisionando os alunos, se encontravam na sala da coordenação, batendo papo com a vice-diretora e a coordenadora pedagógica. Elas não viram a confusão, apareceram depois junto com a vice-diretora. Como sempre, a diretora não estava na escola.

Muito brava, a vice começou a chamar os alunos de ANIMAIS, CRIANÇAS SEM EDUCAÇÃO. A diretora, que mora próximo à escola, foi chamada e chegou rapidamente, reforçando a fala da vice: ANIMAIS SEM EDUCAÇÃO,  CAMBADA DE CRIANÇAS, VOCÊS VÃO FICAR SEM INTERVALO, SEM MERENDA!

Na quarta-feira o intervalo foi suspenso, todos os alunos ficaram nas salas e NÃO RECEBERAM SUCO NEM ACHOCOLATADO, COMO ESTÁ NO CARDÁPIO DA ESCOLA. A diretora disse: VOU JOGAR NO LIXO, MAS ESSES ANIMAIS NÃO VÃO TOMAR NADA!

Na quinta- feira a mesma coisa, nada de intervalo nem merenda! Todos os alunos levaram brinquedos para escola: ursinhos, carrinhos, bonecas, dinossauros, em protesto por terem sido chamados de ANIMAIS e CRIANÇAS SEM EDUCAÇÃO.

Na sexta-feira houve reunião de pais, mas o assunto não foi abordado com eles, a direção da escola fingiu que nada disso ocorreu. Esses acontecimentos mostram que, independentemente da sindicância em curso, nada nessa escola funciona: os alunos ficam largados no intervalo, quando podem ocorrer acidentes e ocorrências graves, a coordenadora é "antipedagógica", a direção autoritária e a merenda simplesmente some. Onde foram parar as caixas de suco e achocolatado que os alunos deveriam ter tomado na quarta e na quinta-feira?...

Professor José Benedito, Sra. Dirigente Maria Lígia, essa direção tem condições de continuar na escola??? Até quando?

16 maio 2012

O Brasil jogando cérebros no lixo


Imagine uma menina de 6 anos, superdotada e plenamente alfabetizada, obrigada a cursar o 1º ano para "aprender" o beabá...

Imagine agora o pai dessa menina, calmo, modesto e conhecedor de seus direitos, que em nada se vangloria dos dotes intelectuais da filha, apenas gostaria que ela tivesse uma vida escolar tranquila e satisfatória. Não está sendo possível.

No ano passado, a família mudou de residência e não conseguiu vaga para que a filha pudesse completar a educação infantil. Por esse motivo, uma questão "legal" impediria que ela possa cursar o 2º ano, apesar de ter feito na própria escola uma bateria de testes de aptidão, nos quais teve 100% de acertos.

A escola não pôde portanto negar que a criança está apta para o 2º ano, o que foi inclusive atestado por uma supervisora de ensino. Mas a tal questão "legal" continua impedindo a reclassificação da aluna.

O problema se complicou quando ela começou a ser perseguida na escola e uma funcionária a arrastou violentamente pelo braço escada acima, para submetê-la ao constrangimento de sentar numa classe de 3º ano, dizendo-lhe que esse era o lugar dela, já que estava "adiantada". Após esse dia, a menina, que parou de usar fralda com um ano de idade, começou a fazer suas necessidades na roupa...

É claro que ela não quer voltar à escola, está faltando às aulas e os pais estão preocupados, não apenas com a saúde da criança, mas com a ameaça do Conselho Tutelar, que sabe-se, está aí para dizer amém à escola e culpar a família de "desestruturação".

Tudo isso está acontecendo... adivinha! no Estado de São Paulo, o mais autoritário do país, aquele onde o sistema educacional fica à vontade para interpretar a lei a bel prazer. A escola é a EE Rev. Prof. Manoel da Silveira Porto Filho, que pertence à DE Sul 2. O prezado Reverendo Professor estaria se revirando no túmulo? Ou talvez o pai dele?...

Além de entrar com pedido de reclassificação da filha logo no início do ano escolar, os pais da menina procuraram a Diretoria de Ensino SUL 2 e o Conselho Estadual da Educação, onde conseguiram agendar uma reunião para a próxima 6ª feira. 

Hoje, 4ª feira dia 16 de maio, o pai da aluna esteve conosco na Subsecretaria de Articulação Regional da SEE, onde o Prof. José Benedito convocou a dirigente Maria Lígia, da DE Sul 2, a explicar o motivo pelo qual a aluna não foi transferida para o 2º ano, apesar dos testes realizados com perfeição e do parecer positivo da supervisora de ensino.

A resposta foi a mesma que esse pai tem ouvido de todas as instâncias já procuradas: a criança completa 7 anos apenas em setembro e não cursou o último estágio da educação infantil. O argumento de que todas as escolas do bairro, inclusive o inatingível "Ceu", negaram a vaga não foi suficiente para reverter o quadro.

