30 janeiro 2007

2ª Vitória do ano!


Este ano começou bem! Janeiro ainda não acabou e tivemos nossa segunda vitória do ano. (Leiam sobre a primeira no post de 03/01.)

Acabamos de receber a seguinte mensagem de Marcel Guazzelli, o aluno do ProUni de que falamos no post de 22/01:

Venho por meio deste e-mail agradecer-lhes ter despendido uma parte do seu tempo em me ajudar. Muito poucas pessoas no mundo fazem isso por outra pessoa, muito menos por quem nem ao menos conhecem. Ontem, 29 de janeiro, fui desvinculado da faculdade que me emperrava e já é certeza que vou começar a estudar na Braz Cubas. Não tenho palavras para descrever quão grande foi seu gesto em acolher meu pedido e quão agradecido estou por ter me ajudado. Agradeço a toda equipe do seu blog. Muitíssimo obrigado mesmo!

Marcel, você quer nos fazer chorar!!! Saiba que somos uma turma de comadres choronas (mas também pentelhas...). Nós é que agradecemos a sua coragem de ir à luta contra a tremenda bur(r)ocracia destepaizzz, onde a mão direita não sabe o que a esquerda faz e, quando sabe, nem sempre é coisa boa!

Quando decidimos dar continuidade a este trabalho, mesmo com nossos filhos já formados, pensamos justamente em pessoas como você, persistentes e corajosas, quando muitos se acovardam e esperam a banda passar. Assim nasceu este blog CHATO, mas que consegue resolver problemas burocráticos porque usa justamente as mesmas armas dos burocratas: a paciência, o cansaço e a chatice, mas buscando sempre ARGUMENTOS CONSISTENTES. É com nossas INTERMINÁVEIS MENSAGENS CHEIAS DE INFORMAÇÕES LEGAIS, que conseguimos dobrar as autoridades responsáveis, pois de uma coisa você pode ter certeza: a única coisa que os bur(r)ocratas receiam é serem questionados, cobrados, desmascarados e, finalmente, punidos.

Mas esta vitória não é somente sua e nossa. É também da nossa maior parceira: a INTERNET. É ela que permite divulgar nossas mensagens em tempo real para todas as autoridades responsáveis, que não podem mais negar o recebimento, pois COPIAMOS TODAS AO MESMO TEMPO! Foi-se o tempo em que íamos de gabinete em gabinete, protocolando papéis que acabavam no "buraco negro". Hoje não precisamos levantar da cadeira para nos comunicar com quem quisermos. E sabemos que muitas autoridades ficam com a bunda grudada na cadeira todos os dias, para saberem o que falamos (de mal) a seu respeito. Muito bom, muito bom!

Então, caro Marcel, agora esperamos que você se torne dos nossos. Você, que percebeu como vale a pena lutar pelos próprios direitos e encontrou uma saída inesperada para o seu problema (hoje expirava o prazo para a solução do seu caso), aprenda a ter a enorme satisfação de ajudar outras pessoas na luta por seus direitos. Não há $ que pague!

28 janeiro 2007

Cidade sem prefeito


Confira mais uma genial sacada do nosso amigo Mauro Alves da Silva, copiada do blog da Cremilda. Seria legal saber quanto os ghost writers desses "nossos" políticos recebem pelos textos ridículos que nos impingem e a mídia publica... Afinal, isso também sai do nosso bolso, né não?
Preste bem atenção ao comentário sobre a preferência do ex-Secretário de Planejamento do governo Celso Pitta, hoje "Prefeito sem-voto", pelas construtoras: foi naquela época que nasceram as famosas escolas de lata. Já ouviu falar?...
Até quando seremos um país sem memória?
Ah! Quase ia esquecendo: esse "Prefeito sem-voto" recebeu uma verba do Governo Federal para o programa ProJovem (supletivo do Ensino Fundamental) e desviou para onde mesmo?... Veja nosso post de 18/01.

O desconhecido prefeito de São Paulo desfila toda sua ignorância educacional no artigo "São Paulo, 453: educação é o presente" (Folha de São Paulo, 25/01/2007).

Ao afirmar que "São Paulo nasceu há 453 anos voltada para a educação", o "desconhecido prefeito", que é engenheiro civil e economista, demonstra que "História" não é uma de suas matérias preferidas...

Os padres jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta fundaram um "colégio" para catequizar os índios brasileiros "nem que fosse a ferro e fogo" (nas palavras de José de Anchieta)...

O desconhecido prefeito não tem muito apreço pela História. Ele nega até mesmo seu passado como secretário de Planejamento do ex-prefeito Celso Pitta - de 1997 a 1998, quando ajudou o seu chefe a "não gastar" cerca de R$ 500 milhões com a Educação... O "prefeito sem-voto" fez a opção preferencial pelas construtoras e por agradar aos sindicatos...

O "prefeito-sem-voto" anuncia que vai construir prédios escolares e aumentar a remuneração de todos os professores, até mesmo dos maus professores... nenhuma palavra sobre "fiscalização", "avaliação de desempenho" e nem sobre "bônus por merecimento"...

Um prefeito de verdade estaria mais preocupado com o número 447 do que com o número 453... 447 representa a posição em que as escolas municipais da Cidade de São Paulo ficaram na "Prova Brasil 2005"... 447º lugar entre as 650 cidades paulistas...


Mauro Alves da Silva

26 janeiro 2007

"Bendito" uniforme!



Como todo início de ano, vem uma enxurrada de e-mails de pais e mães de alunos perguntando se é justo que a escola exija o uso do uniforme. Este é um assunto que não agüüüüento mais tratar. Infelizmente vivemos numa sociedade onde o traje é quase tudo! Nós, os seres mais inteligentes deste planeta, nós que não precisamos mais de pêlo para nos aquecer, nós que inventamos o ar condicionado para refrescar nossos cérebros, não conseguimos imaginar nada mais importante do que o traje! Nas reuniões de Conselho de Escola nenhum assunto é mais debatido do que o uniforme. E isso cansa minha beleza, pois eu não agüüüënto mais falar sobre isto. Então, de uma vez por todas, senhores diretores de escola de todo o Brasil, entrem na linha! Vejam o que diz a Lei 3.913/83, do maior Estado do Brasil:

Artigo 1. Aos estabelecimentos oficiais de ensino do Estado fica proibido:
V – Instituir o uso obrigatório do uniforme

Ponto. Ponto final!! Será que todo ano a gente tem que repetir sempre esta lenga-lenga? Será que os diretores das escolas públicas brasileiras NÃO TÊM OUTRA PREOCUPAÇÃO do que UNIFORMIZAR seus alunos?
Que tal alfabetizá-los? Que tal educá-los?

A mensagem mais tocante que recebemos é de Elaine, de Mauá. Ela diz:

Gostaria de saber porque a escola dos meus filhos está exigindo uniforme se ela é publica e o custo para mim é alto. Mas eles dizem que se não tiverem o uniforme até o inicio das aulas eles não poderão entrar na escola. Por favor, intercedam por mim e pelas outras famílias. Espero que depois desse pedido de ajuda alguém me ouça.

