31 julho 2008

Pedagocídio

Nos últimos anos, cansamos de pedir que a Secretaria Estadual da Educação de São Paulo se posicionasse sobre a “utilidade pedagógica” da suspensão e da expulsão de alunos, já que a ilegalidade desses instrumento de punição é absolutamente desprezada. Em vão.

A suspensão é o primeiro passo para a expulsão e essa prática jurássica é comum em 100% das escolas da rede, aliás, de todo o país. Essa é mais uma tarefa que eu pediria para o InepT realizar, se eu tivesse alguma confiança nesse inútil órgão federal: fazer a estatística das escolas públicas que NÃO praticam a suspensão e a expulsão de alunos. Certamente essa percentagem não passa de 1 ou 2%, mas nunca saberemos, pois o Brasil é o país que não deseja suas crianças e jovens pobres dentro da escola, por isso a suspensão e a expulsão são bem-vindas, bem como a internação na ex-Febem/hoje Casa, um campo de concentração onde as torturas só foram diminuídas depois que essa prática “pedagógica” foi denunciada nos tribunais internacionais. Aparentemente, a suspensão e a expulsão de alunos precisarão passar também pelo mesmo processo de denúncia no Exterior, já que a SEE acabou de legitimar essas práticas também “pedagógicas”, como já informamos aqui: http://educaforum.blogspot.com/2008/07/nova-zelndia-aqui.html.

Em um pais onde o aluno já costuma ter 25% de aulas vagas, a tendência à suspensão e à expulsão são sinais muito claros de que ele é persona non grata dentro da escola: escola boa é escola vazia, onde os profissionais podem assim dedicar-se à tão prazerosa manipulação de papel, sem o estorvo do contato humano com crianças e adolescentes oriundos de famílias “desestruturadas”, como os diretores de escola costumam descrever seus alunos nos infindáveis relatórios que apontam os motivos das suspensões e expulsões. Puro pedagocídio.

Em doze anos de governo, a SEE fechou cerca de 300 escolas, inclusive aquela onde meus filhos cursaram o Ensino Médio, a EE Pe. Manoel de Paiva. A mídia nunca deu atenção para esse “fenômeno”, que seria no mínimo um escândalo em qualquer outro país civilizado do mundo. Os pais da EE Lucas Roschel Rasquinho, que têm se manifestado nos comentários deste blog, foram ameaçados de que a escola seria fechada, caso continuassem a divulgar suas denúncias. Esse tipo de terrorismo costuma funcionar no sentido de desanimar a comunidade mais atuante em suas reivindicações. No entanto nem sempre se trata de mero terrorismo, principalmente quando se fala de uma rede que já fechou 300 escolas...

Bem, já que a SEE resolveu finalmente assumir a suspensão e a expulsão de alunos como práticas “pedagógicas”, falta pedir o posicionamento do Conselho Estadual da Educação e do próprio MEC a esse respeito. Em última instância, resta comunicar aos tribunais internacionais a situação calamitosa da exclusão e evasão de alunos das escolas brasileiras, para que os governos estaduais e municipais sejam finalmente responsabilizados pelo enorme desperdício desse material humano.

A figura da ilustração representa a nossa visão do programa “Criança esperança” da Rede Globo, como aliás já comentamos aqui: http://educaforum.blogspot.com/2008/07/ilha-da-fantasia-global.html.

29 julho 2008

O gerúndio que mata


Leia o texto da professora Glória Reis sobre o caso do bebê Gabriel, morto numa creche particular em São Paulo, mais uma vítima do descaso das autoridades que, se não fiscalizam a rede pública de ensino, muito menos se preocupam com a particular.

A diretora de ensino, Leila Barbosa Oliva, responsável pela creche onde morreu o menino Gabriel, declarou que estava tomando providências para melhorar o atendimento, o que estava no "projeto pedagógico" desde o ano passado. Ela declarou:
“No final do ano passado, a supervisão deixou em termo a necessidade de se treinar os funcionários em primeiros socorros e de essa preocupação estar expressa no projeto pedagógico. O projeto apresentado pela escola esse ano já continha as providências que a direção estava tomando em relação ao atendimento do socorro.”
Leia a notícia Família protesta em frente à creche onde morreu bebê

Serviço público no Brasil é assim: passou para o papel, serviço pronto. Não importa que as crianças sofram toda espécie de descaso, abuso e violência nas escolas e creches, o que importa é que na papelada está tudo dentro dos conformes, tudo sendo feito, sendo providenciado, ou seja,
tudo sendo eternamente adiado.

Lembram-se de quando o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, demitiu por decreto o gerúndio de todos os órgãos da administração pública da capital?

1 - «Fica demitido o gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal»
2 - «Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de ineficiência».