Considerando que o assunto agora é da alçada do Conselho Estadual da Educação, o Prof. José Benedito sugeriu ao pai da aluna que levasse ao CEE, na sexta-feira, todos os testes da menina e, se possível, um laudo psicopedagógico que ateste a superdotação da filha e o trauma psicológico que está vivendo. Na opinião do professor, o CEE poderia assim abrir um precedente que daqui para frente favorecesse não apenas essa criança, mas as demais que se encontrassem na mesma situação.

Tudo o que você leu aqui é a mais absoluta verdade: folheamos todos os testes feitos pela aluna, vimos o parecer da supervisora e o recurso protocolado pelos pais no CEE, contendo artigos da Constituição e da LDB que justificariam a reclassificação da aluna. Saímos da Subsecretaria com a clara sensação de que o país, além do alto nível de exclusão de alunos ditos normais, joga seus melhores cérebros no lixo.

Se for verdade que a legislação "não abre brechas" para a reclassificação de um aluno superdotado, trata-se do típico caso em que a lei desserve ao cidadão e ao próprio país. Você tem mesmo certeza de que não vive num estado totalitário?

Voltaremos a contatar o Prof. José Benedito na própria 6ª feira, após a reunião no CEE. Segue, em outro post, o resumo dos demais assuntos tratados hoje na Subsecretaria.


14 maio 2012

A falência moral da escola


Quando a escola vai dar certo?




Mais um excelente artigo de Gustavo Ioschpe na Veja! Na minha opinião, o melhor e mais abrangente, até hoje. Leia clicando no título: Nossa escola não é feita para dar certo

O texto é bem explicativo e vem de encontro ao que sempre dizemos aqui: é preciso conhecer a rede pública de ensino POR DENTRO, para perceber o tamanho do rombo e querer mudar. A escola pública ainda é assunto TABU na sociedade e sua melhoria não interessa ao imenso cabide de empregos formado pela classe "docente", nem aos formadores de opinião, incluindo aqui obviamente  políticos e jornalistas, cujos filhos estudam na rede particular.

Dentro do marasmo geral, que pode parecer mistura de preguiça com incompetência, portanto algo    ingênuo estilo "macunaíma",  existem alguns aspectos mais críticos:
  • A corrupção do sistema, onde as leis não são minimamente respeitadas, com a complacência das autoridades superiores: mesmo os crimes mais evidentes, como atirar o apagador na cabeça do aluno ou dispensar o aluno por não estar de uniforme (cuja exigência é proibida por lei) dependem de intermináveis apurações e processos administrativos. A "bola da vez" está com a EE Afiz Gebara, onde a diretoria da escola, sob apuração, está cometendo mais crimes a fim de amedrontar os denunciantes e tentar abafar seus desmandos. Isso, porque PODE, já que as investigações costumam ir a passos de lesma, muitas vezes para facilitar a manipulação...
  • As perseguições e represálias de que são vítimas todos aqueles que se atrevem a reclamar do serviço público escolar, sejam pais ou alunos, como aconteceu aqui, aqui e aqui.
  • A rotatividade de diretores, coordenadores pedagógicos, professores e demais funcionários do sistema escolar, provocando a descontinuidade de eventuais bons projetos e principalmente a incidência da AULA-VAGA, praga que infesta praticamente todas as escolas públicas do país (umas mais, outras menos), sendo o principal fator que leva muitos pais a fazerem qualquer sacrifício para matricular os filhos numa escola particular, seja de qualquer nível, muitas vezes até inferior à pública. Veja assim que existem outros interessados em manter a escola pública vazia, além dos próprios profissionais.
Por onde então vai iniciar o processo de melhoria do ensino público, já que o sistema é corrupto, a academia do país é inerte, o usuário da rede pública é ameaçado  na primeira reclamação e a mídia não dá a mínima para tudo isso?

10 maio 2012

A escola tabu nº 52 - Mais crimes na EE Afiz Gebara!



Se você tiver lido com atenção o post Apuração vai acabar em pizza?, vai entender muito bem a imagem ao lado: uma raposa tomando conta do galinheiro...

Quando recebemos as primeiras denúncias a respeito da EE Afiz Gebara, já suspeitávamos que a apuração dos fatos não seria feita de forma a revelar as irregularidades e a proteger os denunciantes. A situação se agravou quando a comunidade nos informou que a maioria das testemunhas chamadas a depor estavam sem coragem de confirmar as denúncias; aliás, quem havia presenciado as ocorrências mais graves não fora sequer convocado para depor... Por que será?...

Durante nossa reunião do mês passado, no gabinete do Prof. José Benedito, ele se comprometeu a cobrar seriedade na apuração e soubemos da comunidade que diversas novas testemunhas foram chamadas a depor. Como sempre, pudemos contar com o apoio desse verdadeiro educador, cujo sentimento de Justiça não lhe impede de contrariar os interesses de certos profissionais sem escrúpulos. Assim, as informações que recebemos  sobre o desenvolvimento das investigações apontam para a confirmação das denúncias, PORÉM algo muito grave está ocorrendo na comunidade: aparentemente, a direção da escola está se vingando das testemunhas, o que é muito estranho!!!