Pois é, Elaine, você está cansada de falar com as “paredes”, não é? Pois os diretores de escola nem ouvem o que os pais falam! Seus filhos e netos estudam em escolas particulares onde são obrigados a “vestir a camisa” e acham que podem obrigar também seus alunos. Não senhor!!! Se eles querem UNIFORMIZAR seus filhos e netos, é um direito que lhes cabe. Mas não podem obrigar seus alunos! Elaine, use seu dinheiro de forma mais inteligente. Uniformes caros não vão garantir a educação dos seus filhos, principalmente numa escola onde o cérebro do diretor não consegue ir além da questão do uniforme. E fique tranqüila! Estamos comunicando esses desmandos à Secretaria da Educação. NENHUM ALUNO PODE SER IMPEDIDO DE TER ACESSO À SALA DE AULA POR QUALQUER MOTIVO, SEJA POR TRAJE, POR SUSPENSÃO OU OUTRO MOTIVO.

E já que o uso obrigatório do uniforme é proibido, que tal escolher um dos modelito criado pela Vera?... Na página de textos tem mais alguns...

22 janeiro 2007

ProUni: mais uma!


Não há dúvida de que, se um aluno pudesse ingressar numa universidade pública ou pagar uma boa universidade particular, não apelaria para o ProUni. Muitos alunos fazem das tripas coração para poderem aproveitar essa oportunidade e às vezes são vítimas do descaso e da burocracia. Vejam o caso relatado na carta abaixo, enviada hoje ao ProUni. Esperamos que este ano o aluno possa finalmente ingressar na faculdade.

Quanto à "mania" que temos de publicar cartinhas aqui neste blog, conformem-se:
ESTE É UM BLOG CHATO!
Nosso trabalho é assim: mostrar exemplos e modelos para que os pais e alunos aprendam a usar os argumentos adequados a cada situação. Não queremos ser "babá" de ninguém e temos o maior prazer quando percebemos que nossos leitores conseguem aprender a reivindicar seus direitos, a reconhecer e citar os instrumentos legais que protegem seus interesses. Em geral, o primeiro pedido de ajuda que recebemos de alguém é confuso, seja pelo desespero, seja pela dificuldade de articular os fatos. Então respondemos fazendo uma série de perguntas objetivas sobre o problema e a partir daí as pessoas começam a coordenar as idéias, a relatar os fatos com coerência e coragem. Nosso desejo é que os pais e alunos da rede pública aprendam a se unir e a defender seus interesses com serenidade e conhecimento de causa. Só assim poderão começar a ser respeitados por um poder público omisso e indiferente, onde às vezes a mão direita não sabe o que a esquerda faz.

E d u c a F ó r u m
Pais, alunos, educadores e cidadãos que lutam pela escola pública e pela cidadania


São Paulo, 22 de janeiro de 2007

Presidente do ProUni
Prof. Wilson Picler

Cópia para o
Ministro da Educação
Sr. Fernando Haddad

Prezadas Autoridades,

Viemos solicitar sua cooperação no sentido de resolver um problema burocrático que está impedindo a um aluno, classificado no ProUni, de formalizar sua inscrição.

Nome completo: Marcel Guazzelli
Residente em Mogi das Cruzes, SP


No ano passado o aluno concorreu ao ProUni na
Faculdade Anglo Latino, em São Paulo.
Curso: Administração de Empresas, período noturno.


Logo no início das aulas, o aluno percebeu que só conseguiria tomar todas as conduções necessárias para voltar para casa, em Mogi das Cruzes, se pudesse ser dispensado trinta minutos antes do fim da última aula. A coordenadora do curso não permitiu e o aluno precisou pedir o cancelamento de sua matrícula, em vista da impossibilidade de freqüentar a faculdade.

Este ano o aluno tentou novamente e conseguiu se classificar na
Universidade Braz Cubas, em Mogi das Cruzes.

Curso: Administração de Empresas, período noturno.

No entanto, ao entregar a documentação necessária na Universidade Braz Cubas, foi constatado que o aluno ainda estava vinculado à Faculdade Anglo Latino, o que impossibilitou sua matricula. O aluno não conseguiu entrar em contato telefônico com a Faculdade Anglo Latino e por esse motivo se dirigiu pessoalmente ao local. Na secretaria da faculdade havia apenas um ex funcionário, que informou os telefones terem sido cortados. Segundo ele, a faculdade ia ser demolida dentro de poucos dias, o que já deve ter ocorrido. Mas tudo parecia estar resolvido, pois o ex-funcionário forneceu ao aluno um documento chamado "SUSPENSÃO DO USUFRUTO DO PROUNI". O aluno retornou para a Universidade Braz Cubas e entregou o documento, mas a funcionária responsável disse que não era suficiente, pois ainda precisaria dar baixa no sistema informatizado do ProUni, onde ainda constava a vinculação do aluno à Faculdade Anglo Latino. O aluno voltou para lá, mas o ex-funcionário frisou que não seria possível tomar qualquer medida administrativa, ou seja, entrar no sistema, pois a funcionária responsável fora demitida. O aluno enviou e-mail para o MEC e recebeu resposta solicitando alguns dados que enviou imediatamente, porém não obteve retorno e no sistema ainda consta sua vinculação à antiga faculdade. O aluno está aflito, pois as inscrições se encerram no final deste mês. Seria muito triste se ele perdesse essa nova oportunidade, depois de tanto esforço para finalmente conseguir ingressar na faculdade.

Prezadas Autoridades, esperamos ter conseguido transmitir a coragem e a disposição desse aluno que não desistiu diante das dificuldades de um sistema burocrático e “kafkiano”, que prejudica o destino dos nossos jovens, dos quais depende o futuro do País.

Na certeza de que saberão premiar a persistência e a determinação desse jovem, agradecemos sua interferência e ficamos no aguardo de uma solução para esta situação tão absurda.

Atenciosamente

EducaFórum
http://educaforum.blogspot.com

Giulia Pierro Vera Vaz


21 janeiro 2007

Se...


Se os professores deste país
tivessem a responsabilidade
de um puxador de samba,
de um mestre de bateria
ou de uma comissão de frente,
sem dúvida,
este país escreveria um outro
enredo para a sua educação.

Glória Reis
(Intertexto - Texto original do autor Hélio Aroeira)

18 janeiro 2007

Em boas mãos


Finalmente o assunto que envolve as sérias denúncias sobre o programa ProJovem, desenvolvido na EMEF Prefeito Adhemar de Barros, no Campo Limpo, São Paulo, está em boas mãos. Nossa amiga Cida Gomes, do Movimento Ideamos, encaminhou as denúncias à Promotora da Inclusão Social, Dra. Fernanda Leão de Almeida, que já atuou com muita firmeza na defesa de alunos da rede pública, como pode ser consultado na própria Internet.

A promotora Fernanda é FERA! Os alunos da rede pública de ensino precisam de pessoas assim, que possam garantir a obtenção de seus direitos e defendê-los das sórdidas ameaças e represálias que visam colocar panos quentes nos desmandos do sistema. Fazemos votos que a promotora investigue a fundo os motivos do sucateamento do programa, já que aparentemente as verbas foram repassadas do Governo Federal para a Prefeitura de São Paulo e desviadas para outros fins. Independentemente disso, pedimos que ela interfira nas ameaças que os alunos estão recebendo por estarem reivindicando seu legítimo direito a um ensino de qualidade.

Para entender todos os fatos relacionados a esta denúncia, leia nossos posts de 14, 17 e 18 de janeiro.

A situação se agravou!


Se você não acredita no ditado "nada é tão ruim que não possa ficar pior", leia o novo documento que estamos enviando hoje para as autoridades responsáveis pelo programa ProJovem. Além de os alunos terem o seu direito violado de completar o Ensino Fundamental com qualidade, estão sofrendo ameaças e represálias da CORPORAÇÃO, que manda, desmanda e abusa na educação deste pobre País. Todas as entidades em defesa da Escola Pública de São Paulo estão enviando um documento à Comissão Nacional de Direitos Humanos e ao Ministério da Justiça, relatando esses abusos.