Pois é, aí está o gerúndio que mata no serviço público. Como no "tempo presente" nada aconteceu, Gabriel morreu e muitas crianças continuarão morrendo neste eterno fazendo, providenciando, estudando, preparando, encaminhando.
Leia sobre o decreto Gerúndio proibido no Brasil

Glória Reis
http://gloria.reis.blog.uol.com.br/

22 julho 2008

Viva o jeitinho!!!


O Brasil é esse país singular onde aluno da rede pública de ensino é cobaia de tudo:

- cobaia da educação física, disciplina que consiste em largar a classe na quadra da escola chutando uma bola, para experiências de “socialização”;

- cobaia de uma nova maneira de pesquisar, sem biblioteca, sem computador e sem orientação;

- cobaia da educação “religiosa”, disciplina criada para inglês ver que o Brasil é o país do ecumenismo;

- cobaia de práticas pedagógicas como a “Justiça restaurativa”, oriunda da Nova Zelândia.

A última moda é a inclusão da sociologia e da filosofia nas escolas de Ensino Médio. Essa vai ser top de linha em termos de improvisação. Pasme: a inclusão das duas disciplinas tornou-se obrigatória após um debate de décadas e mesmo assim:

- O Brasil precisa de 15 vezes mais professores de filosofia e 40 vezes mais de sociologia para que todas as escolas de ensino médio passem a ter aulas das duas disciplinas.

- Hoje o País tem 20.339 professores de sociologia atuando nas escolas, no entanto, só 12,3% são licenciados na área. O restante é graduado em história, geografia, português... Em filosofia, o número atual é de 31.118, sendo 23% com a licenciatura específica.

- Um estudo feito pelo Ministério da Educação (MEC) mostra que, além da falta de docentes, há material didático insuficiente e poucos estudos sobre um currículo atual de sociologia e filosofia.

Adivinha quem vai se beneficiar com essa barafunda? Para variar, os sindicatos de professores, que estão se agitando para descobrir “como ensinar as disciplinas”. E, principalmente, os políticos por trás dessa legislação, que terão os professores como cabos eleitorais para garantir sua reeleição.

Quem resume esta “soap opera” é o presidente da Câmara da Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), o sociólogo César Callegari: “A falta de professores ocorre em várias disciplinas. Mas o currículo não podia mais ficar empobrecido, sem a sociologia e a filosofia”. Como assim??? O ilustre sociólogo considera talvez que o currículo vai ser “enriquecido” por aulas dadas, talvez, com base no “Mundo de Sofia” ou em apostilas que estropiam conhecimentos e conceitos?

Isto é Brasil-sil-sil, o país onde nenhum sociólogo apresentou um estudo que explique o marasmo em que afunda a educação! Professor César Callegari, que tal fazer essa “lição de casa”, antes de penalizar o pobre aluno com mais abobrinhas?

As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

18 julho 2008

A Nova Zelândia é aqui!


A pouca esperança que tínhamos, de que a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo estivesse disposta a diminuir seu autoritarismo, marca registrada da política atual há 14 anos, está se esvaindo. Entra secretário-sai secretário, o que resta é o clima pesado e sombrio de uma rede onde o aluno é desrespeitado em seus direitos básicos. Não basta receber 75% de aulas ruins e 25% de aulas vagas, não ter biblioteca ativa nem receber orientação para aprender a fazer pesquisa, o aluno ainda costuma ser humilhado por profissionais que detestam o magistério e vive sob a ameaça de expulsão, muitas vezes concretizada. O pior secretário estadual, na minha opinião, foi Gabriel Chalita, que conseguiu enganar a sociedade com seus delírios de “pedagogia do afeto”, enquanto os alunos eram tratados aos berros e desenganados em suas esperanças de um futuro melhor. Que o diga uma das minhas filhas, que chegou um dia chorando da escola, pois o professor de física havia passado a aula falando para os alunos que eles não tinham chance no vestibular, que o melhor a fazer era arrumar logo um “emprego” etc. etc...

O meu pessimismo de hoje é motivado por um texto publicado na página inicial do site da SEE, com o pomposo título de Escolas estaduais passam a ter Justiça Restaurativa: castigo dá lugar à reflexão http://www.educacao.sp.gov.br/noticias_%202008/2008_15_07.asp.