COMO É QUE ESSES NOVOS DEPOIMENTOS VAZARAM, A PONTO DE PROVOCAREM PERSEGUIÇÕES E REPRESÁLIAS, ANTES DO TÉRMINO DA APURAÇÃO???

Copiamos abaixo trechos das últimas mensagens recebidas pela comunidade, que relatam o seguinte: NOVOS CRIMES estão sendo cometidos, por pura vingança! 

"Na semana passada, 'fulano' foi depor na DE Sul 2, depois  foi na escola e fez ameaças ao funcionário 'sicrano'. Ontem, no  meio de funcionários e de até pais de alunos, 'fulana' surtou com o mesmo, fez um escandalo! Chamou ele de covarde, canalha e mais... na frente de todos, muito desagradavel, ele foi parar no hospital! E não parou por aí! Na semana retrasada, o carro do mesmo 'sicrano' foi arrombado no estacionamento da escola, roubaram o documento do carro e o extintor, detalhe, isso nunca aconteceu! 'Sicrano' foi firme no depoimento, disse coisas importante e sérias, MAS INFELIZMENTE NÃO SE SABE COMO, 'FULANO' E 'FULANA' FICARAM SABENDO! Estão fazendo um inferno da vida dele! Ele escreveu uma carta para a dirigente dizendo todos os fatos, mas aparentemente essa mensagem não chegou às mãos dela. Porque pela situação que está, parece que vai dar em morte! 'Fulana' e 'Fulano' estão mexendo com a vida de cada um que teve coragem de depor contra eles."

Encaminhamos ontem essas novas mensagens, COM TODOS OS NOMES das pessoas mencionadas, ao Prof. José Benedito, ao Secretário Adjunto João Palma e ao Chefe de Gabinete Fernando Padula, pedindo que solicitem à dirigente da DE Sul 2, Maria Ligia, entrar em contato imediato com a escola e FAZER A DIREÇÃO PARAR COM ESSES NOVOS CRIMES. Alguns depoentes, aliás, estão amedrontados demais, a ponto de temerem pela própria vida!

Esperamos que o Prof. José Benedito, apesar de estar voltando esta semana de uma cirurgia, continue dando à comunidade escolar o mesmo exemplo de compromisso e nobreza que costuma pautar seus atos, supervisionando de perto essa situação e zelando pela integridade de pessoas corajosas que se recusam a conviver com a corrupção e por isso mesmo estão pagando duras penas.

02 maio 2012

Só no Brasil, mesmo!...


Depois de tantas informações já divulgadas sobre a ilegalidade da exigência do uniforme, fica bem claro que o buraco é muito mais embaixo! Além da dificuldade da mensagem vingar, percebe-se que o uniforme continua sendo o assunto mais importante na     pobre "pedagogia" nacional. Só no Brasil, mesmo!

Vejam a mensagem desta mãe e a nossa resposta:

Mensagem de Rosa Maria
Gostaria de saber se mesmo o aluno estando todo uniformizado e estar vestindo mais uma blusa de frio diferente em dias mais frios, em cima da propria blusa da escola, se este pode ser dispensado por não estar segundo a coordenadora uniformizado. Eles mandam a criança tirar a blusa sobre salente e passar frio ficando apenas com o uniforme, para eles verem que estao com o uniforme.

Existe alguma lei para que eu possa me respaldar quando for falar com a direção,?Pois nem no ECA encontrei nada a respeito, meus filhos qualquer friagem já ficam ruim, fora que eles tem inicio de bronquite e com esse tempo,não da pra facilitar.

Resposta
Rosa Maria, só mesmo no Brasil - ou talvez em algum país totalitário - pode-se exigir um absurdo desses! Explique para a diretora da escola dos seus filhos que o Brasil é uma DE-MO-CRA-CIA, onde as leis são muito claras, mas certas O-TO-RI-DA-DES fazem questão de não entendê-las. Não é necessário que a lei explique que a escola não pode dispensar alunos por falta de uniforme, nem por usarem boné,  brinco, piercing ou penteado moicano, nem por terem esquecido o material, e muito menos por usarem agasalho por cima do uniforme. Enfim, por nenhum motivo os alunos podem ser proibidos de ter acesso à sala de aula. Aliás, saiba que você não precisa fazer nenhum sacrifício para adquirir o uniforme para seus filhos, gaste seu dinheiro para incrementar a cultura deles através de programas que possam suprir as deficiências de uma escola tão BURRA.

O acesso e permanência na escola é garantido aos alunos em qualquer situação, conforme Art. 53 do ECA. Caso a diretora da sua escola insista, informe para ela o seguinte artigo do Estatuto do Magistério, que ela deveria conhecer de cor e salteado, sob pena de sofrer as consequências:

Art. 63 do ESTATUTO DO MAGISTÉRIO
Parágrafo único - Constitui falta grave do integrante do Quadro do Magistério impedir que o aluno participe das atividades escolares em razão de qualquer carência material.