E d u c a F ó r u m
Pais, alunos, educadores e cidadãos que lutam pela escola pública e pela cidadania

São Paulo, 18 de janeiro de 2007

Secretaria Geral da
Presidência da República
At. Sra. Maria José Vieira Feres
Coordenadora do programa
ProJovem

Cópia para o
Sr. Fernando Haddad
Ministro da Educação

Ref.: Nosso documento de 14/01 /

Agravamento dos problemas na implantação do programa ProJovem em São Paulo

Prezadas Autoridades,

Em aditamento ao nosso documento acima, informamos que a situação na EMEF Prefeito Adhemar de Barros, Campo Limpo, onde está sendo desenvolvido o ProJovem, se agravou bastante. Em 16/01, dois dias após o envio do nosso documento, os alunos receberam uma intimidação da professora Silvia, de História, como represália pelas reivindicações feitas. A professora afirmou que as denúncias eram mentirosas e ameaçou os alunos de contatar um seu amigo Procurador da República para que punisse os "culpados". Alguns alunos começaram a brigar entre si, pois a professora havia declarado que o curso poderia ser suspenso devido às denúncias. Procuramos tranqüilizar os alunos, pois pensávamos que a intimidação da professora pararia por aí.


Ontem à noite, porém, após a aula, os alunos ligaram dizendo que uma das colegas apresentou um abaixo-assinado desmentindo todas as denúncias publicadas no blog e pediu para todos assinarem. O abaixo assinado dizia também que os autores das denúncias “mentirosas” seriam investigados e os "culpados" devidamente punidos. Os alunos acharam que a colega não poderia ser a autora do texto, muito bem redigido, pois seu nível de alfabetização não permitiria. Entretanto não tiveram coragem de discutir, pois havia professores presentes e se sentiram ameaçados. TODOS os alunos assinaram o documento, por acharem que se não o fizessem seria uma "confissão de culpa". O clima dentro da escola era de terror e alguns alunos foram apontados com o dedo como sendo os denunciantes. Depois de assinarem o documento, alguns disseram que não voltariam mais às aulas e outros nos procuraram dizendo que haviam sido ameaçados em sua integridade física por colegas que estavam com medo que o curso fosse extinto, conforme ameaça da professora.

Prezadas Autoridades, esperamos ter expressado a gravidade da situação e mais uma vez solicitamos sua intervenção imediata para apurar as responsabilidades pelo sucateamento do curso e pelas represálias sofridas pelos alunos.

Todas as entidades em defesa da escola pública de São Paulo estão também enviando documento à Comissão Nacional de Direitos Humanos e ao Ministério da Justiça, informando sobre os abusos dos profissionais da educação que estão ameaçando e perseguindo seus próprios alunos, já bastante penalizados pelas graves falhas do curso.

No aguardo de suas providências imediatas, somos

Atenciosamente

EducaFórum

http://educaforum.blogspot.com
educaforum@hotmail.com

Giulia Pierro Vera Vaz


17 janeiro 2007

O Brasil não conhece o Brasil


Sempre que falamos de Ameaças, Perseguições, Represálias e Intimidação de alunos na rede pública, nos acusam de atirar lama no "pobre professor". Já dissemos e repetimos: nosso objetivo é apoiar o professor, inclusive mostrando para os bons profissionais os absurdos que acontecem na rede pública, onde seus próprios filhos não estudam. O Brasil não conhece o Brasil e a divisão das classes é tão bem definida que fatos reais parecem ficção para quem não está envolvido neles. Não acreditamos em soluções dentro da ignorância, por isso nosso papel não é apenas denunciar, mas principalmente informar.

Hoje vamos relatar o desdobramento grave e perverso da denúncia dos alunos do ProJovem, que divulgamos em nosso post Férias, nós?!, de 14/01. Quando os alunos nos contataram, os instruímos a se unirem na defesa de seus direitos, pois sabíamos que a corporação tentaria intimidá-los e usar o velho truque de lançar uns contra os outros.

Pois é, ao entrarem hoje na sala de aula, os alunos receberam uma tremenda Intimidação da professora de inglês, Sílvia, como Represália pelas reivindicações feitas. A professora se fez de vítima e ameaçou os alunos de contatar um seu amigo Procurador da República para denunciar os "culpados". Trata-se de uma ameaça de Perseguição. Nesse momento, o pavor tomou conta da classe, pois muitos alunos não conhecem seus próprios direitos e acreditaram piamente nessa Ameaça ridícula de uma professora que não entende nada de cidadania e apostou numa MENTIRA para intimidar seus alunos. Alguns alunos começaram a brigar entre si, querendo apontar os "culpados" pelas reivindicações.

Este fato é extremamente grave e nos leva a refletir sobre o jogo absurdo e perverso de fazer as vítimas se sentirem culpadas.

Por esse motivo esclarecemos publicamente a esses alunos que nenhum Procurador da República daria ouvidos a um disparate desses e pedimos que permaneçam firmes em suas reivindicações. ERRADOS SÃO AQUELES QUE COLOCAM PANOS QUENTES NAS IRREGULARIDADES DE UM PROGRAMA QUE NÃO FUNCIONA E PRINCIPALMENTE AQUELES QUE DESVIARAM AS VERBAS PARA OUTROS FINS.

Pretendemos convidar esses alunos a participar do programa Assembléia Popular, a fim de que possam divulgar publicamente suas reivindicações e esperamos que tenham a coragem de fazê-lo, pois já são adultos e estarão prestando um grande serviço à sociedade brasileira, dando um exemplo raro.

15 janeiro 2007

SER PROFESSOR, a função



Do comentário da Santa:
..."a escola no Brasil se transformou em um mix de coisas, um faz tudo, desde a parte da atividade física, da sexualidade, da saúde, da nutricional, do meio ambiente, da família, da política, da cidadania, além da aprendizagem, para qual existe. Reclama-se do professor e com razão, pois é impossível ser competente em tantas áreas distintas. Ser professor, psicólogo, assistente social, pai, etc... Daí muitas vezes professores desmotivados pelo despreparo, e o nível de exigência implica tb em salário compatível. "



Santa, quando ouço opiniões como essa sempre me vem em mente uma cena do "Meu pé de Laranja Lima" ou do "Cazuza" (não sei bem) em que o professor faz todos os alunos mostrarem as mãos pra ver se estavam com as unhas cortadas e limpas... Esses alunos tinham pais e família...
Por aí podemos ver que EDUCAR num sentido amplo sempre foi função dos professores!