O site da Secretaria é tão sisudo quanto a própria rede, não tem um espaço dedicado ao aluno ou à comunidade. E foi exatamente isso que pedimos, na reunião que tivemos na Chefia de Gabinete em junho: um espaço no site sugerindo que, junto com a prometida melhor qualidade do ensino, o aluno receberia um tratamento mais cordial e humano. Mas não. De forma muito tortuosa, a Secretaria de Estado da Educação parece estar reconhecendo a importância e a eficácia do diálogo na educação. Entretanto, essa que deveria ser a ferramenta mais utilizada dentro da escola, vai ser usada apenas em casos de conflitos e para tentar evitar “punições”. Diz o texto da SEE:

"Quando um aluno ofender o outro poderá ser solicitado um círculo para chegar a acordo. A direção da escola poderá ainda oferecer, a aluno que seria advertido ou suspenso, a possibilidade de, como alternativa, participar de um círculo com a pessoa ou pessoas afetadas por seu comportamento. Funciona assim: em círculos de conversas, professores e alunos ganham espaços de diálogo e de resolução não-punitiva de conflitos.
Importante: a Justiça Restaurativa será aplicada como forma de prevenção e redução de delitos, mas as punições da rede (advertências, suspensões e transferências, por exemplo) continuam normalmente."

Isso não é medida preventiva! Prevenção é dialogar de forma aberta e democrática com toda a classe sobre a importância do bom entendimento entre colegas e professores. Esperar que o aluno crie um conflito para depois estabelecer um “círculo de conversa”, dentro de uma rede autoritária como é a estadual, significa repetir o que se faz diariamente nas escolas: convocar o Conselho para um tribunal de exceção. Em última hipótese, expulsa-se o aluno! Será que vou ser obrigada a contar pela enésima vez a história de São João da Boa Vista, quando a direção da escola fez duas reuniões de duas horas com os alunos de uma classe e mais três reuniões de Conselho de Escola para chegar ao “veredicto” da expulsão de uma aluna inocente?...

Agora pasmem: quem vai orientar os professores para a tal prática “pedagógica” da Justiça Restaurativa não são psicólogos nem pedagogos: são juízes e promotores de justiça!
Mas o mais desanimador dessa noticia é um fato inédito: a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que até hoje tentou disfarçar seu autoritarismo evitando reconhecer publicamente que apoiava a expulsão e a suspensão de alunos, palavras até hoje “proibidas” nos regimentos escolares, acaba de declarar em alto e bom tom que essas punições são normais dentro da rede.
Ao que tudo indica, encerra-se definitivamente a era Chalita, marcada pela mais nauseabunda hipocrisia, para finalmente legitimar a ilegalidade dentro da rede. Melhor ou pior? Viva a fala do presidente da Udemo: “Não me interessa o que a lei diz. Na MINHA escola... (quem manda sou eu)”!

Ah! a Justiça Restaurativa surgiu há dez anos na Nova Zelândia e foi adotada com sucesso em diversos países. Na Colômbia, por exemplo, desde que foi posta em prática, a taxa de homicídios caiu 30%. Agora a cobaia é o aluno da maior rede de ensino do Brasil. E alguém ainda duvida que o aluno da rede pública é considerado um criminoso em potencial?...

Senhora Secretária, alguma declaração? Aliás, uma perguntinha: e o professor, também vai ser colocado no “círculo de conversa” com os alunos, quando os xingar de “QI de ameba”, “jumento”, “vagabundo” ou coisa que o valha?...

16 julho 2008

Ilha da fantasia global


Do blog da professora Glória Reis, sem dúvida a cabeça mais lúcida pensando a educação nesta terra tupiniquim-piniquim. A Glória é uma pessoa humana demais e classificou a campanha Criança Esperança como ridícula e patética. Na minha opinião pessoal, essa campanha é perversa.

A imagem-slogan da campanha Criança Esperança deste ano (leia) demonstra mais uma vez a desinformação nacional sobre a escola pública. Vejam acima, a figura da campanha com uma menina se prostituindo na rua e outra figura transmutando a garota para uma sala de aula, onde estará salva e feliz para sempre como nos contos de fada.

O leitor é levado a se iludir de que poderá salvar as crianças da prostituição através da escola.
Ora, vejam o quanto isso é grave. Demonstra que a nossa mais influente rede de comunicação não sabe que criança miserável não pode frequentar escola. Aliás, desconhecimento que não é novidade nem quanto à rede Globo, nem quanto à sociedade como um todo.

Então, vamos esclarecer (quem quiser comprovar, tente colocar uma criança pobre na escola), como eu já fiz inúmeras vezes. Você vai deparar com as seguintes exigências incompatíveis com essas crianças se prostituindo nas ruas e em outras situações de risco:
- documento
- material escolar
- uniforme
- comportamento "exemplar"
- horário
- acompanhamento dos pais (sendo que a maioria nem pais tem ou, se tem, são famílias miseráveis lutando por um mínimo de sobrevivência)

Além das exigências, vêm as humilhações e os castigos (as crianças concluem que para sofrer violência e maus-tratos, é preferível a rua) no ambiente autoritário da escola, que não aceita esses "maus elementos" convivendo com os "anjinhos" selecionados por seus padrões de comportamento.