Com a ditadura ficou mais fácil transforma-los em técnicos que repassam matérias escritas em manuais pré-concebidos!.... Tranquilo,né? (o sindicato adorou e incorporou essa visão de professor de disciplinas......)
E vieram as fichas amareladas e a cópia do quadro negro como modo de "educar" sem se comprometer, sem emitir opinião ou julgamento de valor!
Isso, porém, não é nem nunca foi EDUCAR!
Só que a ditadura acabou e não tem mais sentido professor se limitar a essa função! (que levou ao finjo que ensino a quem finge que aprende... a quem finjo que pago...)
As ONGs começaram a tomar o espaço, (que a meu ver é da escola!) de EDUCAR - em seu real sentido - , os que a escola não dá conta...
Só que ao invés de trabalhar COM a escola, por serem na maioria das vezes por ela repelidas, essas organizações começam a fazer um trabalho paralelo à escola! (muitas vezes tentando consertar os estragos que a própria escola fez na vida de milhares de garotos!) Estas, preocupadas com "atividade física, da sexualidade, da saúde, da nutricional, do meio ambiente, da família, da política, da cidadania, além da aprendizagem" vem obtendo sucesso em suas ações... (ao contrário da escola!)
Portanto, a conclusão que chego é a seguinte: sem esse "acumulo de funções" a escola pode ser plenamente dispensável com os meios de informação hoje existentes após a alfabetização! Elas se transformam em verdadeiros estacionamentos de alunos se não cumprirem com seu papel social de educadoras nas áreas de "atividade física, da sexualidade, da saúde, da nutricional, do meio ambiente, da família, da política, da cidadania, além da aprendizagem"
Simplesmente porque essas áreas não estão desassociadas da formação de um ser humano, fazem parte do sentido da apredizagem! (e já sabemos que apredizagem sem sentido não existe, né?)
O problema é que a escola não quer nem "acumular" nem "dividir"...
Reluta em chamar voluntários nas áreas onde não tem competência para agir, tem medo que esses voluntários exerçam o papel de fiscalizadores de seus erros, não aponta esse como um dos problemas para a solução do aprendizado (nunca ouvi um professor pedindo para ter mais funcionários ligados a essas áreas que a Santa citou!... falam só do próprio salário...)
A escola, como uma vez a Igreja do bairro, é onde se tem o contato com as famílias e seus problemas de forma organizada e conjunta. Isso faz dela o melhor lugar para informações sobre "atividade física, da sexualidade, da saúde, da nutricional, do meio ambiente, da família, da política, da cidadania, além da aprendizagem"...
Professor que se furtar a isso pode desistir da função pois ela exige isso! (além do afeto e respeito pelo aluno e pelo SABER!)
Quanto ao consertar os desmandos sociais: só através de um povo mais bem EDUCADO é que se pode esperar mais civilidade, mais consciência, mais valores coletivos, mais oportunidades iguais para todos, mais luta pelos próprios direitos e principalmente mais sonhos para o futuro.
"Educação" ta me parecendo que estar virando uma idéia abstrata que nem "amor"!
E não é: na ponta do sistema o órgão social responsável pela EDUCAÇÃO é a ESCOLA, o local onde ela deve se dar é a SALA DE AULA e o funcionário responsável por isso é o PROFESSOR!
Sinceramente? Se isso exige abolir as matérias formais da escola que façamos isso e troquemos As Guerras Púnicas por lições de cidadania, equações de segundo grau por "Aonde vai o dinheiro dos impostos", se se escreve com x ou com s ou com ç ou com ss por "a quem se dirigir para exigir nossos direitos", em vez de mitocôndrias "quais os cuidados que se deve ter com o próprio corpo", em vez de decoreba optemos por música clássica, poesia, livros de qualidade... invés de copiar do quadro negro conversas com quem sabe das coisas...
E podem ter certeza: não é salário que muda isso, é consciência da própria função que parece estar faltando a muitos professores!

14 janeiro 2007

Férias, nós?...


Ao contrário dos professores e demais profissionais da educação, nós, que não ganhamos $ (mas temos inúmeras satisfações por este trabalho) não temos férias: estamos sempre de plantão (mesmo em Fernando de Noronha, hehe) para auxiliar os pais e alunos que nos procuram. Hoje, um belo domingo de sol aqui em Sampa, foi a vez de um grupo de alunos do ProJovem, programa federal supletivo para alunos de 18 a 24 anos que queiram completar o Ensino Fundamental, com orientação profissionalizante. Tivemos dificuldades para obter informações mais concretas, pois o programa não consta do site do MEC. Trata-se de uma iniciativa da própria Secretaria Geral da Presidência da República, à qual endereçamos a mensagem aqui transcrita, na esperança de que os alunos sejam finalmente atendidos, pois também não estão de férias: o curso deveria ter iniciado em fevereiro, mas começou em maio de 06 e deverá terminar também em maio deste ano. Boa sorte para os alunos, vítimas do descaso e da indiferença governamental.

E d u c a F ó r u m
Pais, alunos, educadores e cidadãos que lutam pela escola pública e pela cidadania

São Paulo, 14 de janeiro de 2007

Secretaria Geral da
Presidência da República

At. Sra. Maria José Vieira Feres
Coordenadora do programa
ProJovem

Cópia para o
Sr. Fernando Haddad
Ministro da Educação

Ref.: Sérios problemas na implantação do programa ProJovem em São Paulo

Prezadas Autoridades,

Recebemos contato de um grupo de jovens que participam do programa ProJovem em São Paulo, na EMEF Prefeito Adhemar de Barros, Campo Limpo, denunciando uma série de irregularidades que detalhamos a seguir.

O curso, que iniciou somente no mês de maio de 2006, está com falta de professores para as matérias

Matemática – a professora deu aula somente durante dois meses e não compareceu mais.
Educação para o Trabalho – os alunos não tiveram até hoje aula dessa matéria, essencial para a realização do projeto.
Informática - a sala está até hoje desmontada, ou seja, os computadores chegaram mas continuam encaixotados e o professor ainda não foi apresentado aos alunos.

Além da falta de professores para essas disciplinas, a AULA VAGA nesse curso é uma verdadeira calamidade: a professora de português costuma faltar a mais da metade das aulas; a professora de inglês falta um pouco menos que a metade; as duas professoras de ciências parecem ser mais responsáveis, mas uma contagem rápida revela que esses alunos têm uma média de AULAS VAGAS de 40% a 50%. Eles deveriam ter aula das 19:10 às 23:00, mas costumam ser dispensados diariamente às 21:20, o que confirma a denúncia.

Praticamente metade dos inscritos já desistiram do curso e os que ainda persistem não conseguem informações sobre as pendências. Os alunos costumam ligar constantemente para o número 0800 que lhes foi informado, mas nunca receberam retorno. A situação é tão caótica, que alguns alunos já abandonaram as aulas há meses mas continuam recebendo o auxílio financeiro, enquanto outros que apresentam assiduidade não o recebem... O projeto prevê a manutenção do auxílio para os alunos que tiverem o mínimo de 75% de presença às aulas, mas obviamente a freqüência não está sendo computada, até porque as AULAS VAGAS superam essa percentagem.

Prezadas Autoridades, foi com profunda decepção que recebemos esta denúncia, pois entendemos que esses alunos estão sendo ludibriados. Aliás, o ProJovem nem aparece no site do MEC, apenas em site próprio, como projeto especial da Secretaria Geral da Presidência da República. Entendemos que ele deveria receber maior atenção e pedimos providências imediatas, para que os alunos que ainda continuam freqüentando não desistam da chance de completar o curso. Esses jovens merecem, pois são inteligentes e, apesar de dificuldades na escrita, souberam relatar com muita clareza a forma como o projeto está sendo administrado.

Esperamos que as reivindicações dos alunos sejam atendidas no menor prazo possível, já que não terão férias, a fim de poderem completar o Ensino Fundamental em maio. Solicitamos também fazer uma intervenção séria no projeto, pois a sociedade precisa ter certeza de como são aplicadas as verbas destinadas ao ensino, a área governamental mais importante para que o País possa retomar seu rumo em direção ao desenvolvimento.

Abaixo o cacoete!