Enfim, essa campanha chega a ser ridícula e patética. Só mesmo na ilha da fantasia da rede Globo.

Maria da Glória Costa Reis

15 julho 2008

Mais uma do InepT


Está havendo uma polêmica sobre os números do IDEB da rede municipal de São Paulo, aquela que não atende os pais, que permite a seus funcionários atirarem sapatos nas costas dos alunos, que deixa seus professores exibirem o filme Tropa de Elite para classes de 6ª Série, que acoberta diretores e supervisores relapsos etc. etc.
Segundo a Folha de São Paulo,

"equivocadamente, o Inep (instituto de pesquisas e avaliações do MEC) computou como reprovados os alunos que foram transferidos de escola, os que abandonaram os estudos e até os que morreram no ano letivo".

O IDEB é um índice que considera não apenas a qualidade do ensino das escolas, mas também o fluxo (índices de inclusão). Eu gostaria muito que alguém me respondesse (e não vou perguntar para o próprio Inep, que passei a chamar de InepT depois que se recusou a fazer o levantamento das aulas vagas e das bibliotecas ativas na rede pública): ora bolas, será que essas "autoridades" ainda não entenderam que a maioria das transferências de escola são EXPULSÕES disfarçadas? Quantos alunos "transferidos" continuam seus estudos?... E os alunos que abandonam a escola, será que a maioria o faz por livre e espontânea vontade?
O único caso em que vou dar o benefício da dúvida é o dos alunos que morreram no ano letivo. A não ser que seu número for exorbitante, aí tem coisa, rsrs!

Ah, eu tinha esquecido uma antiga perguntinha pro InepT: e o levantamento dos "alunos-fantasmas", quando sai?...

Crianças e adolescentes sem advogados







A OAB-SP não renovou o convênio com a Defensoria Pública de SP. Imaginem, então, como é que ficarão os alunos das escolas públicas... A partir de hoje (14), as crianças e os adolescentes das famílias pobres não terão nem mesmo direito a advogados...
As diretoras autoritárias vão "deitar e rolar"...
Mas não vai ser muito diferente do que já acontece em SP...
Aluno é mantido na aula, sem socorro, após quebrar punhos em SP (Folha Online, 02/07/2008). A família de um estudante de 12 anos acusa uma escola municipal de manter o garoto na sala de aula por cerca de uma hora e meia, sem socorro, após ele fraturar os ossos dos punhos e do pé esquerdo durante a aula de educação física. Com 260 mil advogados em SP, nenhum deles atendeu aos apelos do Gustavo Ioschpe: Se algum advogado estiver lendo essas linhas e acreditar que cabe processo contra a escola ou seus responsáveis, por favor me mande um e-mail, e farei todo o esforço para colocá-lo em contato com a família de Felipe.
Leia o artigo completo aqui: A "frescura" do multifraturado
Mauro Alves da Silva

14 julho 2008

Senhora Secretária, favor agendar!

Prezados pais, já que vocês acham que a gente não trabalha, rsrs, lá vai novo documento enviado hoje à Secretária Maria Helena de Castro.

E d u c a F ó r u m

São Paulo, 14 de julho de 2008

Profª Maria Helena de Castro
Secretária da Educação do Estado de São Paulo

Cópia para o Governador José Serra
Palácio dos Bandeirantes

Cópia para o Coordenador da COGSP
Prof. José Benedito de Oliveira

Cópia para a Coordenadora da CEI
Profª Edna Matos

Ref.: Abuso de autoridade na rede estadual de ensino - Solicitação de nova reunião

Prezada Secretária, prezadas Autoridades,

Gostaríamos de relatar alguns fatos que ocorreram após a nossa visita à Chefia de Gabinete da SEE, no dia 05 de junho, quando demos um voto de confiança à Secretaria, no sentido de buscar soluções para os graves problemas de abuso de autoridade na rede estadual de ensino. Mais uma vez confirmamos que a reunão foi excelente e que pela primeira vez em anos fomos muito bem tratados na SEE, pelo próprio Chefe de Gabinete, pelo novo Coordenador da COGSP e pela Coordenadora da CEI.