Nosso objetivo aqui é promover o professor! É isso mesmo, não adianta esse risinho amarelo... Tanto é que sempre trazemos depoimentos de professores de alto nível, verdadeiros educadores. Se esses mestres costumam criticar a própria corporação, o que podemos fazer? Será que eles não estão certos?... Segue abaixo a carta enviada pela Professora Glória Reis, de Leopoldina, ao Jornal Estado de Minas, escrita após ler o artigo de um "catedrático" dizendo que o Fundeb não vai mudar nada porque não vai atingir o essencial, que é melhorar o salário dos professores. A única ressalva ao texto da Glória é a questão do "afeto" na relação professor-aluno. Afeto não nasce do nada, salvo da mente delirante do ex-Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Gabriel Chalita, do qual esperamos estar livres para sempre. O professor não precisa ter afeto pelo aluno: basta respeito, já será de bom tamanho!

Sobre o artigo "Fundeb salvador?" do Padre Geraldo Magela Teixeira ( 13/01), mais uma vez a imprensa presta um desserviço à educação, centralizando o nosso fracasso educacional à questão salarial. Isso já virou cacoete na imprensa. Não se discute se tal afirmação é verdadeira ou não, as pessoas vão repetindo feito papagaios. Numa época marcada pelo desemprego, quem exerce o magistério é um privilegiado: julho, dezembro e janeiro estão de férias, aula em fevereiro só depois do carnaval. Durante o ano emendam todos os feriados chegando alguns meses a não ter 15 dias de aulas. É a classe que mais falta ao trabalho, deixando os alunos na ilegal AULA VAGA, que tanto prejudica o cumprimento da carga horária do ano letivo. Quem não quer um emprego desse?

Diz Lauro de Oliveira Lima, em seu livro "Para que servem as escolas?", que "a imensa máquina da educação, sem controle, gerida aos trancos e barrancos por um sindicalismo classista, sem nenhuma sensibilidade para os reais objetivos do sistema, cuida exclusivamente dos seus interesses - reivindicação salarial - distanciando-se, progressivamente, de suas finalidades". Outra falácia é dizer que os professores não disputam vagas. Não há emprego mais disputado do que o magistério, pelas benesses que não existem em nenhuma outra profissão. Portanto, gente, vamos virar esse disco e ter a coragem de tocar nos verdadeiros entraves da educação: o corporativismo da classe, a falta de cobrança e fiscalização das autoridades competentes, o autoritarismo disciplinar nas escolas, a estabilidade do servidor público que não permite dispensar por incompetência e falta de resultados e, por fim, a falta de afeto na relação professor-aluno, entre outros.

Glória Reis, Leopoldina, MG

Música para os ouvidos


Que raridade, um texto tão oportuno e sensato! Para vocês, mais um artigo do professor Luiz Carlos de Menezes, que copiei da seção Pense Nisso, da revista Nova Escola.

Ao valorizar escolas que conseguem promover a boa Educação, ouço depoimentos sobre algumas tão mal qualificadas que sua recuperação faria pouco sentido, pois talvez só se salvasse o prédio - para outro uso. Deixando extremos à parte, há escolas melhores e piores e saber o que as distingue é essencial para aperfeiçoar as redes. Escolas privadas têm custos e benefícios comparados por pais de alunos que conferem o serviço que oferecem. Escolas públicas não estão em regime de mercado, mas é preciso uma contínua verificação da qualidade, que é um direito universal.

Dizem que a nós, brasileiros, falta cultura de avaliação, mas nos envolvemos o tempo todo em julgamentos de campeonatos esportivos, desfiles de escolas de samba, desempenho da economia... Com critérios práticos, estéticos ou éticos, analisamos e contratamos ou dispensamos técnicos, craques, coreógrafos e governantes. Será que não poderíamos ser estimulados a avaliar o desempenho de nossas escolas e garantir um ensino de qualidade para todos? Talvez não sejam necessários informes diários, como a cotação do dólar, mas quem sabe uma reportagem semanal sobre escolas... Provas nacionais são importantes, mas avaliar a Educação em cada escola ou cada município tem de levar em conta condições locais não para relativizar os resultados, mas para identificar e resolver problemas em seu contexto. No Ensino Fundamental, após dois anos de estudo as crianças devem saber ler e escrever bilhetes e calcular o valor de compras por peso. E em mais dois anos todas devem saber estimar uma área ou um volume e relatar por escrito suas experiências e percepções. São habilidades essenciais em todo o mundo, mas há milhões de alunos em muitas de nossas salas de aula que não as possuem (e, como esse é um problema social e crônico, talvez venham a ser os primeiros em suas famílias a possuir). Por isso, pode-se dizer que o trabalho das escolas constrói a cidadania - ou não! Mesmo quando os exames são "só para decidir quem passa", as escolas também estão se avaliando: se muitos forem reprovados, o serviço não foi feito.

Crianças que não aprendem não devem ser punidas, mas orientadas e apoiadas, e o mesmo se aplica a escolas que não ensinam, que devem mudar suas práticas ou receber novas condições de trabalho. As que mostram bons resultados não precisam ser "copiadas", mas tomadas como prova de que diretores, professores e comunidade, unidos em torno de um projeto adequado, garantem a todas as crianças a boa Educação, que é seu direito. Onde essas boas escolas não existem ou são exceções, não se deve dizer que "o buraco é mais embaixo", pois o problema pode estar "mais em cima", na supervisão da rede escolar ou na administração pública, que também precisam ser reformuladas. Em qualquer caso, não podemos nos conformar com Educação pública de qualidade inferior, por ser "gratuita", até porque todos pagamos por ela. Você já pensou de que forma TVs, rádios e jornais ajudariam a avaliar e orientar nossa Educação pública? E governantes e especialistas? E nós, professores, o que podemos fazer? E você? Pense nisso!

Luis Carlos de Menezes é físico e educador da Universidade de São Paulo e acredita que nossa Educação pública deve se tornar referência de qualidade para a construção da cidadania

A mesma lenga-lenga de sempre



Não posso ler essa lenga lenga de professorazinhas sem me revoltar!

Folha de São Paulo, seção "Cartas dos leitores", 12/01/2007)
Educação "Os professores da rede estadual de São Paulo estão submetidos a um verdadeiro massacre. Recebem um salário aviltante, não têm condição de trabalho e sua rotina é insalubre. Lecionam em salas com 50 alunos adolescentes e têm apenas giz e lousa como instrumentos. Xerox de textos? Imagens? São pagos do próprio bolso. Tempo para se reciclar? Nenhum.Nesse cotidiano violento, "adoecedor" e frustrante, falar em "motivar o aluno", em "aulas interessantes" e em "disciplinas estanques" soa mais como piada.
Os bons alunos, que não são poucos, estão sendo desperdiçados. Os bons profissionais, que são muitos, estão abandonando o magistério por questão de sanidade."
FABIANA LOPES, professora (São Paulo, SP)"


Alguns números pra professora Fabiana parar de usar estereótipos pra justificar as aulas mal dadas por milhares de professores da rede pública:
fonte INEP censo2005
A média de alunos por classe no Estado de São Paulo na rede estadual de 5.a a 8.a série é de 35,32 alunos e não de 50

número de alunos inscritos 5 a 8 estadual: 1.879.603
alunos afastados por transferencia: 187.375 - imagine quantos contra vontade!
afastados por abandono: 56.127 - esses não aguentaram mesmo!
alunos reprovados: 141 392
alunos aprovados: 1.627 .311
Total de alunos reprovados no Brasil em 2004 no Ensino Fundamental: 4 125 329 !!!!!!!!
E dizem que não ensinam porque não podem reprovar!!!!!!!!!
Pena que não existam estatisticas sérias de aulas vagas e das falta acumuladas de professores!
O professor tem sim hora atividade onde pode estudar e preparar suas aulas. E pode fazer de suas próprias aulas momentos de aprendizagem para si mesmo...
Dizem que por o professor ganhar pouco não pode se informar sobre as novidades da sua área... Aí penso na gente aqui que não ganhamos nada pra desenvolver esse trabalho extra (temos nosso trabalho e profissão tb com todos os problemas que isso acarreta!) e nem por isso...
SALÁRIO NÃO É O PROBLEMA FUNDAMENTAL DESSA HISTÓRIA!!!!!
Recomendo a professora Fabiana que mude de profissão pois a idéia que tem de insalubridade de uma classe cheia de alunos a torna incapaz de exercer a profissão de EDUCADORA! Ela pode ser comediante talvez já que acha tudo uma piada!

O problema, professora, não são materiais disponiveis que faltam... (essa história mentirosa de lousa e giz já encheu também né? Usar uma biblioteca, videoteca, brinquedoteca nem pensar né? Chamar uma ong ou voluntários que forneçam materiais também é assunto tabu né? Sair da sala de aula pra dar aula no patio, no museu, no teatro, sonho impossivel né?) Na verdade o que professor precisa ter é massa cinzenta no crânio, luz no olhar, entusiasmo na voz, consciência social, ciência da importancia do que ensina, crença nos alunos, conhecimento do passado e esperanças pro futuro! O resto vem por si só...

Quem não tem nada disso pode ir vender pipoca ou tapioca por que melhor falta de aula que aula mal dada!

11 janeiro 2007

Professora que ensina a fumar! Pode?


Está nos comentários do "A vez da Folha" mas acho que merece um post sobre isso:
David diz: "Meu filho, que 'passou' para a oitva série me conta que ele experimentou cigarro, que eu, fumante, o proibo (ele tem apenas 13 anos) COM A PROFESSORA. Eu estou sem saber o que fazer. Minha vontade é de ir a escola e dar-lhe a devida porrada, mas sou educado demais para isso.Pode?"
Não pode não! (e não vai aqui nenhuma histeria antitabagista porque também sou fumante!)
Outro dia perguntaram num comentário porque agora se chama professor de "educador" (eles odeiam isso!). Não pensem que é uma questão de nomenclatura só : é para que eles percebam que não estão lá só para vomitar matéria e aplicar provas mas para educar um ser humano em formação!
Enquanto esse ficha não cair nada vai mudar, enquanto professor não criar consciência de sua responsabilidade na formação de cidadãos e não se julgar somente repetidor de disciplinas a escola vai continuar sem ética, imoral!Enquanto os professores não atualizarem seus métodos de ensino e continuarem a escrever num quadro negro matéria dada de costas para os alunos ( comentário de Plinio Fraga sobre isso nos Educa Fórum - os textos), ignorando suas diferenças e problemas ela vai continuar chata e sem significado.
E quem teria a força pra fazer tudo mudar?
Uma lei? Ela já existe! e não resolve!
Somente a interferência firme da sociedade exigindo isso poderia abrir uma luz nesse complexo túnel. Não com ações isoladas mas com união entre os pais e as organizações sociais que se dispõe a ajudar nesse sentido e ainda se unindo e dando força a alguns professores conscientes que lutam contra a maré
Por isso, David, seria importante você colocar para os pais o ocorrido com seu filho.
Quem pune essa professora maldita que oferece cigarro a um aluno se você não a denunciar? Sei que nos sentimos indefesos e inseguros pois sabemos dos intrincados caminhos que podem decorrer dessa ação e que, ao contrário do que alardeiam, os professores ainda gozam de uma incrível confiabilidade e respeitabilidade decorrentes do cargo que ocupam.
E são difíceis mesmo, David, os enfrentamentos que advém dessa cobrança de atitude ética por parte dos professores... Eles na hora do aperto se unem como mafiosos para defender a classe!
Chatos é o adjetivo mínimo com o qual se referem a nós, pais contestadores! Mas só quando resolvermos tomar coragem e enfrentar isso vamos conseguir mudar alguma coisa!
Talvez a gente não consiga mudar a Educação como um todo com nossas atitudes mas mudando uma aula já estaremos fazendo muito por nossas crianças e jovens!
E de aula em aula... de professor em professor.... quem sabe a gente não chega lá?

10 janeiro 2007

A vez da Folha


Me cutucaram para falar da matéria “Escola não motiva e perde alunos”, publicada na Folha de São Paulo de 07/01. Eu não ia comentar, pois já fiquei irritada com o título. O jornalista Antonio Góis, que respeito, certamente não escolheu a manchete (sei muito bem como funciona isso) e sua matéria deve ter sido toda retalhada e retocada como manda o “figurino”. Isso resultou num texto morno e amorfo que não dá nem de longe a dimensão do estrago. Vou refazer a manchete: Escola desmotiva e exclui alunos. Um título como esse ia agitar as Secretarias de Educação e os demais órgãos de ensino. Batalhões de supervisores e assessores ficariam preocupados com o uso da palavra “exclusão”, que poderia ser usada para responsabilizá-los. As palavras proibidas na rede pública de ensino são Exclusão, Expulsão, Perseguição, Represália, Intimidação e Constrangimento. São proibidas porque constituem crime. E a mídia também não se atreve a mencioná-las para... não perder o freguês! O dia que algum órgão de imprensa quisesse publicar uma matéria bombástica tratando desses assuntos e dando nome aos “bois”, o jornal seria obrigado a consultar o “outro lado”, ou seja, a secretaria de educação local. Nesse “bate-papo” seriam colocados muitos panos quentes sobre os fatos: a expulsão se transformaria em “transferência de unidade escolar em vista da melhor performance do aluno”, perseguições e represálias virariam “atos disciplinares”, intimidação e constrangimento seriam apenas “orientação para o bem do aluno”. Enfim, a matéria acabaria sendo “derrubada” (como se fala na gíria da imprensa) e não sairia. Dentre as palavras “tabu” na educação pública, a expressão mais proibida é Aula vaga, ou seja, a aula prevista e não dada, porque o professor falta por direito ou por licença, ou por enforcar feriado, ou porque é início das aulas, ou porque o semestre está terminando, ou por dor de barriga, ou por dar aula na rede particular (onde não pode faltar!). A aula vaga caracteriza “Oferta irregular de ensino” e contraria o Estatuto da Criança e do Adolescente. Não se fala dela porque é crime e a mídia também faz de conta que não conhece a expressão, para não contrariar o maior “freguês”, que não é o comprador do jornal, mas o governo...

Voltando à matéria da Folha, a aluna que abandonou a escola por “preguiça” de andar vinte minutos na ida e vinte na volta estava com toda a razão: vale a pena gastar quarenta minutos de caminhada para ter duas ou três aulas de cinqüenta minutos por dia? E muitas vezes ser dispensada após a chegada, por não ter aula nenhuma? Mas a matéria não fala de Aula Vaga, só fala de aula chata...

A matéria aponta as dificuldades do aluno trabalhador terminar os estudos, mas não fala das inúmeras vezes que ele chega dez minutos atrasado e lhe batem o portão na cara com um sorrisinho de satisfação. Nenhum aluno se sentiria à vontade para declarar isso a um jornalista, mas nós cansamos de ver essa situação todos os dias. É o mesmo aluno obrigado a rastejar debaixo de uma catraca de ônibus após o expediente, chegando à escola faminto e sem direito a merenda. Quantos conseguem persistir?