Além dos problemas específicos tratados na reunião - EE Lucas Roschel Rasquinho em Parelheiros e EE Pe. Josué Silveira de Mattos em São João da Boa Vista - a SEE prometeu estudar formas efetivas de divulgar para toda a rede a importância de formar Conselhos de Escola democráticos e independentes do autoritarismo que impera nas escolas. Esse autoritarismo se manifesta na forma de expulsões ilegais de alunos pelo próprio Conselho de Escola, na solicitação de policiais nas escolas para resolver qualquer problema de indisciplina, na obrigatoriedade ilegal do uso do uniforme, na cobrança ilegal de carteirinhas e taxas diversas, na forma ríspida, grosseira e humilhante com que são tratados os alunos e seus pais, mas, principalmente, na manipulação da eleição dos Conselhos de Escola e das APMs, que afastam de antemão qualquer possibilidade de gestão democrática nas escolas.

Nossa sugestão é antiga e foi repetida novamente na reunião do dia 05 de junho: deixar bem claras, na página principal do site da SEE, as normas indispensáveis para uma Gestão Democrática nas Escolas, conforme nosso artigo http://educaforumtxt.blogspot.com/2007/01/gesto-participativa-na-escola.html.

A SEE comprometeu-se a estudar a inserção dessas informações em seu site e, de acordo com o Prof. José Benedito, uma equipe estaria estudando a forma de fazê-lo. Não entendemos o motivo de tanta demora, já que o nosso artigo já contém todas as sugestões e fundamentos legais para o encaminhamento da gestão democrática nas escolas.

A nossa urgência é devida aos inúmeros casos de autoritarismo que vêm diariamente ao nosso conhecimento e que mal podemos revelar, pois os pais e alunos temem as perseguições e represálias que sempre se sucedem a cada denúncia. A SEE nunca conseguiu entender, talvez pelo fato de nenhum funcionário da Secretaria ter filhos na própria rede, que os pais de alunos dificilmente podem matricular seus filhos em outra escola. É exatamente isso que fortalece o autoritarismo dos maus professores, diretores, supervisores e dirigentes de ensino que, infelizmente, abundam na rede... Para proteger os filhos de maiores problemas, a maioria dos pais aceitam calados os inúmeros constrangimentos e humilhações de que são vítimas.

Basta porém que haja algum sinal de possível mudança positiva, os pais tomam coragem para vir a público e denunciar os absurdos de que são vítimas. Nossa maior preocupação - já que tambem somos/fomos pais de alunos - é de não alimentar vãs esperanças e encaminhar soluções efetivas. Por esse motivo, fazemos questão de relatar os acontecimentos que se seguiram à reunião do dia 05 de junho:

O Prof. José Benedito organizou, a nosso pedido, uma reunião na EE Lucas Roschel Rasquinho com a direção da escola e a diretoria de ensino Sul 3, da qual deveriam participar, a princípio, apenas os pais de um único aluno, que tiveram a coragem de comparecer conosco à reunião na SEE. No entanto, o exemplo desses pais que haviam se dirigido à Secretaria, fato raríssimo na rede, alimentou as esperanças de outros pais, que vieram nos relatar outras irregularidades e fizeram questão de comparecer à reunião na própria escola, marcada pela COGSP para o dia 10 de junho, relatando mais casos escabrosos ocorridos na unidade. Inesperadamente, quando chegamos à sala de aula destinada para a reunião, ela já estava praticamente cheia... de pais apoiando a direção da escola. Leiam o relato da reunião aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/06/mdia-nota-zero.html

Já estamos bastante familiarizados com essas manobras dos diretores de escola, que tentam colocar panos quentes nas denúncias e ganhar o apoio da comunidade com o seguinte argumento: "As denúncias não prejudicam o professor nem o diretor, as denúncias prejudicam apenas o próprio aluno, pois ao denegrir a escola ela corre o risco de ser fechada". Nossos próprios filhos sofreram bastante com esse tipo de terrorismo, que costuma funcionar em 99% dos casos.

No caso específico da EE Lucas Roschel Rasquinho, os problemas andaram se avolumando após a reunião do dia 10 de junho, o que nos motivou a fazer nova visita à COGSP e encaminhar o documento anexo http://educaforum.blogspot.com/2008/07/escola-vai-fechar-voc-j-caiu-nessa.html.

Tudo isso ocorreu porque pudemos acompanhar esses pais em suas reivindicações, por residirmos em São Paulo e termos alguma disponibilidade de tempo. Queremos com isso mostrar a gravidade dos problemas e a dificuldade de canalização das denúncias dos pais, principalmente porque a Ouvidoria da Educação, como já repetimos diversas vezes, não passa de uma "surdoria" à qual nem nós, nem qualquer pai de aluno minimamente informado tem coragem de se dirigir.