Para não falar do aluno tratado aos berros e apelidado de “laranja podre”, como aquele que conseguimos rematricular no Campo Limpo.

Senhores jornalistas, este é o “tratamento padrão” dado ao aluno adolescente dentro da rede pública de ensino, principalmente na periferia dos grandes centros urbanos.
Ah! Se o problema fossem somente as aulas chatas!! Afinal, aula chata não mata ninguém e aí – quem sabe – o aluno corre o risco de aprender alguma coisa. Mas a mesma garota com preguiça de andar vinte minutos revela: “Os professores são chatos e não sabem explicar nada”.


Então não adianta: tá tudo dominado!

07 janeiro 2007

Que blog chato!


Este é um blog chato! Não somos nós que afirmamos isto, hehe. Mas concordamos com alguns leitores que procuram diversão, agito, variedades. Esses já podem assistir ao BBB, ou promover o BBE, como sugeriu nosso amigo Mauro. Mas esse seria ainda mais chato, hehe.

Para não perdermos o hábito da chatice, lá vai nossa resposta ao relatório recebido da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo sobre o aluno do Campo Limpo que havia ficado sem rematrícula. Não queremos entrar em polêmicas com a Secretaria, pois nosso objetivo é manter as portas abertas para ajudar os demais pais e alunos que nos procuram, portanto damos como encerrado este caso específico, mantendo porém nossos questionamentos com respeito ao assunto “tabu” expulsão de alunos.

À
Secretaria de Estado da Educação
Cópias para a GOGSP e DE Sul 1

Agradecemos o excelente tratamento dado à mãe do aluno Lucas, Sra. Genilda, em sua segunda visita à DE Sul 1.

Independentemente da solução dada à questão da rematrícula do aluno (assunto resolvido!), gostaríamos de tecer alguns comentários a respeito da sua resposta:

Não imaginávamos que os argumentos utilizados para justificar a omissão e a ilegalidade dos procedimentos tomados pela direção da escola seriam diferentes. Sabíamos que a resposta viria exatamente assim: "Em nenhum momento foi falado sobre expulsão, e sim chamaram a mãe para juntos chegarem a uma solução do que seria melhor para o aluno melhorar na sua vida escolar." A forma como o aluno foi descrito também corresponde às nossas expectativas: uma verdadeira "laranja podre". Essa expressão, aliás, é do próprio aluno, que nos relatou pessoalmente a forma como tem sido tratado na escola, pela diretora e por professores da unidade. O aluno não tem acesso à Internet, portanto, não inventou a expressão nem poderia saber que ela é a mais utilizada na rede pública de ensino em todo o Brasil, para discriminar e perseguir os alunos que "dão trabalho".

Mas este caso em particular já está resolvido: o aluno já entendeu que não deve reagir aos gritos e provocações de quem quer que seja. Esperamos que consiga, pois a adolescência é uma idade difícil em que o ser humano ainda não aprendeu a "engolir sapos" e, em alguns casos, a rebeldia continua vida afora. Deixamos claro ao aluno que só continuaremos a apoiá-lo desde que ele esteja com a razão, ou seja, se vier a ser ofendido antes de reagir e tiver feito algum esforço para segurar a indignação, informando-nos depois o ocorrido.

O que nos preocupa é a questão que estamos cansados de denunciar à Ouvidoria, à Secretaria de Educação, à COGSP e às diversas Diretorias de Ensino: o hábito ilegal e disseminado na rede pública de expulsão de alunos via Conselho de Escola ou através da negação de rematrícula, verdadeiro assunto "tabu". Não adianta argumentar que se trata de "transferência para o bem do próprio aluno", pois a instalação de um tribunal de exceção dentro da escola ou a negação da rematrícula são práticas absolutamente ilegais. Será coincidência que dois alunos vizinhos, mesmo estudando em duas escolas que pertencem a Diretorias de Ensino diferentes, foram vítimas da mesma prática no final do ano passado?...

Ainda ficamos no aguardo de um claro posicionamento da SEE repudiando essas práticas ilegais. Entendemos que essa manifestação precisa ser dada na página principal do site da Secretaria.

Outra reivindicação antiga é que o site da Secretaria divulgue, de forma ampla e clara, as normas para a constituição democrática dos Conselhos de Escola, publicando uma única data para a eleição e promovendo uma verdadeira "campanha eleitoral" com a devida antecedência. Entendemos que a eleição precisa ser divulgada amplamente, não apenas no site da SEE, mas através da mídia, dando a devida importância a esse assunto vital para a efetiva melhoria da educação no Estado: a Gestão Participativa na escola. Vejam nosso artigo Gestão Participativa: a exclusão da comunidade, publicado no livro Educação 2007, da Editora Humana e em nosso blog
http://educaforum.blogspot.com no link "EducaFórum - os textos".

05 janeiro 2007

Estadão: seja mais ÃO!


No dia 24/12 publiquei o blog Dá pra ser mais JT?
Hoje estou questionando o Estadão, ilustre genitor do JT. Vão pensar que é discriminação contra o grupo Estado. É não: com a Folha nem tem papo!

O editorial A volta do “participacionismo”, publicado em 04/01, bate feio no projeto do deputado Enio Tatto que propõe a eleição dos diretores de escola pela comunidade. Como se tudo se reduzisse a uma questão partidária! Não é não: nada a favor da família Tatto ou da politicalha petista. Mas a questão da eleição dos diretores pela comunidade é um dos fatores que poderiam tirar a educação do marasmo. Quero falar da minha experiência pessoal como mãe de alunos da rede pública, na época em que me atrevi a matriculá-los numa escola municipal de São Paulo, em 1990, quando o secretário da educação era Paulo Freire. Paulo Freire, senhor editor do Estadão!, um mestre conhecido e respeitado em muitos países de “primeiro mundo”, menos nesta terra de ninguém onde qualquer um dá palpites em educação, sem o mínimo conhecimento.

Pois bem, a diretora da escola era malufista, mas disfarçava muito bem, só fiquei sabendo disto depois que o Maluf foi eleito e ela abandonou a escola para integrar o gabinete da Secretaria Municipal de Educação! Ela disfarçava tão bem que deixava a porta da direção aberta para atender pais e alunos à hora que fosse necessário. Sabe por que? Porque essa era a orientação que vinha de cima: em primeiro lugar, o atendimento à comunidade. Dona Cidinha, esse era seu nome, não teve como burlar a orientação recebida: precisou convocar a comunidade para a eleição do Conselho de Escola com a devida antecedência, organizou uma “campanha eleitoral” em que os pais de alunos ficaram conhecendo outros pais de alunos e até eu, mãe de primeira viagem, acabei sendo eleita, mesmo com poucos votos. Aquele ano e o seguinte foram os melhores de toda a vida escolar dos meus filhos. Mesmo quando o Maluf entrou na Prefeitura, colocando tudo a perder em poucos meses, os mantive na rede pública. A curta experiência de uma escola democrática e de qualidade me incentivou a continuar batalhando até à formatura dos meus filhos. E além!

Quando Dona Cidinha abandonou a escola para a Secretaria, a nova diretora foi eleita pelo Conselho de Escola, da forma mais democrática possível. Isto, na gestão Maluf!!!
Bem que o Maluf tentou revogar esse mecanismo, mas não conseguiu! Outra coisa que o Maluf não conseguiu, foi reduzir a percentagem das verbas do ensino, de 30% para 25% dos impostos e transferências. Ele não conseguiu, mas a Martaxa resolveu esse “problema” de uma única canetada, à luz do dia e sem qualquer constrangimento! Veja, portanto, senhor editor do Estadão, que a questão não é “ser ou não ser PT”, é ter ou não ter compromisso com a educação.