No caso da EE Padre Josué, em São João da Boa Vista, devido à distância, não pudemos obter retorno. Só sabemos que, graças à idoneidade do juiz que inocentou a aluna expulsa pelo Conselho de Escola e acusada injustamente de ter ateado fogo à lixeira da classe, ela pôde voltar a freqüentar a escola de cabeça erguida. Entretanto, devido ao terrível trauma que ela sofreu e aos graves problemas de saúde da mãe, evitamos pedir mais informações à família, que em momento algum foi poupada de todo tipo de humilhações, inclusive através do jornal local O Município, para o qual se dirigiram professoras da EE, atirando lama até no EducaFórum, que teria divulgado "mentiras" a respeito da escola.

A única forma para acabar com esse círculo vicioso é deixar bem claro, para todos os profissionais da rede, PRINCIPALMENTE PARA OS DIRETORES DE ESCOLA, SUPERVISORES E DIRIGENTES DE ENSINO, que a SEE não tolera mais comportamentos autoritários por parte de seus profissionais, sejam de qualquer hierarquia. Isso poderá ser feito através do site da SEE e, se for bem colocado, deverá ter impacto positivo.

Por outro lado, não podemos mais confiar em sindicâncias feitas nas escolas pelos dirigentes de ensino, mesmo que sejam de outras unidades, pois as experiências anteriores - EE David Eugênio dos Santos, EE Octacílio de Carvalho Lopes, entre outras - mostram o que os nossos leitores, pais de alunos simples mas bastante inteligentes, caracterizam como "colocar a raposa para tomar conta do galinheiro". A fala do dirigente de ensino Sul 3 na reunião da EE Lucas Roschel Rasquinho no dia 10 de junho foi a comprovação disso. Após ouvir todas as denúncias, ele limitou-se a dizer que a reunião fora desnecessária e que só servira para denegrir a escola e tumultuar o ambiente.

Em vista da falta de confiança da comunidade escolar nas possíveis soluções que venham a ser tomadas pela Secretaria, pedimos que seja agendada nova reunião na Chefia de Gabinete da SEE, para que possamos discutir a contratação de empresas idôneas para fazer AUDITORIAS QUANTITATIVAS E QUALITATIVAS nas escolas, substituindo as sindicâncias absurdas que têm sido efetuadas na rede. Apenas dois exemplos:

A diretoria de ensino da EE Octacílio de Carvalho Lopes avalizou o relatório da supervisão alegando que é lícito a um professor chamar o aluno de "bicha", por se tratar de "expressão carinhosa para cativar o aluno".


A diretoria de ensino da EE Lucas Roschel Rasquinho apoiou o relatório da supervisora (que inexplicavelmente não assinou a cópia entregue aos pais do aluno...), limitando-se a fazer juízos de valor sobre o aluno e sua família, sugerindo que esse fosse transferido de escola e insinuando que ele já era problema em outras unidades, o que não é verdade e só poderia ser comprovado através da falsificação de documentos, coisa muito, mas realmente muito comum na rede!

Na certeza de que poderemos, mais uma vez, contar com sua sensibilidade, agradecemos a atenção e ficamos no aguardo do agendamento da próxima reunião, o mais breve possível.

07 julho 2008

Professor José Benedito, veja o esquema!!!


Retirei da caixa de comentários o depoimento da professora Suely Valente, uma das poucas que tiveram a coragem de denunciar as falhas e falcatruas cometidas na rede pública (e pagou um preço alto por isso!).
Esse depoimento é no mínimo inquietante, pois mostra claramente a conivência das Diretorias de Ensino com as irregularidades cometidas pelos diretores de escola. Professor José Benedito, como podemos assim confiar em sindicâncias conduzidas por Dirigentes de Ensino?
As escolas públicas necessitam com urgência de intervenções efetuadas por auditorias externas!!!

O depoimento da professora Suely:
Quando uma diretora começa a chamar os pais para participarem da APM (inclusive quando ela insiste muito com determinados pais) logo após as denúncias, pode ter certeza que ela já teve tempo para ARRUMAR todas as falcatruas cometidas. É fácil para elas, pois estão com a documentação na mão, é só completar os balancetes trimestrais com notas fiscais adquiridas ilegalmente (compradas) e tudo parecerá normal e dentro da lei. ( Existe uma quadrilha para isso ).

Para vocês pais que querem participar da APM é o momento certo para se ter certeza disso que estou narrando. Eu mesma verifiquei em um desses balancetes a facilidade de se manipular notas, como por exemplo:
- limpeza de caixa d'agua a cada 6 meses
- produtos de limpeza (cloro, detegentes, desinfetantes) etc.
- papel sulfite e outros para a secretária
- material básico para alunos carentes (de péssima qualidade ou duvidoso)
- consertos de computadores da secretária
- pequenos consertos (esgoto e encanamento)
- troca de torneiras dos bebedouros
- lâmpadas

E assim vai , se eu for citar tudo que vi de errado a lista será extensa e percebam que são produtos e consertos que você não consegue provar que não foram feitos, já que muitos deles somem pelos ralos ou ficam debaixo da terra. Numa verificação de notas fiscais observei que a caixa d'água havia sido limpa 3 vezes no mesmo ano , só que nínguem viu isso acontecer e o gasto com isso foi bem alto, com isso dá para darem conta do $$ que usaram (se é que usaram mesmo).