Ora, ora, ora, mas o que os pais entendem de educação para se meter a eleger diretor de escola? Entendem, sim! Aliás, taí uma boa dica para uma matéria ÃO: discutir a diferença entre educação e ensino. Os pais podem não entender de ensino, podem falar ou escrever de forma errada, podem não saber fazer raiz quadrada ou logaritmos, mas entendem de educação. A maioria deles tem “feeling” suficiente para saber se seus filhos estão caindo “nas mãos” de professores ou diretores humanos ou arrogantes, sérios ou charlatães, equilibrados ou descontrolados. Talvez eu deveria dizer: a maioria das mães... Peço perdão pelo “feminismo”, mas é que os pais, geralmente, pouco se interessam pela vida escolar dos filhos e tendem a aceitar sem questionamentos os desmandos de professores e diretores. As mães olham bem nos olhos daqueles a quem vão confiar seus filhos e sabem separar o joio do trigo.

A questão da educação de professores e diretores, numa rede pública sem fiscalização como a nossa, é tão ou mais importante do que a qualidade do ensino. Principalmente porque todo aprendizado se dá pelo exemplo. O que “aprendeu” o aluno Lucas do Campo Limpo (veja o nosso post de 02/01), ao ver sua mãe ser maltratada e humilhada pela direção da escola? Aprendeu a “enfrentar” a diretora, o que lhe valeu uma expulsão, até que conseguimos convencer a Diretoria de Ensino de que o exemplo precisa vir de cima.

Independentemente disso, do que se tem medo ao rejeitar a eleição dos diretores pela comunidade? Ainda se acredita que “São Paulo está à frente de todo o Brasil graças aos concursos públicos”, como afirmou Guiomar Namo de Mello? Todos os índices indicam que o marasmo é o mesmo no País inteiro, aliás, na Prova Brasil São Paulo “apanhou” de diversas capitais do nordeste. Será devido aos concursos públicos?... Portanto, senhor editor do Estadão, vamos pesquisar mais o assunto antes de atirar um projeto à lata do lixo. Aliás, os projetos precisam ser discutidos em seus detalhes e não simplesmente rejeitados com argumentos simplistas ou partidários.

A eleição democrática de diretores de escola poderá dar muito certo, desde que seja respaldada na eleição democrática dos Conselhos de Escola, uma etapa anterior absolutamente ignorada na rede pública. As Secretarias Estadual e Municipal de São Paulo não se preocupam em dar qualquer instrução ou orientação mais específica para que esse processo seja realizado de uma forma minimamente correta ou legal. A imprensa também não dá a mínima bola para o assunto, limitando-se a registrar o costumeiro “caos” do início de cada ano letivo - falta de professor, falta de carteiras, falta de merenda - em vez de registrar o boicote à eleição democrática dos Conselhos de Escola, que poderiam fiscalizar todo o caos e tomar providências efetivas, inclusive elegendo diretores compromissados com a escola. Isto acabaria também com a dança das cadeiras e as indicações politiqueiras!

Aliás, senhor Editor, o Conselho de Escola é um colegiado formado por pais e alunos, mas também por professores e funcionários da escola. Não deixe o seu leitor entender que só os pais e alunos iriam eleger os diretores! E sabe por que os sindicatos estão apoiando o projeto do Enio Tatto? Tchan tchan tchan tchan!... Porque os Conselhos de Escola são hoje totalmente manipulados pelo corpo docente e os representantes dos pais são escolhidos a dedo para dizer amém à corporação...

Senhor editor do Estadão, quer ser mais ÃO? Mande cobrir a eleição dos Conselhos de Escola no próximo ano letivo!

03 janeiro 2007

Primeira vitória do ano!


Impressionante e louvável a educação com que foi tratada hoje a mãe do aluno Lucas, Genilda da Silva Cané, pelo Dirigente de Ensino Sul 1, Hermany de Souza Roberto. O aluno teve sua rematrícula negada na EE Presidente Kennedy, no Campo Limpo, São Paulo. Leia o histórico em nossos posts Campanha contra a ojeriza e Dois tipos de vergonha, ambos de 20/12, Diretoria de Ensino apóia expulsão, de 19/12 e Mais uma expulsão, de 16/12. Tivemos que gastar muito “latim” para mostrar a inconstitucionalidade da expulsão de um aluno da escola, ainda mais um aluno trabalhador.

O dirigente pediu desculpas à mãe pela forma autoritária com que foi tratada na escola e na Diretoria de Ensino, garantindo que ele próprio providenciou a rematrícula do aluno com data de ontem, 02/01.

É uma vitória? É. Mas é triste que se tenha tanto trabalho para conseguir algo tão óbvio: um tratamento educado dentro de uma...instituição de ensino. Trata-se, na verdade, de mais uma vitória da Internet. Pela primeira vez em muitos anos de trabalho estamos contando com uma divulgação ampla, independente da imprensa, sempre parcial e geralmente desinteressada pelo assunto educação. Sabemos que grande parte dos visitantes deste blog são profissionais do ensino da rede pública e temos certeza de que muitos deles estão começando a compreender a seriedade e a responsabilidade de seu papel no trato com o aluno e a comunidade.

A mãe de Lucas expressou comovida que sem a nossa interferência a situação não teria sido resolvida, pois a diretora da escola havia garantido que o aluno não seria rematriculado. Isso não nos envaidece, mas preocupa, porque pensamos nos milhares de alunos em todo o Brasil que passaram por uma situação parecida e não tiveram o mesmo apoio.

Continuamos aguardando o posicionamento da Secretaria Estadual da Educação sobre seu apoio ou repúdio à expulsão de alunos através do Conselho de Escola ou da negação da rematrícula.

02 janeiro 2007

Feeelizzz Doismileseteee!



Em agradecimento pelas visitas e participação, escolhemos esta imagem para presentear vocês. Esperamos que gostem.

01 janeiro 2007

Gestão participativa


Leia, na página de textos, nosso artigo
Gestão participativa na escola: a exclusão da comunidade, publicado no livro Educação 2007, da Editora Humana, www.humanaeditorial.com.br

O texto conta com a colaboração dos nossos parceiros PaisOnline, Comunidade de Olho na Escola Pública, Grupo de Trabalho para o Fechamento da Febem, Glória Reis e Cremilda.

O artigo é fruto das nossas experiências de pais de alunos de escolas públicas e oferece soluções simples e eficazes, que dependem porém de...vontade política.

Àqueles que acham "um absurdo" os pais quererem participar da gestão da escola, damos três respostas:

  1. Essa é a solução mais sensata para retirar a educação do marasmo em que se encontra, pois os pais são os maiores interessados na formação de seus filhos.
  2. Se os professores e diretores de escola tivessem seus filhos na rede pública, eles também seriam "pais gestores", não é? E, certamente, a escola seria muito melhor gerida. Portanto, um dos maiores problema da rede pública é o fato de...os filhos da classe docente estudarem na rede particular.
  3. Esta resposta é decorrente da anterior: na situação crítica em que se encontra a educação deste País, não faz o menor sentido professores e diretores entenderem a participação dos pais na gestão da escola como uma "invasão" e muito menos se melindrarem com essa determinação constitucional.