Toda a rede funciona assim, uma diretora passa o serviço de enganação para a outra e as notas acabam sendo do mesmo fornecedor. Incrível como os dirigentes fazem de conta que não enxergam isso! É só fazer uma sindicância nas APMs das escolas, que a sujeira aparece. Por tudo isso aí e muito mais fui tirada da APM (manipulada pela diretora) e taxada de louca , assim perdia a credibilidade e a escola atuaria com mais liberdade, sem nínguem de olho nas contas.

Muitos pais são simples e até por medo não verificam ou questionam os gastos, se calam e agem como se não estivesse acontecendo nada (acham que o $$ é do governo). Se nessas reuniões a diretora gritar e te intimidar, não tenha medo, dê respostas à altura . O que ela quer com esse ato é dizer que quem manda ali é ela. Se todos ficarem com medo, ela se dará por satisfeita para continuar agindo. Não tenham medo, entrem para a APM e participem, verifiquem e falem bem alto nas reuniões sobre os gastos e suas dúvidas. Agora é a hora, já que as escolas fizeram festas juninas e arrecadaram muitooooooooo $$. Para se ter uma idéia, a EE David Eugênio dos Santos teve um lucro líquido de R$ 7.400,00 em um dia de festa.

ABAIXO O CORONELISMO. LUTEM E NAO DESANIMEM.

05 julho 2008

Finalmente, o apartheid comprovado!


Desemprego, informalidade e baixa escolaridade excluem socialmente 19 milhões de brasileiros entre 15 e 19 anos, ou seja, mais da metade do total de jovens do país (34 milhões).

Os dados são do diagnóstico Trabalho Decente e Juventude no Brasil, que será lançado este ano pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). A pesquisa mostra a dívida que a sociedade brasileira tem com a juventude. A escolaridade dos jovens de família rica é o dobro das de família pobre.

Leia inteiro aqui: http://aprendiz.uol.com.br/content/cujubruduh.mmp

03 julho 2008

Multifratura? Frescura! Atirar sapato? Brincadeira!


Você que acompanhou a “saga” da EMEF Imperatriz Dona Amélia sabe que na rede municipal de São Paulo os alunos correm o risco de serem agredidos por professores e funcionários, sem que nada seja apurado. Leia agora a matéria da Folha de São Paulo de ontem e a nota de Gustavo Ioschpe no site da Veja, sobre o aluno que sofreu fraturas múltiplas durante uma “aula” de educação física, não foi socorrido, não teve autorização para ligar para a mãe e precisou voltar para casa sozinho, com a ajuda de colegas http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/notas_020708.shtml.

Postei no site da Veja um comentário a respeito da nota de Gustavo Ioschpe que, aparentemente, é dos poucos no país a se indignar com essas atrocidades “pedagógicas”. Ele lançou um apelo para buscar um advogado que se disponha a tomar as medidas cabíveis para indenizar o aluno e a família. Peguei carona nesse apelo, pois nós do EducaFórum já cansaaaaaamos de pedir a ajuda de algum jurista ou advogado, até aposentado, em nome de pais de alunos lesados por uma rede pública relapsa e conivente com os crimes de seus funcionários.

Caro Gustavo, como você mesmo diz, o Secretário Municipal da Educação em São Paulo é um só e chama-se Alexandre Schneider. Esse mesmo secretário, no dia 08/10/07, recebeu a visita de um grupo de mães e alunos da EMEF Imperatriz Dona Amélia, em São Mateus, que eu mesma acompanhei. O secretário não os atendeu pessoalmente, o que foi feito por sua secretária Cláudia. Os pais fizeram uma série de denúncias, entre elas que uma funcionária tirou um sapato do pé de um aluno para atirá-lo nas costas de outro, deixando hematomas, o que foi presenciado por diversas pessoas, inclusive pelo presidente do Conselho de Escola. A mãe do aluno não fez BO, pois foi alvo de uma pesada lavagem cerebral que a convenceu de que tratou-se de uma "brincadeira" da funcionária. O secretário Alexandre Schneider recebeu todas as denúncias, inclusive essa, por escrito, e nunca se manifestou, ou melhor, em 09/04 orquestrou uma reunião na própria escola, convocando toda a comunidade para colocar panos quentes nas denúncias. Leia aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/04/armao-ilimitada.html. Depois dessa reunião, a funcionária que atirou o sapato nas costas do aluno moveu um processo contra uma das mães que fizeram a denúncia à SME, por ameaça e difamação. Veja portanto, caro Gustavo, que ocorrem na rede municipal fatos mais graves do que falta de socorro ou incompetência pedagógica. E as vítimas são duplamente penalizadas. Se aparecer um advogado que aceite atuar no processo da "frescura" do multifraturado, por favor, pergunte se ele não aceitaria defender na Justiça uma mãe acusada de denunciar um crime de agressão contra um aluno de outra escola municipal, crime rotulado de "brincadeira". Obrigada!

A escola vai fechar! Você já caiu nessa?...


Os pais e alunos que se atrevem a fazer qualquer denúncia sobre sua escola costumam ser pressionados a desistir através da velha lenga-lenga de que as denúncias atiram a escola "num mar de lama" e que ela corre o risco de ser fechada. Você já foi vítima dessa manobra arquitetada para tapar sua boca? Pois isso acabou de acontecer na EE Lucas Roschel Rasquinho, em Parelheiros, após as denúncias formalizadas em maio e a visita do Prof. José Benedito de Oliveira, Coordenador da COGSP, à escola, em 10 de junho.
Leia a seguir o documento que acabamos de enviar ao Prof. José Benedito sobre a nova documentação que protocolamos hoje em seu gabinete, onde fomos atendidos pelo Prof. José Luiz.


E d u c a F ó r u m

São Paulo, 02 de julho de 2008

Prof. José Benedito de Oliveira
Coordenador da COGSP

Ref.: EE Lucas Roschel Rasquinho, Parelheiros - Entrega de nova documentação

Prezado Prof. José Benedito,

Estivemos hoje em seu gabinete e entregamos ao Prof. José Luiz os seguintes documentos:

  1. Cópia de contestação do relatório da supervisão da escola, datado de 09/05/08, assinada pelo pai do aluno perseguido e protocolada na DE Sul 3 em 04/06/08. Muito estranhamente, a cópia do relatório repudiado havia sido entregue aos pais do aluno pelo Depto. Jurídico da DE, sem assinatura. Pedimos então ao Prof. José Luiz uma cópia do original do relatório da supervisora, para encaminhá-la à família do aluno. Em sua contestação, os pais exigem as provas documentais da insinuada indisciplina do filho nas escolas anteriores, através de registro em livros de ocorrências ou de advertências aos pais, nas datas em que esses atos teriam ocorrido e repudiam veementemente os documentos anexos ao relatório da supervisão da EE Lucas Roschel Rasquinho, datados de maio de 2008 e referentes a um fato ocorrido quase um ano antes. Esses documentos precisam ser investigados com rigor, especialmente o depoimento dos cinco professores que declararam estar presentes a um fato ocorrido dentro de uma sala de aula. Além da absurda inconsistência, o relatório da supervisão se demora em juízos de valor sobre a família do aluno, chamando inclusive o pai de mentiroso, o que é inaceitável num relatório técnico. Mais surpreendente ainda é que o relatório tenha recebido o aval do Dirigente de Ensino Sul 3.
  2. Documento assinado pela mãe da aluna que teria sofrido maus tratos e humilhações por parte da direção da escola em outubro passado.
  3. Documento assinado pela mãe do aluno que teve a rematrícula negada pela direção da escola e que alega ter sido chamada a ronda escolar para intimidá-la.
  4. Duas folhas de abaixo-assinado da comunidade, mostrando sua insatisfação com a direção da escola, uma delas contendo depoimento manuscrito do pai de aluno preso pela direção dentro da escola e acusado de invasão.

Soubemos que lhes foi entregue um abaixo-assinado em favor da direção da escola e pedimos que esse documento seja rigorosamente investigado, pois pessoas da comunidade escolar, inclusive alunos, afirmam que foram persuadidas a assinar, sob a alegação de que o andamento das denúncias não prejudicaria a direção, mas os próprios alunos, já que a escola poderia ser fechada e eles não teriam onde estudar. Prof. José Benedito, esse argumento é o mais antigo e o mais eficaz, usado pelos diretores e dirigentes de ensino na tentativa de abafar qualquer denúncia.

Mais uma vez contamos com a sua isenção e boa fé, no sentido de conduzir a sindicância na EE Lucas Roschel Rasquinho com o rigor que o assunto merece, pois os pais e alunos dessa escola estão cansados de autoritarismo, mentiras e incompetência por parte da direção da escola, além de temerem pela integridade de seus filhos, alvos de freqüentes perseguições e represálias.

Os pais de alunos pediram para lembrar-lhe também sua promessa de que a EE Lucas Roschel Rasquinho se tornaria uma escola muito melhor, após sua visita em 10 de junho.